Santo André, SP – A planta da Continental em Camaçari, BA, destina a maior parte de seus produtos ao mercado de reposição, que responde por cerca de 80% das vendas. Estão nos planos da companhia, porém, ampliar a participação no segmento original, a partir da venda direta para fabricantes de veículos, hoje com 20% do total.
Conforme revelou Caio de Marchi, gerente de marketing da Continental Pneus, em evento nesta terça-feira, dia 10, para divulgar o lançamento de dois modelos para veículos de passeio com DNA dos esportivos, Altimax One e Altimax One S, já existe um projeto em andamento para o mercado original envolvendo as novidades. “Não podemos revelar pormenores por questão de confidencialidade da montadora, mas quando lançarem o veículo, ele terá os novos pneus Altimax.”
Pelo aumento de cobertura que o novo portfólio da Altimax proporcionará, será possível atender 91% da frota nacional de carros de passeio, o que representa 33 milhões de veículos, segundo De Marchi. Neste cenário, é projetado crescimento de 8% nesta linha. Questionado sobre fatia de mercado, o executivo explicou que, como há alguns anos a Anip não divulga mais esses dados, a participação é mantida sob sigilo.
Com relação à pandemia do novo coronavírus e a consequente crise dos semicondutores, ele citou que existe a falta de insumos, como borracha e até contêineres, e que levou a companhia a recorrer, semanalmente, a frete aéreo. E, mesmo com as dificuldades, a fábrica de Camaçari continuou operando a plena capacidade e sem paradas.
“O custo na fonte também tem aumentado bastante, além dos gastos para trazer componentes por meio do frete, mas a empresa tem honrado seus compromissos. Hoje em dia quem não consegue honrar seus compromissos são as montadoras, e não por culpa delas. Na semana passada, uma carreta que já estava no meio da estrada teve que voltar devido à parada na produção de uma fabricante por causa da falta de chips.”
De Marchi explica que a Continental tem usado a flexibilidade da linha de produção a seu favor para driblar o período da pandemia. Como a capacidade de fabricação destinada ao equipamento original está “sobrando” agora, pois as montadoras não estão produzindo, a exemplo de GM e Renault, empresas para as quais fornece, ela migra para reposição. “Avaliamos a demanda do cliente. O mercado de van estava em alta, mas caiu na pandemia, com escolas paradas e menos gente rodando. Então há série de medidas que conseguimos gerenciar e fazer dentro de casa sem penalizar nenhuma linha de produto.”
Para iniciar a produção dos lançamentos não houve novos aportes na fábrica, uma vez que eles substituem duas linhas já existentes, a Altimax RT, HP, UHP e Evertrek. Além disso, recentemente a companhia concluiu ciclo de investimentos, que durou dois anos, de 34 milhões de euros para ampliar a capacidade de produção na fábrica baiana. A Continental emprega 1,8 mil funcionários em Camaçari, volume que vem se mantendo ao longo da pandemia e que, por ora, não ganhará reforços em virtude dos lançamentos.
Criada em 2006 com o objetivo de abastecer o mercado nacional, a planta também exporta parcela da produção, cujo porcentual não foi revelado, principalmente para os Estados Unidos. De Marchi explicou que a companhia, por meio do que chama de global tire sources, tem uma equipe que busca as plantas ao redor do mundo com melhor capacidade técnica, de custos e timing para suprir os mercados.
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