Pior não fica

Não há senso comum na cadeia de suprimentos que atende o segmento de caminhões. Porém, a maioria percebe indicações de que este ano será um pouco melhor do que o passado. Nada que possa ser definido como uma recuperação. Apenas a certeza de que não será pior.

Fabricante de componentes plásticos e em acrílico, a Acrilys recebeu sinais de um dos seus principais clientes de que os volumes de compras deste ano poderão ficar até 25% superiores aos de 2016. “Ainda não tivemos impacto no primeiro bimestre, o que é natural considerando ser período de férias, folgas e pausas programadas, como a do Carnaval”, diz Joelcio Zanco, gerente de desenvolvimento da empresa, que tem duas plantas em Caxias do Sul, RS, e outra no município vizinho de São Francisco de Paula. O gestor ressalta, no entanto, que os volumes já são melhores do que os do último trimestre de 2016, reforçando o entendimento de que a alta será gradual. Por enquanto, a empresa ainda não tem intenção de mexer no quadro de funcionários.

Situação idêntica é exposta por Aline Dondé, coordenadora comercial de montadoras, importações e exportações da Resfriar, de Vacaria, RS. Segundo ela, os volumes de vendas de alguns dos principais clientes cresceram 16% em janeiro na comparação com o período anterior, tendência que se sustentou em fevereiro.

Aline também destacou que existem várias negociações para consolidação no médio e longo prazo para atender a novos produtos das montadoras de caminhões. “Em dezembro do ano passado, o planejamento das marcas era mais conservador. Começou a mudar neste bimestre com a revisão dos volumes anteriores.”

A executiva argumenta que a fabricante de climatizadores de ar está se estruturando para ter estoques por três meses a fim de atender a demanda dos clientes. A empresa já elevou o quadro de funcionários e avalia a possibilidade de mais um turno. A medida não se deve exclusivamente à retomada do mercado, mas também visa atender a produção de novos produtos. “Estamos nos preparando para 2018, que esperamos seja o ano da recuperação plena.”

Para Suzana Ávila, diretora da Zurlo, de Caxias do Sul, são pontuais e não rotineiras as altas nos volumes de compra. Quando ocorrem, quase sempre são estratégicas. “Os clientes estão fazendo pesquisa em busca de melhores condições”, reforça. Ela afirma que o primeiro bimestre do ano foi estável. A estratégia da empresa é aguardar o desenvolvimento de março e abril para ter uma visão mais clara de como se comportará o mercado. “Ainda vivemos um período muito turbulento, com insegurança política, o que gera desconfiança em todos os segmentos.

Outro agravante é o aumento do preço do aço, principal insumo da fabricante de suspensões e engates, dentre outros acessórios. A diretora define que está muito difícil repassar o aumento ao preço final de venda, situação que reduz ainda mais as margens para a negociação.

A diretoria da Suspensys, empresa do Grupo Randon, de Caxias do Sul, acredita que o ano possa fechar com alta de até um dígito, mas insuficiente para criar otimismo consistente, já que a base de comparação é baixa. “Percebe-se a intenção de investir, mas o empresário continua cauteloso, aguardando definições políticas e econômicas”, define Jacques Frizzo, responsável pelas áreas de eixos e suspensões da empresa. A isto, alia-se o desemprego, que reduz o poder de consumo do brasileiro. Para Frizzo, a volta do consumo será demorada. O que deve impulsionar a economia, no seu entendimento, serão investimentos públicos na infraestrutura, fato que pode estar influenciando na melhora da intenção de compra por frotistas junto às concessionárias.

Esdânio Pereira, diretor do Negócio Suspensões, argumenta que, embora positiva e necessária, a política de redução na taxa de juros em pequenas parcelas interfere no negócio de bens de capital. Assinala que o cliente prefere aguardar uma nova redução na taxa a fazer a compra imediatamente. “Um ponto a menos nos juros faz enorme diferença quando se compra lotes de caminhões”, enfatiza.

O diretor comentou que a Suspensys tem trabalhado na recuperação de estoques para atender principalmente ao mercado de reposição e revelou preocupação com a cadeia de fornecedores caso haja uma retomada mais efetiva no segmento de montadoras. “O setor de compras está monitorando os parceiros de forma a evitar que tenhamos desabastecimento em alguma área”, afirma. A empresa, inclusive, já mudou fontes de suprimentos não apenas por questões de redução de custos.

Vendas internas melhoram e diminuem ociosidade das fábricas

As vendas internas de máquinas e equipamentos no Brasil, no primeiro bimestre, somaram R$ 5 bilhões 792 milhões, 3,7% a mais do que no mesmo período de 2015. As exportações somaram US$ 1 bilhão 53 milhões, recuo de 3,6% na mesma comparação. Com isso o faturamento do setor, no período, caiu 10%, chegando a R$ 9 bilhões. O consumo aparente, que soma as vendas internas e as exportações, caiu 22,4%, e totalizou no bimestre R$ 13 bilhões 59 milhões. Os dados foram divulgados na quarta-feira, 29, pela Abimaq, Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos.

Para o presidente João Marchesan os segmentos do agronegócio e bens de consumo puxaram a alta nas vendas internas do setor. O agronegócio representa 15% da comercialização e bens de consumo 10% do total.

“A receita apurada com a reposição de peças também foi importante nesse início de ano. As empresas escolheram fazer a manutenção de seus equipamentos e não investir em máquinas novas. No primeiro bimestre a reposição já participa com 7% da receita. Essa será a tônica de 2017.”

O bom desempenho das vendas no Brasil já refletiu no nível de utilização da capacidade instalada das fabricantes de máquinas e equipamentos. Segundo a Abimaq o índice aumentou 1,3 ponto porcentual, chegando a 67,8%. No ano passado as fabricantes utilizaram, em média, 66,5% da sua capacidade.

Impacto cambial – Marchesan disse que a queda nas exportações no bimestre pode ser entendida pela valorização do real frente ao dólar: “O câmbio a R$ 3,10 torna inviáveis as exportações. E isso deve permanecer durante o ano, porque o governo já sinalizou que quer manter o dólar nesse patamar”.

A boa notícia é que as vendas externas para a América Latina cresceram 19,4% no bimestre, chegando a US$ 480 milhões. O dirigente afirmou que os embarques para a região foram maiores para os países do Mercosul, atingindo US$ 189 milhões, alta de 19,7%.

As importações, embora o dólar tenha caído no período, não apresentaram desempenho positivo em janeiro e fevereiro. A queda foi de 14,9%, ficando em US$ 2 bilhões: “Com a baixa demanda interna não há justificativa para a compra de maquinas e equipamentos, mesmo com o câmbio favorável”.

O déficit da balança comercial do setor foi de US$ 959 milhões 49 mil.

Porsche está de olho no pós-venda com CD próprio

Um ano e oito meses depois de assumir sua própria operação comercial no Brasil a Porsche escolheu São Paulo para abrigar seu primeiro CD, centro de distribuição de peças, na América Latina. Agora a empresa visa a melhorar o tempo de atendimento de seus exigentes clientes, que precisavam esperar até quinze dias desde o pedido da concessionária para o CD global na Alemanha. Com a capacidade inicial de armazenagem de 7 mil posições de paletes o abastecimento da rede é realizado, agora, em um dia a, no máximo, sete.

O objetivo da companhia é aumentar seu novo CD para 12 mil posições até 2019.

Diego Lopez, diretor de pós-venda da Porsche e responsável pela operação do CD, disse que terá em estoque, até o fim do ano, 90% das peças solicitadas pelos concessionários.

“Essa estrutura permitirá diminuir o preço das peças para nosso cliente e reduzir bastante o seu tempo de espera. Sempre digo: sem um pós-venda eficiente, não há venda.”

Ele não dimensionou a redução do preço das manutenções com a nova estrutura.

A Porsche tem, atualmente, nove concessionárias no País. Matthias Brück, seu presidente no Brasil, disse que o CD foi projetado para o atendimento exclusivo do mercado interno: “Apesar de ser o primeiro na América Latina os outros mercados da região continuarão sendo abastecidos pelo CD de Miami”.

Hoje a empresa opera doze centros no mundo.

O CD brasileiro está localizado em armazém de 3 mil m2 operado em parceria com a Kühne & Nagel. Já a logística de importação e entrada no País é feita em sinergia com a Schenker, e a logística de saída pela TKL. As peças, segundo Diego Lopez, vêm do centro de distribuição de Sachsenheim, Alemanha. Veja este vídeo do armazém.

Todo o gerenciamento logístico, aliás, é feito pela matriz. De lá as encomendas vão para o aeroporto de Frankfurt, ou para o porto de Hamburgo, dependendo da urgência do atendimento. O embarque no Brasil acontece ou no aeroporto de Viracopos, em Campinas, SP, ou no porto de Santos, SP. Ao chegar ao País as peças são transportadas por caminhão até o CD – de dois a três caminhões por dia: “Todo esse processo tem que ser dinâmico e eficiente”.

Dedicação – A razão para o CD ser projetado para atender somente ao mercado brasileiro é que, segundo a companhia, as vendas da Porsche vêm crescendo a taxas expressivas. No ano passado foram comercializadas no Brasil 1 mil unidades, aumento de 38% com relação a 2015. No primeiro bimestre a elevação foi de 25% nos licenciamentos, chegando a 132 veículos.

Matthias Brück disse que a companhia estruturou o CD já de olho na expansão da rede projetada para até 2019:

“Estamos avaliando com nossos parceiros o aumento do número de lojas no País. Queremos crescer de forma saudável e estruturada, até porque somos marca de nicho e não de volume”.

Ele não informou a quantidade de revendas que pretende abrir no Brasil nos próximos dois anos.

Ford crava na oportunidade com Ka Trail

A Ford detectou a possibilidade e pôs mãos à obra: apresentou na terça-feira, 28, a versão Trail, dita “aventureira urbana”, do seu modelo Ka, que já estará nas concessionárias nos primeiros dias de abril. Diferencial imbatível, diante da concorrência, são os preços, crê o pessoal de marketing da empresa: R$ 47 mil 690 com motor 1.0 e R$ 51 mil 990 com motor 1.5.

Mais: na fase de lançamento, coisa de uns dois meses, aceita entrada de 60% do valor e financia o saldo em trinta meses com taxa dita zero – se a opção for pelo motor 1.5 inclui-se mais R$ 59 nas parcelas.

Mas ninguém quer ouvir a própria voz projetando o que se espera como resultado: há uma orientação geral para escapar das projeções “para não entregar o ouro”. O pessoal de marketing de produto, de design, de engenharia e de imprensa faz de conta que não ouve a pergunta. Atrás dos panos alguém diz que a esperança é de crescimento de até 30% nas vendas. No ano passado o Ford Ka foi o terceiro modelo mais vendido no País, com 76 mil 615 unidades emplacadas – antes chegaram o Chevrolet Onix, com 153 mil 371, e o Hyundai HB20, com 121 mil 616. Este ano, no acumulado janeiro-fevereiro, é o carro de entrada mais vendido, 12 mil 843 unidades, participação de 25,57%.

No mundo – vinte países europeus, Índia, México e Brasil – é um dos dez modelos mais vendidos. Aqui, desde seu lançamento em 2014, vendeu 219 mil unidades.

A Ford considera que seus concorrentes não são nada além de quatro modelos, todos eles no segmento de entrada: Chevrolet Onix, Hyundai HB20, Renault Sandero e Toyota Etios. A empresa localizou seus preços para a versão Trail 1.0 do Ka R$ 10 mil abaixo do concorrente mais próximo e, também, pretende explorar o que considera “o baixo custo de propriedade” de um Ka como, por exemplo, o fato de que suas revisões custam 20% menos do que as dos concorrentes, que o custo de sua cesta básica de peças seja 10% menor e que o que se paga como prêmio pelo seguro seja mais baixo.

No press-kit há sentença atribuída a Fernando Pfeiffer, gerente de marketing de produto, para definir a versão Trail: “O Ka Trail combina uma série de vantagens para quem deseja um carro personalizado versátil, moderno e acessível. Acima de tudo ele reúne todas as qualidades já consagradas do Ka no uso urbano com uma capacidade maior para o lazer e aventura. É um carro de atitude com uma proposta de mercado e de valor atraente”.

A isso ele soma a “modernidade do design”, o espaço para cinco pessoas, a potência dos dois motores e a economia que geram, e o padrão dos equipamentos de série.

De acordo com ele “a oferta do melhor custo-benefício foi o nosso desafio para chegar ao lado B das pessoas, dos seus instantes de lazer e diversão. Ka é um dos pilares de nossa marca no Brasil, um alicerce fundamental em nosso negócio”.

Quem é aparentado aos linces percebe a primeira diferença nos Trail no primeiro passar de olhos: o sistema de suspensão é mais alto, coisa de 31 mm a mais do que num Ka não Trail, e os pneus também são diferentes, de uso misto, os Pirelli Scorpion ATR 185/65 R15 com rodas de liga leve de 15 polegadas. Há, também, as faixas esportivas laterais e traseira, rack decorativo no teto, moldura nas caixas de roda, faróis de neblina.

Tem, de série, ar condicionado, direção elétrica, vidros elétricos dianteiros. E abertura elétrica do porta-malas. O som é MyConnection com comando de voz e bluetooth, há compartimento para celular no MyFord Dock, o banco traseiro é bipartido na proporção 60/40.

O motor 1.0 é o TiVCT, flex, de três cilindros, que gera 80 cv usando gasolina e 85 cv usando álcool, e o 1.5 é o Sigma, igualmente flex, 105 cv a gasolina e 110 cv a álcool. Com caixa de câmbio manual de cinco velocidades.

“Todas as cargas da suspensão foram recalibradas”, lembrou Gilberto Geri, gerente de desenvolvimento de produto da Ford América do Sul. “Mexemos nos amortecedores, nas molas, na barra estabilizadora, no eixo traseiro, que ficou mais rígido. Usamos, no motor, coxins com amortecimento hidráulico. Do ponto de vista da engenharia trata-se de um novo produto e não uma adaptação do modelo com finalidade estética. É um carro com atributos reais de desempenho para uso fora-de-estrada leve.”

As novas cores sólidas disponíveis para o Ka Trail são vermelho Arpoador, preto Ebony e branco Ártico, e a metálica o prata Dublin, informou Adília Alonso, supervisora de design da Ford América do Sul.

Ela contou que os bancos são revestidos com couro sintético e com tecidos com apliques e pespontos em dois tons de laranja e de verde. E que os tecidos são tratados com repelente à sujeira para facilitar sua conservação e manutenção: “Usamos texturas orgânicas e combinações de materiais que valorizam a esportividade e a praticidade de uso”.

Todos os elos bem amarrados

Uma base da cadeia automotiva forte é vital para a eficiência da produção das montadoras. Isso porque fabricantes e sistemistas dependem que a roda do fornecimento gire bem para garantir a produtividade na ponta e evitar prejuízos que podem ser ocasionados, por exemplo, pela parada de uma linha de produção devido à falta de peças. Por causa disso, é cada vez mais necessária a aproximação de todos os elos da cadeia.

De acordo com Maurício Muramoto, sócio proprietário da MHMURA, assessoria empresarial, é importante que os fornecedores de menor porte, que pertencem ao grupo dos Tear 2 e 3, recebam mais suporte dos seus clientes. “Muitas destas empresas estão passando por fase crítica ocasionada pela queda de produção de veículos.”

Segundo Muramoto, a melhor maneira de auxiliar os parceiros é disseminar práticas de gestão que ajudem estas companhias a ganharem mais produtividade e rentabilidade. “Há muitas que têm necessidade deste tipo de orientação. Nunca tiveram contato com os conceitos do Lean, por exemplo. Isso diminui o risco de um fornecedor entrar numa situação financeira difícil e comprometer o fornecimento”.

Apesar desta parceria ser necessária, o que se percebe, segundo Muramoto, é que algumas vezes as fabricantes de veículos e os sistemistas acabam realizando auxilio emergencial e isto não resolve a raíz do problema. “É comum que montadoras, por exemplo, tenha que prestar uma ajuda financeira ao fornecedor que esteja numa situação difícil. Muitas vezes compram até a matéria-prima para garantir o fornecimento da peça.”

Com o objetivo de promover auxilio aos seus 460 associados, cuja maioria é empresa de pequeno e médio porte, o Sindipeças iniciou o ano passado um programa de mentoria para pequenos e médios fornecedores. “Consiste em orientações de uma gestão eficiente. Já temos duas empresas em processo de mentoria.”

Incentivo – A Bosch criou em 2014, em parceria com o MDIC, Ministério da Indústria Comércio Exterior e Serviços, um programa de desenvolvimento de fornecedores que terminou neste ano. De acordo com Giulianno Ampudia, diretor de compras da Bosch América Latina, a ação abrangeu 20 fornecedores, sendo a maioria empresas de médio porte.

O programa consistiu em multiplicar conhecimento em gestão enxuta com ferramentas do sistema Lean, em técnicas de liderança e planejamento financeiro estratégico. “Esta iniciativa trouxe principalmente a redução de incidentes de qualidade com as peças recebidas. Alguns parceiros avançaram tanto que seus produtos chegam sem nenhum defeito.”

Segundo ele, para colocar o programa em prática foram investidos R$ 4 milhões. A maior parte do valor foi dividido entre a Bosch, MDIC e uma pequena parcela foi paga pelos fornecedores. “Nossos parceiros contribuíram simbolicamente. Algo em torno de 20 parcelas de R$ 2 mil por mês.”

Por custos, montadoras intensificam uso do plástico nos veículos

A busca pela redução de custos, desenvolvimento de veículos mais leves e mais econômicos levou as fabricantes de veículos a usarem mais termoplásticos, um plástico mais resistente, nos carros e caminhões produzidos no Brasil. A estratégia surge em meio a um contexto interessante: a produção de veículos no País caiu no ano passado ao passo que o consumo do plástico aumentou por unidade produzida.

Dados Abiplast, Associação Brasileira da Indústria do Plástico, mostram que em 2016 o setor automotivo foi o terceiro maior consumidor de termoplásticos no País, ficando atrás apenas da construção civil e da indústria alimentícia. A cadeia automotiva representou 12% do faturamento do setor, que fechou o ano passado com R$ 55 bilhões. Ou seja, R$ 6,6 bilhões foram gastos na compra de polipropileno e polietileno, as resinas utilizadas na produção de para-choques, painéis e tanques de combustível. Em 2015, o setor respondeu por 10%, e a tendência é que este volume aumente em 2017, superando 12%.

Para José Ricardo Roriz, presidente da Abiplast, o setor espera crescimento de 1,32% na produção total de plásticos no País, chegando a 6,32 milhões de toneladas. “Apesar de ser pequeno, indica o início de uma retomada no mercado puxado pelo setor automotivo, nosso terceiro maior cliente. As novas tendências e comportamentos de consumo que demandam carros mais modernos, leves, menos poluentes e com maior automação e sustentabilidade trazem boas perspectivas de parceria com o segmento. E uma oportunidade de explorar novas soluções.”

A Braskem, maior fornecedora de resinas termoplásticas do País, tem o setor automotivo como seu décimo maior mercado, mas já estima o aumento da média dos 50 quilos atuais de termoplásticos por unidade produzida no Brasil para patamares europeus no curto prazo, chegando a 120 quilos. Walmir Soller, diretor de polipropileno da empresa, disse que a Braskem aumentou a produção de plástico no Brasil no ano passado para atender o setor automotivo.

Diz o executivo: “E em 2016 houve uma melhora interessante que teve como agentes, entre outros fatores, a aplicação na indústria automotiva, que percebeu que o material agrega características técnicas e operacionais melhor do que o aço. O preço da resina ficou mais baixo do que o aço, por causa da queda nos preços do petróleo. Isso acelerou a utilização do plástico nos veículos”.

No segmento de termoplásticos, a Braskem aumentou em 2% sua receita entre 2015 e 2016. No ano passado, o faturamento da empresa com as vendas deste tipo de plástico foi de R$ 20 bilhões 307 milhões. A produção também foi 3% maior no período. Foram 4,3 milhões ante 4,1 milhões de toneladas em 2015. Do total produzido de termoplástico no ano passado, 2 milhões 811 mil toneladas foram destinadas ao mercado interno.

Utilização – Nas fabricantes de automóveis os novos lançamentos já contam com uma quantidade de plástico maior por causa da estratégia de redução de peso. A Toyota, por exemplo, consumiu, entre 2015 e 2016, 12 mil toneladas de plástico nas fábricas de Indaiatuba e Sorocaba, ambas em São Paulo, onde são produzidos os modelos Ethios e Corolla. Em 2014 este volume foi de 9 mil toneladas. No novo Corolla, lançado no início de março, há 35% a mais de peças de plástico do que a versão anterior.

Em caminhões também há essa substituição do aço pelo plástico. De acordo com Alexandre Dias de Oliveira, gerente de engenharia, carroceria e acabamento da MAN Latin America, o porcentual que irá nortear os lançamentos da empresa no futuro vai ficar acima dos atuais 50% usados nas linhas Worker e Constellation. “Estamos trabalhando em novos projetos e a presença do plástico será maior nos veículos. Até hoje, a média da composição plástica do Constellation é de 50% de aço e 50% de plástico. Nos projetos trabalhamos com algo próximo aos 100% em áreas não estruturais do caminhão.”

De Mini só sobrou o nome

A BMW Group, proprietária da marca Mini, apresentou para seus concessionários nesta terça-feira, em São Paulo, a nova geração do Mini Cooper Countryman, que foi totalmente atualizado e ganhou novas dimensões, motor, câmbio e carroceria.

O novo carro, que estará disponível para vendas em meados de abril, cresceu 20 centímetros no comprimento, 7,5 centímetros no entre-eixos e 3,8 centímetros na largura, transformando-se num crossover de médio porte que participará do segmento de SUVs, um dos nichos mais disputados do mercado brasileiro.

“Este segmento de SUVs é o que mais tem apresentado estabilidade de vendas no mercado brasileiro nos últimos anos. Tenho certeza que o novo Countryman conseguirá trazer este conceito para nossa marca”, disse Jualian Malle, diretor da Mini Brasil. “O Countryman não é apenas o maior Mini que já desenvolvemos, mas é também o mais versátil e mais avançado modelo da nossa linha atual de produtos.”

O carro será oferecido em três versões: Cooper, equipado com motor de três cilindros turbo, 1,5 litro de 136 cavalos de potência, Cooper S e Cooper S ALL4, este último o mais completo e com tração nas quatro rodas, ambos com motor de quatro cilindros 2.0 litros de 192 cavalos. Os preços serão R$ 144 mil 950, R$ 164 mil950 e R$ 189 mil 950, respectivamente.

Renovado por fora e por dentro, o modelo cresceu em tamanho e na oferta de itens de série. A nova geração do Countryman tem agora maior espaço para cabeça, pernas e ombros tanto para motorista como para os passageiros. O carro tem 4,29 metros de comprimento, 1,82 metros de largura, 1,55 metro de altura e 2,67 metros de distância entre-eixos. Este tamanho garante bom espaço interno para os passageiros e, também, para bagagem no porta-malas. Essas versões são equipadas com câmbio automático de oito velocidades.

Já na versão de entrada vem com volante esportivo, câmbio automático de seis velocidades, em couro e botões multifuncionais, bancos com ajuste elétrico e memória, sensor de estacionamento traseiro, ar-condicionado dual zone, rodas de 17 polegadas e bancos de couro sintético.

A versão intermediária traz, além de todos os itens da versão anterior e do motor mais potente, bancos de couro, rodas de 18 polegadas e teto solar panorâmico. Por fim, a topo de linha chega com volante com comando, sistema de entretenimento com tela de 8,8 polegadas, HD de 20 gigabytes com função touchscreen, sistema de som hi-fi, rodas de 19 polegadas, câmera de ré e suspensão adaptativa dotada de um sistema inteligente que calcula automaticamente a distribuição de força em cada roda.

Malle, calcula que serão vendidos entre 400 a 500 unidades do novo Mini Countryman neste ano e que este volume que poderá crescer para 700 a 800 veículos já em 2018. “Iniciamos este ano com estabilidade em relação ao ano passado”, disse o executivo, explicando que a empresa vendeu 214 veículos entre janeiro e fevereiro, volume pouco maior que as 210 do mesmo período de 2016.

Ainda segundo o executivo, infelizmente não existem planos hoje de produção nacional do novo modelo. “Por ser um veículo de produção sofisticada e detalhada, optamos por centralizar toda a fabricação na nossa unidade da Áustria”, explicou, lembrando que a produção de modelos Mini na fábrica brasileira da BMW localizada em Araquari, SC, infelizmente foi encerrada em 2015.

A fábrica brasileira da BMW produz hoje os modelos BMW da Série 3, X1 e X3 que são vendidos no Brasil e nos demais países da América Latina. A empresa encerrou 2016 com quase 12 mil unidades licenciadas no mercado brasileiro, boa parte das quais produzidas na fábrica catarinense.

A empresa evita maiores comentários em relação ao futuro. “Estamos aguardando a definição dos novos caminhos que provavelmente chegarão com a definição do Inovar-Auto fase 2”, disse João Veloso Júnior, diretor de comunicação corporativa da BMW no Brasil.

Ford investirá US$ 1,2 bilhão nos EUA

A Ford Motor Co. investirá US$ 1,2 bilhão em três fábricas da companhia no estado de Michigan. Os recursos serão usados para preparar as unidades para a produção da nova picape Ranger e do SUV Bronco. Outro destino do investimento é apoiar a expansão da empresa no desenvolvimento de serviços em mobilidade. As informações são do The Detroit News.

A companhia disse, nesta terça-feira, que investirá US$ 850 milhões para atualização de sua unidade Wayne a fim de produzir os dois modelos. Outros US$ 150 milhões serão aplicados para expandir a capacidade da fábrica de motores de Romeo, também em Michigan. Segundo a empresa, US$ 200 milhões serão usados para construir um centro de dados na fábrica Flat Rock, no mesmo estado. A Ford anunciou em janeiro que nesta unidade seriam aportados US$ 700 milhões, o que implicaria em 700 novos empregos para apoiar a produção de veículos elétricos e autônomos.

O investimento total representa um adicional de US$ 350 milhões ao negociado em 2015 com os trabalhadores filiados a United Auto Workers, UAW. Os planos para o centro de dados em Flat Rock são novos. A companhia adicionou US$ 150 milhões ao seu orçamento para atualizações da montagem de Michigan. Os US$ 150 milhões para as melhorias da fábrica de motores foram previamente descritos no contrato com a UAW. De acordo com o contrato, a montadora vai investir pelo menos US$ 9 bilhões em instalações dos EUA até 2019. Os investimentos anunciados nesta terça-feira devem adicionar 130 empregos na fábrica de motores, mas a Ford não estimou novas contratações nas outras unidades que receberão os recursos.

Joe Hinrichs, presidente da Ford nas Américas, disse que uma parte dos investimentos anunciados e aqueles informados em janeiro consideram aportes maiores aos negociados com a UWA. “A empresa vem planejando alguns dos investimentos há algum tempo. Achamos que estamos bem posicionados. Estamos muito animados com o futuro.”

O anúncio de terça-feira veio depois do presidente dos EUA, Donald Trump, ter intimado os fabricantes estadunidenses e de outros países para construir fábricas e aumentar o nível de empregos nos EUA. A Ford anunciou US$ 1,9 bilhões em investimentos em Michigan nos últimos três meses, embora aproximadamente metade desse montante já tenha sido anunciado desde 2015.

“Haverá grande anúncio da Ford hoje”, o presidente twittou na terça-feira de manhã. “Investimento importante a ser feito em três fábricas de Michigan. As montadoras estão voltando para os EUA. Empregos! Empregos! Empregos!”

Hinrichs disse que a companhia é incentivada pela agenda econômica do presidente. O fundo Michigan Strategic aprovou uma concessão de benefícios de US$ 10 milhões para a Ford aplicar em sua unidade Flat Rock. O fundo é um conselho estadual semipúblico que faz parte da Michigan Economic Development Corp.

A modernização e a expansão das fábricas começarão no próximo ano, segundo a companhia. A construção do centro de dados na Flat Rock começará ainda este ano, disse Hinrichs. Esse será o segundo centro de dados da empresa. O primeiro está atualmente em construção perto da sede mundial da Ford, em Dearborn. Hinrichs disse que os investimentos anunciados oficialmente terça-feira ajudarão a Ford a aumentar o seu portfólio. “A empresa está equilibrando sua gama de veículos com o desenvolvimento de serviços mobilidade.”

Lifan reativa montagem no Uruguai

A Lifan voltará a montar carros e motores no Uruguai na fábrica de São José. A estimativa da companhia é que serão produzidas cerca de 1 mil unidades do SUV X60. A produção será destinada, segundo a Lifan, ao mercado brasileiro. A informação é da revista América Economia.

Kevin Liu Jin, presidente da Lifan no Uruguai, disse que “espera atender a demanda do Brasil, pois, vemos boas perspectivas e estamos certos de que a qualidade de nosso modelo montado no Uruguai será ideal para os consumidores brasileiros. Esse é o nosso principal objetivo”.

Na fábrica de montagem de motores foram incorporados alguns funcionários no início deste mês e em abril, segundo a empresa, deverão ser contratadas mais pessoas para dar início à operação. Nas duas unidades, motores e montagem do veículo, estarão trabalhando em torno de 100 empregados, de acordo com a empresa.

No final do ano passado a Lifan despediu 150 pessoas que estavam afastadas por meio de seguro desemprego por causa da queda do mercado brasileiro. No início deste ano, a companhia estendeu o benefício a 80 trabalhadores por mais três meses, já se preparando para o início da produção.

A montadora vendia no mercado brasileiro, até o ano passado, 5 mil unidades montadas no Uruguai. No entanto, a crise na economia do Brasil levou a uma queda no consumo interno, um forte golpe no planejamento da Lifan para a região. Essa nova etapa da estratégia, segundo a companhia, implica na reestruturação da produção adaptada à nova realidade do seu principal mercado, o Brasil.

México acelera vendas no bimestre e se aproxima do mercado brasileiro

No primeiro bimestre deste ano, a indústria automobilística mexicana superou a brasileira em dois dos três principais indicadores de desempenho do setor. De janeiro a fevereiro foram produzidos 580 mil veículos contra 375,1 mil brasileiros. Nas exportações, 452,6 unidades saíram do México ante 104,2 do Brasil. Apenas nas vendas internas o desempenho nacional foi superior, mas por uma margem apertada: 282,8 mil unidades vendidas contra 241,2 mil vendas naquele país.

Segundo Antônio Jorge Martins, professor de gestão de empresas da cadeia automotiva da Fundação Getúlio Vargas, FGV, o crescimento no mercado mexicano no primeiro bimestre, no entanto, aconteceu mais pelo fraco desempenho das fabricantes brasileiras do que por um processo de avanço das montadoras instaladas no México.

Ele diz: “A queda na produção no Brasil foi vertiginosa nos últimos anos e as exportações não atingiram um patamar adequado porque as fabricantes priorizaram o mercado interno, que também estava em queda. O México, por outro lado, conseguiu manter a produção em função das demandas dos Estados Unidos e um período de consumo alto internamente”.

De acordo com dados da Associação Mexicana da Indústria Automotiva, Amia, o México, sétimo maior produtor do mundo, vem aumentando sua produção desde 2012. O volume de veículos saltou de 1 milhão 24 unidades em 2012 para 1 milhão 647 unidades no ano passado. Já a produção brasileira, décima maior do planeta, por sua vez, caiu de 3 milhões 802 unidades em 2012 para 2 milhões e 50 veículos no ano passado. Embora o paralelo entre as situações dos dois países aponte para uma progressão mexicana maior do que a brasileira, Martins diz que é cedo para supor que o México sustente o crescimento a ponto de superar o mercado do Brasil no médio prazo.

O professor da FGV afirma que há dois entraves que pesam contra a indústria mexicana. “O país vem se mostrando com uma plataforma de exportação relevante na região, mas devemos observar que o seu desempenho será afetado pela política nacionalista de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, país que recebe a maioria dos veículos exportados pelo México.”

Segue o professor: “Fora isso, é preciso também enxergar que o mercado brasileiro, apesar do momento de retomada, possui um potencial de crescimento muito maior que o México em todos os quesitos e as projeções indicam que teremos um incremento positivo na produção ainda neste ano. O México pode manter o crescimento, mas continua sendo um mercado potencial menor do que o nosso”.

O fechamento ao mercado mexicano por parte dos Estados Unidos pode afetar indiretamente o Brasil. José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, AEB, disse que os carros mexicanos exportados aos Estados Unidos possuem em sua constituição insumos exportados pelo Brasil. “Uma vez barrados nos Estados Unidos, os veículos mexicanos, que possuem aço e borracha brasileiros, vão refletir na nossa balança comercial. Por isso, de certa forma, é positivo que o México continue indo bem nas exportações porque beneficia a nossa indústria.”

Desempenho mexicano – No primeiro bimestre deste ano foram comercializadas no México 241mil 236 unidades, aumento de 4,7% com relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Amia. O Nissan Versa foi o modelo mais vendido naquele país, com 13 mil 333 unidades, elevação de 1,6% se comparado as vendas apuradas em janeiro e fevereiro do ano passado.

Já a produção aumentou 7,7% no período, passando de 538,7 mil para 580 mil 17 unidades. Lá a maior fabricante é a Nissan com um volume de 141 mil 32 veículos produzidos no primeiro bimestre, queda de 1,3% no comparativo com a mesma base. Já as exportações acumuladas foram de 452 mil 591 veículos, alta de 4,5% em janeiro e fevereiro. Os embarques representaram 78% do volume produzido pelas montadoras instaladas no México.