São Paulo – Trabalhadores da General Motors de São José dos Campos, SP, participaram de assembleia na segunda-feira, 23, convocada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, para votar a abertura de um PDV, plano de demissão voluntária, que teve a adesão de quase duzentos trabalhadores. A empresa acabou de encerrar PDV em São Caetano do Sul, SP, motivado pela queda nas vendas.
De acordo com o sindicato desde o início do ano a GM demitiu cerca de trinta trabalhadores na fábrica do Vale do Paraíba, a maioria do setor administrativo e aposentados. O secretário geral Renato Almeida disse que para evitar cortes gradativos está sendo reivindicado o PDV, ao justificar que neste modelo, além de haver adesão voluntária de profissionais, há possibilidade de inclusão de direitos adicionais à multa rescisória, como indenização maior e continuidade do plano de saúde, por exemplo.
“Embora a empresa diga que as vendas dos dois modelos fabricados aqui, a S10 e a Trailblazer, estejam bem, e que os cortes tenham sido pontuais, temos receio de que ela planeje uma reestruturação de cargos e salários para fomentar a entrada de trabalhadores com salários menores. Então, se esta for a intenção, que possam sair aqueles que desejarem com um pacote de incentivo.”
A ideia é que seja adotado programa de demissão voluntária nos mesmos moldes de São Caetano que, por sua vez, replicou modelo aplicado em São José dos Campos em junho de 2025, quando em torno de trezentos profissionais com restrições médicas aderiram ao pacote e outros cem, sem sequelas do trabalho, aderiram à proposta.
Hoje operam na produção dos dois modelos e também na de motores e transmissões cerca de 3,2 mil profissionais, em dois turnos. Na avaliação do sindicalista a abertura do plano poderia incentivar em torno de 150 demissões voluntárias de profissionais aposentados e com idade próxima de se aposentar.
Reunião para tratar do tema foi agendada com a GM na sexta-feira, às 10h00.
Colaboração com Hyundai e produção no Ceará
Além do PDV Almeida afirmou que é pleiteada conversa com o novo presidente da GM na América do Sul, Thomas Owsianski, que desde o início de fevereiro sucede a Santiago Chamorro, para discutir o cenário atual, incluindo a notícia da colaboração com a Hyundai e a produção de novos modelos na fábrica.
Em agosto do ano passado foi emitido comunicado segundo o qual as duas montadoras farão colaboração estratégica envolvendo o desenvolvimento de quatro veículos: um SUV compacto, um carro, uma picape e uma picape média, sendo que esta última deverá ficar a cargo da GM e os outros três da Hyundai. Um quinto veículo, uma van comercial elétrica, deve ter produção compartilhada nos Estados Unidos.
Quanto à produção destes novos modelos, que deverão ser comercializados nos mercados da América Central e do Sul, com opção híbrida, há quatro candidatas da GM, além de São José dos Campos: São Caetano do Sul, SP, Gravataí, RS, e Rosário, Argentina — além da fábrica da Hyundai em Piracicaba, SP. Os trabalhos de design e engenharia deverão começar em breve e o lançamento do primeiro modelo é aguardado para 2028.
“Desde que foi feito o anúncio estamos em contato com a montadora para mais informações a respeito, mas, até agora, nada. Queremos trazer parte deste investimento para a nossa unidade, onde já é produzida a S10”, afirmou Almeida. “Considerando os dois modelos fabricados aqui são utilizados 70% da capacidade do complexo fabril, que é enorme, e tem condições de produzir muito mais.”
O sindicalista demonstrou preocupação também com o fato de a GM ter optado por investir R$ 400 milhões até este ano para, em parceria com a Comexport, montar o Spark e a Captiva 100% elétricos em Horizonte, CE, na antiga fábrica da Troller. O plano é injetar mais R$ 500 milhões até 2030 para inserir outros modelos.
“Não faz sentido a GM optar por produzir estes modelos com empresa terceirizada, sendo que temos condições tanto aqui quanto em São Caetano. Isto é inédito. A guerra fiscal está empobrecendo o Estado e tirando o emprego de trabalhadores qualificados. Precisamos trazer mais investimentos para as nossas unidades.”