São Paulo – O presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, considerou encerrada a discussão sobre imposto de importação de veículos desmontados, objeto de análise e decisão do Gecex-Camex na semana passada: “Não há para a Anfavea espaço para um prazo superior ao de seis meses, concedido pela Camex”.
A BYD pedia redução do imposto de importação para kits CKD e SKD por três anos e a Anfavea a retomada imediata da alíquota de 35%. Na semana passada a discussão esquentou e cartas foram divulgadas por ambos os lados, extrapolando a bolha setorial. Calvet disse que não leu, mas ficou sabendo do conteúdo da carta da BYD, que chamava as montadoras tradicionais de dinossauros, e, embora tenha lamentado, evitou alongar o assunto, tratando-o como página virada.
O governo acabou optando por uma decisão no meio termo: criou cotas para importação sem imposto de kits CKD e SKD e reduziu o cronograma de retomada da alíquota cheia em dezoito meses.
Calvet disse, também, que o fato não fecha as portas da Anfavea para uma eventual associação da BYD: “Nós defendemos a produção local e a geração de valor para o Brasil. A simples montagem destes kits só contribui para a desindustrialização”.
A decisão da Camex
Segundo a Anfavea a decisão da Camex antecipou o II de kits desmontados, CKD ou SKD, para 35% em dezoito meses: retornam em janeiro de 2027 e não mais em julho de 2028.
Hoje existem seis alíquotas diferentes:
Kits CKD HEV – 14%
Kits CKD PHEV – 14%
Kits CKD BEV – 10%
Kits SKD HEV – 30%
Kits SKD PHEV – 28%
Kits SKD BEV – 25%
Por seis meses o governo liberou cotas de US$ 84,5 milhões para importação de HEV sem imposto, de US$ 281 milhões para importação de PHEV com alíquota zero e de US$ 97,5 milhões de BEV com imposto zerado, totalizando US$ 463 milhões.
Segundo Calvet associadas da Anfavea receberão parte destas cotas, sem entrar em pormenores: “Algumas empresas receberam o comunicado informado que a elas será destinada uma parte e pretendem fazer uso das cotas”.