Não há senso comum na cadeia de suprimentos que atende o segmento de caminhões. Porém, a maioria percebe indicações de que este ano será um pouco melhor do que o passado. Nada que possa ser definido como uma recuperação. Apenas a certeza de que não será pior.
Fabricante de componentes plásticos e em acrílico, a Acrilys recebeu sinais de um dos seus principais clientes de que os volumes de compras deste ano poderão ficar até 25% superiores aos de 2016. “Ainda não tivemos impacto no primeiro bimestre, o que é natural considerando ser período de férias, folgas e pausas programadas, como a do Carnaval”, diz Joelcio Zanco, gerente de desenvolvimento da empresa, que tem duas plantas em Caxias do Sul, RS, e outra no município vizinho de São Francisco de Paula. O gestor ressalta, no entanto, que os volumes já são melhores do que os do último trimestre de 2016, reforçando o entendimento de que a alta será gradual. Por enquanto, a empresa ainda não tem intenção de mexer no quadro de funcionários.
Situação idêntica é exposta por Aline Dondé, coordenadora comercial de montadoras, importações e exportações da Resfriar, de Vacaria, RS. Segundo ela, os volumes de vendas de alguns dos principais clientes cresceram 16% em janeiro na comparação com o período anterior, tendência que se sustentou em fevereiro.
Aline também destacou que existem várias negociações para consolidação no médio e longo prazo para atender a novos produtos das montadoras de caminhões. “Em dezembro do ano passado, o planejamento das marcas era mais conservador. Começou a mudar neste bimestre com a revisão dos volumes anteriores.”
A executiva argumenta que a fabricante de climatizadores de ar está se estruturando para ter estoques por três meses a fim de atender a demanda dos clientes. A empresa já elevou o quadro de funcionários e avalia a possibilidade de mais um turno. A medida não se deve exclusivamente à retomada do mercado, mas também visa atender a produção de novos produtos. “Estamos nos preparando para 2018, que esperamos seja o ano da recuperação plena.”
Para Suzana Ávila, diretora da Zurlo, de Caxias do Sul, são pontuais e não rotineiras as altas nos volumes de compra. Quando ocorrem, quase sempre são estratégicas. “Os clientes estão fazendo pesquisa em busca de melhores condições”, reforça. Ela afirma que o primeiro bimestre do ano foi estável. A estratégia da empresa é aguardar o desenvolvimento de março e abril para ter uma visão mais clara de como se comportará o mercado. “Ainda vivemos um período muito turbulento, com insegurança política, o que gera desconfiança em todos os segmentos.
Outro agravante é o aumento do preço do aço, principal insumo da fabricante de suspensões e engates, dentre outros acessórios. A diretora define que está muito difícil repassar o aumento ao preço final de venda, situação que reduz ainda mais as margens para a negociação.
A diretoria da Suspensys, empresa do Grupo Randon, de Caxias do Sul, acredita que o ano possa fechar com alta de até um dígito, mas insuficiente para criar otimismo consistente, já que a base de comparação é baixa. “Percebe-se a intenção de investir, mas o empresário continua cauteloso, aguardando definições políticas e econômicas”, define Jacques Frizzo, responsável pelas áreas de eixos e suspensões da empresa. A isto, alia-se o desemprego, que reduz o poder de consumo do brasileiro. Para Frizzo, a volta do consumo será demorada. O que deve impulsionar a economia, no seu entendimento, serão investimentos públicos na infraestrutura, fato que pode estar influenciando na melhora da intenção de compra por frotistas junto às concessionárias.
Esdânio Pereira, diretor do Negócio Suspensões, argumenta que, embora positiva e necessária, a política de redução na taxa de juros em pequenas parcelas interfere no negócio de bens de capital. Assinala que o cliente prefere aguardar uma nova redução na taxa a fazer a compra imediatamente. “Um ponto a menos nos juros faz enorme diferença quando se compra lotes de caminhões”, enfatiza.
O diretor comentou que a Suspensys tem trabalhado na recuperação de estoques para atender principalmente ao mercado de reposição e revelou preocupação com a cadeia de fornecedores caso haja uma retomada mais efetiva no segmento de montadoras. “O setor de compras está monitorando os parceiros de forma a evitar que tenhamos desabastecimento em alguma área”, afirma. A empresa, inclusive, já mudou fontes de suprimentos não apenas por questões de redução de custos.