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Mercedes-Benz adotará layoff em São Bernardo e Juiz de Fora

Trabalhadores ficarão afastados, inicialmente, por dois a três meses

São Paulo – A Mercedes-Benz colocará em torno de 1,5 mil trabalhadores em layoff por dois a três meses, inicialmente a partir de maio, quando suspenderá seus segundos turnos de produção em São Bernardo do Campo, SP, e em Juiz de Fora, MG. Na quinta-feira, 13, os sindicatos de metalúrgicos locais aprovaram a ferramenta de flexibilização após a realização de assembleias.

O layoff envolverá 1,2 mil trabalhadores de São Bernardo do Campo e de 250 a trezentos de Juiz de Fora. Nas duas fábricas a Mercedes-Benz concedeu férias coletivas durante abril, envolvendo trezentos profissionais da unidade do ABC e noventa da unidade de Minas.

O motivo para que a montadora tenha adotado medidas sequenciais de redução da produção é a tentativa de equalizar o tombo na demanda provocado pelo cenário econômico, marcado pela escassez de crédito e pelos juros elevados, aliado à mudança de motorização para o Euro 6, que encareceu os preços dos caminhões de 20% a 30%.

Dados da Anfavea apontam que a produção de caminhões no primeiro trimestre de 2023 despencou 30%, totalizando 24,5 mil unidades. Ao mesmo tempo, embora as vendas tenham avançado 6,6%, somando 26,8 mil veículos, quase a totalidade dos emplacamentos, 93,6%, foi de versões Euro 5, fabricadas até o fim do ano passado, e apenas 6,4%, na versão Euro 6, saíram das linhas de montagem este ano.

Além da Mercedes-Benz a Iveco concederá férias em Sete Lagoas, MG, por doze dias a partir de 24 de abril. E a Scania cancelou o segundo turno de produção em São Bernardo e não renovou os contratos temporários dos operários que nele trabalhavam.

Crédito escasso e juros elevados são os vilões

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora e Região, João César da Silva, relatou que a Mercedes-Benz procurou a entidade e expôs as dificuldades em torno das altas taxas de juros praticadas no mercado e a falta de financiamentos.

“Depois de tentar balizar a situação com semanas mais curtas de trabalho, banco de horas e férias coletivas, mas, ainda assim, não solucionar a questão da demanda, a empresa teve de recorrer ao layoff e à suspensão do segundo turno.”

Silva lembrou que, no fim do ano passado, já havia sido cancelado o terceiro turno de produção em Juiz de Fora, que contava, desde 2020, com 230 funcionários. Destes 180 tinham contrato de trabalho por tempo determinado, que venceria em dezembro, e 130 deles foram dispensados. Outros cinquenta tiveram o emprego renovado.

O presidente do sindicato contou que a projeção de produção para a unidade de Minas Gerais, responsável pela montagem e pela pintura de cabinas, e que emprega em torno de oitocentos profissionais – sendo 80% no chão de fábrica –, era de 56 mil unidades em 2022. Ocorre que, no fim do ano, o volume fechou em 42 mil, ou seja, 15 mil a menos do que o esperado. Diante do cenário para este ano são esperadas 34 mil unidades, 22 mil a menos do que era aguardado para o ano passado.

“Com a retração na produção por causa da menor procura nosso papel é fazer o possível para preservar os empregos. Então, durante a assembleia, também disseminamos o papel de conscientização para que os operários façam a adesão ao layoff.”

A partir da suspensão temporária dos contratos de trabalho os funcionários afastados recebem parte de seus salários a partir de recursos do FAT, Fundo de Amparo ao Trabalhador, baseada no valor do seguro-desemprego, tendo, como contrapartida, participar de cursos de qualificação em parceria com o Senai. O restante do vencimento é pago pela empresa, que consegue desafogar suas receitas ao mesmo tempo em que põe o pé no freio da produção.

Silva ponderou que é preciso ter, pelo menos, 75% de presença nos cursos profissionalizantes, e que, se necessário, a legislação permite estender o período de layoff por até cinco meses.

O coordenador da representação na Mercedes-Benz do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sandro Vitoriano, ressaltou que todos esses trabalhadores afastados têm garantia de retorno para a fábrica: “E, em caso da necessidade de um novo layoff, dependendo de como o mercado de caminhões e ônibus se comportará, quem entrar agora não estará na próxima leva”.

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