São Paulo – Após um ano de estabilidade, com cerca de 40 mil veículos vendidos no País, o mercado de carros premium deverá voltar a crescer em 2025, segundo Marcelo Godoy, presidente da Volvo Cars. Em entrevista exclusiva à Agência AutoData, o executivo projetou crescimento de 5% a 7% nas vendas do segmento, puxado por lançamentos importantes previstos por diversas marcas, ainda que a desvalorização cambial e a alta nos juros joguem contra.
No caso da Volvo dois lançamentos importantes deverão fazer suas vendas crescerem acima da média, calculou Godoy: o novo XC90 e o EX90. Ambos chegarão ao mercado brasileiro no primeiro trimestre, o primeiro com grandes mudanças, tanto externas quanto internas, e o segundo fará sua estreia. “O EX90 é um computador sobre rodas, cheio de tecnologia e o único elétrico premium de sete lugares do seu segmento”.
Outro modelo sobre o qual a Volvo deposita grande expectativa é o EX30, que posicionou a marca em uma nova fatia de mercado, abaixo dos R$ 300 mil, e terá o seu primeiro ano cheio de vendas. O executivo reconheceu que em 2024 o desempenho dele ficou abaixo do esperado, ainda que tenha sido bom, superando as vendas na China em alguns meses:
“Com o EX30 estamos negociando as vendas, em muitos casos, para um novo perfil de cliente, que é mais racional e demora mais tempo para fechar a compra. Eles visitam a concessionária mais de uma vez e realizam dois ou três test-drives até optarem por levar seu modelo para casa”.
Caso a projeção seja atingida a Volvo conseguirá manter a vice-liderança do segmento premium, atrás apenas da BMW, que mantém produção local no Brasil, diante de um cenário complicado para 2025, com juros altos e tendência de subir ainda mais e a desvalorização do real perante ao dólar. Godoy confia que o País tem fôlego para reverter os dois cenários ao longo do ano.
Outro debate importante que está no radar da Volvo Cars é a antecipação do retorno dos 35% de imposto de importação, previsto para retornar apenas em 2026 mas que tem pleito de reintegração imediata da tarifa por parte da Anfavea:
“Eu não acredito que aconteça no ano que vem, mas temos que estar sempre atentos, com o radar ligado e participando das discussões via Abeifa. O vice-presidente [da República, Geraldo] Alckmin já falou em algumas entrevistas que o Brasil precisa manter a estabilidade nos acordos. As regras desse jogo foram definidas há dois anos, embora a Anfavea defenda o retorno imeditado”.
Para o fechamento de 2024 a Volvo projeta vender de 8 mil a 8,2 mil unidades, volume estável na comparação com 2023, com o XC60, que é líder do seu segmento, representando cerca de 50% das vendas. Godoy disse que o ano poderia ter sido melhor mas ainda assim o resultado agradou a matriz, que vê com bons olhos os negócios no Brasil, uma vez que a empresa é vice-líder do segmento premium e possui 20% de participação:
“Foi um ano de grandes mudanças para a operação da Volvo no Brasil também, com uma nova diretoria e o meu primeiro ano na presidência, que trouxe grandes aprendizados”.