Vendas de importados da Abeifa crescem 30%

São Paulo – Foram comercializados, de janeiro a novembro, 118 mil 168 veículos importados das dez marcas associadas à Abeifa, 30,3% acima dos onze meses do ano passado, quando foram emplacadas 90 mil 723 unidades. 

Somente em novembro as vendas alcançaram 10 mil 704 unidades, acréscimo de 5,5% em relação ao mesmo mês de 2024, quando foram emplacados 10 mil 150 importados. Na comparação com outubro, que comercializou 12 mil 509 veículos, porém, houve queda de 13,8%.  

Presidente da Abeifa, Marcelo Godoy, afirmou que as associadas encerrarão o ano com volume superior a 130 mil unidades importadas, somada a parcela que é montada no Brasil, o que representará crescimento expressivo de 24%.

“E, certamente, vão superar nossas expectativas do início do ano, quando indicávamos que o total anual chegaria a 120 mil unidades”, disse Godoy, ao complementar que não fossem os juros elevados e a restrição de crédito as vendas teriam sido ainda melhores.

Para 2026, embora a alíquota do imposto de importação alcance 35% aos eletrificados em julho, é projetada alta de 5%, com 137 mil unidades. “No entanto, ao longo do próximo ano, provavelmente teremos em nossos quadros novas empresas associadas, com a chegada de players da China”.

A participação das associadas da Abeifa no mercado de automóveis e comerciais leves importados este ano foi de 27,1% contra 22,4% do ano passado. Em novembro, o porcentual era de 26,1%, enquanto que um ano antes chegou a 23,1%. 

A BYD segue liderando com folga, com 97,2 mil unidades emplacadas no País, alta de 45,8% em relação aos onze meses de 2024. Na sequência aparecem a Volvo, com 8,5 mil vendas, incremento de 9,4%, e a Porsche, com 4,9 mil, queda de 13,9% neste período. 

Incentivo à reciclagem de veículos esbarra em dificuldade de regulamentação

São Paulo – A regulamentação de incentivos à reciclagem de veículos no País, previstos no Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação, esbarra em uma questão elementar: nada parecido já foi feito antes na prática. Isto porque o Brasil será o primeiro país do mundo a padronizar a medição de emissões de CO2 equivalente do berço ao túmulo, ou desde a produção, passando pelo uso até o sucateamento do veículo.

A demora na regulamentação decorre da complexidade envolvida na medição das emissões da produção de todas as peças, do processo de manufatura até os procedimentos de desmontagem e reciclagem ou reaproveitamento de peças, conforme justifica Carlos Sakuramoto, gerente de manufatura da General Motors South America e diretor de manufatura e materiais da AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva.

“A medição de emissões do berço ao portão [da produção do veículo e sua expedição ao cliente] existe só em teoria, nunca fizemos na prática”, esclarece Sakuramoto. “Hoje [10 de dezembro] devemos ter o primeiro rascunho da portaria, mas ainda temos muito trabalho pela frente para definir diversas questões envolvidas nesse processo.”

Muitas definições a equacionar

Uma das dificuldades, aponta o engenheiro, é definir o número de peças que devem ter as emissões medidas: “Um carro tem, em média, 5 mil part numbers. Precisamos estipular se é necessário medir as emissões na produção de todas elas ou se, por exemplo, só 1 mil já bastariam para ter uma média confiável”.

Outra questão reside no fato de definir a equação de quantos carros precisam ser reciclados para render incentivos para os novos. “Esta definição passa por saber se cada carro inservível reciclado vale o desconto de 1 ponto de IPI para cinco ou dez carros novos. Por exemplo: um Celta sucateado vale incentivos a quantos SUVs novos? São perguntas que temos de responder para chegarmos a uma regulamentação justa”, aponta Sakuramoto.

Produção de motos até novembro supera o total de 2024

São Paulo – Saíram das linhas de produção do Polo Industrial de Manaus, de janeiro a novembro, 1 milhão 850 mil motocicletas, 14% acima do mesmo intervalo do ano passado. Este número, de acordo com a Abraciclo, supera toda a fabricação de 2024, que contou com 1 milhão 748 mil unidades.

Somente no mês passado foram produzidas 165 mil 690 motos, acréscimo de 13,4% em relação a novembro de 2024. Em comparação a outubro, porém, houve recuo de 12,3%, o que conforme a entidade se deu por causa do número menor de dias úteis, 19 em novembro e 23 em outubro.

Para o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, os resultados confirmam o bom momento do setor de duas rodas: “As associadas adotaram estratégias para acompanhar o crescimento da demanda e ajustar a produção ao longo do ano. Chegaremos ao fim de 2025 com boas expectativas em relação à produção de 1 milhão 950 unidades”.

Emplacamentos batem recorde

As vendas de motocicletas bateram recorde: foram emplacadas 2 milhões 4 mil unidades no acumulado do ano, incremento de 16,2% em relação ao mesmo período do ano passado. A projeção da Abraciclo é que 2025 encerre com 2,1 milhões de unidades.

Em novembro, foram comercializadas 180 mil 645 motocicletas, 22,8% acima de igual mês em 2024. Frente a outubro também houve queda de 13,9%, por causa dos dias úteis. A média diária de vendas foi de 9 mil 508 unidades.

Quanto às exportações, nos onze meses foram embarcadas 39 mil 622 motocicletas, alta de 39,2% sobre o mesmo período de 2024. Só em novembro o envio a outros países disparou 178,3% em relação a igual mês no ano passado, com 4 mil 564 mil unidades. Frente a outubro houve recuo de 18%.

Governo define meta de eficiência energética dos veículos para 2027

São Paulo – A AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, espera a partir desta quinta-feira, 11, a publicação de uma das mais aguardadas e trabalhosas regulamentações do Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação, que direciona a política de desenvolvimento do setor automotivo no País. Trata-se da portaria que define metas e incentivos de eficiência energética dos veículos.

Esta regulamentação é aguardada ansiosamente, desde o início deste ano, por fabricantes de veículos e autopeças, pois definirá a estratégia tecnológica que cada um adotará para cumprir a meta, escapar de punições e, preferencialmente, superá-la para ganhar incentivos fiscais.

Everton Lopes, vice-presidente da AEA e diretor de pesquisa e desenvolvimento da Mahle, afirmou que este é um dos principais trabalhos consultivos da entidade este ano para definir a regulamentação junto ao MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Segundo ele as metas de eficiência, com consequente redução de emissões de CO2, foram ajustadas a partir de negociações com o governo e devem atender aos pleitos da indústria, de endereçar a evolução das regras sem onerar demais os custos de produção.

Melhoria de 11% a 12%

A expectativa é que a portaria fixe meta de melhoria da eficiência energética média para todos os veículos leves, do tanque à roda, em torno de 11% a 12% em relação a novembro de 2023, quando foram feitas as últimas medições, ainda sob a regulamentação do Rota 2030, que estipulou avanço de 11% e relação ao aferido em 2022.

Com a meta, punições e os incentivos conhecidos as empresas vão definir suas estratégias tecnológicas para realizar a medição de partida, de sua frota de veículos à venda, em setembro de 2026. Um ano depois, em 2027, será realizada a medição de conferência para determinar quem cumpriu, não cumpriu ou superou os objetivos, fazendo jus a incentivos, multas ou ficando no zero-a-zero.

Em setembro do ano que vem cada fabricante poderá assumir compromissos em relação à superação de metas, já contabilizando incentivos a partir da frota que estará à venda ao longo do período até 2027, incluindo aí os lançamentos de novos carros que serão feitos. Caso os objetivos prometidos não sejam cumpridos nas auditorias a empresa terá de devolver os incentivos recebidos corrigidos.

Em uma avaliação inicial Lopes observa que será muito difícil cumprir ou superar a meta de eficiência energética do Mover sem a utilização de eletrificação. Portanto é esperada nos próximos dois anos uma onda maciça de lançamentos de veículos híbridos com variados tipos de tecnologia para alcançar e, se possível, superar os objetivos.

Citroën celebra 100 mil unidades do novo C3 produzidas no Brasil

São Paulo – Desde maio de 2003 saíram do Polo Automotivo Stellantis de Porto Real, RJ, 100 mil unidades do hatch compacto Citroën C3. Este ano a linha 2026 apresentou a novidade da versão XTR, com proposta mais aventureira e robusta. Somam-se a ela outras quatro: Live, Live Pack, Feel e You!.

A história do Citroën C3 tem origem no conceito Lumière, apresentado no Salão de Paris de 1998 e desenvolvido pelo estúdio de design da marca sob direção de Donato Coco. O carro chamou a atenção à época pelo teto curvo e ampla área envidraçada com para-brisa de destaque. Em 2012 veio a segunda geração e, em 2022, a terceira e atual.

Mercedes-Benz fornece dezoito ônibus para Viação Cidade Boa Vista

São Paulo – A Viação Cidade Boa Vista adquiriu, por meio do concessionário Mardisa, dezoito unidades do chassi de ônibus urbano Mercedes-Benz OF 1721, encarroçado pela Marcarello. O banco da marca financiou 70% do valor da compra da empresa, que opera na capital de Roraima.

Com a aquisição, toda a frota de noventa ônibus que transporta cerca de 31 mil pessoas por dia em Boa Vista está equipada com ar-condicionado.

Marcopolo entrega setenta ônibus para Viação a São Gabriel 

São Paulo – A Marcopolo concluiu a entrega de setenta ônibus adquiridos no segundo semestre pela Viação São Gabriel, de São Mateus, ES, mesma cidade em que a encarroçadora mantém uma fábrica. Os veículos serão utilizados no transporte urbano da cidade, além de operações de fretamento, turismo e transporte saúde.

Dentre os modelos foram adquiridos um ônibus Paradiso G8 1800 Double Decker, aplicado em serviços de turismo nacional, 44 unidades do Ideale, dedicadas ao fretamento dos colaboradores da unidade Marcopolo de São Mateus, vinte ônibus urbanos Torino e cinco Viaggio G8 1050, usados no transporte saúde da cidade.

Secretaria de agricultura de Minas Gerais adquire 72 caminhões Iveco

São Paulo – A Iveco realizou a entrega de 72 caminhões da linha Tector para a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais. Os veículos, adquiridos por meio da concessionária Deva, serão usados em operações estruturais e serviços essenciais em municípios impactados pelo rompimento de barragens.

O lote de caminhões é composto por dezenove unidades do Tector 15-210, 23 do Tector 17-210, e trinta do Tector 27-230.

Ford programa vinte lançamentos para os próximos dois anos

São Paulo – Após um 2025 de crescimento destacado, com mais de 49 mil veículos vendidos até novembro, resultado 12,6% superior aos onze primeiros meses do ano passado, a Ford planeja ao menos vinte ações de novos produtos nos próximos dois anos. Quem anunciou foi o presidente Martin Galdeano, em encontro com a imprensa na terça-feira, 9.

O plano é fortalecer os segmentos em que já participa e explorar espaços de mercado em que ainda não há participação, disse o executivo. Um destes lançamentos já foi revelado: a versão híbrida plug-in flex da picape Ranger, que é desenvolvida pela equipe de engenharia local, com investimento de US$ 170 milhões, e sairá das linhas de Pacheco, Argentina, a partir de 2027.

Só a picape respondeu por mais de 30 mil emplacamentos da Ford no mercado brasileiro até novembro, alcançando avanço de 9%. Para atender a demanda a fábrica recebeu aporte de US$ 40 milhões para ampliar sua capacidade de produção, para 90 mil unidades. Lá também passou a ser produzido o motor Panther 2.0, na mesma linha do Lion V6 3.0.

O modelo que mais cresceu no mercado local foi outra picape, a F-150: passou a 1,1 mil unidades até novembro, alta de 140%. A Ford Pro, linha de veículos comerciais, registrou 8,4 mil emplacamentos de algumas versões da Ranger e da Transit, alta de 33%.

Em toda a América do Sul o desempenho da Ford foi igualmente positivo, somando 123,7 mil emplacamentos até novembro, alta de 21%, mais do o dobro do avanço de 9% da região.

BorgWarner terá nova linha de turbos para veículos leves

Itatiba, SP – A BorgWarner anunciou a instalação de nova linha de turbos para carros de passeio a partir de 2027. Embora não possa citar o nome da cliente por questão contratual Melissa Mattedi, diretora geral da fábrica de turbocompressores da BorgWarner em Itatiba, SP, afirmou que se trata de fabricante europeia. A nova linha, na verdade, será transferida da Europa, de uma fábrica da BorgWarner – a qual Mattedi também preferiu não explicitar a localização.

A perspectiva é que a instalação das bancadas, máquinas de teste e balanceadoras ocorra em meados de julho, e o ramp up da produção será em 2027.

Sem falar números absolutos a executiva acredita que quando for atingido o pico de produção, em dois turnos, o que demandará a contratação inicial de oito profissionais, o volume de fabricação de turbos crescerá em torno de 10%.

O novo turbocompressor da unidade de Itatiba equipa veículo a combustão flex que hoje é fabricado e comercializado no Brasil, mas que utiliza produto feito na Europa. Com esta decisão, portanto, a montadora terá mais previsibilidade, garantia de fornecimento e menores custos com frete e variações de câmbio.

“Com localização do turbo mitigamos o risco, que hoje é 100% do cliente. A partir do momento em que o produto é feito aqui é o fornecedor quem se responsabiliza, organiza estoque de componentes e agiliza a entrega”, disse Mattedi. “Ter o centro de engenharia local também ajuda, pois o que o cliente precisar em termos de suporte e desenvolvimento, terá ao lado dele.”

A instalação da nova linha não demandará expansão fabril, uma vez que na unidade do Interior paulista existe espaço para acomodar os equipamentos. Hoje, em torno de 85% da capacidade local é utilizada.  

“O interessante desta linha é que ela pode ser adaptada para outros produtos. Portanto, se o cliente quiser trazer novos tamanhos ou mesmo novos motores, é possível produzir.”

BorgWarner adiciona terceira montadora de leves ao seu portfólio

A diversificação do portfólio é vista com bons olhos por Mattedi uma vez que isto assegura a longevidade do negócio. O investimento não pode ser divulgado, mas a nacionalização deste linha estabelece marco importante para a BorgWarner, que adicionará a terceira montadora de veículos leves à sua lista de clientes.  

A última conquista ocorreu com a Stellantis, em 2019, que ao longo dos anos foi adicionando marcas — começou com Fiat, depois Jeep, Citroën e Peugeot — tendo sido a novidade mais recente em 2022 com o novo turbo para a Fiat Strada.

A fábrica BorgWarner, inaugurada em 2013, também atende à Volkswagen, que no início deste ano passou a dotar se turbocompressor seu SUV Tera.

Nos pesados, desde que o Euro 6 entrou em vigor, no ano passado, a BorgWarner vende turbos ball bearing para a Scania e a Volvo. E sistemas mais convencionais como mancal de eixo para Mercedes-Benz, Volkswagen Caminhões e Ônibus e Iveco. 

Para 2026 é aguardada estabilidade

Como no ano que vem não haverá lançamentos que incluam a BorgWarner como fornecedora, além do cenário de dificuldades persistentes da economia, com as altas taxas de juros e menor acesso ao crédito, a diretora prevê estabilidade nos negócios. 

“O mais importante em 2026 é manter o ritmo deste ano. Se não reduzirmos o faturamento já será um ganho”, assinalou Mattedi, que reafirmou a intenção de encerrar 2025 com acréscimo de 25% ao faturamento e de 20% à produção