Recuo na participação do mercado argentino e encolhimento de mercado na Colômbia e no Chile foram decisivos para a redução do volume embarcado
São Paulo – Após alcançar resultados positivos em 2022, 480,9 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus embarcados, as exportações estão no sentido contrário este ano e, de janeiro a novembro, acumulam queda de 15,9%, com o envio de 378,2 mil unidades a outros países. Neste contexto, que a Anfavea divulgou na quinta-feira, 7, a expectativa é a de que 2023 encerre com 398,7 mil veículos exportados, o que configurará recuo de 17,1% com relação ao ano passado.
E os motivos, embora centrados na Argentina, também passam pela Colômbia e pelo Chile, cujos mercados internos encolheram em torno de 30% este ano, de acordo com o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite.
“Perdemos este ano 95 mil unidades para a Argentina. Historicamente e, até recentemente, 49% dos veículos vendidos no país vizinho eram brasileiros. Em dois anos tivemos queda para 27%, ao mesmo tempo em que mercado argentino cresceu. Se mantivéssemos aquele porcentual estaríamos falando da exportação de 490 mil unidades.”
O dirigente ressaltou que o maior problema das exportações brasileiras, entretanto, é o custo Brasil pois, ao exportar tributos, o produto nacional perde competitividade. Tanto que a Argentina tem ampliado suas relações com a China neste momento de crise aguda pelo qual o país atravessa pois, para se proteger da desvalorização cambial o argentino costuma investir em veículos 0 KM.
Apesar da perspectiva de que o mercado vizinho comece a apresentar queda no ano que vem Lima Leite avaliou que a Argentina “não é uma guerra perdida” e a expectativa é a de que, inclusive, com o início da produção das montadoras chinesas BYD e GWM, em 2024 e 2025, a exportação seja incrementada com modelos híbridos e elétricos.
Passada a eleição presidencial argentina o dirigente assinalou que a Anfavea acredita que o novo governo não trará alterações quanto às relações com o Brasil nem com o Mercosul.
Em novembro foram exportadas 24,1 mil unidades, tombo de 44,6% frente ao mesmo mês do ano passado e de 23% na comparação com outubro. A projeção da entidade é que este mês sejam exportadas 20,5 mil unidades, 34,4% menos do que em dezembro de 2022 e 15% abaixo do mês passado.
Em valores os US$ 745 milhões obtidos com as exportações em novembro representam quedas de 23,7% ante o mesmo mês em 2022 e de 15,1% frente a outubro. No acumulado do ano, no entanto, os US$ 10,1 bilhões estão 4,9% acima do mesmo período do ano passado. A expectativa é que 2023 encerre com receita de US$ 10,8 bilhões, 3,1% acima de 2022.