A busca pela redução de custos, desenvolvimento de veículos mais leves e mais econômicos levou as fabricantes de veículos a usarem mais termoplásticos, um plástico mais resistente, nos carros e caminhões produzidos no Brasil. A estratégia surge em meio a um contexto interessante: a produção de veículos no País caiu no ano passado ao passo que o consumo do plástico aumentou por unidade produzida.
Dados Abiplast, Associação Brasileira da Indústria do Plástico, mostram que em 2016 o setor automotivo foi o terceiro maior consumidor de termoplásticos no País, ficando atrás apenas da construção civil e da indústria alimentícia. A cadeia automotiva representou 12% do faturamento do setor, que fechou o ano passado com R$ 55 bilhões. Ou seja, R$ 6,6 bilhões foram gastos na compra de polipropileno e polietileno, as resinas utilizadas na produção de para-choques, painéis e tanques de combustível. Em 2015, o setor respondeu por 10%, e a tendência é que este volume aumente em 2017, superando 12%.
Para José Ricardo Roriz, presidente da Abiplast, o setor espera crescimento de 1,32% na produção total de plásticos no País, chegando a 6,32 milhões de toneladas. “Apesar de ser pequeno, indica o início de uma retomada no mercado puxado pelo setor automotivo, nosso terceiro maior cliente. As novas tendências e comportamentos de consumo que demandam carros mais modernos, leves, menos poluentes e com maior automação e sustentabilidade trazem boas perspectivas de parceria com o segmento. E uma oportunidade de explorar novas soluções.”
A Braskem, maior fornecedora de resinas termoplásticas do País, tem o setor automotivo como seu décimo maior mercado, mas já estima o aumento da média dos 50 quilos atuais de termoplásticos por unidade produzida no Brasil para patamares europeus no curto prazo, chegando a 120 quilos. Walmir Soller, diretor de polipropileno da empresa, disse que a Braskem aumentou a produção de plástico no Brasil no ano passado para atender o setor automotivo.
Diz o executivo: “E em 2016 houve uma melhora interessante que teve como agentes, entre outros fatores, a aplicação na indústria automotiva, que percebeu que o material agrega características técnicas e operacionais melhor do que o aço. O preço da resina ficou mais baixo do que o aço, por causa da queda nos preços do petróleo. Isso acelerou a utilização do plástico nos veículos”.
No segmento de termoplásticos, a Braskem aumentou em 2% sua receita entre 2015 e 2016. No ano passado, o faturamento da empresa com as vendas deste tipo de plástico foi de R$ 20 bilhões 307 milhões. A produção também foi 3% maior no período. Foram 4,3 milhões ante 4,1 milhões de toneladas em 2015. Do total produzido de termoplástico no ano passado, 2 milhões 811 mil toneladas foram destinadas ao mercado interno.
Utilização – Nas fabricantes de automóveis os novos lançamentos já contam com uma quantidade de plástico maior por causa da estratégia de redução de peso. A Toyota, por exemplo, consumiu, entre 2015 e 2016, 12 mil toneladas de plástico nas fábricas de Indaiatuba e Sorocaba, ambas em São Paulo, onde são produzidos os modelos Ethios e Corolla. Em 2014 este volume foi de 9 mil toneladas. No novo Corolla, lançado no início de março, há 35% a mais de peças de plástico do que a versão anterior.
Em caminhões também há essa substituição do aço pelo plástico. De acordo com Alexandre Dias de Oliveira, gerente de engenharia, carroceria e acabamento da MAN Latin America, o porcentual que irá nortear os lançamentos da empresa no futuro vai ficar acima dos atuais 50% usados nas linhas Worker e Constellation. “Estamos trabalhando em novos projetos e a presença do plástico será maior nos veículos. Até hoje, a média da composição plástica do Constellation é de 50% de aço e 50% de plástico. Nos projetos trabalhamos com algo próximo aos 100% em áreas não estruturais do caminhão.”
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