São Paulo — O mercado brasileiro de motocicletas vive um ciclo de expansão que já começa a se refletir nos planos industriais das empresas. Em julho a produção no Polo Industrial de Manaus atingiu 190 mil 794 unidades, o maior volume já registrado para o mês, segundo a Abraciclo.
É neste cenário de demanda maior que fabricantes ampliam linhas, aumentam capacidade, contratam funcionários e estruturam novas operações no polo.
Durante o Festival Interlagos Motos 2026 CF Motos, KTM, Suzuki, Royal Enfield, Triumph e Moto Morini apresentaram diferentes planos para aumentar sua produção no Brasil.
CF Motos
A CF Motos está adaptando a fábrica de Manaus para elevar a capacidade anual de 10 mil para cerca de 18 mil motocicletas até o início de 2027. A marca, que lançou a 450NK durante o Festival Interlagos, também pretende ampliar a rede de concessionárias para acompanhar o crescimento, segundo Urano Carvalho, chefe de motocicletas.
“Uma moto como esta agregará mais de 20% no lineup atual. Como temos a expectativa de ampliar nossa rede de concessionárias, à medida que abrimos mais lojas exponencialmente vamos ampliando as vendas.”
A empresa prevê abrir um novo turno na fábrica ainda em agosto. A unidade está em fase de contratação e treinamento de funcionários.
Atualmente, a produção vai de quinhentas a seiscentas motos/mês, com meta de dobrar este volume até o fim do ano. A fabricante, no entanto, não informou os valores dos investimentos destinados à expansão.
KTM assume produção própria em Manaus
A KTM está concluindo sua fábrica própria em Manaus, encerrando gradualmente a produção de suas motocicletas off-road pela Dafra. A nova unidade já iniciou a montagem das primeiras unidades de teste e deve começar a produção em setembro. A primeira motocicleta lá feita deverá chegar às concessionárias em outubro.
A operação ficará no mesmo Distrito Industrial onde está instalada a fábrica da Bajaj, de quem é parceira, com linha de montagem independente e supervisão por técnicos da KTM da Áustria.
A integração das operações também chegará a Ribeirão Preto, SP. Segundo Waldyr Ferreira, diretor geral, KTM e Bajaj transferirão suas operações para um novo prédio na cidade.
Suzuki
A Suzuki, que antecipou a GSX-8T e Hayabusa especial no Festival Interlagos, informou investimentos de aproximadamente R$ 35 milhões na fábrica de Manaus nos últimos três anos, destinados às linhas de produção. Para os próximos dois anos a previsão é aplicar mais R$ 20 milhões na construção de novos galpões.
A expansão também deve aumentar em 150% o quadro de funcionários da operação, que passará de quatrocentos para cerca de 1 mil.
Royal Enfield prepara fábrica própria
A Royal Enfield também prepara a entrada no Polo Industrial de Manaus com uma fábrica própria, prevista para começar a operar em 2027 no sistema CKD. A unidade ainda está em fase de planejamento e construção, e a empresa não revelou o valor do investimento.
O movimento acompanha o avanço da marca no mercado brasileiro. De janeiro a junho a Royal Enfield emplacou 17 mil 138 motocicletas, alta de 23% sobre as 13 mil 898 unidades registradas no mesmo período de 2025. A fabricante também ultrapassou a marca de 100 mil motos em circulação.
Para 2027 a expectativa é chegar a 50 mil unidades vendidas, segundo Ross Clifford, chefe da Royal Enfield para as Américas.
Triumph dobra capacidade em Manaus
A Triumph também está ampliando sua operação industrial. Investiu 1,5 milhão de libras na operação brasileira, cerca de R$ 10,6 milhões. A expansão elevará a capacidade da fábrica de Manaus de 15 mil para 30 mil motocicletas/ano.
O projeto inclui uma nova linha de montagem para chassis e motores, com movimentação automática, além de uma área adicional de 1 mil m² para armazenagem e a implementação do sistema ERP Protheus.
Renato Fabrini, gerente-geral da Triumph Brasil, disse que a expansão está relacionada ao aumento do volume e à chegada de modelos de 400 e 500 cm3 de cilindrada. A fábrica terá uma linha dedicada às motocicletas de menor cilindrada e outra para modelos maiores, que exigem mais tempo e complexidade na montagem.
A Triumph trabalha com o sistema CKD, no qual as motocicletas chegam da Tailândia desmontadas e são montadas em Manaus, com a incorporação de componentes nacionais: “Não temos nenhuma moto importada. Agregamos itens nacionais e montamos 100% delas na fábrica de Manaus”.
A empresa não prevê, neste momento, a abertura de um terceiro turno. A fábrica já opera em dois turnos e a expectativa é aumentar a eficiência da produção sem ampliar a jornada: “Continuaremos trabalhando com os dois turnos numa fábrica mais eficiente e montando moto de maneira mais rápida”.
A ampliação atual aproveita equipamentos que estavam na fábrica da Triumph na Tailândia, que passou por reformulação. Segundo o executivo isto reduziu a necessidade de investimentos para modernizar a unidade brasileira.
Moto Morini amplia espaço com parceiro
A Moto Morini também está preparando operação para crescer no Brasil. Ampliou o espaço utilizado pela DBS, empresa responsável pela montagem de suas motocicletas em Manaus. A nova planta tem 2 mil m², com possibilidade de expansão para 4 mil m².
Neste ano a fabricante pretende chegar a 1,6 mil motocicletas produzidas no Brasil. Para 2027 a meta é superar 5 mil unidades com a ampliação do portfólio.
“Trocamos a nossa planta anterior por uma nova porque em 2027 teremos lineup completo, que promete mais de 5 mil motos no Brasil. Então estamos agora configurando todas as motocicletas da fábrica para que ela possa comportar este crescimento no mercado.”
A Moto Morini ainda avalia a possibilidade de construir uma fábrica própria. Segundo Eron Maio, diretor comercial de pós-venda e desenvolvimento de rede, a companhia analisa diferentes alternativas antes de definir o formato da operação.
Como a fábrica pertence à DBS os investimentos realizados diretamente na planta são da própria empresa parceira: “O que nós temos são só os nossos contratos de fornecimento junto com eles, mas o processo de investimento são da própria companhia do próprio terceiro, que é o Grupo DBS”.























