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O difícil ano novo de Haddad e Tebet

Veículos são incluídos na lista de itens do Imposto Seletivo e Congresso desidrata o pacote fiscal do governo. Mais um capítulo da história de um Brasil que parece, vez ou outra, agir contra os seus próprios interesses
Brasília (DF) 30/10/2024 A ministra de Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, conversa com o ministro da fazenda, Fernando Haddad, participam de evento sobre indústria, mobilidade verde e cidades sustentáveis no Palácio do Planalto. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Aprovada pela Câmara dos Deputados na noite da terça-feira, 17, a regulamentação da reforma tributária sobre o consumo trouxe profundas frustrações para a indústria automotiva. Como jornalista especializado em economia e na análise da evolução da indústria brasileira é difícil, para mim, compreender como o setor automotivo – cuja cadeia produtiva e comercial emprega mais de um milhão de brasileiros – foi enquadrado na categoria de imposto do pecado enquanto a indústria de armas e munições foi considerada essencial e isenta desta sobretaxa.

A inclusão dos veículos na lista de itens sujeitos ao IS, imposto seletivo, demonstra uma contradição. A Anfavea alertou que esta medida poderá encarecer produtos, prejudicar a geração de empregos e travar o mercado interno. Veículos novos são menos poluentes, atendem às mais rigorosas normas de emissões e contribuem para a descarbonização, promovendo a renovação da frota e reduzindo a emissão de CO2.

Mas, ainda assim, a categoria foi mantida no texto aprovado pela Câmara. Bebidas adoçadas, temporariamente retiradas da lista pelo Senado, acabaram sendo reincorporadas após a votação. Em contrapartida armas e munições seguem isentas. Qual é a lógica por trás dessa decisão? Em que país se coloca um automóvel, que é vital para a mobilidade e o trabalho de milhões de cidadãos, na mesma categoria de produtos considerados pecaminosos como revólveres, fuzis e metralhadoras?

A complexidade não para por aí. De acordo com o que foi publicado na Agência AutoData a regulamentação do IS para os veículos será baseada em critérios como potência, densidade tecnológica, etapas de fabricação no Brasil e categoria do veículo, provavelmente tomará como base o IPI Verde, criado junto ao programa Mover. Além disso a alíquota do IS será complementar à tarifa-base do IVA, que já é um imposto complexo e desafiador de implementar. Segundo o relator do texto da Câmara a alíquota poderá chegar a impressionantes 27,84%, a maior do planeta.

Enquanto isso, em outro movimento realizado na quarta-feira, 18, mais uma vez na Câmara dos Deputados causou surpresa: a desidratação da proposta de redução de gastos apresentada pelo governo para 2025. Em um momento em que o Brasil enfrenta alta do dólar e pressões inflacionárias colocar em risco o ajuste fiscal parece ser um tiro no próprio pé. Qual foi o objetivo desta decisão? Qual é o plano por trás de fragilizar ainda mais a economia em um período de tanta instabilidade?

Por fim não podemos ignorar as fakes news que têm circulado nos últimos dias, especulando sobre cenários econômicos e contribuindo para a instabilidade do câmbio. Quem se beneficia com a disseminação de desinformação? Essas ações, somadas às dificuldades na gestão fiscal e tributária, agravam ainda mais um quadro desafiador para o governo, especialmente para os ministros Fernando Haddad e Simone Tebet.

Com a economia sob risco e o futuro da indústria ameaçado, o ano novo da equipe econômica não promete ser fácil. Aí está mais um capítulo da história de um Brasil que parece, vez ou outra, agir contra os seus próprios interesses.

castertech

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