São Paulo — A Hyundai iniciou a operação de caminhões pesados movidos a hidrogênio na América do Sul com oito unidades do XCient Fuel Cell no Uruguai. É a primeira aplicação comercial deste tipo na região, dedicada ao transporte de cargas em escala real. O modelo é equipado com sistema de célula de combustível de 180 kW e motor elétrico de 350 kW/469 cv, com autonomia de até 720 quilômetros.
Ele pode operar com PBTC de até 37,2 toneladas, dirigido a aplicações de longa distância sem emissões pelo escapamento.
A operação prevê uma frota principal de seis caminhões, com dois veículos de reserva. Juntos devem rodar perto de 1 milhão de quilômetros por ano. O início pleno das atividades está previsto para novembro de 2026, quando também entra em funcionamento a estrutura de produção de hidrogênio.
Projeto Kahirós
Esses veículos são integrados ao Projeto Kahirós, iniciativa local que busca descarbonizar a logística de madeira por meio do uso de hidrogênio verde. O programa reúne empresas uruguaias e conta com investimento de cerca de US$ 40 milhões, além de apoio de instituições internacionais.
O projeto inclui um parque solar de 4,8 MW e uma planta de eletrólise com capacidade para produzir 77 toneladas de hidrogênio verde por ano, garantindo abastecimento local para os caminhões.
São Paulo — A Toyota confirmou a chegada da nova geração do RAV4 ao Brasil e iniciou campanha de pré-lançamento para medir a demanda. O modelo será apresentado oficialmente em abril, mas clientes já podem se cadastrar para garantir prioridade na fila de compra.
O SUV, um dos mais vendidos globalmente, desembarca em duas versões: a configuração de entrada S mantém características já consolidadas do modelo, como eficiência na condução e bom aproveitamento interno, combinando espaço e funcionalidade com pacote de tecnologias voltadas ao uso cotidiano. Já a versão SX eleva o nível de sofisticação, com acabamento mais refinado e adoção de sistemas avançados de assistência à condução, além de recursos tecnológicos adicionais que reforçam o posicionamento do utilitário em uma faixa mais alta do mercado.
Pormenores técnicos e preços ainda não foram divulgados e devem ser apresentados no lançamento oficial, nas próximas semanas.
São Paulo — A eletrificação competitiva é o alvo das fabricantes e importadoras de veículos instaladas no Brasil. O flagra do Nissan NX8 pela reportagem da Agência AutoData em testes nas ruas de São Paulo indica que a resposta da companhia não será apenas defensiva, mas uma ofensiva tecnológica, caso opte por incluir o SUV em seu portfólio local no futuro.
O NX8 simboliza uma nova fase da joint venture Dongfeng Nissan. Desenvolvido para ser um competidor global o SUV médio-grande chega para preencher uma lacuna importante no portfólio da marca após o Leaf, oferecendo um produto de maior valor agregado para desafiar os novos players que dominam o segmento.
O grande diferencial do modelo reside na arquitetura elétrica de 800 volts com tecnologia 5C. Para o consumidor o benefício direto é o ganho de tempo: em carregadores ultra-potentes o SUV recupera 300 quilômetros de autonomia em 5 minutos. Este patamar tecnológico o coloca em vantagem direta frente à maioria dos concorrentes atuais e o aproxima de modelos premium europeus, porém com uma estratégia de mercado mais agressiva.
Sobre a plataforma Tianyan o Nissan NX8 oferece duas variantes: a primeira é 100% elétrica, com potência de 340 cv. A segunda conta com um extensor de alcance EREV, equipada com um motor 1.5 turbo que atua exclusivamente como gerador de energia para as baterias. Essa tecnologia é particularmente eficiente para mercados de dimensões continentais como o Brasil, onde a infraestrutura de recarga ainda está em expansão. No modo combinado a autonomia supera os 1 mil quilômetros.
Dentro da hierarquia da Nissan o NX8 assume o posto de topo de linha. Com 4m87 de comprimento e entre-eixos de 2m91 o modelo tenta equilibrar a reconhecida confiabilidade da marca com a ousadia tecnológica que o novo perfil de consumidor exige.
A eventual chegada do SUV também serviria para testar a força da rede de concessionárias da Nissan, um ativo consolidado que as marcas entrantes ainda tentam construir. O diferencial aqui é a percepção de segurança: o comprador brasileiro demonstra interesse pelas novidades tecnológicas mas ainda prioriza a solidez de marcas com histórico estabelecido de pós-venda e revenda.
O NX8 faz parte do plano global The Arc da Nissan, que prevê trinta novos lançamentos até março de 2027. Para a operação brasileira o modelo funcionaria como um catalisador de imagem, abrindo caminho para futuras tecnologias e posicionando a Nissan como uma empresa de mobilidade, além da fabricação tradicional.
Ao trazer o NX8, prestes a estrear na China, para calibração e testes de rodagem no Brasil a Nissan confirma que o mercado local é peça-chave em sua estratégia financeira. O sucesso do modelo dependerá agora de como a montadora conseguirá equilibrar o posicionamento de preço diante das oscilações cambiais e dos incentivos para veículos eletrificados.
Se os números de recarga e autonomia se provarem eficientes no asfalto brasileiro o NX8 representará uma nova era para a Nissan no País.
São Paulo – A Tecnobank se autointitula um vagão que faz a ponte das instituições financeiras com os Detran no sistema de crédito automotivo. Criada em 2007 com o objetivo de desburocratizar o processo de financiamento e registro de veículos, que à época era manual e envolvia o périplo de ir pessoalmente ao Detran e reconhecer firma em cartório, a empresa de tecnologia só começou a operar, na prática, em 2014, quando o Estado da Paraíba iniciou o averbamento eletrônico de contratos e, em 2016, em que a Senatran, Secretaria Nacional de Trânsito, determinou a quebra do monopólio no processo de cadastro dos carros.
De acordo com Isaac Ferreira, diretor de produtos da Tecnobank, ao Agência AD Entrevista, “a compra de um veículo, que envolvia dar entrada no financiamento e realizar o registro no Detran, durava em torno de 35 dias. Hoje as transações nos estados que já têm seus sistemas integrados ocorrem em apenas seis segundos”.
A empresa é sediada em São Paulo e emprega 110 funcionários. Existem 44 destas companhias no mercado, do qual a Tecnobank diz ter fatia de 45%. Por enquanto este modelo de credenciamento é liberado em vinte de 27 estados.
“Acreditamos que, com o avanço em outros estados e também com a adesão progressiva ao Marco Legal das Garantias, será possível triplicar a quantidade de recursos da carteira de crédito, que somou, em todo o País, R$ 544,4 bilhões em 2025.”
Isto porque o prazo de retomada do bem, que no processo judicial demora 180 dias, no extrajudicial é de 22 dias corridos. Leia mais na entrevista abaixo.
Como a Tecnobank opera no mercado de crédito automotivo para facilitar o registro de veículos?
Somos um empresa de infraestrutura tecnológica e regulatória para crédito veicular, com operação direta junto a instituições financeiras e aos Detran, que visa a desburocratizar processos que, anteriormente, exigiam do comprador do veículo que fosse ao cartório, reconhecesse firma do contrato e que depois fosse entregá-lo assinado ao Detran. Naquele período o volume de veículos era menor, no financiamento não havia sistemas nem integrações, era tudo manual. Até que foi sancionado o Código Civil Brasileiro, em 2002, e com ele a necessidade de automatizar este processo. Foi quando nasceu o registro eletrônico de contrato. Ele, porém, era realizado por uma só empresa. Apenas em 2014 o primeiro Estado abriu o mercado para que fossem criadas concorrências, a Paraíba. Com isto até o preço foi impactado e reduzido em até 70%. Em 2016 a Senatran determinou a quebra do monopólio no País, mas este é um processo em curso.
Em quanto tempo foi reduzido o processo?
Antes demorava em torno de 35 dias para o cidadão assinar um contrato, obter o financiamento, pegar o documento e poder levar o carro. Hoje tudo é feito em 6 segundos, ou até em menos tempo.
Quantas empresas operam neste segmento hoje? Qual é a fatia de mercado da Tecnobank?
Atualmente existem 44 empresas concorrentes, mas detemos fatia de 45% deste mercado. Nem todos os estados, porém, já aderiram à automatização deste processo.
Em quais estados o credenciamento é feito hoje, e em quais estão presentes?
Hoje estamos em vinte dos 27 estados, todos em que há o credenciamento. Em cada um deles há uma portaria específica que regula todo o setor e cada um deles tem, no mínimo, dez empresas credenciadas. Mas o volume de veículos é muito grande. Se em 1999 falávamos em 350 mil veículos por ano em 2025 foram financiadas 7,3 milhões de unidades novas e usadas. Isto considerando que apenas 30% dos veículos comercializados, em média, são por meio de crédito. O restante, é à vista. Ou seja: o potencial deste mercado é enorme.
O papel de suas empresas, então, é dar celeridade a este processo? Quantos clientes têm hoje?
Usamos a expressão de que somos uma força invisível, fazemos o meio de campo. Nossos clientes são as instituições financeiras e nosso papel é dar celeridade à obtenção do financiamento e ao registro do veículo. O banco precisa, primeiro, incluir o gravame do veículo para garantir que ele só será financiado por meio dela, o que é realizado com a B3. Quando ela faz este apontamento um pedido de transação chega para nós, e nos comunicamos com os bancos, o que pode ser feito por mais de dez canais, à escolha dele. Nosso sistema identifica quais são os campos obrigatórios, de acordo com cada Estado, valida o documento e, se algum deles não estiver preenchido prontamente avisamos o cliente. Somente quando tudo está ôuquei entregamos ao Detran. Hoje temos aproximadamente 350 bancos em nossa carteira.
E qual o potencial de clientes neste mercado?
A maioria das instituições financeiras são nossas clientes. O potencial varia de acordo com o Estado e com o crescimento do mercado de crédito, o que é fomentado a partir de taxa de juros menor. Na verdade nós somos um vagão. Se o mercado financeiro liberar mais crédito maior é o número de financiamentos. E, à medida que entram mais estados, o volume cresce. Hoje, onde estamos presentes equivale a 85% do mercado, então temos a capacidade de entrar em mais 15%, mas alguns deles ainda têm concessões de até trinta anos com uma empresa de tecnologia, e o processo só pode ser modificado quando o prazo acabar. Hoje os estados que ainda não estão com esse modelo 100% implementado são Alagoas, Amazonas, Ceará, Goiás, Pará, Rondônia e Sergipe. Em alguns deles ainda demora de três a quatro dias para concluir o processo.
Além da redução dos juros e da adesão de outros estados o que é considerado crucial para que o negócio deslanche?
Em dezembro de 2024 o Contran estabelceu um divisor de águas ao determinar que este modelo de credenciamento para o registro de contrato seja obrigatório. Foi quando saímos de onze para vinte estados. Avançamos não só em volume de transações mas, também, em estrutura interna. Continuamos melhorando a tecnologia, o que vem sendo feito sistematicamente desde 2018, com as entradas das ISOs 27001, 27701 e das ISOs de compliance em nossos processos, o que nos deu mais relevância neste mercado. Todos os anos investimos mais de R$ 6 milhões em infraestrutura tecnológica.
Qual é a perspectiva para este ano?
Este é um ano com eleição, Copa do Mundo e muitos feriados. Quanto menos dias úteis menos veículos vendidos. Este é um ponto. O segundo é a expectativa em torno da redução da taxa Selic para a próxima reunião, ainda que na ponta seu efeito demore um pouco a aparecer e embora para o consumidor o que importa, de fato, é se a parcela cabe em seu bolso. O terceiro gira em torno da redução da inadimplência do consumidor, que já baixou de 7,6% para 5,5%, e precisa seguir baixando para que os bancos elevem a oferta de crédito. Isto tudo implicará o porcentual de veículos vendidos a prazo, as variáveis são tantas que este é um ano que nos deixa bastante ponderados com relação à expectativa de crescimento. Devemos manter uma neutralidade com relação aos últimos.
É possível traçar uma perspectiva para os próximos anos?Que impacto é esperado pelo Marco das Garantias?
Temos uma expectativa importante com relação ao impacto que a retomada extrajudicial do bem trará na oferta de crédito automotivo. Em setembro de 2023 foi publicada a lei 14 711 do Marco das Garantias, que, embora por enquanto funcione em apenas dois estados, São Paulo e Mato Grosso do Sul, ou seja, faltam outros 25, temos exemplos de onde isto funciona muito bem. Nos Estados Unidos houve um salto de 34% para 85% dos total de veículos financiados por causa da garantia da recuperação extrajudicial, o que trouxe maior segurança às instituições. Significa que, se hoje financiamos 30% das vendas no Brasil, podemos triplicar este porcentual. Ou seja: a carteira de R$ 544,4 bilhões em 2025 pode passar de R$ 1,5 trilhão.
Como a Tecnobank está se preparando para este potencial crescimento?
Criamos uma nova infraestrutura de mercado para atender ao Marco das Garantias, em que o banco usa nosso sistema para ter, de forma legal, todo o processo de ponta a ponta da recuperação e retomada do bem. Então, pela lei 14 711, ele precisa fornecer contrato e planilha de débitos. A partir disto passamos por processo de validação, integramos a informação ao Detran, enviamos ao Estado em que ele está registrado e, diante do sinal verde, nossa plataforma faz a comunicação ao comprador, com a notificação extrajudicial por meio de canais eletrônicos, e-mail, WhatsApp e SMS. Ao receber o comunicado ele pode entrar em contato diretamente com o banco e renegociar. Caso ele não opte por isto em vinte dias o Detran emite a certidão de busca e apreensão, nos fornece este arquivo e passamos à instituição que, por sua vez, executa a apreensão. Não precisa fazê-la por meio de oficial de Justiça, pode ser por meio de equipe terceirizada. Isto leva em média 22 dias corridos, enquanto que, no processo judicial, no Brasil, há uma média de 180 dias.
São Paulo — O México consolidou posição como um dos principais mercados da Luminator nas Américas, impulsionando as exportações da operação brasileira que produz sistemas de informação para passageiros. Segundo a empresa o País já responde por uma parcela relevante dos embarques e, ao lado do Chile, concentra mais de 70% das vendas externas da companhia na região.
Em entrevista à Agência AutoData Márcio de Oliveira, coordenador comercial da Luminator no Brasil, apontou que o mercado mexicano vem se destacando principalmente pelo movimento de renovação de frotas e pelo avanço de projetos ligados à eletromobilidade: “Hoje o México e o Chile são os nossos principais destinos de exportação. O mercado mexicano tem avançado muito na busca por sustentabilidade e modernização do transporte público”.
A empresa estima que já detenha cerca de 25% de participação no fornecimento de sistemas de informação para ônibus no México, incluindo equipamentos como letreiros eletrônicos e sistemas de informação ao passageiro. Clientes são montadoras e operadores de transporte urbano e rodoviário.
No mercado mexicano a presença da empresa é mais forte em soluções ligadas à informação ao passageiro. Dentre elas estão os letreiros eletrônicos de itinerário instalados nas partes frontal, lateral e interna dos ônibus e o sistema conhecido como Próxima Parada. A tecnologia utiliza telas TFT integradas à geolocalização do veículo para informar, de forma visual e sonora, qual será o próximo ponto do trajeto.
Segundo Oliveira a companhia também vê espaço para ampliar sua atuação no país com novos produtos. Um dos focos é o sistema multiplex, uma unidade de controle que centraliza diversas funções do veículo, como abertura de portas, acionamento do ar-condicionado e iluminação. A solução também permite identificar falhas técnicas por meio de autodiagnóstico, o que reduz o tempo de parada dos ônibus para manutenção.
“O multiplex reúne vários controles em uma única unidade e facilita a operação para o motorista e para as equipes de manutenção. Ele também reduz a quantidade de cabeamento no veículo e permite identificar rapidamente eventuais falhas.”
A tecnologia já está em operação no Brasil, onde mais de 4 mil unidades foram vendidas para encarroçadoras e operadores de transporte. O plano da empresa, agora, é replicar o modelo no México, onde o produto ainda está em fase de introdução.
Segundo a Luminator outro diferencial é o avanço da conectividade nos sistemas embarcados. Com a integração via Wi-Fi, por exemplo, os itinerários eletrônicos podem ser atualizados automaticamente quando o ônibus chega à garagem, sem necessidade de intervenção manual em cada veículo.
Todos os equipamentos destinados ao mercado mexicano são desenvolvidos e produzidos na fábrica de Caxias do Sul, RS, que também funciona como centro de desenvolvimento tecnológico da operação brasileira. A partir dali a companhia exporta para diversos países da América Latina e também para alguns mercados africanos.
Segundo Oliveira o crescimento das exportações brasileiras para o México também contribui para ampliar a presença da empresa no país: “Muitos fabricantes e operadores já trabalham há anos com nossos produtos no Brasil e acabam mantendo esta parceria quando atuam no mercado mexicano”.
A empresa acredita que a modernização dos sistemas de transporte público nas grandes cidades mexicanas deve abrir novas oportunidades para tecnologias de informação ao passageiro e gestão de frotas, especialmente em um contexto de maior digitalização e conectividade dos veículos.
Nesse cenário soluções como telas informativas, sistemas de anúncio automático de paradas e ferramentas de monitoramento da operação devem ganhar espaço: “Os operadores estão cada vez mais buscando tecnologias que tragam eficiência operacional e melhorem a experiência do passageiro”.
São Paulo – O entusiasmo visto nas compras de pesados por locadoras em 2024 não teve continuidade em 2025, o que pode ser justificado pelas dificuldades econômicas e pela escalada da taxa básica de juros, a Selic. As aquisições de caminhões reduziram 8,6%, de 13,4 mil veículos em 2024 para 12,2 mil unidades no ano passado. No mesmo período as aquisições de ônibus recuaram 11%, de 2,7 mil para 2,4 mil unidades. Foi o que apontou balanço da Abla, Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis, divulgado na quarta-feira, 18.
Na análise do vice-presidente da Abla, Paulo Miguel Júnior, como se tratam de veículos de maior valor agregado a restrição à oferta de crédito e o custo do financiamento geram impacto direto. E como são veículos de prazo estendido de vida útil não têm giro de curto prazo.
“O mercado de caminhões está andando de lado. Os negócios de grandes logísticas não cresceram em 2025, e como boa parte dos veículos disponíveis para locação são contratados por este setor e também pelo de construção o setor foi impactado.”
O mesmo se aplica aos ônibus e micro-ônibus: “Normalmente quem demanda este aluguel são empresas que transportam seus funcionários”.
Quanto às projeções de emplacamentos de pesados para 2026 o presidente da Abla, Marco Aurélio Nazaré, optou por não arriscar um número por ora. Principalmente por causa de fatores adicionais de instabilidade, como a guerra no Oriente Médio e o reflexo nos preços dos combustíveis – o que impacta a inflação e, consequentemente, pode refletir no ritmo de redução da Selic.
“Estamos tentando entender qual será o ritmo de produção desta indústria, o que enxergam para o futuro. Além disso temos a ameaça de greve dos caminhoneiros. Não há qualquer condição de fazer projeção neste momento.”
Apesar da redução nas compras por parte das locadoras a frota de caminhões locados cresceu 10,5% no ano passado, de 50,9 mil para 56,2 mil unidades, e a de ônibus e micro-ônibus expandiu 20,7%, de 8,8 mil para 10,6 mil.
Abla começa a divulgar dados de implementos rodoviários
A partir deste ano a Abla anunciou que os emplacamentos de reboques e semirreboques serão publicados em seu anuário. Apesar de despencar 45,5%, de 4,5 mil unidades em 2024 para 2,4 mil em 2025, e de a frota encolher 6,4%, de 22,3 mil para 20,9 mil unidades, Miguel Jr. considera que o segmento está quebrando barreiras:
“Muitos dos transportadores achavam que seu negócio era o ativo caminhão e o implemento rodoviário mas, na conjuntura atual, eles começam a perceber que seu negócio é, na verdade, a logística. E esta mudança veio para ficar”.
São Paulo — A Volkswagen Caminhões e Ônibus ampliou a linha Constellation com duas novas versões rígidas para o transporte rodoviário: os modelos 25.380 6×2 e 25.380 8×2. Os veículos foram desenvolvidos em parceria com o BMB Mode Center, centro de customizações da marca, com foco em aplicações de longa distância e configurações de maior capacidade de carga. Os novos modelos chegam ao mercado com peso bruto total técnico de 26,6 toneladas na versão 6×2 e de 32,2 toneladas no 8×2.
O caminhão 6×2 já sai de fábrica com travessa de reboque, permitindo operar em composições do tipo Romeu e Julieta, com capacidade para até 56 toneladas.
A motorização recebeu incremento de 15% no torque com relação às gerações anteriores e trabalha em conjunto com a transmissão automatizada V-Tronic de 12 velocidades. O conjunto busca melhorar o desempenho em aplicações rodoviárias e otimizar consumo e segurança operacional.
Outra mudança é o sistema de direção, que passa a utilizar tecnologia adotada na família Volkswagen Meteor. Dentre os itens de segurança estão assistente de partida em rampa e controle de tração, que monitora a aderência dos pneus e ajusta o torque automaticamente.
Os caminhões também passam a oferecer de série o pacote Prime, com ar-condicionado, trio elétrico, rádio com bluetooth e conexão Rio Box. Como opcional o pacote Highline adiciona painel de instrumentos digital e central multimídia com espelhamento para smartphones, além de um sistema de avaliação de condução que pontua o desempenho do motorista.
São Paulo – O ano passado foi mais difícil do que o esperado para as locadoras de veículos, tanto pela escalada da taxa básica de juros, que começou 2025 com 12,25% ao ano e terminou em 15% ao ano, quanto pelos preços dos 0 KM, cuja média investida subiu de R$ 105,9 mil para R$ 126 mil. Frente a isto a expectativa inicial da Abla, Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis, de consumir 650 mil automóveis e comerciais leves, foi reduzida pa 628,9 mil unidades, 3,1% abaixo das 649,4 mil unidades de 2024. Em maio, durante apresentação no Fórum AutoData Perspectivas de Automóveis, o presidente da Abla, Marco Aurélio Nazaré, já havia baixado a expectativa para 600 mil a 620 mil carros diante do cenário que se apresentava e do menor apetite das locadoras.
Para 2026, enquanto os juros seguem em 15% com possibilidade de iniciar trajetória de queda de 0,25 ponto porcentual após nove meses neste patamar, em meio às incertezas trazidas pelo conflito no Oriente Médio e a disparada no custo do petróleo, a expectativa é que o volume fique um pouco abaixo do registrado no ano passado:
“É um ano bastante complicado, com Copa do Mundo, muitos feriados, eleição e, agora, com cenário um pouco mais conturbado diante da guerra no Irã. Por isto pretendemos manter o patamar de 620 mil veículos”, disse Paulo Miguel Júnior, vice-presidente da Abla, durante entrevista coletiva à imprensa na quarta-feira, 18.
Caso a perspectiva se comprove haverá, na melhor das hipóteses, estabilidade ou redução de 1,4% no volume. Refletem nesta conta também a Selic e as reticências inerentes à guerra e o reflexo nos combustíveis, que podem segurar a taxa mais elevada diante de eventual alta na inflação.
“Para 2027 esperavamos juros de 9% a 10%, agora 10,5% é um cenário mais favorável”, apontou o presidente Nazaré. “Imagino que em mais trinta dias a guerra deverá se resolver. Mas os estoques de combustíveis precisam ser repostos. E enquanto nosso governo gastar mais do que gera receita a inflação será pressionada e, com isto, aumenta o preço do carro e reduz o poder aquisitivo do consumidor e a intenção de investimentos.”
Miguel Jr. completou que o aumento no custo dos combustíveis pode influenciar na demanda pelo aluguel de veículos de consumidores na ponta mesmo nos feriados, por causa do reflexo no preço do serviço, ainda que, em muitos casos, os valores sejam parcelados em até dez vezes.
Do ponto de vista de motoristas de aplicativo que locam para trabalhar é possível que haja um aumento na busca por modelos eletrificados: “Já ouvi rumores de que, nos seminovos, cresceu a procura por híbridos e elétricos”.
Faturamento cresceu, mas preço do veículo também
Em 2025 o faturamento das locadoras de veículos somou R$ 61,7 bilhões, acréscimo de 16,6% com relação aos R$ 52,9 bilhões do ano anterior. De acordo com o vice-presidente isto se deveu tanto ao aumento da frota como à recomposição de tarifas e ao preço do carro.
Dados da Abla mostram que a incidência de impostos sobre a atividade cresceu 16,4%, para R$ 7,8 bilhões. Assim como o número de locadoras de veículos leves avançou 17,7%, totalizando 27,5 mil empresas, e o número de empregos diretos, com alta de 4%, aos 109,9 mil.
A frota total de automóveis e comerciais leves encerrou o ano passado com 1,7 milhão de unidades, 6,2% ou 100 mil a mais do que o 1,6 milhão de 2024. A idade média, no entanto, caiu de 17,5 meses para 16,4 meses.
As locadoras investiram em 2025 R$ 79,3 bilhões para a compra de unidades novas, 16% ou quase R$ 11 bilhões a mais que no ano anterior, também porque o aporte médio por carro cresceu 19%, de R$ 105,9 mil para R$ 126 mil. Como disse Nazaré “elevamos os gastos mesmo com aquisição de número menor de veículos”.
Os 629 mil carros adquiridos por locadoras em 2025 representaram 24,6% do total de 2,5 milhões emplacados no País – no ano anterior a fatia foi de 26,1% de 2,4 milhões e, historicamente, a média é de 25%, conforme os números da Abla.
Hatches pequenos e carros de entrada lideraram
Diferente das vendas no varejo, em que a participação de marcas chinesas está crescendo a galope e ocupando posições de destaque no ranking, na comercialização direta as montadoras tradicionais e os veículos a combustão ainda são maioria.
Fiat e Volkswagen lideraram as vendas para locadoras, com 182 mil e fatia de 28,9%, e 151,3 mil e participação de 24,1%, respectivamente. Quanto aos modelos mais emplacados o líder foi o Fiat Argo Drive, com 55,4 mil unidades – no ano anterior este posto coube ao Volkswagen Polo Track, com quase 65 mil unidades. Sem citar números o presidente da Abla ressaltou que picapes como Strada e Saveiro também tiveram grande saída.
Apesar de o aumento do tíquete médio dos carros dever-se também à inserção de elétricos nos portfólios das locadoras, ampliada em 160% em 2025, para 20,4 mil unidades, o investimento médio por veículo deverá ser beneficiado pela maior concorrência.
“A entrada dos chineses tem contribuído para que as montadoras que aqui estão façam ajustes e promovam realinhamento de preços tentando tornar-se mais competitivas, o que deverá reduzir os tíquetes médios em 2026.”
No ano passado 39% das aquisições, ou 248 mil unidades, foram de hatches pequenos e 11,8%, ou 74 mil, de carros de entrada, perfazendo 51,2%. Os SUVs representaram 21,7%, com 136,7 mil unidades.
São Paulo — A Saic Motor iniciou 2026 com crescimento nas vendas globais. O grupo comercializou 269 mil veículos em fevereiro e somou 597 mil unidades no acumulado do ano, resultado 6,8% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O desempenho foi puxado principalmente pelas marcas próprias da empresa, que responderam por 401 mil unidades no bimestre, alta de 14% e participação de 67,2% no total vendido pelo grupo. A divisão Saic Motor Passenger Vehicle registrou crescimento de 44,8%, com 139 mil unidades vendidas, e a Maxus alcançou 33 mil. Já a Saic-GM-Wuling respondeu por 206 mil unidades.
No segmento de veículos de novas energias a companhia vendeu 157 mil unidades nos dois primeiros meses do ano, avanço de 6,4% sobre o mesmo período de 2025. A marca premium IM Motors apresentou crescimento de 69,4% nas vendas no bimestre, e a MG Motor somou 50 mil veículos eletrificados, salto de mais de 300% na comparação anual. O modelo MG4 manteve ritmo mensal superior a 10 mil unidades pelo quinto mês consecutivo.
As operações internacionais também contribuíram para o resultado. A Saic reportou vendas externas de 204 mil no bimestre, aumento de 48,9% na comparação anual. Na Europa a marca MG comercializou 49 mil unidades no período, crescimento de 16%, mantendo a posição de marca chinesa mais vendida no continente.
São Paulo — A Polícia Militar Rodoviária de São Paulo recebeu um novo lote de viaturas composto por noventa veículos adaptados pela Revo para patrulhamento. A entrega foi realizada pela empresa após licitação vencida pela CS-Brasil. A frota inclui 33 unidades do Jeep Commander e 57 do Hyundai HB20S. Os veículos foram entregues em 9 de março e já distribuídos a bases da corporação para uso em operações diárias.
Segundo a empresa responsável pelas transformações os dois modelos passaram por modificações para atender às exigências operacionais da polícia: revestimento especial nos bancos, instalação de sinalizadores visuais e sonoros, película nos vidros, porta-prancheta e grafismo padrão das viaturas.
O utilitário da Jeep recebeu ainda equipamentos adicionais para operações policiais, como estribos laterais, para-choques de impulsão, suporte para armas longas e divisória de proteção atrás do banco traseiro. O modelo também ganhou compartimento tipo cela para transporte de presos.