Eletrificados batem recorde e superam 5% das vendas

São Paulo – Em novembro as vendas de veículos híbridos e elétricos alcançou volume recorde, somando 10,6 mil unidades, como divulgou a Anfavea na quinta-feira, 7. A participação dos veículos com tecnologia elétrica também foi a maior da história, superando pela primeira vez os 5% – 5,3%.

A expectativa é a de que este recorde seja quebrado já em dezembro. Ricardo Bastos, presidente da ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico, disse existir movimento de antecipação de compras pelo consumidor, que enxerga no horizonte correção no preço dos eletrificados por causa da elevação da alíquota do imposto de importação para híbridos e elétricos, anunciada pelo governo para janeiro.

As marcas também fazem promoção para aproveitar o momento: a Peugeot reduziu o preço do e-2008 em R$ 40 mil, para R$ 159 mil 990, até o fim de dezembro. A Volvo Car divulgou nova tabela de preço para sua linha a partir de janeiro, absorvendo parte do aumento da alíquota – quem comprar em dezembro ainda terá o preço sem imposto.

Com a venda de 77,6 mil veículos eletrificados no período janeiro-novembro, aumento de 78% sobre igual período de 2022, a aposta da Anfavea é de fechar o ano com 88,8 mil. A ABVE é mais otimista: o total poderá chegar perto das 90 mil unidades.

O ritmo continuará em 2024: a Anfavea projeta vender 142 mil unidades eletrificadas, avanço de 61% sobre o resultado estimado para 2023. A fatia no mercado saltaria dos atuais 4% no acumulado para 5,8% de um mercado de 1 milhão 420 unidades.

Segundo o presidente Márcio de Lima Leite o ano será marcado pelo aumento da produção nacional de veículos híbridos e elétricos. A GWM prevê para maio o início da produção em Itirapina, BA, e a BYD prometeu para o último trimestre começar a produzir em Camaçari, BA. A Stellantis também já anunciou que em 2024 produzirá seus primeiros híbridos flex em Goiana, PE, e a Toyota introduzirá em dezembro do ano que vem um novo modelo com tecnologia híbrida movida a gasolina ou etanol em Sorocaba, SP.

Por tecnologia

Os híbridos ainda são maioria: em novembro foram 7,4 mil emplacados, mas com uma mudança de comportamento, pois a maior parte foi híbrido plug-in, 4 mil, e 3,4 mil híbridos puros, disse Ricardo Bastos: ‘“O movimento de transição de veículos híbridos não plug-in para os elétricos plug-in sinaliza um amadurecimento do segmento de eletrificados e uma migração de tecnologia por parte dos consumidores”.

No acumulado do ano foram 64,4 mil híbridos comercializados. A Anfavea projeta, para 2024, vender 117,9 mil modelos PHEV e HEV.

Os elétricos somaram 3,2 mil licenciamentos em novembro, crescimento de 340% sobre o mesmo mês de 2022 e de 34% sobre outubro. Mais da metade, 1,7 mil unidades, foi do BYD Dolphin.

De janeiro a novembro foram vendidos 13,3 mil BEV. Segundo as estimativas da Anfavea o ano deverá terminar com 15,2  mil 100% elétricos vendidos que em 2024 somarão 24,1 mil unidades.

Goodyear celebra cinco décadas em Americana

São Paulo – Em 7 de dezembro de 1973 a Goodyear iniciou a produção de pneus em Americana, SP, que celebra 50 anos de história. Quando aportou no Brasil, em 1939, a companhia escolheu o bairro do Belenzinho, em São Paulo, para começar suas atividades, e 34 depois depois levou sua operação para o Interior paulista.

Segundo Julien Frezard, diretor da fábrica de Americana, a unidade se destaca pela constante busca por inovação e desenvolvimento tecnológico:

“Nossa missão, além de avançar rumo ao futuro da mobilidade fabricando produtos de alta qualidade, inovação e segurança, também se estende para contribuirmos com o desenvolvimento da comunidade do entorno da nossa fábrica, ou seja, Americana e região”.

Em 2001 foi inaugurado ali o Campo de Provas, considerado uma das pistas mais tecnológicas da marca mundialmente. E em 2018 a unidade venceu a primeira edição do prêmio de fornecedores Supplier Awards do Grupo Randon na categoria sustentabilidade com foco no processo, com a apresentação do projeto da gestão de recursos hídricos que permite a reutilização de 73% da água captada.

Além da fábrica em Americana, dedicada à fabricação de pneus, a Goodyear possui outra unidade em Santa Bárbara d’Oeste, SP, em que produz materiais de recapagem para pneus de caminhões e ônibus e de recauchutagem para pneus de aviação.

Agrale fornecerá 400 ônibus para o programa Caminho da Escola

São Paulo – A Agrale fornecerá quatrocentos ônibus para a nova fase do programa Caminho da Escola, do governo federal. A empresa já foi fornecedora em edições passadas.

Todas as unidades são do micro-ônibus Agrale Marruá AM200 Mo Escolar 4×4, encarroçados sobre o chassi de um veículo off-road.  Os veículos estão equipados com motor Euro 6 e possuem ar-condicionado e dispositivo de poltrona móvel, que permite transportar alunos com mobilidade reduzida.

Sem o Rota 2030 “não há plano B”

São Paulo – Logo após a coletiva de imprensa online, na quinta-feira, 7, o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, falou com um grupo de jornalistas que participou do último encontro do ano, também a última vez na sede da Avenida Indianópolis. Em 2024 a Anfavea muda de local após 48 anos no mesmo endereço. Lima Leite abordou uma série de assuntos, mas enfatizou a necessidade da publicação do programa Mobilidade Verde, previsto para o dia 13: “A maior ajuda que o governo pode dar agora para a economia brasileira é a previsibilidade que o Mover trará para os negócios”.

Segundo o executivo há consenso sobre as questões técnicas e a formatação do que seria a segunda fase do programa Rota 2030, mas que será batizado pelo governo de Mover, contração para Programa Mobilidade Verde.

“Todos deram total apoio na construção deste marco, não há divergências, há contribuições até de outros setores e vários ministérios, e por isto precisamos que agora seja uma prioridade do governo.”

A preocupação é porque as regras da primeira fase do Rota 2030 deixam de ter validade este mês. E, sem o que a indústria chama de previsibilidade para atuar no País, pode ser que haja adiamento e até fuga de investimentos. Esta hipótese não está descartada nem mesmo no caso da publicação do novo marco legal, previsto para dia 13: “Sem a oficialização as montadoras estão em compasso de espera para definir novos investimentos. Isso já aconteceu no passado. Algumas empresas ficaram sem produtos porque tiveram que atrasar seus programas em função da falta de previsibilidade”.

Dois pontos são fundamentais para a indústria no contexto da previsibilidade, que impacta na decisão de adotar novas tecnologias: as novas regras de emissões e o programa de pesquisa e desenvolvimento.

“Nós temos uma ideia dos parâmetros que foram discutidos, mas só poderemos atuar a partir da publicação oficial. Parece-me que está tudo absolutamente em consenso mas a máquina do governo precisa atuar. Essas regras envolvem diversos ministérios e elas precisam passar pelo crivo de todos eles até o momento de serem publicadas. Vai sair, tem que sair, pois não há plano B.”

Estão empenhados R$ 70 bilhões em investimentos na indústria automotiva nacional, segundo Lima Leite. A expectativa é que um valor deste tamanho, ou até maior, faça parte do novo ciclo de investimento no País para os próximos cinco anos, caso o Mover saia da gaveta.

Renault vende 200 Kangoo E-Tech para Vivo

São Paulo – A Renault vendeu duzentos Kangoo E-Tech para a Vivo, que usará os veículos para operações nas cidades de São Paulo, Campinas, SP, Rio de Janeiro, RJ, Curitiba, PR, e Brasília, DF. A compra faz parte do projeto Vivo de conectar seus negócios com inovação e sustentabilidade, reduzindo o impacto ambiental das suas operações.

O Kangoo E-Tech é equipado com motor elétrico 90 kW que gera 120 cv de potência. A sua bateria de íons de lítio é de 45 kWh obtém autonomia de até 329 quilômetros.

Nissan chega a 600 mil veículos produzidos em Resende

São Paulo – A Nissan alcançou a marca de 600 mil veículos produzidos na fábrica de Resende, RJ, para a qual anunciou recentemente um novo ciclo de investimentos de R$ 2,8 bilhões, que inclui a produção de dois novos SUVs e um motor turbo. A unidade de número 600 mil foi um Kicks Exclusive CVT.

A unidade de Resende foi inaugurada em 2014 e produziu modelos como March, Versa e Versa V-Drive. De suas linhas, hoje, sai apenas o SUV Kicks.

Roberto Leoncini deixa o cargo e Mercedes-Benz reestrutura sua área comercial

São Paulo – Após dez anos na Mercedes-Benz, que se somaram a outros 25 na Scania, Roberto Leoncini deixará o dia a dia da companhia no fim do ano. Aos 60 anos o executivo assumirá posição de conselheiro de negócios na empresa, e pretende seguir colaborando com outras empresas do setor.

O engenheiro mecânico ingressou na Mercedes-Benz em 2014, na vice-presidência de vendas e marketing de caminhões e ônibus. Participou de lançamentos importantes, como as famílias Actros, Arocs e o portfólio Euro 6 da marca.

Para a sucessão de Leoncini o presidente Achim Puchert nomeou dois executivos: Jefferson Ferrarez assume a vice-presidência de vendas, marketing e peças e serviços de caminhões e Walter Barbosa o mesmo cargo para ônibus.

Jefferson Ferrarez/Divulgação.
Walter Barbosa/Divulgação

Exportações deverão encerrar 2023 com queda de 17%

São Paulo – Após alcançar resultados positivos em 2022, 480,9 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus embarcados, as exportações estão no sentido contrário este ano e, de janeiro a novembro, acumulam queda de 15,9%, com o envio de 378,2 mil unidades a outros países. Neste contexto, que a Anfavea divulgou na quinta-feira, 7, a expectativa é a de que 2023 encerre com 398,7 mil veículos exportados, o que configurará recuo de 17,1% com relação ao ano passado.

E os motivos, embora centrados na Argentina, também passam pela Colômbia e pelo Chile, cujos mercados internos encolheram em torno de 30% este ano, de acordo com o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite.

“Perdemos este ano 95 mil unidades para a Argentina. Historicamente e, até recentemente, 49% dos veículos vendidos no país vizinho eram brasileiros. Em dois anos tivemos queda para 27%, ao mesmo tempo em que mercado argentino cresceu. Se mantivéssemos aquele porcentual estaríamos falando da exportação de 490 mil unidades.”

O dirigente ressaltou que o maior problema das exportações brasileiras, entretanto, é o custo Brasil pois, ao exportar tributos, o produto nacional perde competitividade. Tanto que a Argentina tem ampliado suas relações com a China neste momento de crise aguda pelo qual o país atravessa pois, para se proteger da desvalorização cambial o argentino costuma investir em veículos 0 KM.

Apesar da perspectiva de que o mercado vizinho comece a apresentar queda no ano que vem Lima Leite avaliou que a Argentina “não é uma guerra perdida” e a expectativa é a de que, inclusive, com o início da produção das montadoras chinesas BYD e GWM, em 2024 e 2025, a exportação seja incrementada com modelos híbridos e elétricos.

Passada a eleição presidencial argentina o dirigente assinalou que a Anfavea acredita que o novo governo não trará alterações quanto às relações com o Brasil nem com o Mercosul.

Em novembro foram exportadas 24,1 mil unidades, tombo de 44,6% frente ao mesmo mês do ano passado e de 23% na comparação com outubro. A projeção da entidade é que este mês sejam exportadas 20,5 mil unidades, 34,4% menos do que em dezembro de 2022 e 15% abaixo do mês passado.

Em valores os US$ 745 milhões obtidos com as exportações em novembro representam quedas de 23,7% ante o mesmo mês em 2022 e de 15,1% frente a outubro. No acumulado do ano, no entanto, os US$ 10,1 bilhões estão 4,9% acima do mesmo período do ano passado. A expectativa é que 2023 encerre com receita de US$ 10,8 bilhões, 3,1% acima de 2022.

Produção deverá encerrar ano em empate com 2022

São Paulo – A produção de veículos deverá terminar o ano empatada com 2022, com leve recuo de 0,5%, conforme projeção da Anfavea divulgada durante a apresentação dos resultados de novembro na quinta-feira, 7. Nos onze meses de 2023 saíram das fábricas 2 milhões 153 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, 1,1% a menos que no mesmo período do ano passado. E a expectativa da entidade é que, dado o aumento do ritmo de vendas neste início de mês, terão sido produzidos até o fim de dezembro 2 milhões 359 mil unidades — 2022 terminou com 2 milhões 370 mil, diferença de 11 mil.

Segundo o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, os dados refletem, principalmente, a queda nas exportações – que deverão encerrar o ano com 398,7 mil unidades, recuo de 17,1% –, principalmente à Argentina, que devido a restrições com o câmbio diminuiu suas compras do Brasil apesar de seu mercado interno estar em expansão.

O aumento das importações, que até o fim de dezembro deverão somar 348,4 mil veículos, contra 273,5 mil no ano passado, no entanto, também contribuiu para o ritmo mais lento da produção local.

“Temos um cenário de estabilidade que, não fossem estes dois fatores, a situação seria bem diferente, pois o mercado interno está crescendo”, assinalou Lima Leite, ao contextualizar que passado o período mais difícil na primeira metade do ano, que contou com juros mais elevados e maior restrição ao crédito, e também por causa da introdução do Euro 6 para os pesados, foi instituído o programa do governo que ofereceu descontos para incentivar o mercado, o que estimulou demanda reprimida.

Em novembro foram fabricados 202,7 mil veículos, avanço de 1,5% com relação a outubro, 199,8 mil. Porém, quando comparado a novembro de 2022, quando a produção alcançou 215,8 mil unidades, a queda é de 6,1%. À época os volumes de exportação estavamem níveis elevados, o que puxava a produção.

“Se tivéssemos mantido o volume para a Argentina nossa participação no mercado deles não teria recuado de 49% para 27% em dois anos e a produção não teria sentido tanto. A menor demanda em mercados da Colômbia e do Chile também pesaram contra.”

Para dezembro são esperados 205 mil veículos produzidos, o que representará incrementos de 7% frente a novembro e de 11,5% com relação ao último mês de 2022, quando saíram das linhas de produção 191,6 mil unidades.

O emprego nas montadoras, que no mês passado contavam com efetivo de 101,2 mil funcionários, representa discreto aumento de 0,5%, quase estabilidade, frente a outubro, 100,6 mil profissionais. Com relação a novembro de 2022, quando havia 104 mil postos de trabalho, porém, o recuo é de 2,7%.

O estoque do mês passado era composto por 251,5 mil unidades, sendo 148,2 mil nas concessionárias e 103,3 mil nas fábricas, o equivalente a 36 dias de consumo – em outubro o volume era de 263,4 mil unidades, suficientes para 37 dias de vendas.

Indústria de caminhões registra recuo de 37% com a transição para o Euro 6

São Paulo – Após onze meses a indústria de caminhões registrou queda de 37,4% na produção, comparado com o mesmo período de 2022. Saíram da linha de montagem 92,3 mil unidades, de acordo com dados divulgados pela Anfavea.

Diante destes índices e números a entidade não espera grandes mudanças em dezembro, com expectativa de encerrar com 102 mil caminhões produzidos e queda de 37% com relação a 2022:

“Esse ano foi marcado pela transição do P7 para P8, que trouxe grandes impactos ao longo do primeiro semestre”, lembrou o presidente Márcio Lima Leite. “Neste fim de ano vemos o mercado voltando à sua normalidade, com demanda mais aquecida.”

Em novembro a produção de caminhões somou 10 mil unidades, volume 33,7% menor do que o registrado em igual mês de 2022. Na comparação com outubro a retração na produção foi de 4,3%. 

As vendas de janeiro a novembro somaram 97,7 mil unidades, recuo de 14,4% na comparação com igual período do ano anterior, causado pela chegada dos veículos Euro 6, que são mais caros, e também pela dificuldade de acesso ao crédito. A queda inferior à produção é reflexo das vendas de veículos Euro 5 ao longo do primeiro semestre.

Para o fechamento do ano a Anfavea espera retração de 15,2%, com 107,4 mil veículos comercializados. 

Em novembro os dados apontaram para 9,2 mil caminhões vendidos, queda de 9,6% na comparação com novembro de 2022 e recuo de 2,3% na comparação com outubro.

As exportações foram 32,3% menores de janeiro a novembro, com 23,4 mil unidades. Em novembro o volume embarcado chegou a 1,6 mil unidades, queda de 36,9% na comparação com igual período de 2022 e de 15,4% com relação a outubro.