VW Caminhões e Ônibus espera mais um ano desafiador em 2026

São Paulo – Em meio a tantas incertezas Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas e marketing da Volkswagen Caminhões e Ônibus, disse ter uma certeza sobre 2026: será mais um ano cheio de desafios, como foi este 2025. Os financiamentos, grande mola propulsora do setor, continuarão sendo entrave para o crescimento, diante de uma taxa Selic a 15% com perspectiva de queda, mas sem saber em qual velocidade.

“A taxa irá para 14%, 13%, 12% no fim do ano. Mas continuará sendo um desafio ao longo de um ano que terá, também, eleições presidenciais, que afetarão os negócios a partir do segundo semestre.”

A expectativa é a de um ano com desempenho semelhante a este: vendas na casa das 110 mil unidades no mercado brasileiro, que representam queda diante das 125 mil do ano passado, mas estão longe de ser um resultado ruim – embora também não possa ser considerado bom, mas satisfatório.

Para o presidente da VW Caminhões e Ônibus, Roberto Cortes, os transportadores voltarão às compras quando a Selic começar a baixar. Existe a necessidade de renovar a frota e o agronegócio, cliente importante dos caminhões, tem boas perspectivas.

Outra questão que afetou os negócios este ano e que tende a não ser complicada em 2026 é a das tarifas dos Estados Unidos, que parecem encaminhadas a uma resolução. Embora não afete diretamente a indústria acabou por gerar dificuldades em muitos clientes exportadores, que frearam as compras.

O fato é que o mercado brasileiro de caminhões não vive um momento positivo mas está longe de estar entrando em uma crise. O que assusta, talvez, seja a queda dos extrapesados, que rendem mais margens às empresas. Mas outros segmentos, como médios e semipesados, têm bom desempenho, o que garante mais um ano acima das 100 mil unidades, bem longe de 2016 e 2017, quando o volume foi metade disto.

São Paulo incorpora 100 e-Volksbus à sua frota urbana

São Paulo – Na segunda-feira, 15, a Volkswagen Caminhões e Ônibus entregará a operadores da Capital paulista cem e-Volksbus, seu ônibus elétrico. É a primeira grande venda do modelo desenvolvido pela companhia e produzido em Resende, RJ.

As unidades serão entregues em cerimônia na Praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu. O negócio fechado deixou Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas e marketing, animado:

“Tenho a certeza de que de São Paulo o e-Volksbus partirá para todo o Brasil de agora em diante”.

Eletric Hydrogen nomeia gerente geral e inicia operação na região

São Paulo – A Eletric Hydrogen, fabricante de eletrolisadores avançados PEM, membrana de troca de prótons de escala industrial, com sede nos Estados Unidos, anunciou sua expansão para a América Latina. À frente da operação foi nomeada a brasileira Maria Gabriela da Rocha Oliveira, que assume como gerente geral.

Ela será a responsável pelos planos comerciais e pelas parcerias da empresa no Brasil e nos demais países latino-americanos com o objetivo de alavancar o mercado de hidrogênio verde e de combustível sustentável.

Com quinze anos de experiência em energia renovável e descarbonização industrial, tendo liderado projetos energéticos e iniciativas de carbono na indústria brasileira de fertilizantes verdes pela Atlas Agro, além de supervisionar a geração renovável para a Shell na América Latina, Oliveira também trabalhou na Bloomberg New Energy Finance e na fabricante estadunidense de módulos fotovoltaicos First Solar.

A aposta da Eletric Hydrogen na região é atender à crescente demanda por tecnologias mais robustas de eletrolisadores nas unidades produtoras de hidrogênio verde em larga escala. A empresa ressalta que seu maior diferencial é a tecnologia HYPRPlant, que produz hidrogênio verde de forma competitiva e em escala industrial. 

Composta por módulos de 100 MW a solução, de acordo com a empresa, “tem potência bem superior aos equipamentos tradicionais do mercado, e o potencial de atender, de forma mais competitiva e robusta, aos novos empreendimentos que avançam em escala de gigawatts no Brasil”.   

Vendas da Volvo Cars batem recorde no Brasil

São Paulo – A Volvo Cars atingiu o seu recorde de vendas no Brasil em um ano, chegando a 8 mil 755 unidades até a segunda-feira, 8. Superou todo o volume vendido em 2023, que até então era o seu melhor ano.

A importadora aguarda o fechamento de dezembro para oficializar o seu novo recorde anual:

“O resultado foi fruto do trabalho contínuo de toda a equipe. Independente da área ou cargo somos uma equipe enxuta mas muito unida e comprometida. Cada uma das pessoas aqui da Volvo Car deve ter muito orgulho deste recorde”, disse Marcelo Godoy, presidente da empresa no Brasil.

Marcelo Godoy, presidente da Volvo Cars Brasil

O SUV elétrico EX30 foi o modelo mais vendido da Volvo no Brasil, somando 3 mil 162 unidades, seguido de perto pelo híbrido plug-in XC60, que passou por atualização em 2025 e registrou 3 mil 141 vendas.

BYD chega a 100 mil veículos vendidos no Brasil em 2025

São Paulo – A BYD atingiu a marca de 100 mil veículos vendidos no Brasil em 2025, superando todo o volume de 2024, 76 mil unidades. Para apoiar este crescimento a rede da BYD chegou a mais de duzentas lojas abertas em todo o País, com projeção de chegar a 250 nos próximos meses. 

O modelo mais vendido da BYD até 8 de dezembro é o Dolphin Mini, que desde outubro é montado em Camaçari, BA, com 31,4 mil emplacamentos, volume que já o posiciona como o mais vendido no ano todo. Em segundo lugar ficou o BYD Song Pro, também montado na Bahia, com 19,6 mil vendas, seguido pelo Song Plus, 14,7 mil unidades.

Seis lançamentos da Stellantis em 2026 serão híbridos

São Paulo – Dos dezesseis lançamentos programados pelas marcas da Stellantis – Fiat, Jeep, Citroën, Peugeot, Ram e Leapmotor – no mercado brasileiro em 2026 seis serão de modelos eletrificados. Segundo o presidente Herlander Zola todas as fábricas locais terão ao menos um modelo híbrido em linha. Goiana será a que mais terá novidades: quatro novos modelos híbridos.

Em Betim, MG, de onde já saem o Fastback e o Pulse MHEV, mais um eletrificado será produzido, e Porto Real, RJ, terá o seu primeiro híbrido.

A fábrica sul-fluminense terá também um segundo turno de produção, segundo Zola, que estima que os movimentos deverão começar no início do ano, com as contratações – o número ainda não foi fechado – sendo feitas mais adiante. Deverá coincidir com a entrada em linha do Jeep Avenger, primeiro modelo não-Peugeot ou Citroën produzido ali, e com grandes possibilidades de ter uma versão híbrida.

Em Goiana, além da preparação para os quatro híbridos, serão promovidas as alterações para que modelos Leapmotor sejam produzidos, a princípio, em kits CKD ou SKD. Zola disse que há expectativa de que se inicie a montagem dos modelos já em 2026, mas admite que poderá ficar para o início do ano seguinte.

Em um mês de venda, afirmou o presidente da Stellantis, mais de 1 mil Leapmotor foram comercializados nas concessionárias. Eles ainda são importados da China.

Mas a grande novidade do ano que vem, ao menos em termos de expectativa de volume e impacto no mercado, sairá de Betim: um hatch, com base no Fiat Grande Panda europeu, mas com visual e possivelmente nome diferente. Ele será a estrela do cinquentenário da Fiat no mercado brasileiro e é o grande candidato a ter uma versão híbrida.

1 milhão de unidades na América do Sul

Em encontro com a imprensa na segunda-feira, 8, Zola fez o seu balanço do ano. Em 2025 a companhia projeta superar pela primeira vez o marco de 1 milhão de unidades vendidas na América do Sul – até novembro foram 906 mil.

“A região representa 5% das vendas globais de veículos. Na Stellantis, em 2025, representará 15% ou mais.”

No ano passado esta participação foi de 12%. O avanço, segundo Zola, se justifica pelo desempenho positivo na região e pela queda nas vendas em outros mercados, como Estados Unidos e Europa.

As expectativas para o mercado brasileiro, porém, não são tão otimistas: o executivo projeta mais um ano de crescimento tímido, como 2025, devido a fatores como eleições, grande número de feriados e a taxa de juros, que ainda está em patamar elevado: “Acho pouco provável que o mercado cresça muito em 2026”.

Anfavea espera fim das cotas para CKD e SKD em janeiro

São Paulo – Não existem, por enquanto, conversas da Anfavea com o governo no sentido de estabelecer novas cotas de isenção de imposto de importação para kits CKD e SKD de veículos eletrificados. Na visão da entidade o cronograma estabelecido em julho, que deu cota de US$ 463 milhões para a importação de kits isentos de imposto, será respeitado.

De toda forma o presidente Igor Calvet está preparado para novas negociações: “A decisão será tomada no fim de janeiro. A nossa expectativa é a de que o determinado seja cumprido, e que sejam encerradas as cotas. À época afirmei que aquele era o máximo aceitável para a questão, sem afetar o fluxo de investimentos da indústria. Acredito que o governo terá a sensibilidade de não renovar”.

Segundo reportagem do jornal O Globo a BYD pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva novas cotas para importação, alegando que gerou empregos em Camaçari, BA, e está estruturando a operação. Estas cotas ajudariam a transição para uma produção mais robusta, com mais processos, conforme o combinado com o governo da Bahia.

Caso não haja essa “produção mais robusta” as empresas precisarão pagar o imposto de importação, que varia de 10% a 30%, dependendo do tipo de veículo eletrificado. O imposto cheio, de 35%, deverá retornar em janeiro de 2027.

Procurada pela reportagem da Agência AutoData a BYD afirmou que não comentará o assunto.

Segundo Calvet a decisão do governo dará a sinalização de qual caminho a indústria nacional seguirá: a produção por meio de importação de kits, com montagem dos componentes, ou um sistema mais denso, com estamparia, linha de pintura e mais conteúdo local.

“Como o governo criou o programa NIB, Nova Indústria Brasil, acreditamos que seja a vontade de ter uma indústria mais robusta.”

Semicondutores

O presidente da Anfavea também não deu por encerrada a possibilidade de faltar chips para a indústria produzir veículos. Embora a situação esteja bem melhor do que semanas atrás, quando o risco era iminente, os estoques ainda não voltaram ao normal:

“Não está resolvido mas arrefeceu. A questão política foi resolvida, mas o fluxo ainda não normalizou”.

Exportações de veículos superam meio milhão de unidades

São Paulo – As exportações de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus totalizaram 510,1 mil unidades de janeiro a novembro, acréscimo de 38% com relação ao mesmo período do ano passado, 370 mil unidades. Os dados foram divulgados pela Anfavea na segunda-feira, 8. O resultado positivo veio apesar do recuo observado em novembro: foram exportados 35,7 mil veículos, 13,8% abaixo do mesmo mês em 2024, 41,4 mil unidades. Na comparação com outubro, em que as exportações somaram 40,6 mil unidades, houve queda de 12%. 

Segundo o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, o recuo foi causado, sobretudo, pelo arrefecimento das vendas para o mercado argentino com relação ao mês anterior: “Houve queda de 24% nos embarques, o que significa que deixamos de enviar ao país 4,5 mil unidades”.

Calvet disse que o ambiente tomado por eleições na Argentina elevaram as instabilidades e segurou as importações. O que põe em dúvida se a projeção da Anfavea para o encerramento deste ano será alcançada: é esperado um total de 552 mil unidades exportadas, alta de 38,4% frente ao ano anterior, o que faz necessária a exportação de 51 mil em dezembro.

Ao longo de 2025, no entanto, a Argentina dobrou seu volume de compras diante do mesmo período do ano passado, 295,2 mil unidades. O país continua o principal cliente do Brasil, respondendo por 58% do total.

Retomada de acordo com Colômbia dá fôlego extra

Dado positivo é que, após a suspensão do acordo bilateral com a Colômbia, os governos se entenderam e o contrato foi retomado e validado até setembro do ano que vem. Com isto houve o embarque de 1,5 mil unidades no mês passado, o que representou crescimento de 334%. 

De janeiro a novembro o mercado colombiano consumiu 41,2 mil veículos brasileiros, 27,2% a mais em comparação a igual período em 2024. Significa 8% do total, o que coloca o país como terceiro maior cliente. O México, que ocupa a segunda posição, com fatia de 15%, reduziu suas compras em 15,2% este ano, para 75,2 mil.  

Embarques de leves avançam 41%

Responsáveis por 76% das exportações brasileiras de janeiro a novembro foram embarcados 387,4 mil automóveis e comerciais leves, 41% a mais do que no mesmo período do ano passado, que somou 274,9 mil unidades.

Em novembro os embarques, 24,4 mil unidades, também diminuíram, 25,1% com relação a novembro de 2024 e 18,4% frente a outubro, 29,9 mil unidades.  

Em valor as exportações totais, de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, renderam US$ 12,9 bilhões no acumulado do ano, alta de 27,9% sobre igual período de 2024. No mês passado o valor de US$ 966,3 milhões ficou 5% abaixo do registrada em novembro de 2024 e 4,3% aquém da de outubro.

Produção de chassis de ônibus foi a pior para novembro desde 2015

São Paulo – A produção de chassis de ônibus registrou o pior novembro desde 2015, com 1,3 mil unidades produzidas, de acordo com os dados divulgados pela Anfavea. Na comparação com igual período do ano passado houve queda de 45,7% e com relação a outubro a retração foi de 37,9%.

De acordo com Igor Calvet, presidente da entidade, este baixo ritmo de produção é reflexo do cenário macroeconômico do País, com a taxa Selic em 15% contra 11,25% em igual período do ano passado, menor liberação de crédito para pessoas físicas e jurídicas e aumento da inadimplência. A demora no anúncio do novo pregão do Caminho da Escola também afetou o ritmo das linhas de produção:

“Estamos atentos com a demora para o Caminho da Escola ser anunciado, porque ele é um gerador de volume muito importante para o segmento de ônibus e esse entrave faz com que as empresas ajustem o ritmo das linhas”.

Mesmo com o péssimo resultado no mês passado o acumulado de onze meses da produção de chassis de ônibus apresentou crescimento de 5,5% sobre iguais meses do ano passado, chegando a 27,5 mil unidades produzidas.

Os emplacamentos, que são feitos alguns meses após a venda do chassi, que sai da fábrica para ser encarroçado, somaram 2,2 mil unidades em novembro, avanço de 18% sobre novembro do ano passado e de 11,8% com relação a outubro. No acumulado do ano o incremento na demanda foi de 8,2%, com 21,9 mil ônibus vendidos. 

No mês passado foram exportados 398 unidades, queda de 36,8% com relação a novembro do ano passado e retração de 8,3% na comparação com outubro. O acumulado do ano apresentou crescimento de 37% sobre iguais meses do ano passado, com 6,1 mil veículos embarcados.

Anfavea pede ao governo medidas de curto prazo para o mercado de caminhões

São Paulo – Mais uma vez o presidente da Anfavea, Igor Calvet, demonstrou sua preocupação com a indústria de caminhões estabelecida no Brasil. Após o balanço divulgado pela Anfavea, na segunda-feira, 8, ele reiterou que tem olhar atento no mercado de pesados, que representa cerca de 45% do mercado e amarga queda de 20% até novembro:

“Esperamos que as conversas com as autoridades mais próximas avancem para que alguma medida de curto prazo seja tomada. Caso contrário teremos um 2026 muito complicado de produção e vendas, ainda mais pelas instabilidades que já conhecemos em anos eleitorais”, disse o presidente, que desta vez evitou o termo “colapso”, utilizado no mês passado.

Calvet disse que existem dois caminhos: um deles é o programa de renovação de frota, discutido há décadas no País e que não saiu do papel. Outra saída seriam linhas de crédito mais atrativas, com taxas de juros melhores, pois atualmente o Finame cobra juros semelhantes ao CDC, que é mais burocrático.

O presidente da Anfavea justifica a necessidade destas linhas porque a Selic, hoje em 15%, deverá começar a cair no fim do primeiro trimestre de 2026 com trajetória de queda ao longo do ano, mas o reflexo para o cliente final demorará de seis a nove meses para ser sentido. 

A produção de caminhões em novembro recuou pelo quarto mês consecutivo, para 9,6 mil unidades, 21,7% aquém da comparação com o mesmo período de 2024 e 5,5% abaixo com outubro. No acumulado do ano o volume produzido foi 9,3% menor do que o dos mesmos meses de 2024, 118,4 mil unidades.

As vendas de caminhões comprovam mais uma vez, de acordo com o presidente Calvet, a preocupação da Anfavea: 8,9 mil unidades em novembro, queda de 12,3% na comparação com idêntico mês de 2024 e de 16,3% com relação a outubro. Com mais este resultado negativo o acumulado do ano caiu 8,7%, com 103,7 mil caminhões emplacados:

“Esta queda é ainda muito maior no segmento de pesados, que recuou 20% no ano e que representa 45% do mercado. O segmento semileve caiu mais, cerca de 25%, porém, representa apenas 5% do total emplacado no ano. A nossa preocupação maior é com os pesados, pela representatividade”.

O presidente entende que as medidas propostas pela Anfavea precisam ser tomadas para destravar o mercado, pois o PIB está crescendo, assim como o agronegócio, que tem alto volume de safra em 2025. Mesmo assim as vendas de caminhões travaram por causa das altas taxas de juros.

As exportações de caminhões registraram 2,1 mil unidades em novembro, alta de 8,8% sobre novembro de 2024 e queda de 9,1% com relação a outubro. No acumulado do ano o resultado ainda é positivo em 65%, 26,1 mil unidades.