Stellantis produzirá furgões elétricos para a Iveco na Europa

São Paulo – A Pro One, unidade de negócios da Stellantis, anunciou colaboração estratégica com a Iveco para produzir dois veículos comerciais elétricos em suas fábricas na Europa, que serão vendidos com a marca Iveco.

Os furgões, de média e grande capacidade de carga, serão produzidos nas fábricas de Atessa, Itália, Hordain, França, e Gliwice, Polônia. O lançamento dos novos modelos está previsto para 2026, e o acordo terá duração inicial de dez anos.

Mercedes-Benz amplia seu centro de customização de pesados

São Paulo – O centro de customização de caminhões e ônibus instalado na fábrica da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, SP, foi expandido e passa a receber, também, veículos elétricos. Inaugurado em 2015 o CTC, Custom Tailored Center, já customizou mais de 15 mil veículos, dos quais 3,5 mil foram exportados, metade para países da América Latina e metade para outros continentes, segundo Erica Daumichen, vice-presidente de operações de caminhões e agregados.

Segundo ela a área passou a ter o potencial para dobrar a capacidade de entrega, com tempo de operação reduzido e atendimento mais rápido às demandas dos clientes: “Manteremos nossa equipe preparada para a chegada de novas soluções customizadas, inclusive os elétricos, garantindo assim a qualidade de nossos produtos e a segurança e bem-estar dos colaboradores”.

Setores como mineração, construção e transporte de bebidas são as que mais puxam as vendas de caminhões customizados. O modelo envolve a participação de diversas áreas da companhia, como marketing, estratégia de produto, engenharia, produção, logística, compras. Alguns exemplos de veículos que passaram pelo CTC são o Actros Estrela Delas, o Arocs 4051 8×4 madeireiro e kits para aplicação em setores canavieiro, madeireiro e construção civil.

Juro alto é vento contra em vendas de caminhões

São Paulo – Acomodada a euforia da Fenatran, realizada em novembro com estimativa de recorde de negócios fechados ou alinhavados, na casa dos R$ 15 bilhões, neste início de 2025 a elevação dos juros começa a ventar contra as possibilidades de desempenho melhor para o mercado nacional de caminhões. Durante a feira a média das apostas convergia para possível alta de 5% nas vendas, que poderia surpreender e chegar até aos 10%.

Mas com o salto da taxa básica Selic, fixada em 11,25% ao ano naquele início de novembro e elevada para 12,25% em dezembro, com nova alta para 13,25% já contratada pelo Banco Central para janeiro e promessa de alcançar 14,25% neste março, os ânimos esfriaram. As expectativas, contudo, ainda não são tão ruins.

O Fórum AutoData Perspectivas Caminhões, que será realizado na terça-feira, 18 de março, debaterá o desempenho do setor com os principais representantes dos fabricantes de caminhões e implementos rodoviários. O evento é on-line e com acesso gratuito: basta acessar aqui e fazer sua inscrição para assistir.

No fim de dezembro a Anfavea, que reúne as empresas fabricantes de veículos, ajustou sua projeção de vendas domésticas de caminhões para ficar, no máximo, igual a 2024, quando foram vendidas 125 mil unidades, considerando todos os segmentos.

A maioria das consultorias segue a mesma linha, como a Power Systems Research, que prevê para este ano a venda de 120 mil caminhões acima de 6 toneladas de PBT, em leve crescimento de 2,1% – não entram nesta conta os modelos semileves de 3,5 a 6 toneladas.

Assim nem deu tempo de comemorar a boa alta nas vendas de caminhões de 15,7% sobre 2023, que foi apenas a recuperação da grande retração de 14,7% daquele ano, causada pela entrada em vigor da atual fase da legislação de emissões para veículos pesados, o Proconve P8, que tornou de 15% a 25% mais caros os caminhões pela adoção da motorização Euro 6.

Mas 2025 não começou mal: os 18,4 mil caminhões emplacados no primeiro bimestre significaram crescimento de 10,8% sobre o mesmo período de 2024, segundo consolidação da Anfavea. Fevereiro, com 9 mil emplacamentos, registrou recuo de 4,7% sobre janeiro, mas alta de 7,1% ante o mesmo mês do ano passado. Ambos os movimentos são justificados pelo menor número de dias de fevereiro, que este ano teve maior número de dias úteis porque em 2024 o carnaval caiu no meio do mês.

Na análise de Arcélio Júnior, presidente da Fenabrave, que representa os concessionários, a tendência ainda é de crescimento mas o embalo do primeiro bimestre ainda vem do fim de 2024: “O efeito Fenatran tem sido claro neste início do ano, com a confirmação dos pedidos realizados na feira. Embora a alta nas taxas de juros preocupe há a expectativa de se manter um bom desempenho em função da safra agrícola, que promete ser uma ser uma das melhores dos últimos anos”.

Horizonte preocupante

O problema é que o gás da Fenatran não deve passar do primeiro trimestre e já houve cancelamentos, embora poucos fabricantes admitam isto com todas as letras, como Alcides Cavalcanti, diretor executivo da Volvo Caminhões: “Foram cancelados perto de um terço dos pedidos tirados na Fenatran. Outro terço foi faturado e entregue e o restante foi adiado justamente por causa do ambiente econômico atual, que encareceu o crédito”.

E Cavalcanti prevê piora do cenário, especialmente no caso da Volvo, que tem produtos mais caros: “Estimamos uma redução de mercado de 10% este ano no segmento em que atuamos, que é o de caminhões acima de 16 toneladas de PBT. Embora a Selic esteja a 13,25% e com indicação de nova alta [para 14,25%] pelo Banco Central, a taxa de juros real [dos financiamentos] está bem acima disso. Isto está freando o mercado, em todos os segmentos. A maioria dos transportadores está adiando suas decisões de compra. Só estão comprando caminhão ou renovando parte da frota aqueles clientes que realmente precisam do veículo imediatamente”.

Atuando em faixa de mercado idêntica à da Volvo a Scania não observou tantos cancelamentos das vendas negociadas na Fenatran, mas tem percepção parecida sobre um ambiente mais difícil à frente, com menos recursos em caixa disponíveis para compra de caminhões, segundo avalia o diretor de vendas Alex Nucci: “O ano começou em compasso de espera, os negócios estão acontecendo em um ritmo menor se comparado a 2024. A taxa de juros elevada, com tendência de alta, se soma aos aumentos de preços do diesel, que impactam diretamente o custo operacional dos clientes”.

Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas e marketing de caminhões da Mercedes-Benz do Brasil, segue o mesmo raciocínio: “Com a alta da taxa de juros alguns segmentos foram impactados e alguns operadores estão postergando a compra de novos caminhões”. Ele cita o exemplo do varejo, especialmente mercadorias transportadas por veículos rodoviários de maior porte: “Os modelos extrapesados têm preços mais elevados e, então, qualquer variação na taxa do financiamento resulta em grande impacto no valor da parcela dos clientes”.

Ainda assim a Mercedes-Benz, bem como todos os demais fabricantes de caminhões no País, trabalham com a projeção de estabilidade do mercado feita pela associação do setor: “Estamos em fase de revisão das projeções, mas até o momento mantemos o alinhamento com a Anfavea”.

Nucci, da Scania, vai pelo mesmo caminho: “Naturalmente o mercado em 2025 será mais desafiador e com isso nossas projeções, sem dúvida, serão alteradas. Será um ano de menores volumes, mas ainda é cedo para fazer projeções. Acreditamos que após o fechamento do primeiro trimestre teremos céu mais claro de como deverá ser”.

Ventos contra e a favor

Apesar do vento contrário dos juros Cavalcanti, da Volvo, avalia que o resultado não será de todo negativo: “Não significa que será um ano ruim, até porque, a se confirmar o desempenho atual, 2025 terá volumes maiores do que os de 2023, mas deverá ser inferior a 2024”.

De modo geral a crença é de que embora os juros trabalhem contra o crescimento das vendas também existem motivos concretos para comprar caminhões, como a já citada supersafra de grãos que impõe necessidade de transporte de estimadas 320 milhões de toneladas de soja e milho. Também devem sustentar as vendas para cima os investimentos do governo em programas como o Minha Casa, Minha Vida e o PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, que fomentam negócios no setor de construção civil e a compra de caminhões pesados e semipesados.

“O segmento de caminhões pesados enfrenta mais desafios, mas o de semipesado vive em um cenário mais positivo, com demanda mais aquecida”, afirma o diretor de vendas da Scania.

Segundo Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas e marketing da Volkswagen Caminhões e Ônibus, até o momento a empresa não notou sinal de retração do mercado: “Ao contrário: passado o período de fim de ano temos notado a volta de grandes clientes para novas negociações”. O executivo afirma ainda que “nenhum negócio efetivamente fechado na Fenatran foi cancelado ou postergado. Estamos faturando todos os pedidos de acordo com os prazos de entrega estabelecidos”.

Com uma linha ampla de produtos, de modelos semileves a extrapesados, a Iveco continua surfando na onda que se ergueu na Fenatran. Carlos Fraga, seu diretor de marketing na América Latina, afirma que todos os objetivos comerciais da feira foram alcançados e “esperamos continuar fechando negócios a partir dos contatos realizados durante o evento”.

Segundo Fraga as vendas seguem crescendo bastante acima da média do mercado: “Observamos crescimento de 45% nos emplacamentos da Iveco e ganhamos 2 pontos porcentuais de market share ao comparar janeiro de 2025 com 2024. Estamos reforçando o contato com nossos clientes para ampliar nossa participação tanto em grandes frotas e como com autônomos”.

O bom momento de 2024 e início de 2025 ainda sustenta certo otimismo, mas os próximos meses mostrarão de fato o quanto o juro alto pode anular os fatores de crescimento do mercado nacional de caminhões.

Thiago Marques é o diretor de marketing da Omoda Jaecoo

São Paulo – A Omoda Jaecoo anunciou Thiago Marques como seu diretor de marketing. Ele chega com a missão de consolidar os planos de introdução e de posicionamento de produtos. O executivo tem experiência de trabalho no setor automotivo, com passagens por Hyundai e Jaguar Land Rover.

A empresa também divulgou a agência Golin como responsável pelo atendimento à imprensa. Para o marketing e comunicação a agência contratada foi a iD\TBWA.

ArcelorMittal amplia em 35% capacidade de produção de aço automotivo

Sabará, MG – A ArcelorMittal inaugurou na sexta-feira, 14, a expansão de sua fábrica de Sabará, da qual de 30% a 40% da produção são dedicados ao setor automotivo e o restante para o ramo metal-mecânico. Os investimentos foram de R$ 144 milhões, valor que integra ciclo de investimentos de R$ 11,5 bilhões a serem injetados de 2021 a 2028 nas unidades do Estado.

O presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO da ArcelorMittal Aços Longos e Mineração para a América Latina, Jefferson de Paula, afirmou que com a expansão da usina o plano é reforçar o portfólio para o mercado de molas, amortecedores, parafusos, eixos, barras estabilizadoras e fixadores e que, no caso do setor automotivo, os novos produtos serão aplicados tanto em carros populares como em SUVs.

Segudo De Paula o ano passado foi marcado por forte expansão da indústria automotiva, apesar do cenário de juros e inflação em alta:

“A ArcellorMittal está no Brasil há mais de cem anos. Queremos continuar por pelo menos mais cem. A empresa acredita no desenvolvimento do Brasil, que tem um potencial enorme de crescimento. Precisamos de políticas públicas, acreditamos que temos tudo para crescer nos próximos dez, vinte, cinquenta anos. Este investimento estratégico, portanto, não foi feito pensando no curto, mas no médio e longo prazos”.

O investimento incluiu a construção de galpão para armazenagem de produtos acabados e a aquisição de dois equipamentos automatizados de trefilação vindos da Alemanha. O resultado dos aportes será a ampliação em 35% da capacidade produtiva para até 170 mil toneladas por ano – o que já está em vigor, uma vez que os testes foram iniciados em agosto.

O efetivo da unidade de Sabará, composto por trezentos profissionais, sendo 155 deles na linha de produção, foi ampliado em 25%. 

Jefferson de Paula, presidente da ArcelorMittal, disse que o investimento está sendo feito pensando no médio e longo prazos. Foto: Divulgação.

A nova linha de trefilação de fio-máquina produz soluções de alto valor agregado para o setor automotivo e permite tanto a ampliação de portfólio como a redução do tempo necessário para a troca de peças e equipamentos dos maquinários. Ou seja: confere mais rapidez à operação.

A fábrica de Sabará é a responsável pela etapa de trefilação do processo produtivo. O minério de ferro é transformado em aço na usina de João Monlevade, MG, que consumirá R$ 3 bilhões dos R$ 11,5 bilhões até 2028 por causa da fabricação de aços especiais. De lá saem as bobinas de fio-máquina para serem transformadas em componentes do setor automotivo.

Para criar uma mola, ou um componente de amortecedor de veículo, o rolo é trefilado, cortado e na sistemista ou montadora é feito o desdobramento da mola. O carro-chefe de Sabará é composto por mola para a suspensão de veículos, aço de amortecedor, que é fornecido à Marelli, dentre outras, e haste para barra de direção, por exemplo, vendido para a Thyssenkrupp.

Além de abastecer o mercado interno a unidade exporta para países como Argentina, México, Canadá e Estados Unidos. A ArcelorMittal produz 42% de todo o aço do Brasil e possui operação em doze unidades distribuídas por oito estados. A fábrica de Sabará, até 2005 Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, é a mais antiga da empresa no Brasil, existente desde 1921.

Esta é uma das duas máquinas importadas da Alemanha, adquiridas para modernizar e expandir a produção de componentes para o setor. Foto: Soraia Abreu Pedrozo

Indústrias conversam com governo para derrubar taxa de 25% sobre o aço 

De Paula, que também integra o Instituto Aço Brasil, contou que sobre o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar em 25% o aço brasileiro, já estão sendo realizadas reuniões com o governo federal, que está articulando a negociação: 

“Acreditamos que será feito acordo, assim como em 2018, quando houve situação semelhante, e foram estabelecidas cotas que foram rigorosamente cumpridas. Os Estados Unidos importaram no ano passado 5,6 milhões de toneladas de placas de aço semi-acabado e nós exportamos para a Calvert, unidade da ArcelorMittal naquele país, 3,5 milhões de toneladas. Ou seja, eles precisam do nosso produto”.

Presente na cerimônia de inauguração o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, disse que tão importante quanto negociar a redução de taxas sobre o produto brasileiro é elevar a alíquota para o aço importado, e que já foi solicitado por associação de empresas produtoras de aço no País uma revisão quanto às tarifas de importação.

“O mundo todo tarifa o aço subsidiado da Ásia em 25%, mas aqui no Brasil entra com imposto muito menor. E ele é o mais sujo do mundo, que mais emite CO2, ao passo que o nosso é um dos mais limpos, uma vez que aqui usamos carvão vegetal e a eletricidade provém de energia renovável.” 

Fábrica de Sabará, MG, é a mais antiga da ArcelorMittal no Brasil, inaugurada em 1921 como Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira. Foto: Soraia Abreu Pedrozo.

Mesmo com juro recorde Anfavea segue otimista com crescimento do mercado

São Paulo – Diante da escalada da taxa básica de juros, que na próxima reunião do Copom, em março, deverá subir mais 1 ponto porcentual, o custo do crédito de veículos alcançou sua máxima recente, segundo a Anfavea: em janeiro a taxa para financiamento de veículos chegou a 29,5% ao ano.

O sinal de alerta foi ligado na entidade, pois o crédito é importante combustível para as vendas do setor:

“No passado a relação de emplacamentos de veículos era de 70% a 30%, sendo 70% comprado a prazo e 30% à vista”, afirmou o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite. “Após a pandemia essa tendência chegou a inverter e, no ano passado, encerrou com 55% à vista e 45% a prazo, indicando um retorno à normalidade. Mas com este custo a indicação é de nova queda no volume de financiamentos”.

Pesam a favor da demanda por veículos, que fechou o bimestre com crescimento de 9% sobre igual período do ano passado, as condições do País, com baixo nível de desemprego e crescimento da massa salarial, apesar da inflação ainda fora do controle, disse o presidente. E, segundo ele, a demanda reprimida por veículos, pois o mercado registrou níveis baixos de vendas nos últimos anos.

Lima Leite disse, também, que a inadimplência está na casa dos 4%, o que não justifica juros tão elevados: “Esperamos que o marco das garantias, aprovado recentemente e que facilita a retomada do bem no caso de inadimplência, ajude a reduzir o spread bancário, porque pelo que conversamos com os bancos ele ainda não foi inteiramente contemplado. Aí quem sabe a taxa de juros para o setor dê uma retraída”.

De toda forma, afirmou o presidente da Anfavea, toda essa situação negativa no crédito estava prevista nas projeções para o desempenho da indústria divulgadas no fim do ano passado: “Dissemos, à época, que se não fosse a escalada da taxa Selic o mercado poderia retornar às 3 milhões de unidades em 2025, um marco importante para a indústria. Não chegará a este patamar, mas o mercado e o Brasil continuarão crescendo. Poderia ser mais…”

Chineses na América Latina

Outro ponto de atenção levantado pela Anfavea na entrevista coletiva à imprensa para divulgação dos resultados do primeiro bimestre, na sexta-feira, 14, foi o crescimento da participação de veículos chineses em mercados da América Latina e a perda de espaço do veículo brasileiro na região.

Em 2013, segundo levantamento da Penta Transactions considerando Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia, México e Peru, os veículos chineses responderam por 4,6% das vendas na região e os brasileiros por 22,5%. No ano passado os chineses representaram 27,9% das vendas e os brasileiros 13,9%.

“Não são só vendidos tipicamente chineses, de marcas de origem da China: as próprias montadoras com fábrica na região estão trazendo mais veículos chineses. É efeito da perda de competitividade.”

Como solução Lima Leite indicou que o Brasil precisa acelerar as discussões para acordos comerciais bilaterais e das questões regulatórias: “Por vezes a demora para homologar um veículo produzido aqui em países vizinhos demora de seis a oito meses. Precisamos ter regras mais parecidas”.

Ele reconheceu que durante sua gestão, que se encerra no mês que vem, o assunto poderia ter avançado mais. E previu mais dificuldades: “Agora estamos com a questão da eletrificação, que está chegando nesses mercados. Mas nós ainda estamos evoluindo na produção dos híbridos e não fazemos carros elétricos. Os investimentos anunciados levarão algum tempo para se materializar para que possamos competir também com as novas tecnologias”.

Por esta razão, também, a Anfavea segue conversando com o governo para antecipar o retorno dos 35% de imposto de importação sobre veículos eletrificados, previsto apenas para 2026: “Enquanto outros países estão subindo barreiras, elevando tarifas, seguimos com a menor tarifa dentre os principais mercados e desprotegidos. Estamos deixando de gerar empregos aqui para criá-los em outros países”.

Produção cresce e alcança o maior volume desde 2021

São Paulo – Mesmo com todos os desafios enfrentados a indústria automotiva nacional fechou o primeiro bimestre com crescimento de 14,8% na produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus, somando 392,9 mil unidades, segundo divulgou a Anfavea na sexta-feira, 14. Foi o melhor resultado desde 2021, de acordo com a entidade.

Em fevereiro saíram das linhas de montagem 217,4 mil veículos, volume 23,8% superior ao de janeiro e 14,6% acima de fevereiro do ano passado.

Para o presidente da Anfavea, Marcos de Lima Leite, o mercado doméstico, em alta de 9%, e as exportações, que cresceram 55% no primeiro bimestre, estão puxando o ritmo das fábricas.

“O primeiro bimestre foi muito aquecido, mesmo com todas as dificuldades. Mas o sinal de alerta está ligado com o crescimento das importações e o custo de financiamento, que está em nível recorde”.

Ele ressaltou a geração de empregos da indústria, que fechou o bimestre com 108,7 mil empregos diretos, 8 mil a mais do que um ano atrás. Desde dezembro foram criadas 1,5 mil novas vagas. “E já temos outras 2,2 mil vagas anunciadas por associadas que não estão contabilizadas ainda”.

Um em cada cinco veículos emplacados no Brasil é importado

São Paulo – Em janeiro e fevereiro foram vendidos 75,2 mil veículos importados no mercado brasileiro, o equivalente a 21% das vendas totais do mercado, 356,2 mil unidades. As vendas de importados cresceram 26,2% no período e o mercado avançou 9%.

“Foi a maior participação dos importados no mercado interno desde 2012”, afirmou Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, que divulgou os dados na sexta-feira, 14. Ele voltou a pedir a reintegração imediata do imposto de importação para eletrificados a 35%, avançando sobre o calendário estabelecido em dezembro de 2023. “Estamos entregando empregos para fora do País.”

Para o presidente o agravante é o fato de que quase metade destas importações vem de países com o qual não o Brasil não mantém acordo comercial bilateral automotivo. Da China, especialmente, vieram 20,8 mil unidades, ou 28% do total das importações.

Lima Leite mostrou que no primeiro bimestre de 2021 as importações representaram 8,8% das vendas. Destes 5,6% de países com acordo comercial e 3,2% sem acordo. Em janeiro e fevereiro os índices cresceram para 10,8% e 10,3%, respectivamente.

“Com os países com os quais o Brasil mantém acordo comercial a importação é compensada por exportações de veículos ou o comércio de peças, pois muitos deles são produzidos com componentes nacionais. Não é o caso dos demais países.”

Ele voltou a chamar a atenção para a chegada de navios com mais veículos importados da China, como os da BYD e da Omoda Jaecoo: “Enquanto os países estão ampliando suas barreiras, subindo tarifas, o Brasil as mantém mais baixas. Por isto é urgente a recomposição”.

O mercado do primeiro bimestre foi o melhor para o período desde 2020, quando a pandemia de covid-19 ainda não havia provocado as restrições. E embora fevereiro, que registrou 185 mil emplacamentos, alta de 8% sobre janeiro e de 11,9% sobre o mesmo mês do ano passado, não tenha tido o feriado de carnaval, o que compromete a comparação, na média diária a venda cresceu 18,8% sobre janeiro e 6,3% sobre fevereiro de 2024. O que, na opinião de Lima Leite, comprova o bom desempenho do mercado no primeiro bimestre.

Mercados de destino avançam e exportações crescem 55%

São Paulo – As exportações de veículos, que foram o ponto fraco da indústria em 2024, cresceram 54,9% no primeiro bimestre, 76,7 mil unidades, segundo dados divulgados pela Anfavea na sexta-feira, 14. Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, disse que o incremento foi puxado pela retomada de volumes maiores embarcados para alguns países da América do Sul:

“As exportações para Argentina cresceram 172% no bimestre, puxadas pela expansão do mercado local, e o país voltou a ser o nosso principal parceiro comercial. Para o Uruguai houve alta de 17%, para a Colômbia de 52%, para o Chile de 12% e a única queda foi para o México, com recuo de 26%, algo sazonal”.

Em fevereiro foram exportados 48 mil veículos, volume 56,4% maior do que o de fevereiro de 2024 e 67,4% maior do que em janeiro.

Em valores as exportações chegaram a US$ 1,9 milhões no bimestre, crescimento de 31,9% na comparação com igual período do ano passado. No mês de fevereiro os embarques chegaram a US$ 1,2 bilhão, alta de 33,2% na comparação com idêntico mês de 2024 e de 42,5% com relação a janeiro.

Indústria de ônibus vive bom momento e produção avança 11%

São Paulo – A indústria nacional produziu 4,3 mil chassis de ônibus no primeiro bimestre, avanço de 11,1% sobre iguais meses do ano passado, de acordo com dados divulgados pela Anfavea na sexta-feira, 14. Eduardo Freitas, vice-presidente da entidade, também comparou o número até fevereiro com igual período de 2022, quando os motores ainda eram Euro 5, e a expansão foi de 30,3%:

“A comparação com anos anteriores é importante, principalmente com 2022, pois o mercado ainda não tinha sofrido os efeitos da chegada do Euro 6, e o avanço da indústria confirma o momento positivo do mercado: deve ser uma tendência ao longo do ano”.

A produção em fevereiro chegou a 2,5 mil unidades, volume 9,6% maior do que o de fevereiro de 2024 e 37,6% maior do que o de janeiro. 

As vendas no primeiro bimestre somaram 3,7 mil unidades, crescimento de 50,1%, que foi puxado por dois segmentos: “As vendas dos veículos do Caminho da Escola e uma renovação de frota no segmento urbano em diversas cidades grandes do País”.

Em fevereiro foram vendidos 2 mil ônibus, alta de 45,8% sobre fevereiro do ano passado, período em que não houve vendas de ônibus para o Caminho da Escola, e avanço de 9,4% sobre o volume de janeiro.

As exportações cresceram 67,2% no bimestre, 786 chassis, acompanhando o avanço das exportações gerais da indústria. Em fevereiro os embarques somaram 488 unidades, crescimento de 36,7% sobre idêntico mês do ano passado e alta de 63,8% com relação a janeiro.