Sai o primeiro financiamento do Refrota

A Marcopolo e a Mercedes-Benz fizeram a primeira venda de ônibus pelo programa Refrota 17, que prevê o financiamento de cerca de 8 mil ônibus urbanos com recursos do FGTS, para renovação de frota. Os cem primeiros veículos foram adquiridos pela Transportadora Turística Suzano, Suzantur, com investimento da ordem de R$ 30,3 milhões, e serão utilizados em Mauá, SP.

A liberação do financiamento pela CEF, Caixa Econômica Federal, demorou cerca de três meses. Essa demora era considerada pelo mercado como um entrave para a continuidade do programa. Agora, segundo Paulo Corso, diretor de operações comerciais e de marketing da Marcopolo, a concretização do negócio permitirá que outros operadores renovem as suas frotas.

De acordo com Claudinei Brogliato, dono da Suzantur, a aquisição vai baixar a idade da frota e os custos, pois os ônibus novos proporcionam mais qualidade e conforto e requerem menos manutenção: “Esse contrato é muito importante porque permitirá renovar aproximadamente cem ônibus, o que corresponde a mais de 30% da nossa frota de trezentos veículos, com idade média de 2 a 3 anos”.

Walter Barbosa, diretor de vendas e marketing de ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, disse que o Refrota é mais uma alternativa de financiamento para as empresas e uma medida que pode estimular a renovação de frota do transporte coletivo: “A frota circulante de ônibus urbanos no País tem uma elevada idade média. E, a propósito, diariamente temos recebido consultas acerca das condições desse programa”.

O objetivo do Refrota é renovar cerca de 10% da frota nacional, estimada em 107 mil unidades, incentivando a melhoria do transporte público e da mobilidade urbana. A linha de crédito de R$ 3 bilhões para a renovação da frota de ônibus é direcionada especialmente às empresas detentoras de contrato de concessão ou de permissão, bem como integrantes de consórcios que operam o sistema de transporte público.

FCA convoca mais um recall do Jeep Renegade

A FCA, Fiat Chrysler Automóveis, convocou para recall 88 mil 957 unidades do Jeep Renegade na quinta-feira, 22, por problemas nos cabos elétricos do freio de estacionamento das rodas traseiras. É a terceira campanha de reparos envolvendo o veículo, fabricado em Goiana, PE, desde 2015, e que já teve, até maio deste ano, 105 mil 550 emplacamentos, de acordo com dados da Fenabrave, Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores.

Sonho de consumo de boa parte dos brasileiros o mercado de SUV, no qual está inserido o Renegade, tem experimentando forte concorrência na medida em que passaram a ser produzidos aqui alguns modelos. Prova disso é o aumento da participação do segmento nas vendas totais de veículos no Brasil, que passou de 6% para 15% em dois anos, segundo a Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

Para Antônio Jorge Martins, professor da FGV, Fundação Getúlio Vargas, e especialista em gestão da cadeia automotiva, a recorrência de campanhas de recall em fábricas modernas, como é o caso das instalações da FCA em Pernambuco, inaugurada em 2015, se deve ao crescimento acelerado pelo qual passaram as fabricantes que produzem SUV no Brasil: “O crescimento do segmento no País foi muito grande em pouco tempo, e é de se esperar reparos num contexto no qual empresas novas produzem pela primeira vez um modelo específico de veículo em um mercado novo”.

Sobre a forte concorrência e uma eventual mancha na reputação do veículo, o segundo mais vendido na categoria, atrás do líder Honda HR-V e perseguido de perto pelo Hyundai Creta, o especialista mostrou-se cético e usou como argumento o perfil do consumidor de SUVs: “Anos atrás, sim, era uma situação crítica administrar uma campanha de recall de modo a blindar a reputação de veículo. Hoje o consumidor já está acostumado ao procedimento e acha até positivo que as empresas se posicionem frente uma falha”.

A picape Fiat Toro, que tem a mesma plataforma do Renegade, também pode passar pelo mesma campanha de recall. Disse em off uma fonte com vasta experiência na indústria automobilística, inclusive na FCA: “Ambos os veículos compartilham muitos componentes e é uma cultura da empresa, e das maiores do setor, concentrar a manufatura nas mãos de poucos fornecedores de uma mesma peça quando o chassis é compartilhado”.

A FCA não confirmou a informação nem informou quem são os fornecedores dos cabos elétricos do freio do Renegade.

Desde janeiro as fabricantes convocaram 1 milhão 70 mil 626 veículos para recall por meio de 63 campanhas, segundo dados do Procon SP. O problema mais recorrente foi o defeito no airbag, ocorrência que atingiu 618 mil 391 unidades no período. Sistema de combustível, elétrico, de cinto de segurança e de tração fecham o grupo dos cinco principais motivos para convocação para os reparos.

MAN faz rodar cadeiras.Na Alemanha.

A partir de 1º de julho a divisão de caminhões e ônibus da Volkswagen, na Alemanha, terá quatro novos diretores para as suas áreas de recursos humanos, pesquisa e desenvolvimento e logística, informou a empresa na segunda-feira, 12. As nomeações decorem de demissões e e de promoções.

Josef Schelchshorn, diretor de recursos humanos, deixou a empresa por motivos pessoais. Ele será sucedido por Carsten Intra. Andreas Renschler, presidente da divisão de caminhões e ônibus, lamentou a decisão: “Estamos tristes em ver Schelchshorn sair da empresa porque ele deu uma esplêndida contribuição para o futuro da MAN”.

Carsten Intra juntou-se à MAN em 2001 como engenheiro de produção. Dois anos depois tornou-se chefe de produção de cabinas na fábrica de Munique. Foi nomeado chefe de planejamento de rede em 2004. A partir de 2006 liderou a unidade comercial de caminhões pesados. Após novos cargos de administração, na Turquia e no Brasil, Intra assumiu a diretoria executiva de produção e logística em 2012. Desde novembro de 2015 também trabalhou na área de pesquisa e desenvolvimento.

Com a promoção de Indra quem assume a área de pesquisa é Frederik Zohm. Antes ele era responsável, na Volkswagen, pela gestão da aliança estratégica com o fabricante de caminhões Navistar, dos Estados Unidos. Antes disso trabalhou na Daimler em diferentes cargos de administração no Evo-Bus, Mitsubishi Fuso e, finalmente, Daimler Trucks Powertrain.

A área de produção será chefiada por Ulrich Dilling. Em 2017 ele assumiu a produção de componentes todas as fábricas de caminhões e ônibus da Volkswagen.

Outra mudança anunciada pela empresa foi a prorrogação do contrato de Joachim Drees, diretor executivo da MAN, por mais cinco anos, a partir de 1º de abril de 2018. Antes de assumir a direção da empresa, em 2015, ele ocupou cargos gerenciais na Daimler e na Mercedes-Benz desde 1996. Também faz parte da gerência da Volkswagen Caminhões e Ônibus.

Pela primeira, OICA faz encontro no Brasil

Pela primeira vez, o Brasil recebeu uma reunião da OICA, Organização Internacional dos Construtores de Veículos Automotores. O encontro, promovido pela Anfavea, Associação Nacional de Veículos Automotores, realizado nos dias 30 e 31 de maio, reuniu executivos de entidades setoriais de onze países: África do Sul, Alemanha, Austrália, Bélgica, Brasil, França, Índia, Japão, Rússia, Suécia e Turquia.

A pauta do encontro foi o WP 29, Working Party 29, espécie de grupo de trabalho da ONU, Organização das Nações Unidas, que representa uma tentativa de discussão global para a harmonização e evolução das regulamentações técnicas dos veículos, como itens de segurança e emissão de poluentes. Hoje, 62 países são signatários do WP 29. O Brasil não faz parte desse acordo e segue os regulamentos da ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, com base nas regulações do Contran, Conselho Nacional de Trânsito, para questões referentes à segurança, e do Conama, Conselho Nacional do Meio Ambiente, para aspectos ambientais.

De acordo com Antônio Megale, presidente da Anfavea, são os governos que aderem aos acordos do WP 29: “Neste momento, o Brasil está caminhando como observador para um entendimento mais profundo dos impactos da adesão a estes acordos. Não podemos ficar fora disso”.

Para Edson Orikassa, presidente da AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, ao seguir as regras do WP 29 os veículos fabricados no Brasil seriam mais seguros e menos poluentes e estariam aptos a entrar em mercados que seguem essas normas: “É preciso lembrar, no entanto, que o País tem altos custos na exportação e seguir o acordo não seria garantia de que os embarques aumentariam. As importações também podem crescer a partir do momento de que o Brasil decidir fazer parte desse acordo”.

Orikassa disse também que os veículos continuariam a ter certos itens mais básicos adaptados para a realidade brasileira, a chamada tropicalização. Ele afirmou que os carros da Audi, BMW e Mercedes-Benz produzidos no Brasil já atendem às normas da WP 29: “Aqueles que não seguem essas regras, no entanto, teriam que se adaptar, o que poderia encarecer o seu preço, principalmente as versões mais antigas. A solução é adotar de forma gradativa os 180 regulamentos do WP 29, já que não há um prazo limite. O Japão, por exemplo, assinou o WP 29 há cerca de 20 anos e suas empresas não adotam todas as medidas”.

Honda se prepara para 2030

A Honda apresentou o seu plano para competir no mercado global. A meta da empresa para 2030 é que dois terços de suas vendas sejam de veículos elétricos. Takahiro Hachigo, CEO e presidente da Honda, disse que a área de pesquisa e desenvolvimento estará focada em modelos com sistema híbrido plug-in de alta eficiência.

Segundo o executivo, a empresa está desenvolvendo um veículo elétrico exclusivo para a China, com início das vendas previsto para 2018, e um modelo zero-emissão para outras regiões: “Vamos apresentar esse modelo no segundo semestre em um salão de automóvel”.

A empresa também externou seus planos quanto à tecnologia autônoma. Segundo a Honda, em 2020, seus carros estarão prontos para trafegar sem motorista nas estradas. Cinco anos depois, a tecnologia também permitirá o uso em cidades. “Vamos focar especificamente em três áreas: mobilidade, robótica com foco em inteligência artificial e soluções energéticas para proporcionar às pessoas prazer e liberdade de mobilidade”, disse Hachigo.

Para tornar a estratégia viável, a Honda promoverá também melhorias no sistema global de produção. O CEO disse que a empresa quer estabelecer um sistema de produção flexível e mutuamente complementar nas seis regiões onde atua: “Já vemos resultados positivos no remanejamento das produções de acordo com a disponibilidade dos veículos nos mercados demandantes”.

Segundo Hachigo, na América do Norte, para permitir a adaptação ao recente crescimento da demanda por SUVs, a empresa estabeleceu um sistema de produção flexível de utilitários leves, como o CR-V, o Pilot e o Acura MDX: “O WR-V, modelo regional desenvolvido principalmente pelo centro de pesquisa e desenvolvimento da Honda no Brasil, agora está sendo produzido e vendido também na Índia”.

A empresa está trabalhando também no fortalecimento da presença regional dos veículos que produz atualmente no mundo todo. Com relação ao Civic, ele disse que as vendas da décima geração do carro está se mostrando forte em todos os mercados. O lançamento desse modelo no Japão está planejado para o final de junho de 2017. As vendas do novo CR-V começaram nos Estados Unidos. Com o acréscimo da versão híbrida, a empresa quer tornar o modelo global ainda mais forte. O Accord, por sua vez, passará por uma mudança no design este ano nos Estados Unidos.

Buenos Aires mostra três novos brasileiros

No 8º Salão do Automóvel Internacional de Buenos Aires, que abre as portas para o público no sábado, 10, chamaram a atenção modelos com chegada prevista ao mercado brasileiro. A Renault mostrou o Kwid, seu SUV compacto. A Ford apresentou a nova versão do EcoSport. E a Fiat lançou o seu novo hatch, o Argo.

Os três modelos podem render às respectivas fabricantes ganhos na participação nas vendas e consequentemente, melhora na utilização da capacidade produtiva. A Renault, por exemplo, pode abrir um terceiro turno de produção na fábrica do Paraná com a produção do Kwid – a empresa não confirma a informação.

Apesar de o modelo ter previsão de chegada apenas para agosto, em três horas de pré-venda, na sexta-feira, 9, quarenta unidades do SUV foram reservadas. Segundo a Renault para reservar o carro, o cliente deve se cadastrar no site da empresa e pagar R$ 1 mil, valor que pode ser dividido em três parcelas. A reserva garante preço sem aumento, primeira revisão gratuita, cinco anos de garantia para quem fizer o financiamento com o banco Renault e entrega prioritária. O Kwid terá preço sugerido de R$ 29 mil 990 a R$ 39 mil 990.

Bosch está por trás do dieselgate, aponta estudo

Estudo feito por pesquisadores das universidades da Califórnia e de San Diego, nos Estados Unidos, e de Bochum, na Alemanha, indicou que o software utilizado para driblar testes de emissões nos escândalos que envolveram Volkswagen e FCA foi desenvolvido pela Bosch. “Encontramos uma forte evidência de que ambos os dispositivos foram criados pela Bosch e depois ativados pela Volkswagen e Fiat”, afirmou o estudo.

De acordo com o site Automotive News, de Detroit, a Bosch emitiu um comunicado classificando como “selvagens e infundadas” as alegações de que seus funcionários teriam conspirado com a Volkswagen para esconder o software que burlou os testes. Os autores do estudo chegaram às suas conclusões ao analisarem documentos técnicos com avisos de direitos autorais da Bosch. Estes papéis foram postados em um portal da Volkswagen mantido para oficinas de reparação e entusiastas de seus veículos.

A Bosch, maior fabricante de peças de automóveis do mundo, fornece software de controle de motores para gerenciar sistemas de emissão de diesel. A VW admitiu a instalação do módulo de emissões em cerca de 11 milhões de veículos a diesel. A FCA foi acusada pelo departamento de justiça dos Estados Unidos no mês passado por usar o mesmo dispositivo nos utilitários das marcas Jeep e Ram. A FCA negou o erro e diz que se defenderá contra a alegação.

As conclusões do estudo se somam às investigações em Stuttgart, na Alemanha, sobre a participação da Bosch no escândalo que ficou mundialmente conhecido como “dieselgate”. A empresa foi indiciada como corréu em ações judiciais movidas por proprietários de veículos a diesel fabricados pela Volkswagen, Fiat Chrysler, Mercedes-Benz e, mais recentemente, General Motors. Em janeiro, a Bosch fez um acordo de US$ 327,5 milhões com os proprietários de Volkswagen.

Vendas de motos têm leve respiro

Depois de quatro anos consecutivos de quedas o mercado de motos começa a esboçar reação. Para este ano o setor projeta estabilidade na produção e na venda, apesar dos números ainda indicarem queda no acumulado do ano. No mês passado, diante do mesmo mês do ano passado, houve alta de 3,8% nos emplacamentos, com 79 mil 533 unidades. A alta em maio, no entanto, não impediu o recuo de 10,3% nas vendas nos cinco primeiros meses deste ano, 355 mil 464 unidades.

Já a produção de janeiro a maio somou 373 mil 491 motocicletas, o que representou leve desaceleração de 2,5% na comparação com o mesmo período de 2016, com 382 mil 970 unidades. Os dados foram divulgados na quinta-feira, 8, pela Abraciclo, Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares.

Para José Eduardo Gonçalves, diretor executivo da Abraciclo, os números, no entanto, sinalizam uma estabilização do mercado: “O volume de 900 mil unidades produzidas por ano ainda é muito abaixo das 2 milhões de unidades produzidas em 2011. Mas já sinaliza uma recuperação”.

Com a inflação mais controlada a leve alta nos emplacamentos em maio também foi motivada pelo aumento do número de financiamentos concedidos. Em abril a Caixa Econômica Federal lançou financiamento para motos com taxas mais atrativas, de 1,75% ao mês e com pagamentos em até sessenta prestações.

Com esse fôlego a mais, segundo Gonçalves, o setor espera manter a média diária de vendas em torno de 3,6 mil unidades até setembro, quando a expectativa é de um pequeno crescimento. Em dezembro a média diária de vendas deve alcançar 3,9 mil, impulsionada pelo lançamento de novos modelos e a liberação das parcelas do décimo-terceiro salário.

Exportação – Com as vendas no mercado interno em baixa o foco do setor se voltou para as exportações, principalmente para os países vizinhos, em especial para a Argentina. Para este ano, segundo José Eduardo Gonçalves, a previsão é de aumentar as exportações em 57,6%, passando de 59 mil 22 unidades para 93 mil unidades: “As motos brasileiras são bastante competitivas no mercado externo, com alta qualidade tecnológica. O controle de poluentes das nossas motos está alinhado com os níveis globais”.

Algumas empresas já estudam novos mercados na região para aumentar os seus volumes.

BWM e sindicato divergem sobre motivo das férias

A BMW concedeu férias coletivas a oitocentos funcionários ligados à produção de veículos em Araquari, SC. Os empregados foram avisados na semana passada sobre a pausa, que ocorrerá de 17 a 26 de julho. Segundo a empresa estava programada e acontecerá por causa da aceleração imprimida no volume de produção ao longo deste ano, fruto de novos processos aplicados nas áreas de qualidade e logística. Apesar da pausa nas linhas funcionários de outras áreas não informadas pela empresa trabalharão normalmente no período.

O sindicato dos metalúrgicos confirmou que os funcionários foram avisados sobre a pausa, mas que acontecerá por problemas no porto de Itajaí, SC: atraso no desembaraço de componentes importados da Alemanha teria prejudicado o abastecimento de peças à fábrica por um período de dez dias.

A BMW, por meio de sua assessoria de imprensa, desmentiu a informação.
Inaugurada em setembro de 2014 a fábrica de Araquari tem 500 mil m2 de área construída e capacidade de produção de 30 mil veículos/ano. O investimento realizado chegaram a R$ 600 milhões. Cinco modelos são produzidos ali: Série 3, X1, X3, Série 1 e MINI Countryman.

Moderfrota não agrada

Os R$ 9,2 bilhões anunciados pelo governo federal para a compra de máquinas e implementos agrícolas, via Moderfrota, pode provocar alguma renovação da frota ainda que menor do que a estimativa. Pelo menos é esta a expectativa de fabricantes e agricultores. Os primeiros esperam por um ciclo de compras motivado por clientes que buscam por redução de custos por meio de novas máquinas e maior capacidade de armazenamento, mesmo com a manutenção da taxa de juros para o Moderfrota. Os segundos, por sua vez, querem tempo maior de financiamento para aumentar sua capacidade produtiva.

Os recursos do Moderfrota aumentaram 82% neste Plano Safra e o financiamento será de até 90% do valor do bem, com prazo de pagamento de sete anos. Ao todo serão destinados R$ 190 bilhões 25 milhões para o campo em 2017/2018.

Rafael Miotto, vice-presidente da New Holland para América Latina, disse que nesta safra o setor encontrou oportunidades para os produtores utilizarem uma capacidade que vinha ociosa desde 2015. O cenário, então, foi favorável à aquisição de novos veículos e implementos, o que fez o segmento retomar as vendas paulatinamente. Já para este ano safra, a perspectiva de aumento nas vendas de máquinas poderia ser maior se os juros anunciados pelo governo para o Plano Safra fossem menores:

“Houve uma desaceleração da renovação dos equipamentos de 2014 a 2015. Com a perspectiva de super safra o quadro virou e vendeu-se mais internamente. Para o ano que vem, até pela experiência da safra anterior, os produtores investirão em recursos que os façam colher mais, e isso vai repercutir até no segmento de caminhões pesados. Entretanto os negócios poderiam ser melhores se os juros para o Moderfrota caíssem”. Hoje a taxa na linha de financiamento varia de 8,5% a 10,5% ao ano.

Pelo lado dos produtores rurais a expectativa também era de redução maior dos juros. Segundo João Francisco Adrien, diretor da SRB, a Sociedade Rural Brasileira, a disponibilidade de crédito condiz com a demanda projetada para a safra futura e a reposição de máquinas é constante no campo, o que garante os investimentos ao longo do período de produção de grãos: “A demanda interna garantirá o pagamento dos empréstimos e isso motivará o produtor a investir em aumento de capacidade. Prova disso foram os negócios firmados na Agrishow, que teve um aumento das vendas com relação ao ano passado e é considerado um evento que serve de termômetro para o setor”.

Dados da Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, já mostram os sinais de retomada em 2017. Em 2013, ano de vendas históricas, foram comercializadas no Brasil 82 mil 761 unidades. No ano seguinte houve queda, para 69 mil 163. Em 2015 a queda foi drástica, para 45 mil 268 máquinas. No ano seguinte o volume foi menor, 43 mil 586 unidades. Nos cinco primeiros meses deste ano 17 mil 262 unidades já foram vendidas, o que representou alta de 28,7%.

Implementos – O Plano Agrícola para o ano que vem é visto como positivo também pelo segmento de implementos que passa por momento de queda nas vendas e que enxerga na agricultura uma espécie de porto seguro para os negócios no País. Entretanto, o segmento deverá ter menos oportunidades do que o setor de máquinas e equipamentos agrícolas.

Segundo Alcides Braga, presidente da Anfir, a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, isso acontecerá porque ainda há uma parcela significativa da frota de caminhões paradas nas garagens dos produtores agrícolas: “A próxima safra vai tirar da ociosidade os veículos que estavam parados, que são muitos no País. A demanda esperada vai servir para melhorar o aproveitamento da frota nacional”.