São Paulo – As vendas de veículos financiados atingiram a marca de 6,5 milhões de unidades de janeiro a novembro, alta de 21,8% com relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados da B3, que opera o SNG, Sistema Nacional de Gravames, SNG. Em unidades foram financiados 1,1 milhão de automóveis, comerciais leves, motocicletas e veículos pesados, novos e usados, a mais do que nos onze primeiros meses de 2023.
Em novembro as vendas a prazo chegaram a 605 mil veículos, expansão de 12,3% na comparação com igual mês do ano passado e queda de 9,7% com relação a outubro, que teve mais dias úteis.
“Os números continuam apresentando um ritmo forte, apesar da queda diante de outubro, explicada pelos quatro dias úteis a menos”, disse Gustavo de Oliveira Ferro, gerente de planejamento e inteligência de mercado na B3.
Ferro ressaltou o bom desempenho da média diária de financiamentos, que chegou a 31,8 mil unidades em novembro, maior volume diário desde novembro de 2011.
São Paulo – A indústria de duas rodas instalada em Manaus, AM, superou, de janeiro a novembro, todo o volume produzido em 2023, somando 1 milhão 624 mil unidades. Segundo os dados divulgados pela Abraciclo, que representa as empresas que fabricam no Brasil, a produção foi 11,6% maior do que em iguais meses de 2023 e representa o maior volume para o período desde 2011:
“Estes números comprovam o bom momento vivido pela nossa indústria”, disse o presidente Marcos Bento, “que cumpriu rigorosamente seu planejamento e soube se preparar com antecedência para enfrentar a estiagem.”
Para ele o momento mais crítico da seca já passou e as operações estão retornando à normalidade.
Em novembro foram produzidas 146,1 mil motocicletas, expansão de 10,6% sobre novembro do ano passado e queda de 5,8% com relação a outubro. Com o resultado do mês passado a Abraciclo acredita que serão produzidas 1 milhão 720 mil unidades até o fim do ano, encerrando 2024 com crescimento de 9,3% sobre o resultado de 2023.
As vendas somaram 1 milhão 724 mil unidades de janeiro a novembro, melhor resultado para o período desde 2011, e alta de 19% sobre iguais meses do ano passado. Em novembro foram emplacadas 147,1 mil unidades, incremento de 12,7% na comparação com idêntico mês de 2023 e expansão de 11,8% com relação a outubro.
As exportações, assim como foi durante todo o ano, são o ponto negativo do setor, com queda de 10,7% em onze meses e 28,5 mil unidades embarcadas. Os embarques em novembro somaram 1,6 mil unidades, crescimento de 14,2% quando comparado com novembro de 2023 e queda de 44,7% com relação a outubro.
Recife, PE – O projeto social iniciado no Recife, PE, dezesseis anos atrás, foi expandido para a fábrica da Honda Automóveis em Sumaré em 2023 e, desde então, quarenta jovens já foram formados. O próximo passo, que está sendo estudado, é a possibilidade de levar a iniciativa a Manaus, AM, onde está a linha de produção das motocicletas, segundo Alexandre Cury, diretor de serviços pós-venda e peças da Honda.
Importante questão a ser considerada é este segundo passo da iniciativa, da absorção da mão de obra. No Recife, por exemplo, há uma rede concessionária muito grande em volta. Manaus possui outra característica, de rede menor mas com expressivo número de fornecedores.”
Cury ressaltou que não há regra quanto à expectativa do local em que os formandos trabalharão. O espectro é amplo e aberto a qualquer companhia, inclusive outras marcas. Por isto as discussões sobre replicar a iniciativa em outras unidades podem repetir o formato ou customizar de acordo com a necessidade local.
“Com o tempo descobrimos que não bastava apenas oferecer treinamento, educação e orientação. Tanto que trouxemos empresas interessadas para absorver uma mão de obra tão jovem. Foi onde entrou a rede concessionária, nossa principal parceira, que também sofria com a falta de profissionais capacitados.”
Uma turma se formou no projeto pernambucano em 22 de novembro, com a presença da reportagem da Agência AutoData.
O PSH, segundo Cury, exerce reflexo indireto no faturamento da empresa: “Temos três grandes indicadores de que está dando certo: a relação candidato vaga, o que está se repetindo em Sumaré, e o fato de 100% sair empregado na rede Honda ou em fornecedor, prestador de serviço ou empresa coligada e baixa rotatividade pós-formação”.
Dos 316 jovens formados desde 2007, fora os 25 da turma deste ano, mais de duzentos ainda estão na rede, assegurou o executivo, ao completar que no curso houve apenas duas ou três desistências, nenhuma em 2024. Sobre o número reduzido de formandos – até 2022 eram vinte pessoas e, desde o ano passado, são 25 no Recife – a ideia é que sejam grupos pequenos para que a aderência dos ensinamentos se dê de forma mais completa, uma vez que além da questão técnica são trabalhados também aspectos de autoconhecimento e de comunicação.
Programa já está em sua 16ª edição em Recife e todos os 25 jovens participantes já saíram dele empregados, a maior parte na rede concessionária da marca na Região Metropolitana. Foto: Divulgação.
A iniciativa desenvolvida no Recife, inclusive, ganhou reconhecimento interno e foi apresentada no Japão. Dois anos atrás grupo de trabalho oriundo do projeto social representou o Brasil em convenção mundial de melhores práticas e iniciativas que partem da equipe, e não das lideranças.
“Foi ressaltado que esta iniciativa foca no interesse do jovem e em meio à realidade das famílias. Não se trata de atividade assistencialista. Depende muito mais deles do que de nós. Nós somos apenas instrumentos, ferramentas.”
Recife, PE – Desde 2006 a Honda utiliza seu Centro de Treinamento em Recife, PE, para oferecer aulas de mecânica, informática, técnicas de vendas e pós-vendas, educação financeira e autoconhecimento a jovens em situação de vulnerabilidade social, mas com o ensino médio completo. Não para aí: finalizados os oito meses de curso os jovens recebem a possibilidade de trabalhar na rede concessionária e dar o primeiro passo em sua vida profissional.
A partir da formação é possível retomar sonhos interrompidos – ou que sequer foram sonhados antes. Lucas Silva, 21 anos, passou a enxergar a possibilidade de um dia comprar uma moto, ter uma casa melhor para morar com os pais e a vontade de trabalhar na tradicional revenda Maravilha Motos. Andreza Alves, 19, contou que, embora tenha adorado aprender a trabalhar com mecânica, a área em que acredita mais ter evoluído ao longo deste ano foi a de comunicação e atendimento ao público. Seu objetivo é fazer faculdade de TI.
Rayssa Silva, da mesma idade, classificou a experiência como transformadora: “Desde pequena gostava de mexer nas coisas, aprender a consertar, então adorei a parte da mecânica. Mas o mais importante é que aqui senti que as mulheres estão incluídas em um ambiente de igualdade de oportunidades”, disse, agora mirando cursar administração na faculdade.
As representantes do sexo feminino, pela primeira vez em dezesseis edições do projeto, são maioria: catorze de 25 jovens. Ao todo 316 pessoas já passaram pela iniciativa, com uma média de 80% de empregabilidade ao término do curso, sendo que, nas últimas três turmas, todos saíram trabalhando. Isso porque, além da mão de obra formada, ela é identificada com os princípios da marca.
Foi o que contou Fabiana Botelho, supervisora do Centro de Treinamento da Honda, ao recordar que a unidade da montadora cresceu junto com sua missão social, uma vez que, ao iniciar operação no bairro Areias, no Recife, verba específica já estava destinada para ser investida em ação filantrópica.
“Onde a Honda chega, faz parte de sua filosofia trabalhar na melhoria da vida da comunidade no seu entorno”, afirmou Botelho. Com o passar do tempo o alcance da iniciativa foi sendo ampliado e as inscrições passaram a abranger toda a Região Metropolitana do Recife.
Pela primeira vez em dezesseis edições as mulheres superam os homens no Programa Social Honda, elas são catorze e, eles, onze. Foto: Divulgação.
Em visita da reportagem da Agência AutoData ao Centro de Treinamento foi possível notar que pontos hours concours foram os ganhos em autoconhecimento e na melhora da capacidade de se expressar. Além de orgulho estampado no rosto dos formandos e apego ao espaço – não à toa, pois no local, que se torna extensão de suas casas, é onde diariamente tomam banho, café da manhã, fazem ginástica laboral e almoçam, além de estudar.
“O projeto acaba mudando muito a vida daquela família”, disse Botelho, “não só na parte da renda como de relacionamento com os pais. Elas saem transformadas.”
Desde que abriu as portas no bairro Areias, em Recife, em 2006, o Centro de Treinamento da Honda teve a preocupação de desenvolver iniciativa que abrangesse a população do entorno. Foto: Divulgação.
Coordenador do PSH foi aluno da primeira turma
O instrutor do PSH, Cléber Ricardo, é um exemplo prático. Ele foi aluno da primeira turma, em 2007, saiu empregado na rede concessionária, onde passou de estagiário, consultor de serviços e supervisor a gerente e gerente geral. Desde 2018 retornou à Honda para assumir sua atual função e desde 2022 agrega a função de coordenação de projeto social.
“Muitos deles vêm de famílias disfuncionais, com baixa autoestima e feridas emocionais. Primeiro damos acolhimento e tentamos curá-las para depois entrar na parte técnica e profissional. Assim eles passam a desempenhar funções que sequer acreditavam, porque ninguém dava esse crédito dentro de casa.”
Cléber Ricardo é um agente de transformação que participou da primeira turma da ação social da montadora em 2007. Foto: Divulgação.
Desafio adicional nesta jornada, a propósito, reside na questão financeira. Existe trabalho de convencimento aos pais, uma vez que aos olhos de muitos deles seus filhos ficarão parados por oito meses, sem contribuir com as despesas de casa, recebendo apenas cesta básica e vale-transporte.
A maioria começa trabalhando por um salário mínimo, o que já significa dobrar a renda familiar, valor mensal de muitas delas. Na outra ponta, nos exemplos citados pelo instrutor, os vencimentos hoje passam de R$ 5 mil – caso de um jovem que entregava lanches em uma bicicleta antes do curso – e chegam a R$ 10 mil, algo antes inimaginável por eles.
Conforme Ricardo, ainda, boa parte consegue fazer faculdade. Ele mesmo cursou jornalismo, ajudou sua família a sair da favela, contribuiu nos cuidados com o irmão que possui retardo mental, casou e comprou seu apartamento. Mas, quis o destino, que o bom filho tornasse a casa e usasse sua experiência e exemplo como objeto de transformação social.
São Paulo – Duas recentes decisões, uma no âmbito estadual e outra no municipal, de certa forma tendem a afetar negativamente a expansão do uso dos veículos elétricos pelos paulistas e paulistanos. A primeira, já em caráter definitivo, foi a não inclusão dos BEV na lei que os isenta da parcela estadual do IPVA, ficando restrita aos híbridos flex e aos motores a GNV. A segunda, ainda em discussão, mexe com todo o planejamento de eletrificação da frota de ônibus na Capital.
Aprovado pela Assembleia Legislativa na terça-feira, 10, o projeto de lei 1 510/2023 isenta do pagamento de IPVA proprietários de veículos híbridos flex, veículos com motor a hidrogênio e ônibus e caminhões com motores a gás. Os 100% elétricos, leves ou pesados, ficaram de fora.
Segundo Samuel Kinoshita, secretário da Fazenda e Planejamento, o objetivo, além de contribuir para a melhoria do meio ambiente, é estimular investimentos na produção de veículos movidos a energia limpa no Estado. A medida prestigia a tecnologia e produção industrial paulista e sua vocação como matriz energética, produtora de etanol.
São Paulo produz veículos híbridos flex desde 2019, quando a Toyota passou a oferecer o Corolla com tecnologia elétrica aliada ao etanol. General Motors, GWM e Volkswagen têm planos de oferecer a tecnologia produzida em fábricas paulistas nos próximos anos. No caso dos caminhões a gás a Scania monta em São Bernardo do Campo modelos com a tecnologia desde 2018.
A isenção vigora até 31 de dezembro de 2026 e o imposto será gradualmente retomado a partir de 2027, quando vai para 1%, até 2030, quando retorna a alíquota cheia de 4%. Há um teto para o valor do veículo: R$ 250 mil, atualizado anualmente. No caso dos caminhões e ônibus GNV a isenção é total até 31 de dezembro de 2029.
Ônibus elétricos na Capital
Na Câmara dos Vereadores o projeto de lei 285/2024, aprovado em primeiro turno, adia de 2038 para 2054 as metas de zerar as emissões de CO2 do transporte público de São Paulo e volta a permitir a aquisição de veículos com motor diesel, proibida desde outubro de 2022. O projeto, de autoria do presidente da Casa, Mílton Leite, ainda precisa ser aprovado em mais um turno de votação para que a lei seja sancionada pelo prefeito Ricardo Nunes.
A ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico, divulgou nota criticando o PL “que põe em risco todo o programa de transição dos ônibus a diesel da frota paulista para veículos elétricos ou de baixa emissão”. Segundo a entidade “os vereadores deveriam manter o cronograma original da lei 16 802/2018 e se esforçar para solucionar os problemas de infraestrutura de recarga para tornar viáveis as frotas elétricas, sem permitir a entrada de novos ônibus a diesel no sistema municipal de transporte”.
Itupeva, SP – Mais um utilitário elétrico desembarca no mercado brasileiro: a Mercedes-Benz Cars e Vans apresentou a eSprinter, em sua segunda geração na Europa mas a primeira a chegar ao Brasil. Passa a ser importada com muitas opções de carroceria, como truck, furgão e furgão vidrado, oferecendo amplo portfólio ao consumidor, com PBT que varia de 3,5 toneladas a 4,2 toneladas.
A eSprinter tem dois modelos de bateria, sempre de LFP, lítio-ferro-fosfato, a depender da configuração escolhida: de 81 kW, com autonomia de 329 quilômetros, e de 113 kW, com 478 quilômetros de alcance, pelas medições do WLTP.
Produzida na Alemanha a versão brasileira traz motor de 200 cv posicionado no eixo traseiro, reforços de suspensão, mais autonomia das baterias, maior capacidade de carga e um portfólio maior de configurações que são ofertadas globalmente. No total a eSprinter oferece três tipos de carroceria, duas opções de PBT, duas opções de entre-eixos e duas capacidades volumétricas. Os preços variam de R$ 482,9 mil a R$ 598 mil, de acordo com Fábio Silva, gerente comercial de vans no Brasil:
“Preparamos catorze concessionárias nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Paraná, que começarão a receber as primeiras eSprinter ainda em 2024, pois já importamos algumas unidades. Nosso plano inicial é colocar foco no Sul e no Sudeste, que são as regiões com maior demanda”.
Ronald Koning, novo presidente da companhia para o mercado brasileiro, disse que a meta global da empresa é que as vans elétricas representem 20% do total vendido até 2026, porcentual que deverá aumentar para 50% até 2030: “A eSprinter faz parte da nossa rota global de eletrificação e, em 2026, teremos uma nova plataforma para vans elétricas, ainda mais sustentável e eficiente”.
Itupeva, SP – A Mercedes-Benz Cars e Vans projeta estabilidade para o mercado de large vans, com PBT superior a 3,5 toneladas, em 2025, mantendo as cerca de 33 mil unidades deste ano, de acordo com o seu gerente comercial de vans, Fábio Silva. Segundo ele a estabilidade vem diante de um ano muito positivo do segmento:
“Depois de 2022 e 2023, em que o segmento derrapou e ficou em torno de 27 mil unidades, em 2024 o mercado crescerá 17%, chegando a 33 mil vans emplacadas no Brasil”.
Silva disse que 2024 foi positivo porque havia a demanda reprimida dos últimos dois anos, com os clientes precisando expandir e renovar suas frotas. A oferta de crédito, assim como as condições para financiamento de veículos, melhoraram na comparação com os anos anteriores. As campanhas comerciais mais agressivas das montadoras e algumas vendas para o governo de alguns estados também ajudaram na expansão desse mercado.
Com relação ao desempenho da Mercedes-Benz Cars e Vans no Brasil a expectativa é de encerrar 2024 com 30% de participação de mercado e manter este porcentual no ano que vem, chegando próximo das 10 mil unidades vendidas. Para conquistar a fatia montadora ampliou a linha Sprinter com o lançamento da configuração elétrica, em diversas versões no Brasil:
“Acredito que o segmento de large vans elétricas no Brasil representará 5% das vendas em 2025, chegando a 1,5 mil unidades”, disse, sem revelar a meta da Mercedes-Benz para o segmento.
A expectativa do gerente é de que a demanda pelas vans eletrificadas seja puxada, inicialmente, pelas grandes empresas e locadoras, que possuem metas de redução de emissão de CO2. Com o passar dos anos a participação do segmento deverá aumentar, com uma parte dos clientes migrando para modelos elétricos.
São Paulo – O Grupo BMW divulgou que já foram entregues a clientes brasileiros mais de 30 mil carregadores, e 80 mil em toda a América Latina. No restante da região destaque para 32 mil no México e 15 mil em outros mercados incluindo o Caribe.
Todos os carros elétricos comercializados pela empresa são entregues com um carregador pelo menos, seja wallbox, flexcharger ou ambos. E os híbridos plug-in vêm de série com um carregador portátil.
De acordo com a companhia o posicionamento se faz importante porque, com base em coleta de informações de telemetria local dos veículos, a preferência do segmento de elétricos premium está em recarregar nas residências ou empresas.
São Paulo – A Stellantis e a CATL anunciaram a criação de joint venture para produzir, em grande escala, baterias LFP, lítio-ferro-fosfato. Serão investidos até € 4,1 bilhões em fábrica que será construída em Zaragoza, Espanha, cujo início de produção é aguardado até o fim de 2026.
Projetada para alcançar neutralidade total em carbono a fábrica de baterias será erguida no mesmo espaço em que a Stellantis possui unidade e poderá atingir até 50 GWh, dependendo da evolução do mercado de energia elétrica na Europa e do apoio contínuo das autoridades espanholas e da União Europeia.
A transação, que deverá ser concluída ao longo de 2025, teve origem em 2023, quando as empresas firmaram memorando de entendimento não vinculativo para tornar viável o fornecimento local de células e módulos de baterias LFP para a produção de veículos elétricos na Europa.
São Paulo – Celebrado por Anfavea e Acea o acordo de parceria econômica do Mercosul com a União Europeia, assinado na sexta-feira, 6, traz proteção para a indústria automotiva brasileira, que tem mais prazo para que o livre-comércio seja estabelecido nas duas direções. Há ainda um inédito mecanismo de salvaguardas, caso seja criado um aumento súbito de importações de veículos da União Europeia pelo bloco sul-americano.
Texto divulgado na terça-feira, 10, pelo MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, aponta que a União Europeia se comprometeu a eliminar 100% de suas tarifas em até 10 anos, com 80% das linhas tarifárias já liberadas quando o acordo entrar em vigor, beneficiando exportadores de bens de alta complexidade tecnológica – e cita as autopeças como um deles. No sentido oposto a liberação será mais gradual, com prazos que alcancem até trinta anos para produtos sensíveis, como veículos automotivos de novas tecnologias. As autopeças terão desgravação tarifária em prazo de sete a dez anos.
Segundo a Agência Brasil a retirada de tarifas para veículos eletrificados será feita em dezoito anos. No caso dos veículos a hidrogênio, 25 anos e com novas tecnologias, incluindo as atualmente não disponíveis comercialmente, trinta.
Caso as importações de veículos europeus cresçam de forma acelerada após o acordo entrar em vigor e ameace a indústria do Mercosul poderá ser suspenso o cronograma ou retornar por três anos, renováveis por mais dois, a tarifa padrão de 35% do imposto de importação, sem necessidade de compensação pela União Europeia.
Anfavea e Acea comemoraram
Em nota a Anfavea, que diz apoiar acordos bilaterais e multilaterais, celebrou a assinatura do acordo e a criação dos mecanismos de proteção “que estipula um período de redução tarifária de ao menos quinze anos para a maioria dos veículos”. Para a entidade brasileira “é preciso coragem para avançar em acordos que realmente tragam benefícios para todos os signatários, sem expor o Brasil a prejuízos em seu parque industrial, em especial ao ecossistema automotivo, tão importante para a inovação e a geração de mais de 1,2 milhão de empregos de alta qualidade no País”.
A Acea também comemorou a assinatura de acordo que “criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, garantirá o crescimento econômico para ambas as regiões e promoverá o desenvolvimento sustentável por meio de compromissos ambientais e sociais”.
Na nota sua diretora geral, Sigrid de Vries, afirmou que “a conclusão deste acordo contribuirá para fortalecer a competitividade global dos fabricantes de automóveis europeus, eliminando tarifas altas e abordando barreiras técnicas ao comércio em suas exportações para o mercado do Mercosul”.
Apesar do encerramento das negociações sobre o acordo existe um possível longo caminho para que as medidas entrem em vigor. Ele precisa ser ratificado pelo Congresso de todos os países do Mercosul, pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da União Europeia, podendo ser barrado por quatro países contrários que respondam por 35% ou mais da população do bloco. Não há prazo para o fim do processo e o governo francês é um dos que trabalhará contra o acordo.