Rio de Janeiro, RJ – Parcerias com os chineses estão fora de discussão para Alexander Seitz, CEO da Volkswagen América do Sul: elas são realidade. A divisão da Ilha da Felicidade, como o executivo alemão chamou a região que está sob sua responsabilidade pelo desempenho positivo por anos consecutivos, trabalha em conjunto com a VW China em um importante projeto que chegará ao mercado no ano que vem, a sucessora da picape Amarok.
É só o primeiro de muitos projetos, garantiu Seitz, que tem em seu currículo passagem de cinco anos pela China. Ele disse que estão nos planos da Volkswagen importar carros completos de lá, obviamente tropicalizados para atender aos gostos do consumidor local, e sistemas, como o híbrido, que terá muita coisa desenvolvida em conjunto com a VW China.
“Traremos sistemas e componentes. Colocar na Anchieta [em São Bernardo do Campo, SP], em Taubaté [SP] e em São José dos Pinhais [PR]”, sempre com o objetivo de nacionalizar. “Claro que no início teremos a redução no índice de nacionalização. Mas não podemos depender da volatilidade do câmbio: para ter estabilidade nos custos precisamos produzir localmente.”
Outro ensinamento que os chineses estão trazendo, disse o chairman para a América do Sul, é o da redução dos prazos de desenvolvimento: “Temos que reduzir. Mostramos, com o projeto Patagônia [da nova Amarok], que é possível industrializar um carro em dois anos, em vez dos quatro usuais, com uma redução enorme de investimento graças à colaboração dos chineses”.
Ele citou outros exemplos. Algumas peças que são compartilhadas com outros veículos podem passar por menos quantidade de testes, pois sua qualidade já foi comprovada. São processos que agilizam o desenvolvimento.
Quando provocado se a sucessora da Amarok era um produto chinês Seitz rebateu: “Não trocamos só a chapa e o design externo. De uma lista de 5 mil peças e componentes a equipe local promoveu alteração em 2,5 mil. É uma parceria, não um projeto chinês”.
Mas admitiu que a China é o horizonte de inspiração para o mercado brasileiro atualmente: “A Europa tem regras mais parecidas com os Estados Unidos e eles começarão a trabalhar mais em conjunto. Nós trabalharemos mais em parceria com a VW China”.
Regras para todos competirem de igual para igual
A entrevista que Seitz concedeu a jornalistas, antes da cerimônia que premiou fornecedores da Volkswagen na Ilha Fiscal, no Rio de Janeiro, RJ, foi anterior à mais recente polêmica de cotas para importação de kits desmontados, SKD, e semi desmontados, CKD, com imposto zerado. Mas ele mencionou o processo:
“Não acho válido desmontar um veículo, colocar dentro de um contêiner e despachar no Porto de Xangai para montar aqui. Precisamos pensar em condições equitativas para todos. Eu, como fabricante local, preciso respeitar todas as leis, regulações, impostos, investimento ambiental, que eles não precisam. Precisamos de uma regra um pouco mais rigorosa para SKD, algumas peças têm que ser obrigatoriamente adquiridas localmente”.
Para o chairman da VW América do Sul as novas entrantes teriam que seguir um cronograma para que, gradualmente, fossem obrigadas a substituir a montagem de kits por produção local mais adensada.
Ilha da Felicidade
A Volkswagen América do Sul cresce dois dígitos e é a terceira maior operação da companhia do mundo, depois da alemã e da chinesa, que não têm registrado o mesmo desempenho. Na América do Norte a VW se recuperou um pouco mas ainda não está em situação confortável.
Por esta razão Seitz classificou a região como Ilha da Felicidade: “Felizes, mas não sem trabalho e dedicação. Estamos fazendo as tarefas corretamente, a lição de casa dentro da empresa e somos bem vistos pela matriz, em Wolfsburg. Por esta razão conseguimos aprovar mais investimentos e garantimos uma boa posição para o futuro”.





