São Paulo – Mais uma vez o presidente da Anfavea, Igor Calvet, demonstrou sua preocupação com a indústria de caminhões estabelecida no Brasil. Após o balanço divulgado pela Anfavea, na segunda-feira, 8, ele reiterou que tem olhar atento no mercado de pesados, que representa cerca de 45% do mercado e amarga queda de 20% até novembro:
“Esperamos que as conversas com as autoridades mais próximas avancem para que alguma medida de curto prazo seja tomada. Caso contrário teremos um 2026 muito complicado de produção e vendas, ainda mais pelas instabilidades que já conhecemos em anos eleitorais”, disse o presidente, que desta vez evitou o termo “colapso”, utilizado no mês passado.
Calvet disse que existem dois caminhos: um deles é o programa de renovação de frota, discutido há décadas no País e que não saiu do papel. Outra saída seriam linhas de crédito mais atrativas, com taxas de juros melhores, pois atualmente o Finame cobra juros semelhantes ao CDC, que é mais burocrático.
O presidente da Anfavea justifica a necessidade destas linhas porque a Selic, hoje em 15%, deverá começar a cair no fim do primeiro trimestre de 2026 com trajetória de queda ao longo do ano, mas o reflexo para o cliente final demorará de seis a nove meses para ser sentido.
A produção de caminhões em novembro recuou pelo quarto mês consecutivo, para 9,6 mil unidades, 21,7% aquém da comparação com o mesmo período de 2024 e 5,5% abaixo com outubro. No acumulado do ano o volume produzido foi 9,3% menor do que o dos mesmos meses de 2024, 118,4 mil unidades.
As vendas de caminhões comprovam mais uma vez, de acordo com o presidente Calvet, a preocupação da Anfavea: 8,9 mil unidades em novembro, queda de 12,3% na comparação com idêntico mês de 2024 e de 16,3% com relação a outubro. Com mais este resultado negativo o acumulado do ano caiu 8,7%, com 103,7 mil caminhões emplacados:
“Esta queda é ainda muito maior no segmento de pesados, que recuou 20% no ano e que representa 45% do mercado. O segmento semileve caiu mais, cerca de 25%, porém, representa apenas 5% do total emplacado no ano. A nossa preocupação maior é com os pesados, pela representatividade”.
O presidente entende que as medidas propostas pela Anfavea precisam ser tomadas para destravar o mercado, pois o PIB está crescendo, assim como o agronegócio, que tem alto volume de safra em 2025. Mesmo assim as vendas de caminhões travaram por causa das altas taxas de juros.
As exportações de caminhões registraram 2,1 mil unidades em novembro, alta de 8,8% sobre novembro de 2024 e queda de 9,1% com relação a outubro. No acumulado do ano o resultado ainda é positivo em 65%, 26,1 mil unidades.