Vendas do Grupo Traton caem 20% no trimestre

São Paulo — As vendas do Grupo Traton, formado por MAN, Scania e Volkswagen Caminhões, caíram no primeiro trimestre. Até março os volumes conjuntos somaram 46 mil unidades venidas, resultado que representa vendas 20% menores do que aquelas registradas no primeiro trimestre de 2019.

 

“Os efeitos da pandemia de coronavírus estão afetando fortemente a economia como um todo. Isso também vale para o grupo", declarou o CEO Andreas Renschler. "O que a Europa precisa agora é de incentivos ao investimento para a modernização das frotas de caminhões com tecnologias mais sustentáveis, como forma de superar a crise neste setor crítico para o sistema.”

 

As vendas menores refletiram em menor receita no período, informou a companhia na segunda-feira, 4. A Traton registrou € 5,7 bilhões de faturamento, 11% a menos do que no janeiro a março do ano passado.

 

A queda nas vendas unitárias das três marcas foi mais acentuada na Europa, com declínio de 30%, enquanto a América do Sul conseguiu registrar crescimento de 4% nas vendas unitárias devido a desempenho positivo do Brasil, informou o balanço.

 

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Dólar alto leva General Motors a reajustar preços

São Paulo — A General Motors aumentou a tabela dos preços dos seu portfólio no País. Segundo o site Auto Segredos o crescimento médio nas concessionárias foi de 4% e abrange modelos nacionais e importados. A razão do aumento, em vigência desde 1º de maio, seria a valorização do dólar. Procurada pela Agência AutoData a empresa confirmou o aumento dos preços sem explicitar pormenores.

 

Curioso é o aumento de preços no momento em que o setor automotivo enfrenta período de vendas baixas.

 

Em abril, como indicaram os números do Renavam divulgados pela Fenabrave, as vendas totais caíram 76% na comparação com abril de 2019, chegando a 55,7 mil unidades. Na comparação com as vendas realizadas em abril do ano passado a própria GM registrou queda de 74% no volume vendido no mês, chegando a 10 mil unidades de automóveis e comerciais leves.

 

O dólar valorizado — cotado a R$ 5,54 na segunda-feira, 4, de acordo com dados do Banco Central — onera operações de importação realizadas pela montadora para trazer ao mercado modelos como os Chevrolet Cruze, Equinox, Camaro e, em pequenos volumes, o elétrico Bolt.

 

No entanto a valorização do câmbio também reflete nos modelos nacionais com forte apelo tecnológico, como é o caso do Chevrolet Onix — muitos dos componentes que formam o sistema de conexão à internet, dentre outros elementos eletrônicos, têm origem estrangeira, sobretudo da China.

 

O aumento da tarifa promovido pela GM deverá ser um movimento seguido pelas demais fabricantes, uma vez que compartilham do mesmo modelo de negócio. Segundo Antonio Jorge Martins, professor da FGV-SP, haverá diferenças apenas no tempo da tomada de decisão: "Dependendo da cultura e do histórico financeiro da companhia o reajuste dos preços será feito agora ou mais tarde. Mas acabarão acontecendo porque todas são influenciadas pelo câmbio da mesma forma".

 

O professor recordou que antes mesmo da pandemia muitas empresas sofriam pressões das casas matrizes por resultados na América do Sul. Foi o caso da GM, que chegou a sinalizar saída do mercado não fossem tornadas viáveis condições tributárias para sua permanência no mercado brasileiro. A Ford, caso mais drástico, decidiu fechar a fábrica do Taboão, em São Bernardo do Campo, SP, e sair do mercado de caminhões na região por prejuízos.

 

"É um fator a ser considerado no aumento do preço afora a valorização cambial. Muitas montadoras estão sendo pressionadas por resultados e,a  partir daí, traçaram planejamentos para buscar o desempenho desejado pelas matrizes", disse Martins. "Elas estão vivendo um momento ímpar de produção e vendas paradas." 

 

Outro fator apontado pelo professor como vetor que levou a companhia a reajustar os preços é a queda nas exportações: "O dólar já vinha variando há alguns meses, e o cenário era revertido por meio do hedge cambial, quando há exportação no mesmo volume da importação, neutralizando os efeitos do dólar alto".

 

De acordo com dados da Anfavea os embarques no primeiro trimestre caíram 15% na comparação com o volume registrado em igual período em 2019, somando 89 mil veículos.

 

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Fenabrave pede reabertura imediata das lojas e linhas de crédito

São Paulo – A Fenabrave mantém duas frentes prioritárias de negociação durante este período de restrição de mobilidade imposto por diversos estados e municípios, que resultou em queda de 76% nas vendas de abril, comparadas com as de igual mês de 2019. De um lado busca reabrir as concessionárias fechadas desde meados de março, na esperança de que retorne, mesmo que um pouco, o volume de vendas. De outro negocia linhas de crédito para capital de giro e a postergação de pagamento de tributos, para dar um suspiro ao fluxo de caixa das lojas, fortemente abaladas pela brutal redução de faturamento das últimas semanas.

 

“Sem vendas e sem liquidez os mais de 315 mil empregos gerados diretamente pelos concessionários estarão em risco”, afirmou o presidente Alarico Assumpção Júnior em nota divulgada à imprensa na segunda-feira, 4. “Mais de 30% das empresas do setor talvez não tenham fôlego para chegar ao final deste mês.”

 

A negociação com o governo para interceder junto aos bancos para que sejam liberadas linhas de financiamento com taxas de juros mais baixas – classificadas por Assumpção Júnior apenas como “razoáveis” – se arrasta desde o começo da quarentena, em meados de março. Montadoras, fornecedores, concessionários e demais empresas do setor anteviram a falta de liquidez, uma vez que a perspectiva clara era de freada brusca nas vendas, e buscaram os bancos – que retornaram com taxas consideradas altas, alegando que o risco crescera.

 

A reportagem da Agência AutoData apurou, também, com executivos da indústria que algumas garantias pedidas pelos bancos para liberar linhas de crédito são inalcançáveis no momento. As conversas travaram no fim da semana passada e o cenário começa a se agravar para as empresas, que precisam arcar com as folhas de pagamento no começo do mês.

 

Segundo Assumpção Júnior a Fenabrave se reúne semanalmente com uma equipe da Sepec, Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competividade, do Ministério da Economia, para debater o assunto. As empresas, de acordo com ele, dependem dessas linhas para que tenham condições de manter os negócios até a recuperação do mercado – o que, na avaliação da Fenabrave, demorará algum tempo, mesmo após o controle da pandemia.

 

Lojas já reabriram no Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O governo federal incluiu a atividade do setor na lista de atividades essenciais – mas uma decisão do STF, Supremo Tribunal Federal, deu aos estados e municípios autonomia para decidir o que pode ficar aberto durante a crise sanitária: “Em Goiás, onde a quarentena foi flexibilizada, a queda foi menor. Na comparação de abril de 2020 com 2019 caiu 47,7% e no acumulado do ano 6,7%”.

 

O presidente da Fenabrave garantiu que as 7,3 mil concessionárias brasileiras estão prontas para reabrir, seguindo “rigorosamente todos os protocolos de saúde a cuidados sanitários preconizados pela OMS, Ministério da Saúde e demais autoridades sanitárias”:

 

“As concessionárias não são locais onde se provocam aglomerações. Outro argumento irrefutável refere-se à importância das atividades das concessionárias, que garantem a mobilidade e a manutenção de veículos que são primordiais nessa fase, já que transportam cargas e pessoas, por todo o País”.

 

Outra situação que, na avaliação da entidade, vem prejudicando as vendas é o fechamento de alguns Detran e cartórios: “Sem emplacamentos fica complicado concretizar vendas, ainda que remotamente. Pedimos que eles voltem a operar, assim como a disponiblidade efetiva do Renave [Registro Nacional de Veículos e Estoque], que se daria eletronicamente e, portanto, sem qualquer risco”.

 

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Mercado argentino cai 88% em abril

São Paulo — Foram licenciados 4,4 mil veículos na Argentina em abril, segundo dados divulgados pela Acara, entidade que representa os concessionários locais. O volume foi 88,3% menor do que o registrado no mesmo mês de 2019. Com relação a março, o recuo foi de 75,4%.

 

No acumulado do ano as vendas somaram 94,8 mil unidades, contra 176,7 mil em igual perído do ano passado, queda de 46,3%. A retração foi causada pela pandemia da covid-19, que resultou no fechamento de fábricas de veículos e de concessionárias no país. 

 

Em abril nenhuma empresa vendeu mais do que 1 mil veículos. A Volkswagen foi quem conseguiu o melhor resultado: 679 licenciamentos. A Renault ficou em segundo lugar no ranking e vendeu 576 unidades, seguida por Toyota,  que entregou 491 veículos. 

 

No ranking por modelo o novo Chevrolet Onix somou 257 licenciamentos e ficou na primeira posição, assim como no Brasil. O Volkswagen Gol foi o segundo colocado, com 201 licenciamentos, e, na terceira posição, ficou o Ford Ka, com 153. 

 

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Ônibus Marcopolo deverão ter peças com grafeno em 2021

Caxias do Sul, RS – Ao longo do segundo semestre a Marcopolo pretende iniciar testes com a aplicação de grafeno em novos componentes de ônibus. O objetivo é reduzir o peso total do veículo e ampliar a resistência estrutural, como a possibilidade de utilização e introdução em veículos de motorização 100% elétrica ou híbrida.

 

Diretor de engenharia da empresa, Luciano Resner disse que, no ano passado, foi firmada parceria com a Universidade de Caxias do Sul para o desenvolvimento do material e a produção local em escala industrial. Segundo ele já foram iniciados estudos de caracterização, que permitirão determinar qual a quantidade ideal de grafeno na composição do material que se relaciona diretamente com a resistência mecânica desejada para cada subsistema do produto: “São ensaios químicos, térmicos e mecânicos, além de testes acelerados em dispositivos que garantem a durabilidade e a confiabilidade do produto, representando as condições de utilização dos clientes”.

 

De acordo com Resner a Marcopolo vem realizando estudos e pesquisas com o grafeno também associado ao aço e a diferentes polímeros que poderão resultar em grande ganho no peso: “Nossos trabalhos mostram que a liga com grafeno e aço proporciona redução de peso e melhoria das características mecânicas. Estamos desenvolvendo a sua aplicação na pintura, com a adição do grafeno em tintas para reduzir camadas, diminuindo custos e melhorando as características contra a corrosão”.

 

Dentre os desenvolvimentos mais avançados a Marcopolo também avalia a substituição de componentes metálicas por polímeros, com a adição do grafeno. E ainda em materiais de acabamento, como a estrutura do porta-pacotes e descansa-pernas, e em alguns componentes estruturais, como poltronas: “Deveremos iniciar testes no campo de provas ainda no segundo semestre para apresentar novidades no mercado em 2021”.

 

O grafeno é o material mais leve e forte do mundo, sendo duzentas vezes mais resistente do que o aço e superando até o diamante. Também é o material mais fino que existe, com espessura de um átomo, ou 1 milhão de vezes menor do que um fio de cabelo. Maleável, resistente ao impacto e à flexão, é excelente condutor térmico e elétrico. Uma folha de grafeno de um metro quadrado pesa 0,0077 gramas e suporta cargas de até 4 quilos.

 

Crédito: Julio Soares/Divulgação

Toyota supera os 15 milhões de híbridos vendidos

São Paulo — A Toyota superou a marca de 15 milhões de veículos híbridos comercializados em todos os mercados nos quais está presente. As vendas nesse segmento começaram com o Prius, em 1997 — atualmente são 44 os modelos híbridos das marcas Toyota e Lexus.

 

Em 2019 a empresa liderou o segmento eletrificado no Brasil com 65% das vendas. A Toyota oferece aos clientes brasileiros três opções: o novo Corolla, primeiro híbrido flex do mundo, desenvolvido e produzido no Brasil, o Prius e o RAV4, híbridos a gasolina — mas quer eletrificar todo seu portfólio até 2025, como já fez com a Lexus este ano. 

 

Ao comparar o volume de híbridos vendidos desde 1997 com o equivalente de automóveis com motor a gasolina, informou a companhia, as emissões de CO2 foram reduzidas em mais de 120 milhões de toneladas. 

 

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Picapes invadem o ranking dos mais vendidos

São Paulo – Três picapes integram o ranking dos dez automóveis e comerciais leves mais vendidos no mês passado, segundo dados divulgados pela Fenabrave na segunda-feira, 4. A Toyota Hilux ocupou a quinta posição do ranking, com 1 mil 762 unidades vendidas, seguida pela Fiat Toro em sexto, 1 mil 712 licenciamentos. Na oitava posição aparece a Fiat Strada com 1 mil 630 unidades vendidas.

 

Em um mês atípico, fortemente influenciado pelas ações de restrições promovidas pelas administrações públicas em decorrência da covid-19, as picapes ganharam espaço. Com as revendas fechadas as vendas diretas ganharam importância – representaram 50,5% dos licenciamentos do mês, segundo a Fenabrave. E picapes são usualmente comercializadas por meio desta modalidade.

 

Na primeira posição do ranking ficou o Chevrolet Onix, com 3 mil 619 unidades vendidas, o Hyundai HB20 assumiu a vice-liderança ao somar 2 mil 837 licenciamentos e completou o pódio o Chevrolet Onix Plus, com 2 mil 223 unidades vendidas.

 

Estreante no ranking o Chevrolet Tracker, décimo modelo mais vendido no mês, liderou o segmento SUV, um dos mais disputados do mercado nacional.

 

Veja os dez modelos mais vendidos em abril:

 

 

 

 

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Vendas de veículos caem 76% em abril

São Paulo – Concessionárias fechadas, sistemas dos Detran com operação restrita e restrição de circulação em algumas cidades para tentar combater à pandemia da covid-19 derrubaram as vendas de veículos em abril. Segundo divulgou a Fenabrave na tarde de segunda-feira, 4, foram licenciados 55,7 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no mês passado, volume 76% inferior ao do mesmo mês de 2019.

 

Com relação a março, quando metade do mês correu em ritmo normal, a queda chegou a 66%. O quadrimestre registrou 613,8 mil unidades vendidas, recuo de 26,9% na comparação com os primeiros quatro meses do ano passado.

 

O segmento de automóveis e comerciais leves somou 51,4 mil licenciamentos em abril, queda de 76,8% na comparação com o abril anterior. Com relação a março o recuo foi de 67% e, no acumulado do ano, os 583,9 mil veículos vendidos representam queda de 27,1% com relação ao mesmo período de 2019.

 

Segundo a Fenabrave, do volume de veículos leves vendido em abril 50,5% foi por meio de venda direta, modalidade que, pela primeira vez, superou o varejo em um mês – justificada pelo fechamento de concessionárias em grande parte das cidades brasileiras.

 

Em caminhões o recuo, em abril, chegou a 53,9% na comparação anual e a 40% na mensal, com 3 mil 910 unidades comercializada. O setor fechou em queda de 19,2% no quadrimestre, somando a venda de 24,1 mil veículos.

 

No mês passado foram licenciados 460 ônibus, volume 78,5% inferior ao resultado de abril de 2019 e 64,5% abaixo do registrado em março. No acumulado do ano as vendas recuaram 31%, com 5 mil 754 unidades licenciadas.

 

A queda nas vendas atingiu também o segmento de duas rodas, que registrou 28,3 mil unidades comercializadas no mês passado – 70% de queda com relação a abril de 2019 e 62,5% abaixo do volume de março. De janeiro a abril foram licenciadas 275,2 mil motocicletas, volume 21,9% inferior ao dos quatro primeiros meses do ano passado.

 

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Karin Radström indicada presidente da Daimler Trucks

São Paulo — Karin Rådström assumiu na quinta-feira, 30, posição de integrante do conselho de administração da Daimler Truck, a unidade de negócio de caminhões do grupo. Ela sucede, a partir de 1º de maio de 2021, a Stefan Buchner, que decidiu se aposentar após mais de trinta anos de empresa. 

 

A executiva veio da Scania, na qual começou como estagiária em 2004, depois de se formar em engenharia de gestão industrial. Desde 2007 ela ocupou vários cargos gerenciais nas áreas de vendas e serviços.

 

Brasil – Em função da pandemia, que provocou em diversos países restrições ao tráfego aéreo, Philipp Schiemer segue como presidente da Mercedes-Benz do Brasil. O executivo encerraria em 1º de maio suas funções na unidade brasileira, seguindo para a Europa onde assumirá a divisão de ônibus da Daimler.

 

A companhia aguarda possibilidade de voo para a Alemanha para dar sequência à sucessão. Schiemer será sucedido por Karl Deppen.

 

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Elevação dos juros atrapalha planos das montadoras

São Paulo – Está nas mãos dos bancos o destino das montadoras e de sua cadeia de fornecedores nos próximos meses. Indicadores econômicos, no entanto, pintam cenário desafiador para as empresas que precisam de crédito para reagir aos efeitos estruturais da pandemia de covid-19. Os juros apresentam tendência de elevação tanto nos empréstimos para empresas quanto para aquisição de veículos, na ponta da cadeia.

 

Na linha do que analistas apontaram sobre recuperação lenta e menor consumo, os dados do Banco Central indicam que a taxa de inadimplência para aquisição de veículos cresceu,  de fevereiro a março, de 3,6% para 3,7%.

 

“E uma vez a inadimplência mais alta, como é de se esperar para os próximos meses com eventual aumento do desemprego, o juro no longo prazo fica maior", disse Rodnei Bernardino de Souza, diretor do Itaú responsável pela área de veículos. "Isto porque aumenta o risco de quem dispõe o recurso. Isso afetará diretamente o consumo de bens duráveis que dependem de crédito até para serem produzidos.”

 

Os números do BC mostram que a taxa média de juro para aquisição de veículos também aumentou de fevereiro para março, passando de 19,4% a 19,8% ao ano – em direção oposta à taxa básica de juros, que segue em queda. Embora pareça uma contradição, há uma justificativa, explica Souza: “Se a tendência de desemprego seguir daqui para frente, com a óbvia diminuição da massa salarial, a taxa tende a aumentar mais para compromisso de longo prazo”.

 

Se na ponta do consumo o cerco aperta para aqueles que recorrem aos financiamentos, do lado produtivo a concessão de crédito também se mostra como fator complexo. Executivos do setor afirmam que a indústria busca formas, em Brasília, DF, e nos bancos de varejo, de fortalecer caixa para tocar a operação nos próximos meses, algo ainda em negociação.

 

Fonte ouvida pela Agência AutoData informou que a empreitada das montadoras na busca por recursos tem enfrentado uma série de entraves. O Ministério da Economia seria, segundo a fonte, contrário a uma linha de financiamento às montadoras e favorável ao crédito à cadeia que é constituída em grande parte por pequenas e médias empresas.

 

Por outro lado o ministério teria designado as demandas do setor automotivo para um banco de varejo, que ofereceu uma espécie de pacote baseado na oferta de crédito a juros considerados altos pelas fabricantes.

 

“O BNDES não aceita como garantia os ativos das montadoras nem a restituição de impostos que os estados devem a elas, como o ICMS. Dizem que não trabalham com garantias”, disse a fonte. "Houve conversas com um banco por intermédio do governo, mas os juros oferecidos são uma loucura, querem lucrar em cima da indústria.”

 

Uma resolução a respeito do tema é aguardada até 8 de maio, quando a Anfavea divulgará o balanço do setor referente a abril, mês marcado pela interrupção de produção das fábricas instaladas no País. O quadro deverá ser de queda abrupta considerando o desempenho comercial em mês de revendas fechadas: segundo dados do Renavam até a quarta-feira, 29, pouco mais de 50 mil unidades tinham sido vendidas. A expectativa de varejistas é fechar o mês com licenciamentos na casa de 55 mil veículos, grande parte resultado de venda direta.

 

Outro fenômeno da nova realidade dos juros já é sentido por operadores de veículos pesados: segundo o diretor de vendas e marketing de ônibus da Mercedes-Benz, Walter Barbosa, as taxas cobradas pelo CDC voltaram a ser superiores à do Finame. No ano passado o cenário era inverso, o que fez com que o CDC respondesse por mais de 80% dos financiamentos de caminhões e ônibus, campo usualmente dominado pelas linhas do BNDES.

 

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