São Paulo -– No ano em que completam oito décadas de história, as marcas Caio, que tem sua tradição no transporte coletivo urbano, e Busscar, no rodoviário, prepararam oito lançamentos. É uma maneira de celebrar a data e também de tentar driblar os percalços da economia, que levam à projeção de redução de até 10% nas vendas de ônibus rodoviários e de 5% nos urbanos.
Foi o que apontaram o vice-presidente industrial do Grupo Caio, Maurício Cunha, e o diretor comercial da Busscar, Paulo Corso, em conversa com jornalistas durante a LatBus 2026.
Ambos lembraram brevemente de dificuldades ao longo da trajetória das empresas — a fábrica da Busscar, em Joinville, SC, chegou a ficar fechada por seis anos e a Caio, com unidade produtiva em Botucatu, SP, atravessou longa crise — e ressaltaram que o momento atual é prejudicado pelos desafios macroeconômicos, diante das taxas de juros altas, escassez e exigência rigorosa de garantias para crédito, aumento da inadimplência e alta no preço do óleo diesel.
De acordo com Corso o segmento rodoviário tem sentido, desde o fim de julho, significativa queda nas vendas, frente ao fim do incentivo do Move Brasil, em que R$ 2 bilhões em crédito foram esgotados em quarenta dias. “Entendemos que o mercado de ônibus rodoviário será de 5% a 10% menor que o do ano passado. Já estamos nos preparando, pois o segundo semestre não deverá ser tão bom quanto o do ano passado”, afirmou, em referência ao fato de, tradicionalmente, esse período do ano ser melhor para se fazer negócios.
Em paralelo às dificuldades domésticas, estratégia que tem ganhado força é a maior busca por mercados externos. Atualmente a Busscar embarca 15% de seus ônibus, enviados principalmente para a América Latina, para Chile, Uruguai, Paraguai e Peru. Mais recentemente a marca tem dado seus primeiros passos no mercado africano.
Em urbanos recuo deverá ser menor
Do ramo de urbanos, Cunha é um pouco mais otimista, até pelas licitações do início do ano. Ele estima que pode haver estabilidade frente a 2025 ou, quiçá, até leve crescimento. “Mas tudo vai depender do desempenho do segundo semestre, que não começou muito bem. O mercado está bem retraído. E se continuar assim podemos ver queda de 5%”.
Além dos juros altos, o vice-presidente apontou que não está fácil obter crédito frente às garantias pedidas por causa da inadimplência, que vem crescendo muito no setor de transportes, o que segundo ele não era visto antes.
“Outro ponto é o óleo diesel. Tem atrapalhado bastante porque a elevação dos preços dos últimos meses consome muito do caixa das empresas. Soma-se a isso a insegurança política, porque é eleição presidencial, de governadores, do Congresso. Então, tudo isso desestimula momentaneamente o investimento.”

Lançamentos focam redução de peso e compartilhamento de componentes
A Caio apresentou ao público da Latbus o aprimoramento de carrocerias com redução do peso estrutural sem comprometer requisitos de durabilidade para compor chassis elétricos, em parcerias com Volkswagen Caminhões e Ônibus e Mercedes-Benz, e a gás, com a Scania, caso do Apache Vip VI, da segunda geração do eMillennium e do bMillennium.
A Busscar, por sua vez, expandiu a família consolidada do NB1, agora com maior padronização e compartilhamento de componentes e poltronas, a fim de otimizar a manutenção e reduzir custos operacionais dos frotistas. Também anunciou a produção em série de dois modelos a partir de dezembro, o El Buss 325 e El Buss FT, e mostrou ônibus com bagageiro maior para o turismo de compras e linhas de longa distância.






















