São Paulo — A Foton Motor apresentou sua nova linha de veículos comerciais leves elétricos disponível para o mercado brasileiro. É formada por sete modelos dedicados a operações urbanas de logística e transporte: o caminhãozinho eWonder, as vans eView Connect, eView Grand e eToano Pro e os caminhões leves Aumark nas versões de 6, 9 e 12 toneladas.
O lançamento marca um movimento da Foton para ampliar presença no segmento de eletrificação no transporte comercial, que ainda é incipiente no Brasil, mas começa a ganhar espaço em operações de última milha e frotas corporativas. Em entrevista exclusiva à Agência AutoData Mauricio Santana, diretor nacional de vendas e pós-vendas da Foton Motor no Brasil, afirmou que a estratégia inicial da companhia será focada em entender a operação de cada cliente antes de oferecer os veículos.
“A gente mapeou todas as empresas que hoje já utilizam veículos elétricos e visitamos essas companhias para entender a demanda delas. Agora retornaremos com a oferta dos novos produtos.”
De acordo com o executivo a abordagem da marca será baseada em consultoria direta aos clientes, avaliando como os veículos podem se encaixar nas operações logísticas: “O projeto vai muito no corpo a corpo, entendendo a necessidade do cliente. Não é só vender o veículo: levamos um pacote de solução que inclui também a parte de eletrificação com parceiros”.
Frotistas e pequenos operadores
A empresa pretende atender perfis variados de clientes, desde pequenos empresários até grandes operadores logísticos e frotistas. Para o atendimento ao pequeno cliente regional a rede de concessionárias terá papel central: “Neste momento quem atenderá o pequeno empresário são as concessionárias, com consultores de campo que levantarão as necessidades e avaliarão se o nosso produto se encaixa melhor na operação”.
Já no caso de grandes frotistas e operadores logísticos a abordagem será feita diretamente pela equipe da montadora, muitas vezes em conjunto com as revendas.
Custo total como argumento
Santana afirmou que o principal argumento comercial da linha elétrica será o custo total de operação, TCO, que pode compensar o investimento inicial mais alto dos veículos elétricos: “Quando mostramos o benefício para o cliente ele percebe que além de demonstrar sustentabilidade o negócio se paga em menos tempo de utilização”.
Outro ponto destacado pelo executivo é a estrutura de atendimento da empresa no País: “Não somos um importador que apenas entrega o produto pois temos rede com cobertura nacional, treinamento padronizado e assistência 24 horas”.
Expectativa inicial de vendas
A expectativa da empresa é encerrar o primeiro ano com cerca de seiscentas unidades vendidas, principalmente de vans elétricas. Este volume, segundo Santana, já seria significativo para o tamanho atual deste segmento no Brasil: “A gente acredita que os primeiros clientes se tornarão advogados do produto. Isso tende a gerar uma expansão muito rápida no mercado”.
Segundo ele, hoje, o mercado brasileiro de vans elétricas é altamente concentrado, com praticamente um único comprador responsável pela maior parte das vendas — “Mas quando você chega com uma gama grande de produtos e com rede nacional de cobertura abre espaço para novos clientes e para uma expansão do segmento”.
Produção no Brasil
A empresa também avalia, no médio prazo, a possibilidade de produzir veículos elétricos no Brasil, caso a demanda cresça. Santana destacou que a decisão dependerá da escala de mercado e afirmou que a estrutura global da empresa permite responder rapidamente: “Se houver demanda e o negócio fizer sentido a produção local pode vir a ser realidade. A tomada de decisão e a implementação são muito rápidas.”
Ele acrescentou que a nacionalização de componentes já ocorre na linha diesel da companhia e que o mesmo movimento poderá ocorrer com os elétricos caso a produção seja confirmada no País.