Novembro tem melhor média diária do ano, mas abaixo de 2024

São Paulo – Apesar da queda de 8,5% nos emplacamentos de outubro para novembro, com 238,6 mil unidades, a média diária registrada no mês passado alcançou o melhor resultado do ano: 12,6 mil unidades. Ficou 11,5% acima da alcançada em novembro, 11,3 mil veículos/dia.

O bom resultado, porém, não superou o desempenho de novembro do ano passado, que registrou 13,3 mil licenciamentos/dia, em média. Tal fato foi destacado pelo presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, que justificou a redução pelo atual patamar da taxa de juros, que está em 15%, contra 11,25% há um ano:

“Há um ano os juros para financiamentos de veículos para pessoas físicas estavam, em média, a 26,4% ao ano. Hoje estão em 27,4%”.

O impacto é mais relevante no mercado de pesados, especialmente o de caminhões, que acumula 8,7% de recuo nos emplacamentos. Segundo o presidente da Anfavea “os juros estão asfixiando o mercado de caminhões”.

No segmento de leves existe o fator Carro Sustentável, que elevou em 14,5% as vendas dos modelos que participam do programa. No varejo este impacto é mais claro: 51,6% de elevação desde que o programa foi criado.

Projeções não serão alcançadas

Com 2,4 milhões de veículos licenciados o mercado apresentou elevação de 1,4% sobre janeiro a novembro do ano passado. Bem distante da projeção da Anfavea de aumento de 5%, para 2 milhões 765 mil veículos, já revisada para baixo em agosto.

Calvet admitiu que o número não será alcançado: “Precisaríamos, em dezembro, de volume de emplacamentos 38% superior ao do mês passado. Não é razoável. As projeções de vendas, como as de produção, não serão atingidas”.

Importações

Os emplacamentos de veículos importados recuaram 6,9% em novembro comparados com os do mesmo mês do ano passado, para 41,7 mil unidades. Com relação a outubro as vendas caíram 10,1%.

O presidente da Anfavea destacou, mais uma vez, que a China superou a Argentina em volume. Foram, em novembro, 18,8 mil unidades chinesas e 14,9 mil argentinas: “Desde agosto esta curva se inverteu e a Argentina deixou de ser a principal fornecedora ao Brasil”.

No acumulado do ano as importações de veículos somam 443,8 mil unidades, 7,2% acima do volume relatado de janeiro a novembro do ano passado. Neste caso a Argentina ainda tem vantagem sobre a China.

Produção recua em novembro e reduz alta do acumulado

São Paulo – Em novembro saíram das linhas de montagem instaladas no Brasil 219,1 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus, segundo divulgou a Anfavea na segunda-feira, 8. O resultado, 8,2% inferior ao mesmo mês do ano passado e 11,6% abaixo do de outubro, reduziu para 4,1% o crescimento acumulado da indústria, comparado com igual período de 2024, para 2 milhões 460 mil veículos.

O crescimento acumulado de janeiro a outubro, também comparado com mesmo período do ano passado, foi de 5,2%, já abaixo da expectativa oficial da entidade, de avanço de 7,8%, para 2 milhões 749 mil unidades até dezembro. Desta forma o presidente executivo, Igor Calvet, ressaltou o que havia adiantado em meados de novembro, na última entrevista coletiva de imprensa da Anfavea: as projeções não serão alcançadas.

Para chegar à projeção seria preciso produzir 289 mil veículos em dezembro, volume que não foi alcançado em nenhum mês do ano pela indústria. Com o agravante de que em dezembro as linhas costumam reduzir o ritmo em função da concessão de férias coletivas.

Segundo o presidente da Anfavea a redução no ritmo é justificada, principalmente, pelo patamar da Selic, que está em 15% ao ano: “Em novembro do ano passado a taxa básica de juros estava em 11,25%. É uma diferença relevante”. Outro fator, lembrou, é a quantidade de dias úteis: em novembro foram quatro dias a menos do que em outubro: “Pelos nossos cálculos foram de 40 mil a 50 mil unidades produzidas a menos devido à menor quantidade de dias úteis”.

Calvet esquivou-se de fazer previsão para o último mês do ano: “Não alcançaremos as projeções. Por faltar apenas um mês não será feita revisão”.

A boa notícia é que o volume produzido até novembro supera o mercado doméstico, resultado do bom momento das exportações, ainda que as importações estejam, também, em alta. No ano passado as vendas superaram a produção.

A indústria encerrou novembro com 110,8 mil postos de trabalho gerados, 2,7 mil a mais do que um ano antes. Com relação a outubro houve estabilidade.

Ajustes do Re:Nissan chegaram ao fim na América Latina

São Paulo – Os ajustes necessários dentro do plano Re:Nissan, que busca reestruturar financeiramente a gigante montadora japonesa na região da América Latina, já foram todos anunciados. O fim da produção da Frontier em Córdoba, Argentina, e o fechamento de duas fábricas no México, uma em Aguascalientes, com quem mantinha joint-venture com a Mercedes-Benz, e a histórica Civac, em Morelos, além do encerramento da operação do estúdio de design em São Paulo, foram as contribuições dadas pela região ao plano de reestruturação.

Não houve pisada no freio de investimentos, garantiu o presidente da Nissan América Latina, Guy Rodriguez: “Em termos de produto nada mudou: há dois anos anunciamos o investimento de R$ 2,8 bilhões para dois novos SUVs e um motor turbo e cumprimos”, disse, referindo-se ao Novo Kicks e o Kait, os dois mais recentes lançamentos.

“Estamos acelerando: a produção da fábrica de Resende subiu de 24 carros por hora para 28 e estamos pensando em aumentar novamente a produção [para 32 carros/hora]. Contratamos mais quatrocentos funcionários.”

A América Latina responde por 25% da produção global da Nissan, somando as fábricas mexicanas e a brasileira. Em termos de volume de vendas chega a 15%, com o objetivo de subir para um a cada seis veículos vendidos: “Nossa meta é vender 500 mil unidades na região no ano fiscal de 2027. Até lá renovaremos todo o nosso portfólio”.

No Brasil o presidente local Gonzalo Ibarzábal traçou o desafio de vender 100 mil unidades já no ano fiscal atual. Rodriguez destacou o aumento de participação para 3,2% no último trimestre, ainda sem o Kait. 

Faltou volume em Córdoba

Quando o CEO global Ivan Espinoza anunciou o Re:Nissan, em maio, estavam na mesa o fechamento de sete fábricas. Córdoba, na Argentina, já estava com o plano de encerramento em curso.

Rodriguez justificou que o local, que produziu a Nissan Frontier e a Renault Alaskan, jamais alcançou o volume desejado: “Nosso projeto era para 70 mil unidades por ano, volume que, infelizmente, não alcançamos. O máximo a que chegamos foi 34 mil”.

A produção da Frontier foi transferida para o México e, em breve, a picape lá produzida substituirá a argentina no portfólio local da Nissan. Outra novidade, anunciada por Rodriguez, foi a chegada da tecnologia e-power no Brasil, com o X-Trail importado do Japão.

Cristiane Mireille é nomeada gerente geral da Arval Brasil

São Paulo – A Arval Brasil, empresa de mobilidade que faz parte do Grupo BNP Paribas, anunciou Cristiane Mireille como sua gerente geral no Brasil. Ela assumiu no começo do mês, sucedendo a Carlos Lopes, que estava no cargo desde 2022 e que foi promovido a diretor comercial da Arval Itália.

Com vinte anos de experiência em bancos de investimento, sendo metade no Grupo BNP Paribas, a gerente tem um feito inédito: é a primeira mulher a assumir o cargo de gerente geral da Arval Brasil. Sua missão será fortalecer a instituição e dar continuidade aos planos de crescimento.

Vendas da Shineray crescem 21% e chegam a 118 mil motocicletas

São Paulo – A Shineray divulgou seu balanço até novembro, com 117,9 mil motocicletas vendidas no Brasil, avanço de 21% sobre iguais meses do ano passado, e participação de mercado de 6,1%, contra 5% em 2024, de acordo com dados divulgados pela Fenabrave.

Além do crescimento orgânico do mercado de duas rodas a Shineray ampliou a sua capilaridade no Brasil, com 37 novas lojas abertas apenas em novembro, chegando a 409 — em igual período do ano passado detinha 115 revendas em operação.

Iochpe-Maxion obtém financiamento de R$ 36,7 milhões junto ao BNDES 

São Paulo – A Iochpe-Maxion teve aprovado financiamento de R$ 36,7 milhões junto ao BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, para promover a transformação digital das linhas de produção de longarinas, componentes estruturais fundamentais na montagem de chassis, na unidade de Cruzeiro, SP. 

Tornado viável por meio do programa BNDES Mais Inovação, que aplica TR, taxa referencial em metade do valor, este projeto envolve a automação, digitalização e integração dos processos industriais, promovendo redução de perdas, ganhos significativos de produtividade e eficiência operacional.

Hoje a unidade usa dois processos para a fabricação das longarinas: a estampagem, que molda as chapas metálicas em prensas, e o roll-forming, em que as chapas passam por rolos que as dobram gradualmente até alcançar a forma desejada. Com a modernização a empresa estima ampliar a capacidade produtiva em 32%, passando de 480 mil para 635 mil longarinas por ano.

Iveco Bus entrega oito ônibus à Miraval Turismo

São Paulo – A Iveco Bus finalizou a entrega de oito ônibus para a Miraval Turismo, empresa que opera em fretamento corporativo e turismo na Região Metropolitana da Grande São Paulo. O lote negociado foi de oito unidades e todas já foram entregues.

Produzidos na fábrica de Sete Lagoas, MG, os chassis escolhidos pela Miraval foram os BUS 10-190 e o BUS 17-280.

Mercado chileno soma 281 mil veículos vendidos até novembro

São Paulo – As vendas de automóveis e comerciais leves somaram 281 mil unidades no Chile até novembro, volume 2,4% maior do que o registrado em iguais meses do ano passado, de acordo com dados da Anac, Associação Nacional Automotriz do Chile. Caso seja mantido ritmo de vendas acima das 20 mil unidades em dezembro, como aconteceu nos outros onze meses, o resultado de 2025 ficará acima das 300 mil unidades. 

Em outubro foram vendidos 25,6 mil veículos, expansão de 2,1% na comparação com idêntico mês do ano passado e de 8,9% sobre setembro. 

De acordo com a entidade este resultado mostra que o mercado e os consumidores se adaptaram às novas condições regulatórias e comerciais, uma vez que o Chile passou por mudanças nas normas de emissões que valem para os modelos que estão chegando como linha 2026.

De janeiro a novembro a Toyota liderou o mercado com 22 mil vendas. A disputa pelo segundo lugar foi acirrada por Suzuki e Hyundai, mas a Suzuki garantiu a vice-liderança com 19,9 mil, contra 19,4 mil da Hyundai.

Pesados

Foram vendidos 1,4 mil caminhões em novembro, incremento de 29,9% sobre o mesmo mês de 2024 e com relação a outubro houve estabilidade, mostrando que esse segmento também já se adaptou às mudanças da legislação de emissões. No acumulado do ano as vendas chegaram a 12 mil unidades, expansão de 9,7% na comparação com igual período do ano passado. 

O mercado de ônibus foi o que mais cresceu até novembro, com alta de 110,7% e 3,8 mil unidades vendidas. Em novembro foram 474 unidades, avanço de 152,1% sobre idêntico mês de 2024 e queda de 8,8% com relação a outubro.

Pace terá R$ 500 milhões para pesquisa e desenvolvimento

Horizonte, CE – A Pace, Planta Automotiva do Ceará, é uma iniciativa da Comexport que, com recursos próprios, investiu R$ 400 milhões para adequar o que era a fábrica da Troller num polo produtivo com foco em tecnologias avançadas. O empreendimento, que conta com o apoio do governo do Ceará e do município para reativar a atividade industrial na região, vai além da produção automotiva e de apenas uma marca de veículos.

A intenção é criar polo multimarcas, com seus fornecedores, startups e instituições de ensino, como o Instituto Tecnológico da Aeronáutica, o ITA, que deverá se instalar no complexo da Comexport, segundo seu vice-presidente, Rodrigo Teixeira.

No âmbito automotivo a Pace está cadastrada no Programa Mover e por isto a Comexport anunciou, na quarta-feira, 3, que investirá R$ 500 milhões em pesquisa e desenvolvimento até 2030.

“Esta é a primeira fase de investimentos. Queremos incentivar a criação de tecnologia brasileira reunindo este grupo diverso de fabricante de veículos, fornecedores, startups cearenses e o ITA, dentre outros atores da área industrial em um mesmo ambiente.”

A área atual de 120 mil m2 já está sendo ampliada para 600 mil m2, onde será construído um polo tecnológico de pesquisa e desenvolvimento além de abrigar um parque de fornecedores nacionais de autopartes.

A Comexport também está negociando com outras fabricantes de veículos um modelo de produção semelhante ao feito para a General Motors: ela importa os kits semidesmontados do Spark e da Captiva da chinesa SAIC-GM e opera toda a transferência de conhecimento técnico e de padrões de qualidade para serem montados no País.

Presidente Lula conhece processo do montagem de kits SKD do Chevrolet Spark no Polo Automotivo do Ceará
Foto: Ricardo Stuckert /PR.

A expectativa é que em 2026 sejam montados 8,8 mil unidades dos modelos Chevrolet e anunciados “mais alguns contratos com outras marcas que ainda estão sob sigilo dentro do processo de negociação”, esclareceu Teixeira.

O executivo enfatizou que o atual governo criou a “a mais moderna política setorial do mundo” com o Mover e seu conceito produtivo do berço ao túmulo, que considera todas as etapas desde a obtenção da matéria-prima até a destinação final do produto em seu cálculo para definir tributação e incentivos produtivos: “Pretendemos explorar esta vantagem competitiva com nossos parceiros e desenvolver soluções para toda essa longa cadeia”.

Além disso a Pace é beneficiada pelos incentivos para o desenvolvimento industrial do Nordeste, que foi mantido na reforma tributária e mantém isenções de IPI, dentre outros mecanismos para produção automotiva na região. Esta é outra ferramenta com potencial para atrair outras marcas para o empreendimento da Comexport.

Teixeira considera que os custos logísticos para produzir nesta região distante dos principais centros consumidores do País são amortizados em certa parte pelos incentivos. Mas o principal benefício “está na criação de empregos qualificados numa região carente, influenciando positivamente o desenvolvimento de todo um País”.

Aliança pela Mobilidade Sustentável cria novas metas e anuncia mais integrantes

São Paulo – Fundada e liderada pela 99 a Aliança Pela Mobilidade Sustentável alcançou números muito acima das expectativas da época de sua criação, há cerca de três anos e meio. Só na plataforma de mobilidade o volume de eletrificados cadastrados ficou três vezes maior do que o esperado: 34 mil, diante de uma projeção de 10 mil feita em 2022.

“Já no ano passado, quando contabilizamos 8,5 mil na plataforma, revisamos o número para 20 mil”, disse  Thiago Hipólito, diretor de Inovação da 99 e fundador da Aliança. “Mas a curva foi bem maior e, até o fim de novembro, chegamos a 34 mil.”

Eletrificar a frota é uma das prioridades da 99, que soma 34 milhões de viagens e mais de 51 milhões de passageiros transportados no período: “Estas viagens pelo aplicativo são, muitas vezes, o primeiro contato de uma pessoa com um carro eletrificado”.

A Aliança reúne montadoras, como BYD e Caoa Chery, empresas de recarga, financeiras, locadoras e outras que integram a mobilidade eletrificada. Na quinta-feira, 4, foram anunciadas nove novas integrantes: GAC, Kinto, BR22, Seteloc, Riba Bike, Bebike, Bliv, Serttel e GoMoov.

A iniciativa reforça a presença das duas rodas, com novas empresas de bicicletas e motocicletas, e traça metas, também, para veículos comerciais dentro da plataforma. Para 2030 a expectativa é ter 300 mil cadastrados, em múltiplas categorias: 130 mil carros, 70 mil motocicletas, 100 mil bicicletas e 10 mil vans e caminhões, além de 60 mil estações de recarga espalhadas pelo Brasil – atualmente são 16 mil pontos.