Denis Güven, presidente e CEO da montadora no Brasil e na América Latina, afirmou que a fábrica-mãe da Argentina é São Bernardo do Campo
Zárate, Argentina – A Mercedes-Benz está redesenhando seus planos produtivos na América Latina para otimizar custos e criar barreira competitiva contra novos entrantes, especialmente chineses. O plano envolve a consolidação da unidade de São Bernardo do Campo, SP, como o hub tecnológico e de suprimentos para a operação argentina, que investiu US$ 110 milhões no Centro Industrial Zárate.
Em conversa com jornalistas durante a inauguração Denis Güven, presidente e CEO da Mercedes-Benz do Brasil e América Latina, ressaltou que a sinergia das operações na região é vital para enfrentar a concorrência global e otimizar custos. Para ele o foco reside na especialização das fábricas e na utilização da robustez brasileira como diferencial competitivo para exportação, que conta também com escala e logística facilitada.
“A estratégia não é de redundância, mas de complementariedade técnica e financeira.”
A integração logística, avaliou, é justamente o que garante a sobrevivência financeira da operação latino-americana: “A fábrica-mãe da Argentina é São Bernardo do Campo. A logística é próxima e, então, podemos poupar muito dinheiro se enviarmos componentes de lá. É mais eficiente fazer isso do Brasil”.
Importante diferencial nesta equação é também a durabilidade do produto regional, vista pelo executivo como espécie de “escudo contra marcas que tentam dividir o mercado sem criar raízes produtivas e focam em ganho de mercado via preço”. Güven assinalou que ponto forte contra a concorrência chinesa está no verdadeiro laboratório a céu aberto que são as estradas brasileiras — a montadora aposta que a qualidade exigida pelo transportador local é o seu maior trunfo para exportação:
“As estradas brasileiras são consideradas as mais severas do mundo. Um caminhão ou ônibus desenvolvido localmente tem um valor agregado de durabilidade que o produto chinês ainda não comprovou em mercados de exportação, como América Latina e África”.
Brasil segue Euro 6 e, Argentina, Euro 5
A especialização das plantas permitirá que a empresa atenda a diferentes legislações, disse o executivo. Enquanto o Brasil lidera a transição para o Euro 6 a Argentina ganha flexibilidade para atender mercados que ainda demandam Euro 5, como outros países da América Latina, África e Oriente Médio.
“Esta operação nos dará mais flexibilidade no futuro para exportar uma vez que alguns outros mercados têm requerimentos semelhantes aos da Argentina. De forma geral vejo que tanto Argentina quanto Brasil terão papel maior para nós, no quesito exportação, no futuro.”
Em São Bernardo do Campo, onde está o banco de dados da Mercedes-Benz na região, são fabricados chassis elétricos de ônibus eO500U. Foto: Divulgação.
Brasil segue liderando testes de eletrificados
Embora a Argentina ainda engatinhe na infraestrutura para veículos de zero emissão os executivos deixaram claro que o Brasil continua sendo o laboratório de testes e o pioneiro regional. O conhecimento obtido com os chassis elétricos em São Bernardo do Campo será o banco de dados para quando o mercado vizinho exigir a transição.
Sobre a aposta em outras formas de propulsão, como o gás natural e o biometano como armas para reduzir as emissões, Güven reafirmou que o plano global é focar diretamente na eletrificação e no hidrogênio, sendo infraestrutura o único gargalo para o avanço mais veloz das tecnologias.
“A propulsão a gás não faz parte de nossos planos. Não temos um motor a gás. Globalmente o foco é na redução de CO2 por meio de veículos a bateria e a células de combustível a hidrogênio. O fator limitante para escalar o volume, porém, tanto na Europa quanto no Brasil, é a infraestrutura de recarga.”