Cadeia automotiva precisa de R$ 40 bilhões para atravessar a crise

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Foto Jornalista  André Barros

Por André Barros

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23/04/2020

São Paulo – As empresas que compõem a cadeia automotiva – montadoras, fornecedores e concessionários – precisam de R$ 40 bilhões nos próximos quatro meses para atravessar a crise provocada pela pandemia do coronavírus. Os valores foram repassados pelas próprias empresas ao governo, que agora estuda como fazer com que esse dinheiro chegue à ponta, de acordo com o presidente da Volkswagen América do Sul, Pablo Di Si.

 

“Não queremos dinheiro público ou subsídio: queremos acessar as linhas de crédito de forma rápida e com taxas justas”, afirmou o executivo a jornalistas, por meio de videoconferência, na manhã de quinta-feira, 23. “O quão rápido? Nas próximas semanas. O setor precisa de liquidez, especialmente a cadeia fornecedora. Se um fornecedor cai derruba toda a cadeia. Estou falando de mais de 1 milhão de empregos.”

 

Para o presidente da VW o mundo passa por crise sem precedentes. Pela primeira vez afetou todos os mercados de uma só vez – e não há onde buscar liquidez, muito menos nas matrizes. Por isto a importância de fazer com que este dinheiro chegue à ponta.

 

“Veja o valor. Em quatro meses gastaremos o equivalente a um ciclo de investimentos de anos na indústria. Por isso congelamos todos os investimentos, pois não há como pensar em desenvolver um carro para 2022, 2023, nessas condições.”

 

As reuniões com gente do Ministério da Economia, do BNDES e de bancos privados, por videoconferência, são semanais. Segundo Di Si o governo criou um consórcio de bancos privados para examinar setores da economia – no automotivo a liderança ficou a cargo do Itaú. Na sua avaliação o governo compreendeu as necessidades da indústria e classificou o setor automotivo como um dos críticos, que demandam mais atenção.

 

Sempre otimista Di Si disse não acreditar, contudo, em retorno do mercado aos níveis pré-crise ainda em 2020, por causa do aumento do desemprego e da redução na confiança do consumidor. Um dos pedidos ao governo é facilitar o acesso dos bancos de montadoras ao capital pelo Banco Central, podendo, assim, direcionar linhas com spread menor para concessionários, frotistas e consumidores.

 

As vendas de veículos no Brasil caíram, até 22 de abril, 22,5% na comparação com o mesmo período de 2019. A Volkswagen perdeu menos, 14,5%. Di Si evitou fazer projeção de mercado para 2020. Mas levantou outra pauta: revisão dos prazos de marcos regulatórios, como os estabelecidos no Rota 2030: “Os investimentos em novas tecnologias estão congelados, precisamos de alternativa. Uma delas seria a postergação do Rota 2030, cujos investimentos são bem expressivos”.

 

Foto: Rafael Cusato.