Ricardo Bastos é reeleito presidente da ABVE

São Paulo – A ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico, reelegeu Ricardo Bastos para a presidência até abril de 2018. A eleição ocorreu na terça-feira, 14, com chapa única, eleita por unanimidade em assembleia geral. Será o terceiro mandato consecutivo do executivo, que é diretor de assuntos institucionais da GWM Brasil.

Confira os integrantes do novo Conselho Diretor da ABVE:

Presidente

Ricardo Bastos (GWM)

Diretores de Área

  • Carlos Roma – Diretor Técnico (Riba Brasil)
  • Davi Bertoncello – Diretor de Comunicação (Tupi Mobilidade)
  • Felipe Haddad – Diretor de Relações Institucionais (Ford Motor Brasil)
  • Juliana de Paula – Diretora de Assuntos Internacionais (Nissan Brasil)
  • Wagner Setti – Diretor Administrativo-Financeiro (Weg Equipamentos Elétricos)

Diretores Coordenadores de Grupos Temáticos

  • Clemente Gauer – GT de Segurança (Tupi Mobilidade)
  • Daniel Caramori – GT de Veículos Leves (General Motors Brasil)
  • Flamínio Fichmann – GT de Mobilidade Urbana (Projeto 34 Arquitetura e Urbanismo)
  • Gustavo Tanure – GT Tributário (Ezvolt)
  • Iêda de Oliveira – GT de Veículos Pesados (Eletra Tecnologia de Tração Elétrica)
  • Márcia Loureiro – GT de Infraestrutura (Regler)
  • Rodrigo Vicentini – GT de Componentes (Time&Place Brasil)
  • Rui Almeida – GT de Veículos Levíssimos (Riba Brasil)

Diretores Conselheiros

  • Ana Paula Hauffe Torquato (Weg Equipamentos Elétricos)
  • Ariovaldo Miranda Junior (Greenv)
  • Ayrton Barros (Neocharge)
  • Bruno José Canto (Amazon Brasil)
  • Carlos Eduardo de Souza (Tevx Motors)
  • Daniela Garcia (Evwomen)
  • Luiz Fernando Santos (Byd Brasil)
  • Márcio Severine (Mobilitas)
  • Pedro Schaan (Zletric)
  • Rogério Lin (Ckc do Brasil)
  • Tadeu Rezende de Azevedo (Power2go)
  • Thiago Serra Hipolito (99 App)
  • Thiago Sugahara (GWM Brasil)
  • Valter Luiz Knihs (Weg Equipamentos Elétricos)
  • Vinício Carrara (Livoltek)
  • Vinicius Alvarenga (Companhia Brasileira de Lítio, CBL)

Diretores Conselheiros Fiscais

  • Ayrton Barros (Neocharge)
  • Flamínio Fichmann (Projeto 34)
  • Márcio Severine (Mobilitas)

VW Caminhões e Ônibus arremata maioria dos lotes do Caminho da Escola

São Paulo – A Volkswagen Caminhões e Ônibus foi a grande vencedora do pregão do Caminho da Escola, realizado pelo FNDE, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, na terça-feira, 14. Arrematou 88% dos pedidos dos 7 mil 470 ônibus, totalizando 6 mil 590 unidades.

As informações foram publicadas pelo portal Diário do Transporte. Na sequência figuraram a Marcopolo, com 620 unidades do Volare, e a Agrale, com 260 unidades do Marruá. Ao todo foram licitados treze modelos de veículos, com pisos alto e baixo, sendo cerca de quatrocentos unidades com caixa automática.

A Iveco chegou a ganhar um lote mas, segundo informações de bastidores, diante da ausência da entrega de documentos demonstrando o conteúdo nacional exigido, acabou perdendo. Na edição anterior, vale lembrar, a empresa liderou as compras.

Na avaliação de Ruben Bisi, presidente da Fabus, Associação Nacional de Fabricantes de Ônibus, o pregão é importante por promover a encomenda deste volume de ônibus, praticamente a metade da licitação anterior, de 15,3 mil unidades. Ressaltou, no entanto, o tempo mais curto para realizar o processo.

“O mais importante agora é terminar o período de eventuais oposições, interpelações e pedidos de esclarecimento e, então, obter a confirmação dos ganhadores e depois apresentar protótipos para a homologação e a produção em geral.”

Para Bisi a realização do leilão comprova a expectativa de estabilidade na produção de ônibus para este ano, a despeito de leve queda em outros segmentos que não contam com o incentivo de compras governamentais. Os pedidos deverão ser efetivados de meados ao fim de junho.

Em um ano GAC estrutura sua operação nacional e garante não estar a passeio

São Paulo – Como cada companhia de origem chinesa impõe seu próprio ritmo neste desembarque ao mercado brasieiro é normal achar que uma está indo com mais ou menos sede ao pote. Em menos de um ano de mercado a GAC lançou seis modelos, atualizou um deles e confirmou sua produção local em parceria com a HPE, na fábrica de Catalão, GO. Foi atrás do clube de maior torcida do Brasil, o Flamengo, e passou a estampar sua marca no calção do uniforme. E projeta vender 20 mil unidades ainda em 2026.

Pode não ser o plano mais acelerado em implantação no Brasil, mas certamente é robusto e ousado. E seu diretor de marketing e comunicação, Luis Fernando Guidorzi, garante estar pensando no longo prazo.

Em conversa com o Agência AD Entrevista, durante o lançamento da versão 2027 do Hyptec HT, atualizado em menos de um ano no mercado, o executivo falou um pouco dos planos e da expectativa da matriz com a operação brasileira da GAC.

Como está o desempenho de vendas da GAC no mercado brasileiro?

Em maio completaremos um ano de mercado. Há um ano lançamos cinco produtos de uma vez, mas só em julho tivemos um mês completo de vendas. De julho a dezembro vendemos mais de 5 mil carros no atacado e 4 mil carros, 3 mil  e alguma coisa no varejo. Minha avaliação é que começamos bem, uma nova rede, uma nova marca. Comparando com nossos competidores, estamos acima no período.

Vocês têm projeção de vendas para 2026?

O ano começou bom com a chegada do GS3. Com ele triplicamos o volume de pessoas nas lojas, chegamos a ter seiscentas, setecentas pessoas em um fim de semana em lojas nossas. Chegamos a vender duzentos carros em um sábado, quase três vezes mais do que vendíamos anteriormente. E o público não foi comprar só o GS3: trouxe mais vendas para o Aion V, para o GS4, os outros produtos foram impulsionados. Nossa intenção é chegar a cerca de 20 mil carros vendidos no ano.

Como está a rede de concessionárias? Crescerá mais? Para onde?

Estamos já em todas as regiões do Brasil. Restam quatro estados que, com a chegada do GS3, a tendência é avançarmos, irmos também mais para o Interior. Temos em torno de cinquenta a sessenta lojas abertas, com vendas e pós-vendas, completas. A tendência é que até o final do ano passemos das cem concessionárias e, para 2027, chegar a duzentas lojas no Brasil todo.

Vocês começaram o ano apresentando o GS3, depois veio o Hyptec HT linha 2027. Qual é o planejamento de produto para o resto do ano?

Vamos lá: agora, em abril, lançamos o HT. Ainda no final deste trimestre chegará o Aion UT, um compacto 100% elétrico e no segundo semestre dois lançamentos, dois SUVs grandes. São carros inéditos, não é facelift, e trarão tecnologias novas. Então são quatro produtos inéditos para a linha GAC.

Vocês estão desenvolvendo motor flex para os modelos a combustão?

A engenharia vem trabalhando nisso, em parceria com a China. Não temos ainda data de lançamento, mas há um trabalho forte neste sentido já há alguns meses. Em breve teremos estes produtos, para atender a necessidade dos clientes, é uma demanda do mercado.

Recentemente vocês anunciaram uma parceria com a HPE para produzir modelos GAC em Catalão. Em que fase está? Já foi decidido o primeiro modelo?

O modelo ainda não está definido, existe a discussão da engenharia com a matriz. Tivemos as primeiras conversas nos últimos dias, existem representantes nossos em Catalão reunidos com a HPE. Nossa intenção é ter tudo pronto para começar a operar em 2027.

Esta parceria seria um primeiro passo? Existem ambições maiores com o Brasil?

Digamos que a GAC tem uma tela em branco para pintar. Nosso plano no Brasil é de longo prazo, não somos aventureiros, queremos ter uma conexão com os brasileiros. Por isto estamos lançando novos produtos, trouxemos um carro a combustão que quase nenhuma concorrente chinesa tem no portfólio, fizemos a parceria com a HPE, fechamos patrocínio com o Flamengo. A tela está em branco e estamos pintando. O primeiro passo na produção local foi a parceria iniciada com a HPE, 50 mil veículos por ano. Obviamente com o mercado crescendo, tendo a necessidade de ampliar, estamos abertos a oportunidades para incrementar a nossa participação no mercado. Nada é impossível aqui para a GAC: vamos entender a demanda do mercado e trabalhar para atender o consumidor, qualquer que seja o desejo dele.

Como a matriz enxerga a operação brasileira da GAC? É prioridade?

A GAC tem uma grande operação no Oriente Médio e em alguns outros mercados, está entrando na Europa. Muitos deles como importador. Agora, a América Latina tende a ser um mercado muito importante: temos estrutura no México, na Colômbia e o Brasil tem sido referência nesta divisão overseas. Teremos produção local, novos produtos chegarão, carros adaptados para o Brasil, não simplesmente importados. A engenharia homologa mas antes mexe em suspensão, em outros itens para deixá-los com a cara do brasileiro. Temos esta liberdade,o que é um ótimo sinal. A matriz está nos suportando para que consigamos construir uma base sólida no Brasil e crescer conforme a demanda do consumidor.

Futuro Geely nacional EX5 EM-i chega às concessionárias ainda chinês

São Paulo – O primeiro veículo Geely nacional chegou às 29 concessionárias já abertas – outras onze estão em obras e ficarão prontas ainda neste semestre. Mas ele ainda é importado: o EX5 EM-i vem, neste primeiro momento, da China, até que a fábrica da Renault Geely em São José dos Pinhais, PR, comece a produção em série, prevista para até o fim do ano.

Com tecnologia híbrida plug-in oferece autonomia de até 1,3 mil quilômetros, dos quais 112 no modo elétrico, segundo medições do PBEV do Inmetro. Construído sobre a plataforma GEA, desenvolvida pela Geely para os eletrificados, o EX5 EM-i alcança potência de 262 cv e torque de 380 Nm combinando o motor a combustão de 1,5 litro com quatro cilindros e dois elétricos. O a gasolina funciona prioritariamente como gerador, mas pode auxiliar o conjunto elétrico para garantir mais eficiência na tração.

Ainda a gasolina e o diretor comercial, Alex Chen, desconversou sobre a chegada da tecnologia flex – mas ela deverá vir junto com a produção local. 

Tecnologia e conforto

Por dentro o EX5 EM-i apresenta o sistema de cockpit inteligente Flyme Auto da Geely, que traz uma experiência com três telas: o painel de instrumentos digital de 10,2 polegadas, a tela central de 15,4 polegadas e o head-up display de 3,8 polegadas. O sistema de voz inteligente atende ao comando Olá Geely e permite acessar diversas funções do veículos sem a intervenção manual.

O SUV ainda tem pacote de segurança generoso, a começar pela arquitetura GEA que isola os componentes do motor a combustão dos sistemas elétricos de alta tensão. Aços especiai reforçam a carroceria e um sistema de segurança protege a bateria, com uma estrutura sanduíche que a isola.

Aliado a isso elementos de Adas garantem auxílio à direção, com destaque para o controle de cruzeiro adaptativo, frenagem automática de emergência, controle inteligente de cruzeiro e assistente de reconhecimento de placas de trânsito.

Posicionamento de mercado

O EX5 EM-i foi posicionado abaixo e acima das duas versões elétricas apresentadas no ano passado, que saem por R$ 205,8 mil e R$ 225,8 mil na Max. Para o PHEV são três as versões: Pro, por R$ 199 mil 990, Max, R$ 219 mil 990, e Ultra, R$ 244 mil 990. A topo de linha traz autonomia maior.

Chen informou que há condições especiais de lançamento e cada uma está R$ 10 mil mais barata. Até quando? Não respondeu.

Complexo Ayrton Senna está pronto para produzir veículos Geely

São Paulo — Foram pouco mais de trinta dias de obras na virada do ano, com a participação de mais de 2 mil pessoas, para o que, segundo afirmou o presidente da Renault Geely do Brasil, Ariel Montenegro, “foi a maior transformação que a fábrica de São José dos Pinhais passou nos últimos quinze anos”.

A unidade, que recebe R$ 3,8 bilhões em investimento, tornou-se a mais flexível dentro do Grupo Renault no mundo, abrigando quatro plataformas diferentes. Novas tecnologias, novos processos, novos robôs, AGVs e atualização na linha de pintura foram promovidos para que dois modelos Geely e dois Renault, por enquanto, sejam produzidos por lá.

Montenegro garante: “Ela está pronta para produzir modelos Geely”.

O primeiro sai no segundo semestre, o EX5 EM-i, versão híbrida plug-in do SUV médio que estreou no Brasil importado da China. As primeiras carrocerias, ainda em ritmo de teste, já foram montadas. E não tem nada de SKD ou CKD, garantiu Montenegro: “Teremos produção completa desde o início”.

As conversas com os fornecedores já começaram, segundo o presidente. Naturalmente os primeiros modelos terão índices de nacionalização reduzidos, mas a ideia é crescer gradativamente.

As concessionárias começarão a ser abastecidas com o EX5 nacional a partir do segundo semestre. Antes, porém, uma atualização de modelo Renault será produzida no complexo. Em 2027 chegam mais um Renault, este eletrificado, e outro Geely, ainda mantidos sob sigilo.

GAC Hyptec HT chega à linha 2027 mais potente e com maior autonomia

São Paulo — O mercado brasileiro passa por fase de transição impulsionada pela entrada agressiva de empresas montadoras com origem na China que operam sob uma lógica de ciclos de produto distinta da tradicional. De forma diversa do período de vida de cinco a sete anos das marcas já estabelecidas, com evoluções de design e desempenho ao longo desse período, o plano de negócios destas new commers trata o automóvel como um dispositivo eletrônico de consumo. O novo GAC Hyptec HT 2027 é o exemplo dessa ruptura: em menos de doze meses desde seu lançamento o SUV passou por forte evolução técnica, saltando de patamar em desempenho e autonomia.

Se por um lado esta dinâmica garante que o brasileiro tenha em mãos a tecnologia de ponta global, por outro força o mercado a lidar com uma obsolescência precoce, gerando um desafio de fidelização para quem comprou as primeiras unidades em 2025.

Salto de desempenho

A diferença da linha 2025/2026 para a 2026/2027 do Hyptec HT indica ganhos expressivos no desempenho do SUV grande. A potência saltou de 180 kW, 245 cv, para 250 kW, 340 cv, representando um aumento de quase 40%. O torque acompanhou esse movimento, subindo de 31,5 kgfm para 43,8 kgfm. Esses números traduzem-se em uma aceleração de 0 a 100 km/h reduzida de 6,8 segundos para 5,8 segundos, colocando o SUV em um patamar de esportividade compatível com veículos de alto luxo europeus.

A evolução também atingiu a capacidade da bateria, que foi ampliada de 72,7 kWh para 83 kWh, o que resultou em um aumento da autonomia no ciclo Inmetro de 362 km para 431 km. O Hyptec HT 2027 utiliza a tecnologia de baterias LFP, fosfato de ferro-lítio, conhecida por sua durabilidade e segurança térmica superior às baterias de níquel-cobalto.

Um dos pontos centrais da nova versão é a capacidade de carregamento ultrarrápido. O sistema suporta até 280 kW em corrente contínua, o que permite recuperar de 30% a 80% da carga em aproximadamente 15 minutos.

Para o carregamento residencial ou em eletropostos de corrente alternada de 6,6 kW o tempo para a mesma faixa de carga é de 6 horas e 40 minutos.

Portas esportivas e espaçoso

Com quase 5 metros de comprimento e distância entreeixos de 2 m 935 o Hyptec HT se posiciona visualmente com suas proporções robustas e elementos de design que variam conforme a versão. A configuração Ultra, por exemplo, mantém as portas traseiras com abertura estilo asa-de-gaivota, um recurso que serve tanto para facilitar o acesso em espaços apertados quanto dar um aspecto futurista ao modelo.

O interior utiliza couro Nappa e um conjunto de ajustes elétricos e pneumáticos nos bancos dianteiros, que incluem funções de ventilação, aquecimento e massagem. No banco traseiro a possibilidade de reclinação do encosto em até 143 graus reforça a proposta de um veículo dedicado ao transporte executivo ou familiar de alto padrão, priorizando o espaço e o isolamento acústico.

Além da boa autonomia para viajar o GAC Hyptec HT oferece três compartimentos para bagagens: o porta-malas com 670 litros e mais um espaço abaixo dele de 80 litros e o dianteiro de 55 litros.

A centralização das funções fica na tela multimídia de 14,6 polegadas, complementada por um painel digital para o motorista de 8,88 polegadas. O sistema de assistência à direção Adas de nível 2 reúne onze funções.

Os preços tiveram um pequeno reajuste: a versão Elite que custava R$ 309 mil 990 foi para R$ 314 mil 990 e a Ultra passou de R$ 358 mil 990 para R$ 369 mil 990.

Plano para atender os clientes

A evolução acelerada da linha 2027 do Hyptec HT impõe à GAC a necessidade de gestão do relacionamento com o cliente diferenciada. A percepção de que o carro comprado há pouco tempo já está defasado em termos de bateria e motorização pode gerar atritos. Da linha anterior, segundo dados ABVE, a GAC vendeu 157 unidades da versão Elite e 57 da Ultra.

Para suavizar este efeito a montadora sinaliza com proposta de troca caso a caso. A ideia é permitir que o proprietário da versão anterior possa migrar para o modelo 2027 mediante o pagamento de uma diferença de preço, que se manteve relativamente pequena nas duas versões.

Esta política é essencial para manter a fidelidade em uma marca que ainda está construindo sua reputação de longo prazo no Brasil. É uma tentativa de transformar a frustração da desvalorização em uma oportunidade de manter o cliente sempre dentro do ecossistema tecnológico da marca.

A rede, hoje, conta com 55 lojas completas e a expectativa é alcançar sessenta unidades no primeiro semestre, além dos chamados pontos de contato em shopping centers, que hoje somam dez. Até o fim deste ano a GAC tem expectativa de estar com 120 concessionárias em operação espalhadas pelo País e encerrar 2027 com duzentas lojas.

Toyota localiza a montagem de baterias do Yaris Cross

São Paulo — A Toyota começou a operar centro técnico dedicado à montagem de baterias para veículos híbridos em sua fábrica de Sorocaba, SP. A unidade será responsável pelo fornecimento dos conjuntos que equipam o novo Toyota Yaris Cross, produzido na unidade.

Com capacidade para cerca de 50 mil baterias/ano a operação foi dimensionada para atender integralmente à demanda do modelo ao longo de 2026, incluindo tanto o mercado brasileiro quanto exportações para Argentina, Equador e Uruguai.

A iniciativa marca a internalização de uma etapa relevante da cadeia de eletrificação no País. Até então este tipo de componente era majoritariamente importado e a produção local reduz a dependência externa e encurta a logística de fornecimento. As baterias montadas em Sorocaba utilizam tecnologia de íon-lítio e, neste primeiro momento, serão destinadas exclusivamente ao Yaris Cross híbrido-flex.

Vendas de associadas da Abeifa crescem 56% puxadas por modelos nacionais

São Paulo — As empresas associadas à Abeifa registraram forte expansão de vendas no primeiro trimestre de 2026, com 43 mil 178 unidades licenciadas. O resultado acumula alta de 55,8% sobre o mesmo período do ano passado, quando foram comercializados 27 mil 719 veículos. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo crescimento recente das vendas mensais.

Em março, foram 18 mil 768 unidades, avanço de 45,9% com relação a fevereiro, 12 mil 866 unidades, e de 84,5% frente a março de 2025, 10 mil 173 unidades.

Apesar do avanço no consolidado das associadas o recorte apenas dos veículos importados mostra um comportamento distinto. Em março os licenciamentos somaram 10 mil 757 unidades, alta de 61,9% sobre fevereiro e de 7% na comparação anual. No acumulado do trimestre, porém, houve retração de 8%, com 25 mil 209 unidades, ante 27 mil 407 no mesmo período de 2025.

O resultado indica que o crescimento das associadas no início do ano está mais concentrado nos modelos produzidos localmente do que nos importados.

Outro destaque é o peso dos eletrificados no portfólio das marcas. Em março foram 17 mil 848 unidades deste tipo, o equivalente a 95% dos licenciamentos da entidade e a 44,7% do total de veículos eletrificados vendidos no País no mês, que somou 39 mil 956 unidades.

Em termos de participação de mercado as associadas da Abeifa responderam por 7,3% das vendas de automóveis e comerciais leves em março, em um mercado total de 258 mil 142 unidades. No acumulado do trimestre a fatia ficou em 7,2%.

Importações e juros pressionam setor de máquinas, que projeta queda

São Paulo — A Anfavea projeta queda de 5,6% nas vendas internas de máquinas agrícolas e rodoviárias em 2026, para 82 mil unidades, e retração de 11,2% nas exportações, que devem recuar de 23,4 mil para 20,8 mil unidades. O cenário negativo reflete o enfraquecimento já observado em 2025 e no primeiro trimestre deste ano.

O segmento de máquinas rodoviárias encerrou 2025 praticamente estável, com 37 mil unidades vendidas. O volume é semelhante ao de 2024 e ligeiramente abaixo do pico de 2022. Na opinião do presidente da entidade, Igor Calvet, o resultado reflete uma desaceleração após anos de crescimento.

“Nós vimos um crescimento de 2016 até 2022, uma demanda reprimida no pós-pandemia, depois tivemos queda e agora estabilidade.”

A construção civil perdeu força com o crédito mais caro. Ainda assim o setor foi sustentado por construção e locação, que juntos responderam por mais de 50% das vendas, enquanto a mineração ajudou a conter uma queda maior.

O impacto dos juros aparece também no financiamento: mais de 30% das compras foram feitas com capital próprio, pois “os juros elevados têm inibido o acesso às linhas de financiamento”.

Nas atividades de comércio exterior as exportações cresceram 17,8%, chegando a 17,1 mil unidades. Já as importações avançaram quase 10% e ultrapassaram 21 mil unidades, ampliando a pressão sobre a indústria local: “Estamos pressionados sobretudo com o avanço de máquinas importadas da China e da Índia”.

No segmento agrícola cenário está mais negativo. As vendas internas recuaram 3,6% em 2025, para 49,8 mil unidades, cerca de 10 mil a menos do que em 2021. O principal impacto veio das colheitadeiras, que caíram 22%, de 4,3 mil para 3,3 mil unidades — “As máquinas agrícolas já acumulam quatro anos consecutivos de queda nas vendas”.

A retração ocorre apesar de safras recordes, indicando perda de rentabilidade do produtor. Custos elevados, juros altos e queda nos preços das commodities limitaram os investimentos.

Nos tratores apenas os modelos de baixa potência cresceram, impulsionados por programas como o Pronaf, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, enquanto máquinas de maior porte recuaram.

No caso de tratores as exportações cresceram 2,4% e as importações avançaram 17%, atingindo 11 mil unidades — movimento que levou o segmento a déficit na balança comercial.

Primeiro Trimestre

No início de 2026 o mercado de máquinas rodoviárias mostrou estabilidade, com alta de 1,5% nas vendas, de 8,8 mil para 8,9 mil unidades. Já o comércio exterior deteriorou: exportações cresceram 1,4%, de 4 mil para 4,1 mil unidades. As importações subiram 17%, de 5 mil para 5,8 mil unidades. O déficit comercial aumentou de 1 mil para 1,7 mil unidades.

A entidade destacou mudanças por mercado, com atenção para Estados Unidos e Argentina nas exportações, e para China e Índia nas importações.

O segmento agrícola teve desempenho mais negativo no trimestre. As vendas caíram 13,1%, de 11,3 mil para 9,8 mil unidades. No comércio exterior o padrão se repetiu com mais intensidade: exportações cresceram 5,7%, de 1,26 mil para 1,33 mil unidades, e as importações saltaram 48,4%, de 2,26 mil para 3,35 mil unidades.

Projeções

A projeção de queda para 2026 é sustentada por fatores estruturais e conjunturais. Dentre eles a perda de competitividade da indústria brasileira. Estudo da entidade mostra que o País é até 27% menos competitivo do que a China e cerca de 20% com relação à Índia em alguns produtos “e isto nos traz uma agenda de País porque esses fatores estão fora das empresas”.

Além disto o cenário internacional adiciona incertezas. Conflitos geopolíticos elevam custos de energia e fertilizantes pressionando margens do agro. O efeito combinado destes fatores, somado ao histórico recente de queda nas máquinas agrícolas e estabilidade nas rodoviárias, justifica a revisão para baixo.

“Este cenário é resultado do acumulado de vários anos de pressões.”

Com reciclagem de baterias, Tupy mira o mercado de minerais

São Paulo – Gigante global em fundição a Tupy está redesenhando seu papel na indústria automotiva. Seu novo alvo é a reciclagem de baterias: sob o comando de André Ferrarese, seu diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, a companhia deixa de ser apenas uma fornecedora de componentes físicos para tornar-se peça-chave na gestão de minerais críticos. 

O movimento faz parte de plano de negócios de diversificação iniciada com a aquisição da MWM em 2022 e que agora avança para a economia circular, a fim de capturar o valor contido no descarte de veículos elétricos.

Atualmente a maior parte da reciclagem no Brasil limita-se à etapa mecânica, exportando a chamada black mass por cerca de US$ 500 a tonelada. A Tupy, por meio da hidrometalurgia e da purificação desenvolvidas em parceria com o IPT e a US busca o beneficiamento final desses minerais – lítio, níquel, cobalto, manganês e grafite – cujos valores podem saltar para US$ 3,5 mil a tonelada.

Luciana Gobo com o cobalto, rosa, e o níquel, verde. Fotos: Lucia Camargo Nunes.

Além do salto financeiro a operação oferece um diferencial ambiental importante: minerais reciclados possuem uma pegada de carbono 70% menor do que os extraídos de mineração virgem. Embora hoje sejam comercializados por preços similares a tendência é que a precificação de carbono crie um prêmio para o material reciclado, antecipando regulamentações como o Passaporte da Bateria europeu.

No Brasil o projeto é impulsionado por subvenções da Finep e gera créditos para o programa Mover.

Nova avenida de crescimento

Para Ferrarese o investimento é uma resposta à nova estrutura de custos da mobilidade: “A bateria é o elo principal da eletrificação. Ela agrega peso e valor significativos ao veículo. A Tupy está incubando uma nova área de negócio que já avançou na montagem de motores e agora se volta para o ciclo dos minerais críticos”.

Manganês, preto, e lítio, branco. Fotos: Lucia Camargo Nunes,

A meta é que, até o fim de 2028, a companhia tenha plantas industriais operacionais. A operação técnica é liderada por Luciana Gobo, especialista de projetos e doutora em química. O foco é superar a dependência externa, especialmente da China, transformando o laboratório em uma unidade fabril de alta escala: “Nosso objetivo é que os minerais voltem para a bateria com pureza grau bateria de 99,9%”.

O projeto está em fase de escalonamento. A planta piloto atual processa 400 toneladas de baterias/ano, mas a futura unidade comercial deverá atingir 10 mil toneladas/ano: “Estamos testando os limites do processo e a rastreabilidade dos dados para entregar, em 2028, uma proposta de planta pronta para ser implementada”.