São Paulo – De janeiro a março deste ano o preço dos automóveis 0 KM subiu, em média, 3,36%, segundo levantamento da KBB, Kelley Blue Book, empresa especializada na análise de preços do mercado automotivos. Alta nos custos dos insumos e a baixa oferta de modelos na rede foram algumas razões que colaboraram para essa correção nos preços, segundo Ana Renata Navas, diretora geral da Cox Automotive Brasil, controladora da KBB, que acredita em tendência de alta até o terceiro trimestre, ao menos.
“Temos a expectativa de que as montadoras comecem a produzir mais a partir de setembro, aumentando a oferta de veículos novos no mercado, o que trará de volta o poder de negociação aos compradores. Retornariam, também, possíveis campanhas de vendas, estabilizando esse movimento de altas seguidas”.
Segundo ela o momento fora do normal do mercado, com baixa de ofertas, reduz a margem de negociação do consumidor: “O preço é aquele e quem quer comprar tem que pagar. Assim os preços praticados ficam mais elevados”.
As montadoras também gastaram mais para adaptar suas fábricas para produzir durante a pandemia da covid-19: reduziram o número de funcionários, compraram equipamentos de proteção, instalaram dispenser de álcool em gel em todas suas fábricas, dentre outras ações que geraram custos adicionais. Tudo isso contribuiu para subir o preço final ao consumidor.
Dos dez automóveis mais vendidos no trimestre o Hyundai HB20 foi o que registrou o maior aumento de preço no período, 8,77%, seguido pelo Jeep Compass, que ficou 7,1% mais caro. Em terceiro lugar ficou o Fiat Argo, com reajuste de 4,51%.
Navas projeta alta também nas vendas a partir do último trimestre, considerando o histórico do mercado, usualmente mais aquecido nos três últimos meses do ano por causa do décimo-terceiro salário e as férias. Uma série de lançamentos previstos para o segundo semestre também deverá aquecer a procura por carros novos.

Seminovos – Todo o cenário de desabastecimento do mercado de 0 KM refletiu na demanda por seminovos, também em alta. Com isso os preços também subiram, segundo Ana Renata Navas: o revendedor que possui um carro com um ou dois anos de uso e baixa quilometragem está com ouro nas mãos.
"Com menos carro zero no mercado os compradores migraram para esses seminovos, gerando também oferta menor do que a demanda no mercado. É necessário que oferta de veículos novos aumente, para que a de seminovos e usados cresça".
Navas também ressaltou um fato importante: muitas pessoas mais novas, não queriam ter um carro e usavam apenas transporte público e aplicativos, agora mudaram de pensamento com a chegada da pandemia e começaram a buscar automóveis com três a cinco anos de uso para o seu transporte individual, aquecendo ainda mais o segmento.
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