Cadeia de fornecedores encolherá após a crise

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Foto Jornalista  Caio Bednarski

Por Caio Bednarski

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30/04/2020

São Paulo – A cadeia de fornecedores automotiva ficará menor após a crise, estima Marcelo Martini, gestor da divisão automotiva da Fuchs, multinacional da área de lubrificantes. Alguns vão quebrar, sem condições de suportar todo o tempo parado sem entrar dinheiro em caixa, e há uma tendência de consolidação vertical, com empresas mais sadias financeiramente comprando seus fornecedores e agregando itens novos aos seus portfólios.

 

Martini estima impacto maior na base da cadeia, fornecedores tier 3 e 4. “Eles sofrem mais para manter a operação durante a pandemia”.

 

Quem sobreviver, avalia o executivo, sairá fortalecido da crise. Martini acredita que as empresas que conseguirem incorporar operações estratégicas aos seus negócios terão condições de negociar melhor com as montadoras.

 

"Também existe expectativa de aumento na demanda por componentes nacionais, como uma saída para driblar o aumento dos custos que o dólar já causou nos componentes importados. Alguns não são produzidos por aqui, e nesse caso não existe alternativa, mas os nacionais que concorrem com os que vem de fora poderão ganhar competitividade".

 

Martini disse que os fornecedores com produção de componentes mais específicos, com menos concorrentes, têm mais chances de serem incorporados a outras empresas, enquanto os fabricantes de commodities, por exemplo, sofrerão mais.

 

Para não quebrar durante a crise os fornecedores precisam buscar alternativas para manter seu fluxo de caixa, maior problema do setor: "Eles terão que buscar crédito no mercado. Também deverão usar medidas já anunciadas pelo governo que permitem reduzir a jornada de trabalho e a folha salarial, porque um dos focos nesse momento será diminuir os custos".

 

O executivo também espera mais ajuda de Brasília, como redução de impostos e estímulos ao crédito para ajudar toda a cadeia a superar a crise.

 

No caso da Fuchs, Martini revelou que ainda não foi necessário buscar opções de crédito no mercado. O executivo não acredita que terá problemas caso seja necessário, porque a empresa é multinacional e possui as garantias que os bancos pedem, mas lembrou que as exigências aumentaram porque o risco também subiu. A fábrica da Fuchs, em Barueri, SP, já voltou a operar com 50% de sua capacidade e quadro de funcionários reduzido, seguindo todas as normas de segurança. 

 

Com problemas para manter o fluxo de caixa, os fornecedores também adiarão seus investimentos programados, medida que ajudará a preservar suas operações até que o mercado retome volumes mais relevantes e mostre uma tendência de crescimento forte: "Não tem como aumentar capacidade ou investir em novas tecnologias nesse momento. Não faria sentido". A mesma medida foi tomada pelas montadoras, que suspenderam investimentos e lançamentos

 

O executivo acredita, ainda, que no curto prazo o preço dos veículos subirá, por depender de itens comprados em dólar. Será inevitável: o aumento deverá ser repassado diretamente aos consumidores. O segmento de entrada será o mais afetado porque é o mais sensível ao aumento no preço final.

 

As projeções da Fuchs são de uma lenta recuperação do setor, com o consumo iniciando um ritmo maior a partir do quarto trimestre, mas abaixo dos meses pré-crise, pelo menos, durante 2021 e 2022. O consumo das pessoas deverá cair e quem buscar um financiamento para comprar um veículo, em muitos casos, encontrará o crédito mais caro, mesmo com a taxa básica de juros caindo.

 

A expectativa para a produção é de um volume de 1,8 milhão de automóveis e comerciais leves em 2020, retração de 44% ante projeção de janeiro. Em 2021 a projeção é de 2,2 milhões a 2,3 milhões de automóveis fabricados no País. Para 2022 a produção poderá chegar a 2,5 milhões: "Só para 2024 esperamos um volume em torno de três milhões de automóveis". 

 

Para o PIB desse ano o executivo projeta queda de 4,5% a 5%.

 

Foto: Divulgação.