São Paulo – A Iveco prepara um novo ciclo de investimento para sua fábrica de Sete Lagoas, MG: R$ 1 bilhão será injetado de 2026 a 2028, com foco em produtos movidos a combustíveis alternativos, melhorias na fábrica, na rede de concessionários e na cadeia de fornecedores. Foi o que contou à Agência AutoData o presidente da Iveco na América Latina, Márcio Querichelli.
“Este novo ciclo se deve à necessidade de continuarmos desenvolvendo novos produtos e novas tecnologias para nos mantermos competitivos.”
Os recursos, levantados via Invest Minas, incluem também o novo centro de distribuição que está sendo construído em Pouso Alegre, no Sul de Minas, ao custo de R$ 93 milhões. O espaço, que deverá ser inaugurado até o meio do ano, substituirá o CD de Sorocaba, SP, compartilhado com a CNH, devido a limitações de capacidade e para trazer maior fluidez à operação logística.
“O aporte vem na mesma linha do primeiro ciclo, que se encerrou em 2025, e foi utilizado na renovação de produtos, fábricas, pessoas e em desenvolvimento de rede. A última geração de produtos, de 2022, completou agora cinco anos, o que é um tempo curto”, avaliou, lembrando da injeção de outro R$ 1 bilhão no período, que abrangeu também a fábrica de Córdoba, Argentina.
Querichelli citou que 2026 está mais competitivo que os anos anteriores: “Os preços dos veículos estão sofrendo variação para baixo ou se mantendo, dependendo do setor, ao passo em que os custos aumentam. É preciso, portanto, buscar eficiência. E o que estamos fazendo com parte deste investimento é trabalhar para localizar componentes para nos tornarmos mais competitivos”.
O novo aporte visa, também. a elevar o índice de nacionalização que, dependendo do segmento, hoje é de 70%, no caso dos pesados. O executivo evitou cravar uma meta, mas disse que quanto maior melhor: “Trabalhamos por pacotes. Não sabemos se chegará em 72%, 75% ou 80%. Buscamos o máximo possível”.
Tector a gás será homologado para o Brasil
Também em parte do investimento atual está incluída a homologação do Tector 17 toneladas movido a gás natural ou biometano, o que deverá acontecer até meados deste ano, segundo o presidente da Iveco. O caminhão semipesado é produzido em Córdoba e está sendo trazido para cá.
“Estamos em vias de iniciar as vendas. Ele requer, apenas, alguns ajustes. Não dá para dizer que será produzido em Sete Lagoas, mas lá ele será finalizado e adaptado.”
Querichelli apontou que, por enquanto, produzir o modelo em Sete Lagoas não é cogitado mas, dependendo da procura, a situação pode mudar: “Podemos produzir lá e aqui, depende muito de como estará a questão financeira. Por um lado fabricar na Argentina é 20% mais caro do que no Brasil, mas tem a questão logística, que é preciso pôr nesta conta. Tudo depende da infraestrutura e dos incentivos. Havendo demanda podemos produzir todas as tecnologias disponíveis aqui”.
É como ocorre com o extrapesado S-Way, Euro 6, fabricado desde o fim de 2022 em Sete Lagoas, quando substituiu o Hi-Way, Euro 5. Com o mesmo objetivo passou a ser produzido em Córdoba no fim de fevereiro, embora na Argentina ainda vigore o Euro 5.
“Na janela de preparação da produção em Córdoba nós exportamos algo daqui, enquanto a produção lá ficava pronta. Usamos as duas unidades para ter essa sinergia.
Segundo Querichelli o impacto foi mínimo na unidade mineira.
Com relação a outras tecnologias a Iveco fabrica no Brasil o S-Way a gás e comercializa no mercado local ônibus a gás produzidos em Córdoba. Além disso nos leves tem o Daily elétrico, importado da Europa, e existe também a versão ainda conceito do Daily multicombustível, que roda a gás natural, biometano e etanol e está em operação assistida com a JBS.
Mercado em queda aplaca otimismo
Sobre o padrão de novas contratações Querichelli respondeu que, com o mercado caindo, no momento a empresa apenas observa o movimento e dá conta de produzir com seu efetivo. Trabalham em Sete Lagoas em torno de 3 mil funcionários e 1 mil em Córdoba, incluindo produção e mensalistas.
“Não teremos muitas turbulências na produção”, salientou, ao citar que todas as linhas, de leves, de semipesados e de pesados, são feitas em um turno. Apenas a de cabinas tem dois turnos de produção, que, por ser uma só, tem de alimentar os veículos do Brasil e da Argentina. Elas são montadas e pintadas em Sete Lagoas.
“Eu sou otimista por natureza, mas este ano está mais desafiador. E, para completar, 2025 não teve Fenatran para turbinar emplacamentos em 2026. Todo o mercado deixou de comercializar 30%”, assinalou. “Demanda existe. O cliente quer comprar o veículo, só não quer pagar 25% de taxa ao ano. Mesmo pagando juros médios de 15% ao ano pelo Move Brasil é difícil mas o País é movido por caminhões.”
Sobre o desempenho da marca diante do programa do governo de fomento à indústria com crédito a juros subsidiados Querichelli afirmou que embora não tenha fechado um balanço da iniciativa a Iveco respondeu por cerca de 10% dos R$ 10 bilhões ofertados para empréstimo pelo Tesouro e BNDES.
Agora é esperar para ver se o governo decide lançar uma segunda rodada do Move Brasil e o estende a implementos rodoviários e ônibus, conforme pleito de montadoras demonstrado durante o Congresso AutoData Megatendências 2026 e também da Fenabrave e da Anfavea.