São Paulo – De 2015 a 2022 a participação de empresas que não possuem operação industrial no Brasil nas vendas domésticas variou de 6% a 8%. Em 2023 o porcentual passou a 14% e, este ano, a perspectiva da Anfavea é que chegue a 28% até o fim do mês. Os dados foram apresentados pela entidade durante entrevista coletiva concedida à imprensa na quinta-feira, 12.
“É preciso dar muita atenção a estes números pois, além de as importações como um todo estarem aumentando, a participação das não fabricantes está crescendo”, afirmou o presidente Márcio de Lima Leite. O dirigente observou, ainda, o ritmo mais intenso de expansão por parte de empresas de fora do Mercosul e México, ou seja, majoritariamente montadoras chinesas. “A cada dois importados de fora desta região um chega da China.”
De janeiro a novembro foi registrado o ingresso de 413,9 mil veículos no País, alta de 35% com relação ao mesmo período do ano passado, 307,1 mil unidades. Quase a metade deste volume, 48% ou 198,5 mil unidades, vem da Argentina. Em um ano esta quantidade praticamente permaneceu estável, com leve variação de 1%.

As importações da China, no entanto, que somam 26% do total, com 105,7 mil unidades, registraram aumento de 229%. Lima Leite acrescentou que se fossem somados a este número o volume de carros chineses ainda em estoque a quantidade de veículos subiria para 165 mil unidades, totalizando 473 mil veículos, o que no fechamento do ano ultrapassaria as 500 mil unidades.
Considerando apenas os emplacamentos, porém, a expectativa da entidade é que 2024 encerre com 463 mil veículos importados comercializados no mercado brasileiro, com incremento de 32%, frente aos de 352 mil de 2023.
O executivo apresentou ainda comparativo adicional para demonstrar o avanço de importados de fora do Mercosul e México, em que a participação deles sobe de 17% em 2022 para 25,3% no ano passado e deverá fechar o ano aos 38,5%: “Se fossem incluídos os estoques também este porcentual chegaria a 50%. Ou seja, metade das importações sem qualquer impacto em nossas indústrias. E isto é muito perigoso”:
“É diferente dos que vêm da Argentina, por exemplo, porque sempre há um reflexo em nossa cadeia, uma vez que a maior parte dos carros produzidos lá utilizam autopeças brasileiras, ou seja, geram emprego aqui”.
No geral a participação de 17,4% das importações nas vendas locais é a maior em uma década.




