Exportações recordes em maio

Maio foi o melhor mês de exportação da história do setor automotivo com relação ao volume de unidades embarcadas: atingiu 73 mil 426 unidades, englobando veículos, caminhões e ônibus – o que representa aumento de 51,1% com relação a maio de 2016. A alta nas remessas impulsionou o crescimento das exportações no período de janeiro a maio, quando foram embarcadas 307,6 mil unidades – seu o melhor acumulado histórico.

Com relação a valor maio foi o segundo melhor mês da história, somando US$ 1 bilhão 470 milhões, atrás de outubro de 2011, que alcançou US$ 1 bilhão 482 milhões. De janeiro a maio as exportações somaram R$ 6 bilhões 40 milhões, aumento de 52,7% em comparação com o mesmo período do ano passado, que foi de R$ 3 bilhões 960 milhões. Este é o segundo maior valor da história, atrás apenas do mesmo período de 2013, que alcançou US$ 6 bilhões 394 milhões.

O crescimento das exportações superou as expectativas da indústria automotiva, de acordo com Antônio Megale, presidente da Anfavea.

“Superaremos a expectativa de 558 mil unidades exportadas que tínhamos para este ano. Podemos ainda ultrapassar o patamar das 700 mil unidades exportadas de 2005, que foi o melhor ano para exportações. Estamos a caminho para o recorde de exportações de veículos”.

Vários fatores, porém, podem interferir nesta estimativa, como a variação cambial, a crise política e o fechamento de acordo comercial com a Colômbia, que depende apenas da assinatura de autoridade daquele país.

Segundo Megale os países latino-americanos vivem um bom momento econômico, com aumento do PIB, Produto Interno Bruto, o que contribui para o aumento das exportações. A Argentina continua sendo o principal parceiro comercial: tem diminuído em termos porcentuais mas aumentado no volume.

Com foco – Com a alta taxa de ociosidade nas fábricas, que chega a 50% nas montadoras de automóveis e comerciais leves e a cerca de 80% nas de caminhões e ônibus, as empresas estão mirando nas exportações para aumentar a sua competitividade, segundo Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos da cadeia automotiva da FGV, Fundação Getúlio Vargas:

“Quando o mercado interno estava em alta as empresas abandonaram as exportações. Hoje elas não têm outra alternativa a não ser retomá-las, uma estratégia que demanda certo tempo. As empresas aprenderam que o mercado externo serve como suporte para a produção. A BMW, dona de fábrica novíssima, por exemplo, exportou para o mercado dos Estados Unidos”.

Todos os segmentos de veículos aumentaram suas exportações em maio de 2017 no comparativo com o mesmo mês do ano anterior – foram 70 mil 187 automóveis e comerciais leves, aumento de 52,2% na comparação. As de caminhões alcançaram 2 mil 377 unidades, alta de 28% ante o mesmo período de 2016. Quanto aos ônibus foram embarcados 862 unidades, alta de 35,7%.

As exportações de máquinas agrícolas cresceram 72,7%, chegando a 1 mil 321 unidades.

Só PIB 3% maior gera retomada nos negócios de caminhões

Os licenciamentos de maio no segmento de caminhões já mostram uma leve melhora no cenário. Segundo dados da Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, de janeiro a maio o volume comercializado foi de 17 mil 239 unidades, 19,4% a menos do que no mesmo período do ano passado. O ritmo de queda, no entanto, vem diminuindo. No primeiro bimestre o recuo no acumulado foi de 32,8%, e no comparativo com maio de 2016 as vendas ficaram praticamente estáveis no mês passado, com leve alta de 0,7%, chegando a 4 mil 105 caminhões.

Para o presidente Antônio Megale, da Anfavea, o retrato que se pode extrair dos dados apresentados na terça-feira, 6, é o de um setor que se mantém estável e em busca de oportunidades de negócios em áreas onde há investimento. Para voltar a crescer no mesmo nível de 2015, quando a média mensal de licenciamentos esteve acima das 5 mil unidades, entretanto, será preciso um crescimento do PIB, o Produto Interno Bruto, de 2,5% a 3%:

“O País como um todo está retomando a confiança a partir da melhora do cenário econômico, que é positivo para o setor. Mas ainda muito pouco para que seja refletido em negócios específicos na área de caminhões”.

Segundo projeções do relatório de mercado Focus, divulgado esta semana, o PIB brasileiro alcançará o crescimento esperado pelo segmento de caminhões em 2018. Economistas do mercado financeiro, cujas projeções compõem o documento, esperam que as riquezas produzidas tenham elevação de 2,40% no ano que vem. A agência de classificação de risco Fitch, por sua vez, estima que a economia brasileira cresça 2,5% em 2018, apesar dos riscos de desemprego elevado e de incertezas políticas e fiscais.

Fatores como a taxa de juros baixa e queda na inflação são apontados pela Anfavea como significativos para que os investimentos sejam redirecionados para a compra de caminhões novos. Outro motivador que decide a compra de veículos pesados são as linhas de crédito. Megale considerou que a manutenção dos empréstimos do BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, para a compra de caminhões e equipamentos agrícolas denota que a confiança está sendo retomada em função de um cenário financeiro favorável à tomada de empréstimos.

Na semana passada o BNDES aprovou R$ 6,7 bilhões para a Finame de janeiro a abril. Esse valor representa aumento de 38% com relação ao mesmo período do ano passado. Desse total as aprovações para a compra de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas somaram R$ 4,4 bilhões no quadrimestre. A aprovação é a última etapa antes do desembolso dos recursos, que deverá acontecer no segundo semestre.

No segmento de ônibus os licenciamentos em maio também se mantiveram estáveis com relação ao mesmo mês de 2016. Foram 1 mil 67 unidades, o que significou pequena alta de 0,2%. No acumulado do ano o cenário ainda é de queda: foram 3 mil 643 unidades, 22,5% a menos do que no mesmo período do ano passado.

Hora para profissionais de TI nas montadoras

O desenvolvimento de veículos conectados e a manufatura avançada demandarão, da indústria automobilística, investimentos da ordem de US$ 80 bilhões em tecnologia até 2020. Hoje, essa cifra está em US$ 15 bilhões, segundo pesquisa divulgada na segunda-feira, 5, pela consultoria Frost & Sullivan. Neste contexto, que denota o embarque definitivo do setor rumo ao ambiente digital, o cargo de diretor de tecnologia, ou CIO, na sigla em inglês, ganhará poder de decisão onde, antes, não havia espaço para sua função.

Segundo Yeswant Abhimanyu, gerente de pesquisa de mobilidade urbana da Frost, a indústria automotiva está debruçada em projetos que não envolvem apenas produtos mais modernos, mas também projetos que têm como foco ela mesma. Em um universo onde será possível conectar linhas de produção à internet e carros que enviam informações sobre manutenção às concessionárias, por exemplo, as fabricantes deverão estar preparadas para armazenar e, principalmente, administrar um volume de dados ao qual não estão acostumadas:

“Diria até que muitas sequer estão preparadas para enfrentar este cenário que se aproxima cada vez mais. Um ponto de partida interessante é trazer para junto de si o diretor de tecnologia. Esta função pode ajudar as empresas a tomarem decisões em um ambiente desconhecido por aqueles que hoje estão à frente das decisões corporativas”.

Ele disse, ainda, que os especialistas em tecnologia da informação dentro das fabricantes passaram anos desempenhando um papel de manutenção na infraestrutura das empresas, como compra de equipamento, reparos e instalação de sistemas. No futuro, aponta o analista, será necessário um profissional que faça parte do negócio, ou seja, terão participação ativa nas decisões que envolvam planejamento estratégico:

“A figura do CIO ganhará importância porque sua especialidade, hoje, tem sinergia com o caminho tomado pela indústria, que é o da convergência digital. Serão criados departamentos onde não há, e os que já existem receberão orçamento como acontece em áreas mais tradicionais, como engenharia e finanças”.

A inserção deste novo cargo é feita gradativamente nas fabricantes de todo o mundo, com maior intensidade em fábricas na Europa e nos Estados Unidos por causa das fusões e aquisições de empresas de tecnologia pelas principais empresas do setor automotivo. No Brasil, disse Dorival Alcalde, da consultoria Advance, a estrutura organizacional das fábricas mais recentes já conta com a figura do diretor de tecnologia, e outras estudam contratações no mercado ou investimento em treinamentos nas matrizes onde existe a figura do CIO:

“As fabricantes que estão no Brasil há mais tempo estão enviando profissionais com formação em tecnologia para que passem por treinamentos nas matrizes. É uma forma de acelerar o processo de capacitação, porque este profissional precisa se especializar em negócios atrelados à sua especialidade técnica”.

No País a FCA informou já contar com um CIO em seu quadro de funcionários, André Souza. Na Volkswagen o CIO da matriz, Martin Hofmann, é o responsável pela área de TI de todo o grupo. No segmento de caminhões a MAN informou que a área está ligada ao departamento de finanças, dirigido por Paulo Barbosa. E a BMW informou não ter CIO em seu quadro de executivos.

Competitividade: País é melhor do que Mongólia e Venezuela. Serve?

O Brasil é um dos países menos competitivos do mundo, indica o índice de competitividade mundial, versão 2017, divulgado pelo IMD, International Institute for Management Development, e pela Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte, MG. Do total de 63 países o Brasil ocupa a 61ª posição, na frente de Mongólia e Venezuela.

A metodologia da pesquisa combina dados estatísticos como PIB, inflação e taxa de juros e entrevistas realizadas com centenas de executivos no Brasil, de janeiro a abril. A pesquisa inclui quatro fatores principais de competitividade: desempenho econômico, eficiência de governo, eficiência empresarial e infraestrutura.

A cada ano o Brasil vem perdendo competitividade no cenário mundial. Após atingir sua melhor posição em 2010, o 38º lugar, o País caiu 23 posições. O fato positivo nessa pesquisa é que as empresas brasileiras estão mais competitivas quando se compara o desempenho delas no ano anterior. Em 2017 o Brasil obteve 55 mil 829 pontos no índice agregado de competitividade, que mede esse desempenho, aumento de 4 mil 153 pontos com relação a 2016.

Carlos Arruda, professor da Fundação Dom Cabral e coordenador do estudo, disse que nem mesmo os investimentos das companhias para driblar a falta de competitividade do País foram capazes de impedir a queda do Brasil no ranking:

“O relatório permite avaliar os avanços e os retrocessos de cada país. Há um ditado que diz que o importante não é nadar mais rápido do que o tubarão, e sim nadar mais rápido do que os outros nadadores. E, neste caso, o Brasil está ficando para trás”.

Para Ricardo Bastos, diretor de relações públicas e institucionais da Toyota do Brasil, o Inovar-Auto ajudou as empresas fabricantes de veículos a adotar práticas de gestão para driblar essa falta de competitividade do Brasil. Segundo ele a obrigatoriedade de aumentar os investimentos em P&D é um exemplo disso:

“A Toyota, por exemplo, inaugurou seu primeiro laboratório na América Latina. Com isso ganhamos em competitividade, pois não precisamos validar materiais ou componentes no laboratório do Japão. Isso gerou mais agilidade nas decisões”.
Bastos, que também é vice-presidente da Anfavea, afirmou que nas discussões para a nova política industrial, o Rota 2030, empresas e governo estudam diminuir a carga tributária que incide sobre veículos produzidos por aqui – hoje, coisa de 37% a 40% em impostos sobre o preço final:

“Há muito imposto cobrado em cascata. O que estamos analisando é a possibilidade da cobrança dos tributos no fim da cadeia, acabando com a re-tributação. Se for adotado será um grande ganho de competitividade para as fabricantes, principalmente na exportação”.

O executivo acrescentou que a meta da Toyota é aumentar em 20% as exportações este ano, chegando a 49,5 mil unidades embarcadas. Até maio suas vendas externas alcançaram 20 mil 869 veículos:“Já fechamos contratos com Costa Rica e Guatemala. E a expectativa é exportamos para Chile, Colômbia e Peru”.

No caso do Chile Bastos ressaltou que a operação brasileira poderá concorrer com unidades do Japão para fornecer o Corola, “mas as exportações do Etios deverão sair daqui”.

Na Mercedes-Benz a parceria com seus fornecedores tem ajudado a driblar o custo Brasil e a ganhar competitividade, principalmente nas exportações. A companhia exporta para América Latina, África e Oriente Médio. De 2014 até o ano passado os seus embarques saltaram de 3 mil 613 caminhões para 6 mil 382.

Luiz Carlos Moraes, diretor de comunicação corporativa e relações institucionais, disse que um exemplo da parceria com os fornecedores é o caminhão leve Accelo: “Ele foi totalmente desenvolvido no Brasil e complementa o portfólio de caminhões para atender a mercados que têm características de transporte similares às do Brasil”.

As vendas do Accelo para países da África e Oriente Médio só aumentam. Se em 2015 foram vendidas quatro unidades em 2016 as vendas aumentaram para 146. Este ano a expectativa é de mais de 425 unidades exportadas.

Guia mostra boas práticas no transporte de cargas

O Programa de Logística Verde Brasil, PLVB, coordenado por grandes embarcadores, como Coca-Cola Brasil, Dow, Heineken Brasil, HP, Natura e Unilever, lançou, no dia do meio ambiente, um guia de boas práticas em sustentabilidade para o transporte de cargas.

O material consolida 22 boas práticas, como a adoção de centros de consolidação de carga em áreas urbanas, de equipamento auxiliar de geração de energia para redução de consumo de combustível fóssil, redução da velocidade de deslocamento, treinamento de motoristas, otimização das rotas.

Márcio D’Agosto, coordenador do PLVB, disse que o guia é uma oportunidade para melhorar o desempenho ambiental do País, sobretudo no que diz respeito às emissões de gases de efeito estufa: “Um exemplo é o treinamento de motoristas, que tem o potencial de reduzir os custos operacionais. Dependendo das condições de aplicação, é possível obter redução média de consumo de combustível de até 7%”.

Para Cíntia Oliveira, coordenadora do programa, com as práticas presentes no guia a logística brasileira se beneficiará em diversos pontos, tais como na redução de custos operacionais, no consumo de energia, no número de acidentes, na emissão de gases de efeito estufa, no consumo de recursos naturais e ainda proporcionará uma melhoria no nível de serviço:

“No mundo a logística representa de 7% a 8% do PIB, no Brasil chega a 12%. Então o ideal é que o País consiga modernizar e melhorar seu sistema logístico para que este porcentual caia. A logística brasileira consome 19% de energia, em sua maior parte de derivados de petróleo, uma fonte de energia não renovável e poluente, uma questão que pode ser minimizada por meio da atuação do PLVB”.

Volkswagen e JAC produzirão elétricos

O Grupo Volkswagen anunciou a criação de joint venture com a JAC Motors para o desenvolvimento de veículos elétricos na China. A nova empresa, meio a meio, terá como principais atividades desenvolver, produzir e comercializar veículos elétricos e serviços na área da mobilidade até 20142.

O acordo envolve a construção de fábrica adicional da VW na China, e a de centro de pesquisa e desenvolvimento. O negócio faz parte do seu plano global de redução de emissões para os próximos oito anos. A meta de produção é de 400 mil veículos elétricos em 2020 e de 1,5 milhão em 2025. A produção começará em 2018, informou a VW.

De acordo com seu presidente, Matthias Müller, a parceria representa o primeiro movimento da estratégia de redução de emissões da empresa. Outro fator apontado pelo executivo como motivador da parceria com a JAC são os investimentos que a companhia fez na China, nos últimos trinta anos, em mobilidade. O presidente do JAC, An Jin, disse na cerimônia de assinatura do contrato, em Berlim, Alemanha, que a empresa está confiante nas perspectivas traçadas a partir da criação da joint venture.

Na China o Grupo Volkswagen controla onze marcas. Juntamente com dois parceiros, FAW Volkswagen e SAIC Volkswagen, o grupo entregou mais de 30 milhões de veículos desde que entrou no mercado, em 1984. São 95 mil funcionários trabalhando nas suas trinta fábricas. A rede de concessionários é formada por 3 mil revendas com 330 mil funcionários.

Um maio melhor para carros importados

A venda de veículos importados no Brasil diminuíram o ritmo de queda em maio, com o licenciamento de 2 mil 558 unidades, recuo de 5,1% diante do mesmo mês do ano anterior. Com relação a abril as vendas cresceram 25,1%. De janeiro a maio a retração foi de 30,7%: 10 mil 686 veículos vendidos contra 15 mil 412. Os dados foram divulgados na segunda-feira, 5, pela Abeifa, Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores.

José Luiz Gandini, presidente da Abeifa, disse que o comportamento dos emplacamentos de carros importados está bem diferente do ritmo de vendas do mercado total. Segundo ele isso se deve exclusivamente ao fato de os veículos importados estarem “sob regime de exceção”, com 30 pontos porcentuais adicionais de IPI, até o limite de 4,8 mil unidades por ano:

“Volto a insistir em que a recuperação comercial do segmento de importados contribuirá efetivamente com o recolhimento de impostos, fator essencial para o governo e para o País, pois a venda de importados está represada há pelo menos cinco anos. Sem levar em consideração que o aumento da importação de veículos em nada afetará a balança comercial, hoje extremamente favorável ao Brasil. Por isso não há qualquer sentido em frear as importações”.

Em maio, com 2 mil 558 unidades licenciadas, a participação das associadas à Abeifa foi de 1,35% do mercado total de automóveis e comerciais leves, 190 mil 131 unidades. No acumulado o market share foi de 1,34%, 10 mil 686 unidades, do total de 802 mil 351 unidades.

As associadas à Abeifa, que também têm produção nacional, BMW, Chery, Land Rover, Mini e Suzuki, fecharam o mês com 1 mil 622 unidades emplacadas, aumento de 31,8% no comparativo com o mesmo mês de 2016. De janeiro a maio os emplacamentos totalizaram 5 mil 806 unidades, alta de 47,5%.

Vendas no México crescem 4,8% de janeiro a maio

As vendas de automóveis e comerciais leves no México cresceram 1,1% em maio com relação ao mesmo mês do ano passado: 122 mil 916 veículos. No acumulado de janeiro a maio os emplacamentos somaram 615 mil 641 unidades, alta de 4,8%. Os dados foram divulgados na segunda-feira, 5, pela Amia, Associação Mexicana da Indústria Automotiva.

De acordo com os dados da Amia a Nissan se manteve líder de mercado, com 29 mil 644 unidades vendidas em maio, alta de 2,1% com relação à mesma base do ano passado. No acumulado do ano suas vendas somaram 152 mil 684, crescimento de 3,5%. A sua participação de mercado foi de 24,8%.

A General Motors vendeu 20 mil 638 um idades, volume 14,9% menor do que em maio do ano passado. Nos últimos cinco meses seus licenciamentos chegaram a 101 mil 988, queda de 3,3%. A companhia obteve 16,6% de market share no acumulado do ano, ficando na segunda posição do ranking.

A Volkswagen foi a terceira no ranking de vendas dos primeiros cinco meses do ano, com 15,5%, seguida por Toyota com 7,1%, FCA com 6,6% e Honda com 5,9%. A Kia, com licenciamentos de 33 mil 625, apresentou o maior crescimento no período, de 83,9%, e obteve a sétima posição superando a Ford, que ficou com 5,4% de participação e a oitava posição.

Após crescimento, exportações se estabilizarão

Para reverter as quedas nas vendas de veículos no Brasil, as fabricantes descobriram uma saída para escoar a produção: o mercado externo. Se no ano passado foram exportados 482 veículos, em 2017 as exportações devem chegar a 608 mil, o que corresponde a um aumento de 26,2%. Esse aumento expressivo no volume exportado, deve no entanto, se estabilizar nos próximos anos, segundo a projeção da empresa multinacional de consultoria IHS Markit.

Para Fernando Trujillo, diretor da IHS Brasil, como o nosso maior parceiro é a Argentina, com a estabilização no mercado automotivo no país vizinho, as exportações tendem a se manter no patamar em torno de 600 mil unidades até 2021: “Este ano, teremos um boom de exportação. A Argentina deve responder por 70% das exportações”.

Trujillo não vê crescimento nas exportações brasileiras para outros países, fora da América Latina: “Seria preciso que o governo brasileiro fechasse acordos de livre comércio com outros países. Mas, nossos veículos não seguem a legislação de segurança e eficiência energética de alguns mercados”.

Se as exportações ficarão estabilizadas, a boa notícia é que o mercado interno irá voltar a crescer e ano a ano até 2021, quando a projeção é de 2,5 milhões unidades. Deste total, cerca de 430 mil unidades serão de veículos importados: “Com o Inovar Auto, as importações de veículos no Brasil diminuíram bastante e não representam ameaças ao mercado interno. Uma das mudanças foi a cobrança da alíquota de IPI majorado de 30 pontos percentuais. Muitos das fabricantes de veículos premium, já contam com fábricas no Brasil, como é o caso da Audi, BMW e Mercedes-Benz”.

TOP 3 – O setor automotivo no Brasil está se tornando cada vez mais descentralizado. Se em 2012, as montadoras tradicionais – General Motors, Volkswagen, Fiat e Ford – abocanhavam juntas mais de 70% do mercado, no ano passado elas ocupavam 53,8%. A estimativa é que em 2021, esse percentual diminua ainda mais, para 48,9%.

As montadoras asiáticas, com crescimento consistente nas vendas de olho nas preferências do consumidor, vêm ganhando espaço no mercado. Mas é a Aliança Renault Nissan a principal ameaça às montadoras tradicionais. Se em 2012, ela detinha 9,5% do mercado, a estimativa é que esse percentual chegue a 12,2% em 2021, sendo 8,4% da Renault e 3,8% da Nissan. Isso significa que Renault- Nissan juntas irão se tornar a terceira maior, atrás apenas da GM e da Fiat, e desbancando a Volkswagen.

Por problemas com a BMW, Bosch compra fornecedora italiana

Para colocar um ponto final na crise estabelecida na semana passada com a BMW, a Bosch decidiu comprar o pivô do corte de abastecimento de itens de direção – a fabricante Albertini Cesare. Problemas na produção e logística da companhia da Itália, provocaram paradas na produção da BMW na Alemanha, China e África do Sul. O valor da transação, anunciada na quinta-feira, 2, não foi divulgado e a aprovação do negócio ainda passará pelo crivo das autoridades fiscais europeias.

Por meio de comunicado, a Bosch informou que a Albertini Cesare era uma fornecedora especializada na produção de componentes fundidos em alumínio que são aplicados no sistema de direção elétrica dos carros da BMW. A origem da empresa, sediada na região de Milão, é familiar e possui 270 funcionários. A compra foi determinada para que se garantisse “um fornecimento confiável de componentes de direção elétrica no futuro”, informou a Bosch.

Dirk Hoheisel, membro do conselho de administração da Bosch, disse estar confiante sobre a manutenção da produção local e sua expansão a partir da aquisição da Albetini. O plano é integrar Albertini na divisão de direção automotiva da Bosch. A divisão emprega cerca quinze mil funcionários em doze países, onde desenvolve soluções de sistemas de direção para automóveis e veículos comerciais.

A Albertini já estava em um momento difícil. Em janeiro deste ano, anunciou a demissão de 180 funcionários. A empresa chegou a ter 450 em sua folha de pagamento. As demissões foram motivadas à época pela redução do volume de vendas em 2016.