O otimismo cauteloso do executivo se fia no fato de que, com a Selic estacionada em patamares elevados, ainda que com o recente recuo para 14,5% ao ano, as taxas de mercado giram em torno de 19% ao ano. E, somado ao aumento de 25% no custo do diesel, o operador, que colocou o pé no freio da renovação de sua frota, agora seguirá ávido em busca dos recursos com taxas de 13% e 14% ao ano.
Na avaliação de Barbosa, a grande vantagem do novo programa frente a ferramentas de financiamento disponíveis, como o Refrota Finame, também com recursos do BNDES, está na desburocratização. Enquanto o Refrota pode consumir até 120 dias do aperto de mão ao faturamento do chassi o Move Brasil promete resolver a vida do frotista em uma semana.
“O processo do Move Brasil é mais rápido: o banco deu o crédito, uma semana depois você já pode faturar. O cliente vai chegar e falar: muda para mim, eu quero usar essa taxa. Quem encomendou dez veículos pode até dobrar o pedido para aproveitar a condição”.
O executivo contou que, até o momento, não começaram as vendas com o uso desse crédito, mas que ele acredita que os recursos sejam aplicados, principalmente, para renovar a frota de veículos urbanos a diesel, no caso da Mercedes-Benz os da linha OF, de motores dianteiros. Falando no mercado em geral, deve incentivar aqueles movidos a biocombustíveis também. Já para os elétricos, ele acredita que a demanda deve continuar sob o Fundo Clima, que segundo ele já oferece financiamento mais competitivo.
Entrega remanescente de Caminho da Escola ajuda a inflar mercado
A aposta agora é que o Move Brasil 2 consiga elevar o mercado mensal para além da barreira das 2 mil unidades, nível considerado saudável para Barbosa. Com base nos dados da Anfavea no quadrimestre foram comercializados 6,5 mil ônibus, sendo 2 mil em abril, o que foi ajudado por pedidos remanescentes do programa Caminho da Escola, de licitação do ano passado.
“Hoje, se tivermos um mercado mensal abaixo de 1,5 mil ou 1,6 mil unidades, não é um bom negócio. O Move Brasil é uma esperança para melhorar essa renovação”.
Todos os segmentos estão abaixo do ano passado, à exceção de micro-ônibus, cuja venda está 2,3% acima no período. Nos primeiros quatro meses do ano passado foram emplacados 5,3 mil veículos escolares e, neste ano, a expectativa é que seja algo em torno de 2,5 mil, porque existe resquício da licitação de 2025.
“A licitação de agora dificilmente vai emplacar neste ano, porque a partir de julho é permitido fornecer ao governo, mas não receber, só depois das eleições. Então não é interessante para ninguém produzir agora e entregar depois. Só por causa disso o mercado total vai ser impactado.”
A expectativa é que, até o fim deste mês seja batido o martelo a respeito dos ganhadores do novo edital, uma vez que houve prazo para eventuais impugnações e para que os documentos sejam entregues ao FNDE, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, para que então a ata seja assinada. A Mercedes-Benz não participa do Caminho da Escola há dois anos.