Grupo brasileiro mostra nova parceria com marca chinesa no Salão do Automóvel
São Paulo – O que já vinha sendo especulado há mais de um ano foi, finalmente, confirmado no Salão do Automóvel de São Paulo. Os visitantes que forem ao evento, de 22 a 30 de novembro no Anhembi, vão poder ver, além dos já conhecidos carros da Caoa Chery, um segundo estande que simboliza a parceria da empresa brasileira com uma nova fabricante chinesa que estreia no Brasil: a Changan, atualmente uma das quatro maiores fabricantes de veículos da China.
No começo da noite da quinta-feira, 20, os dois grupos usaram o palco das apresentações para a imprensa, que antecederam a abertura do salão ao público, para simbolicamente assinar o contrato de parceria e apresentar os primeiros produtos a serem vendidos no País.
Philippe Andrade anuncia a parceria Caoa Changan
Filho do empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, fundador da Caoa e morto em 2021, Philippe Andrade anunciou a parceria e assinou o acordo que cria oficialmente a Caoa Changan, ao lado do irmão mais velho Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho, com quem hoje divide a presidência do grupo.
Em seu discurso Philippe Andrade reforçou a vocação da empresa fundada por seu pai em desenvolver parcerias de longo prazo com fabricantes estrangeiros de veículos no País: “Entendemos o consumidor brasileiro, sua cultura e sabemos como oferecer o melhor serviço. Nossa história de sucesso nos coloca em posição privilegiada de escolher criteriosamente com quem vamos dividir nossos negócios e nossos investimentos”.
Mais carros em Anápolis
Nesse sentido o presidente do Grupo Caoa destacou a parceria de sucesso mantida desde 2017 com outra fabricante estatal chinesa, a Chery: “Com a Caoa Chery conseguimos reverter o preconceito com as fabricantes chinesas e criamos uma marca de prestígio. Batemos recordes de vendas e realizamos investimentos bilionários em nossa fábrica”, disse, referindo-se ao programa de R$ 3 bilhões, de 2024 a 2028, que deverá dobrar de 80 mil para 160 mil veículos/ano a capacidade das linhas de produção instaladas em Anápolis, GO.
Inaugurada em 2007 para montar sob licença modelos da Hyundai – da qual desde 1999 a Caoa era a representante exclusiva – a fábrica goiana também passou a produzir, a partir de 2018, modelos da Chery – com a qual mantém sociedade meio-a-meio no Brasil. Em 2024 o acordo com a Hyundai foi reformulado e, este ano, a Caoa deixou de produzir veículos da marca: o último caminhão HR foi produzido lá em 31 de outubro, abrindo espaço natural para produtos da nova sócia Changan, mas ainda sem data, investimento ou modelos confirmados.
“São movimentos estratégicos para garantir a continuidade de nosso legado de sucesso”, justificou Philippe Andrade.
A Changan
Produzindo automóveis e utilitários desde 1984 a Changan é uma companhia estatal chinesa dona quatro marcas próprias e 39 fábricas no mundo, incluindo joint ventures na China com as estrangeiras Ford e Mazda e a chinesa JMC, esta focada em veículos comerciais.
Em 2024 a Changan foi a quarta maior fabricante de veículos da China e acumula a venda de 26,3 milhões de unidades em seus 41 anos de produção. A empresa informa investir US$ 10 bilhões em pesquisa e desenvolvimento de produtos e sistemas, emprega mais de 18 mil engenheiros e técnicos de 31 países ao redor do mundo e estabeleceu dezesseis centros técnicos em dez cidades de seis países, incluindo Itália, Japão, Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido.
“Consideramos o Brasil o mais importante e estratégico mercado internacional”, afirmou Song Shuang, diretor geral da Changan América Latina. A empresa já fez tentativas de entrar no mercado brasileiro pela via de importadores, mas os negócios nunca foram adiante.
Segundo Shuang as negociações com a Caoa vêm avançando ao longo dos últimos dois anos e, neste período, as duas empresas já começaram a adaptar produtos para o Brasil, com o envolvimento de mais de trezentos engenheiros de ambos os países, que trabalharam em mais de cem carros enviados ao País para testes de rodagem que somaram 1 milhão de quilômetros e 9 mil horas em dinamômetros – que a Caoa tem disponíveis em seu centro técnico de emissões e combustíveis em Anápolis. “Com esta parceria garantimos uma posição única no Brasil de oferecer produtos de qualidade aos clientes brasileiros”, destacou o executivo chinês.
Estreia com a Avatr
O chefe de design Nicolas Guille apresenta o Avatr 12 ao público brasileiro
A estreia da Caoa Changan no Brasil começa pelo andar de cima do mercado, inicialmente conduzida por dois modelos Avatr, marca de alto padrão de luxo e tecnologia. No estande da sociedade no Anhembi poderão ser vistos de perto os belos Avatr 11 e o conceito Avatr Kim Jones 12, ambos elétricos.
Alguns anos atrás, em qualquer salão do mundo, os dois modelos poderiam ser apresentados como carros-conceito futuristas, que hoje a velocidade e voracidade da indústria automotiva chinesa coloca para rodar na realidade das ruas.
Equipado com assentos zero-gravidade o Avatr 11 tem estilo de cupê de quatro portas, com longos 2m97 de entre-eixos. O motor elétrico gera 313 cv.
Com o Avatr 11 a Changan estreia no Brasil pelo andar de cima do mercado
Embora tenha feito a estreia oficial no salão a Caoa Changan ainda não divulgou seu plano de negócios, como número de concessionárias, modelos à venda, marcas, investimento e provável montagem nacional de alguns carros. Mas já começou investindo forte em propaganda: anunciou Gisele Bündchen como embaixadora da nova marca no Brasil.