Acordo Mercosul e União Europeia traz desafios de competitividade à indústria automotiva

São Paulo – Em meio à assinatura que ratificou o acordo comercial do Mercosul com a União Europeia, no sábado, 17, no Paraguai, são levantadas discussões acerca do seu reflexo no setor automotivo. Na prática, seus efeitos deverão demorar alguns anos para se consolidar: por ora são identificados desafios de competitividade e oportunidades de exportação de veículos híbridos flex e de transmissões, motores, sistemas e autopeças para o mercado de reposição.

A parceria, que visa a eliminar a maior parte das tarifas inter-blocos comerciais, impõe um cronograma de quinze anos para desonerar veículos a combustão, sendo sete deles de carência. E, considerando a resistência apresentada por países como França e Itália, este ano ele ainda não deverá começar a vigorar. 

“Entendemos que para a economia brasileira o acordo é bom, e nós, portanto, apoiamos. Entretanto traz muitos desafios, sobretudo ao setor automotivo”, afirmou o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet. Segundo ele a assinatura ocorre em um cenário em que o Brasil está migrando para um novo modelo com a reforma tributária, além de questões logísticas, de infraestrutura e de segurança jurídica.

“Este período de carência para os modelos a combustão é de preparação para o Brasil para solucionar questões de competitividade. Se por um lado é bom por outro traz desafios. O que é positivo, pois agora teremos um prazo de sete anos para ajustar o que ainda é gargalo à nossa competitividade.”

Parceria deve favorecer a exportação de autopeças

A despeito dos riscos inerentes ao acordo o dirigente assinalou ser possível elevar a exportação de sistemas, como motores e transmissões, e ampliar o acesso a autopeças com nível maior de tecnologia.

Ricardo Roa, sócio responsável pela área automotiva da KPMG Brasil, concorda que há forte potencial de exportar mais, principalmente sistemas embarcados e de freios. Para ele o mercado de reposição também ganhará relevância, ainda mais com o fato de que na Europa a produção de veículos a combustão vem decrescendo ao mesmo tempo em que a de eletrificados ocupa seu espaço.

Sobre este tema Calvet ressalvou que ponto de preocupação é o fato de os híbridos e elétricos terem calendário diferente dos veículos a combustão, e que no período de carência foi estabelecida cota para os países dos quais serão importados veículos da Europa, com alíquota de 17%, válida para 32 mil unidades. Hoje, o imposto é de até 35%.

“A proposta era de, no ano zero, haver redução imediata para 25% no imposto e sem carência”, apontou o presidente da Anfavea. “Apenas uma desgravação linear até o ano quinze. Agora os veículos eletrificados já iniciarão com imposto menor.”

Híbridos flex também podem ganhar mais espaço na Europa

Acerca da consequente maior entrada de eletrificados importados Roa reconheceu a inevitável atratividade ao consumidor no médio e longo prazos, mas, ao mesmo tempo, exaltou a necessidade de o País protagonizar as discussões envolvendo os veículos híbridos flex, que têm grande potencial de serem exportados:

“Por isto é relevante haver um tempo de adequação para os nossos produtos. Acredito que o acordo não afete o setor em 2027: provavelmente só em 2028 esta conta começará a contar”.

Fruto de 26 anos de negociações a iniciativa criará uma área de livre comércio com cerca de 720 milhões de pessoas e PIB de mais de US$ 22 trilhões. Para o sócio da KPMG o acordo, de forma geral, será bem relevante: “Voltaremos a estreitar bons acordos comerciais com a Europa de forma geral. Não ficaremos, assim, tão reféns de produtos de custo baixo da China.”

O MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, lançou a plataforma digital Painel de Oportunidades Mercosul – União Europeia, que reúne dados do comércio dos dois blocos regionais com informações sobre países compradores, produtos exportados do Brasil, tarifas aplicadas e o cronograma previsto.

Axalta aposta em novo tom de laranja como a cor automotiva de 2026

São Paulo – A Axalta anunciou um novo tom de laranja como a sua cor do ano para 2026. Batizada como Solar Boost a nova tinta foi desenvolvida pela equipe global de especialistas para atender à crescente demanda por cores expressivas.

Segundo a Axalta os compradores de veículos têm buscado por opções que fogem do tradicional branco, preto e prata. A nova tinta é produzida com partículas de vidro em tom champagne, que trazem um efeito cintilante ao seu visual.

GWM apresenta a nova plataforma multienergia One

São Paulo – A GWM apresentou a One, nova plataforma de produção que tem como grande diferencial usar uma base para produzir veículos com cinco tipos de motorização. A GWM pode, assim, produzir veículos ICE, combustão interna, HEV, híbrido pleno, PHEV, híbrido plug-in, EV, elétrico e FCEV, célula de combustível a hidrogênio, sobre a One.

A plataforma instalada na China segue uma lógica modular, organizando por blocos padronizados os sistemas de hardware, software e powertrain. Desta forma a montadora garante alta escala industrial e maior capacidade de personalização dos veículos, conforme as necessidades de cada mercado, ao mesmo tempo em que reduz a complexidade operacional.

A GWM também integrou sua área de Pesquisa e Desenvolvimento com a nova plataforma, esperando reduzir em 30% os custos com o processo. A montadora espera que seja possível reduzir o tempo de desenvolvimento de novos produtos e tecnologias com a integração a partir da nova linha.

O primeiro modelo produzido na plataforma One será um SUV híbrido plug-in, que chegará ao mercado com arquitetura de 800 volts e autonomia de 363 quilômetros apenas no modo elétrico. A autonomia combinada com o motor a combustão passa de 1,3 mil quilômetros, de acordo com as medições do ciclo WLTP. 

Quando a bateria estiver totalmente descarregada a GWM promete um consumo de 6,3 litros a cada 100 quilômetros rodados, ou 15,9 km/l para o novo SUV.

Nos próximos cinco anos a GWM pretende lançar cinquenta modelos baseados na nova plataforma, divididos em sete segmentos, garantindo que modelos a combustão e eletrificados tenham o mesmo nível de conectividade, segurança e inteligência.

Mercedes-Benz vende 75 caminhões para a DHL Supply Chain

São Paulo – A Mercedes-Benz vendeu 75 caminhões para a transportadora DHL Supply Chain. O lote negociado envolve dez unidades do extrapesado Actros 2045, quarenta do Atego 2429 6×2 e dez leves Accelo 1117, todos produzidos em São Bernardo do Campo, SP.

Com a negociação, fechada no ano passado pelo concessionário Pirasa, de Campinas, SP, a frota da DHL Supply Chain chegou a trezentas unidades Mercedes-Benz.

Olivier François revela o nome do novo hatch da Fiat

São Paulo – Em entrevista ao portal francês Auto Infos Olivier François, CEO global da Fiat, revelou qual será o nome do novo hatch compacto produzido na fábrica de Betim, MG, baseado no Grande Panda europeu: Argo.

A informação, divulgada pela Auto Esporte, encerra as especulações acerca do principal lançamento da Fiat em seu cinquentenário no Brasil. Uno e Panda chegaram a ser considerados, mas a opção pela continuidade de Argo, terceiro modelo mais vendido do mercado brasileiro em 2025, foi mais forte.

Na entrevista ao site francês o CEO da Fiat disse que um modelo menor, com preço inferior a 15 mil euros, está em desenvolvimento na Europa e também será oferecido no mercado brasileiro, mais à frente. Será posicionado abaixo do novo Argo, possivelmente substituindo o Mobi.

François admitiu também que a queda nas vendas da Fiat, que ano passado somou 252,3 mil unidades na Europa, recuo de 13%, muito se deve à ausência de modelos mais baratos, que sempre caracterizaram a marca no continente. A futura Strada, sucessora do veículo mais vendido no Brasil em 2025, será oferecida também na Europa.

VW Caminhões e Ônibus mantém liderança em caminhões apesar de aperto da Mercedes-Benz

São Paulo – A Volkswagen Caminhões e Ônibus manteve, por mais um ano, a liderança nas vendas de caminhões no Brasil, com 30,3 mil unidades emplacadas e fatia de 27,2% de participação de mercado, de acordo com dados da Fenabrave. A Mercedes-Benz, na segunda colocação, encostou na líder ao registrar 29,8 mil vendas e obter participação de 26,9%, uma diferença sutil de 0,3 ponto porcentual no market share e de apenas 372 veículos a menos.

Em 2024 a configuração foi a mesma, mas nos últimos doze meses a Mercedes-Benz reduziu a sua distância para a VW ao elevar em 3,4% o volume de caminhões emplacados no ano passado, acréscimo de 981 unidades, ao passo que a líder reduziu em 3,4% suas vendas, o equivalente a 1 mil 87 veículos.

Para fechar o pódio a Volvo manteve a terceira colocação, ainda que tenha reduzido seus emplacamentos em 18,4% em 2025, totalizando 20 mil caminhões, cerca de 3,1 mil abaixo de 2024.

A Scania também segurou a quarta posição apesar do tombo de 31,4% nas vendas – foi uma das mais impactadas por causa da maior restrição ao crédito e dos juros nas alturas devido ao foco em extrapesados. Foram registradas 13 mil 116 unidades, 6 mil a menos do que em 2024. Ainda assim a participação de mercado foi mantida em dois dígitos: 11,8%.

Iveco e Agrale ganharam mercado em 2025

A Iveco ganhou uma posição e tomou o lugar da DAF. Emplacou 8 mil 632 unidades e, ainda que tenham ficado 1,9% abaixo de 2024, garantiu fatia de 7,8% e o quinto lugar. A DAF, por sua vez, vendeu 7 mil 482 veículos, 22,2% menos do que no ano anterior, e respondeu por participação de 6,7% e pela sexta colocação. 

Aqui também é refletido o comportamento do mercado. A DAF, focada nos extrapesados, caiu, enquanto que a Iveco, com oferta mais diversificada em leves e semipesados, subiu.

A Foton continuou no sétimo lugar. Ampliou em 52% suas vendas, para 1 mil 23 unidades, e conseguiu market share de 0,9%. A JAC, igualmente, seguiu em oitavo, com o comércio de 168 caminhões, alta de 7,7%, e fatia de 0,2%.

Nas duas últimas colocações do ranking houve mudanças. Agrale ganhou uma posição ao tomar o espaço da Hyundai, que caiu para décimo-terceiro. Foram comercializados 132 caminhões da marca, avanço de 45%, e fatia de 0,1%. E, para fechar, a Ford, antes na décima-segunda colocação, dobrou seu volume de vendas, para 57 unidades e participação de 0,1%.

Vendas globais da SAIC Motor crescem 12% em 2025

São Paulo – A SAIC Motor, controladora da marca sino-britânica MG Motor, que aportou no Brasil no fim do ano passado, registrou recorde em suas vendas globais em 2025: 4,5 milhões de veículos, acréscimo de 12,3% em relação ao ano anterior. No ano passado a comercialização das marcas próprias Roewe, MG Motor, IM, Maxus, Wuling e Baojun totalizou 2,9 milhões de unidades, alta de 21,6% com relação a 2024, e respondeu por 65% das vendas totais.

Em 2025 as vendas internacionais do grupo atingiram 1 milhão de unidades, crescimento de 3,1% na comparação anual. Na Europa a MG comercializou mais de 300 mil veículos, expansão de 30% frente a 2024. Na Índia vendeu 70 mil veículos, aumento de 17,8%, e na Tailândia, 29 mil unidades, alta de 13,3%.

Hoje a presença internacional do grupo inclui volume anual de 300 mil unidades na Europa e cinco mercados com 50 mil unidades anuais, o que inclui as Américas e, a partir de agora, o Brasil na estatística.

Anfavea se arma contra possíveis novas cotas para CKD e SKD

São Paulo – A Anfavea mantém o sinal de alerta contra possíveis movimentações junto ao governo para a renovação das cotas de importação de CKD e SKD livres de impostos, criada em agosto passado pela Camex, Câmara de Comércio Exterior, após disputa com, especialmente, a BYD, que pedia redução no imposto de importação destes kits. Embora não exista informação de pleito vigente a entidade armou sua defesa com relação ao tema, que, na visão do seu presidente, Igor Calvet, teve na última decisão da Camex o seu “máximo aceitável”. O prazo encerra em 31 de janeiro.

Calvet disse que uma eventual nova mudança nas regras estabelecidas pode emitir um sinal negativo às matrizes, que aprovaram mais de R$ 140 bilhões em investimentos nos últimos anos. E prejudicar a cadeia como um todo: “Existe o risco do empobrecimento da base industrial brasileira. A sinalização com uma prorrogação seria a de um processo produtivo cada vez menos denso porque estes kits chegam prontos. Aço, processos de estamparia, soldagem, são feitos nos países de origem”.

Em agosto, após uma briga que extrapolou o bom senso da Anfavea com a BYD, com troca de acusações e a companhia chinesa chamando as montadoras há tempos aqui estabelecidas de dinossauros por inibir a inovação, foi estabelecida cota de US$ 436 milhões para importação de veículos híbridos e elétricos semidesmontados ou completamente desmontados. Superada a cota, as alíquotas variam de 10% a 35%, dependendo da tecnologia adotada. Em janeiro de 2027 sobem para 35%, todas as tecnologias.

Custo de mais de R$ 100 bilhões

A Anfavea calcula que este valor permitiu a importação de cerca de 30 mil veículos desmontados isentos de imposto. E fez contas do possível impacto desta renovação na cadeia: nada menos do que R$ 103 bilhões deixam de ser aplicados na compra de peças e componentes na indústria brasileira, em um cenário extremo.

O presidente explicou o cenário extremo: seria como, da noite para o dia, as associadas à Anfavea trocassem o modelo de produção por montagem de kits CKD e SKD: “Claro que este cenário é hipotético e inviável, porque existem contratos a serem respeitados e investimentos feitos. Mas precisávamos criar um teto. E é este”.

Além do dinheiro que deixaria de ser aplicado na economia local a entidade calcula que 69 mil empregos seriam cortados nas montadoras e 227 mil no parque de fornecedores. Hoje a indústria de veículos emprega 109,7 mil trabalhadores e a de autopeças em torno de 305 mil, segundo o Sindipeças.

Calvet disse, também, que a intenção não é vilanizar a importação de kits CKD e SKD, que pode funcionar para determinados processos de baixo volume, até para experimentar o mercado: “A Anfavea é contrária à produção em alto volume com kits CKD e SKD. Este processo não deve ser banalizado. Pensando no setor como um todo, é prejudicial”.

Por fim Calvet demonstrou otimismo: na sua visão o governo deverá manter o cronograma estabelecido em agosto, sem novas mudanças de regras.

BYD ampliará nacionalização a partir de abril

Procurada pela reportagem a BYD não informou se pretende fazer pleito pela renovação das cotas. Está em seus planos, no entanto, a expansão da produção em Camaçari, BA, com a incorporação de fornecedores locais e início de operações de soldagem, estamparia e pintura.

Ao jornal Valor Econômico o vice-presidente Alexandre Baldy afirmou que os processos deverão começar de abril a maio. Segundo ele “os equipamentos, embrulhados, já estão na fábrica”.

O cronograma original, estabelecido com o governo da Bahia, permite a montagem em SKD até junho, de acordo com a BYD.

Volkswagen e Qualcomm assinam carta de intenção para o fornecimento de tecnologia

São Paulo – O Grupo Volkswagen e a Qualcomm Technologies assinaram carta de intenção visando a acordo de fornecimento de longo prazo de recursos avançados de conectividade e infoentretenimento por meio da linha de processadores automotivos Snapdragon Digital Chassis, desenvolvidos pela Qualcomm.

Caso o acordo avance a Qualcomm será a principal fornecedora de tecnologia para o Grupo Volkswagen, que trabalha em uma nova arquitetura eletrônica para os seus veículos, em parceria com a Rivian Automotive, com foco em novos sistemas de condução e tecnologias embarcadas.

São Paulo sedia evento sobre desmontagem e reciclagem de veículos

São Paulo – A Capital paulista receberá a segunda edição do evento Recicle Mais 2026, de 31 de janeiro a 1º de fevereiro, que é dedicado ao setor de desmontagem automotiva na América Latina. A primeira edição, realizada em 2025 em Goiânia, GO, recebeu 450 participantes, especialistas do setor e empresas expositoras.

A desmontagem de veículos, a reciclagem e o reaproveitamento de peças em bom estado ganhou corpo no Brasil e região, com o avanço de Centros de Desmontagem Veicular, CDVs.

O negócio atraiu olhares de grandes empresas como a Stellantis, que inaugurou sua operação em 2025, mas também conta com operações mais antigas, como a da Renova Ecopeças, da Porto Seguro, desde 2014.