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Hyundai definiu dois novos modelos a serem produzidos em Anápolis

Reformulação do acordo com a Caoa permite que empresa coreana use capacidade de produção em Goiás

São Paulo – Dois novos modelos Hyundai sairão das linhas de montagem da Caoa em Anápolis, GO, a partir de 2025, juntando-se ao caminhão HR e ao SUV Tucson. Os dois novos modelos, porém, foram escolhidos pela própria Hyundai, que agora assumiu toda a operação brasileira, incluindo importações, e fará uso da capacidade da fábrica goiana como parte da atualização do acordo com a sua parceira de 25 anos.

Contratar a produção da Caoa foi a alternativa encontrada pela Hyundai que há mais de dez anos convive com um problema nada desagradável: tem toda a capacidade de Piracicaba, SP, tomada pela produção de HB20, HB20 S e Creta. São 200 mil unidades por ano e sem espaço, segundo o presidente Airton Cousseau, para ampliar.

“O gargalo está na pintura. É um investimento tão elevado que faria mais sentido construir outra fábrica. E a indústria automotiva nacional ainda tem bastante ociosidade, o cenário de Piracicaba é único no Brasil. Então encontramos a oportunidade de preencher a capacidade em Anápolis, em parceria com a Caoa.”

O plano faz parte do ciclo de investimento de R$ 5,5 bilhões anunciado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mês passado. Cousseau fez mistério quanto aos dois novos modelos para Goiás, embora tenha admitido que fazem parte do portfólio global da Hyundai: “A partir de agora seremos cada vez mais globais”.

O presidente deixou claro, porém, que a intenção é competir em segmentos onde hoje a Hyundai não tem opções. Ao assumir as importações todas as decisões serão tomadas em conjunto com a matriz e todo o portfólio vendido em toda a rede, com o fim da divisão que existia dos importados Caoa e a rede HMB.

Palisade chega ao mercado até o fim do ano

Até o fim do ano serão lançados dois SUVs, o Palisade e o elétrico Ioniq 5. O híbrido Kona e o SUV Santa Fe também estão na mira, mas ainda sem confirmação de datas.

Sinergias

Cousseau afirmou que a unificação das operações abre espaço para diversas sinergias. Com a Caoa o cálculo é de R$ 1 bilhão em importação, logística, vendas, etc.

Oportunidades também existem na cadeia de fornecedores. Hoje os modelos produzidos em Piracicaba têm índice de nacionalização de 55%, em média, mas Cousseau afirmou que a ideia é expandir para, no mínimo, 80%.

O elétrico Ioniq 5 está confirmado para o mercado brasileiro

“Investiremos em engenharia para nacionalização de componentes, tarefa que não pode ser feita somente pela área de compras. E temos oportunidades de sinergias dos nossos fornecedores de Piracicaba com os da Caoa em Anápolis e vice-versa.”

A Hyundai definirá quais modelos, versões e volume serão produzidos em Anápolis, mas a produção será feita pela Caoa, que será remunerada por cada unidade que sair das linhas de montagem. Há possibilidade de exportação a partir da unidade, embora nada esteja definido.

“Exportar é importante porque conseguimos nos proteger das oscilações do câmbio. Hoje, em Piracicaba, 10% do que produzimos vai para México, Colômbia, Argentina, Paraguai e Uruguai. Não conseguimos fazer mais porque temos a capacidade tomada.”

Estes 10%, admitiu Cousseau, deverão ser reduzidos em 2024 porque o mercado brasileiro está mais aquecido: “Tivemos um janeiro e um fevereiro muito bons. Estou otimista quanto às vendas, acredito em crescimento de 6% a 8%. O mercado brasileiro não tem este tamanho de 2 milhões de unidades dos últimos anos mas, também, não é de 3,5 milhões como foi no passado. Acho que de 2,5 milhões a 3 milhões é o tamanho dele”.

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