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GWM traça meta de alcançar 60% de nacionalização até 2026

Em sua primeira visita ao Brasil o presidente da GWM International, Parker Shi, falou sobre os planos da GWM para o mercado local

São Paulo – O plano é ousado: com o início da produção do Haval H6, nas versões híbrida e híbrida plug-in, programada para maio do ano que vem, a GWM pretende, até o fm de 2026, ampliar a localização de peças e componentes para 60%. Foi este o desafio lançado por Parker Shi, presidente da GWM International, que desembarcou no Brasil na quinta-feira, 21, pela primeira vez, vindo do México, sua primeira parada.

Shi é responsável por toda a operação da GWM fora da China, que neste ano somará 450 mil unidades comercializadas, crescimento de 30% sobre o volume do ano passado. O Brasil, terceiro maior mercado – atrás de Rússia e Austrália – contribuirá com 28 mil veículos. Logo que desembarcou cumpriu agenda com o governador do Estado de São Paulo, Tarcisio de Freitas, tendo como pauta a fábrica paulista de Iracemápolis, a ser inaugurada no ano que vem.

Na segunda-feira, 25, tem reunião agendada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin, com quem já conversou, recentemente, na China. Com a aproximação do início da operação da fábrica o Brasil tornou-se a bola da vez da companhia, que adota, por aqui, estratégia diferente de sua compatriota BYD, com passos mais cautelosos.

O presidente da GWM Internacional conversou com jornalistas especializados, incluindo a Agência AutoData, na quinta-feira, 21, após reunião com a rede concessionária. Na ocasião foi apresentado o novo presidente da GWM Brasil, Andy Zhang, que sucede a James Yang, que assumiu outras funções na companhia. 

Início da produção e nacionalização

Os primeiros Haval H6 deverão sair das linhas de Iracemápolis em maio. Em paralelo será feito o trabalho de localização de peças e componentes, segundo Shi, que definiu prazo mais apertado do que o divulgado por Ricardo Bastos, diretor de assuntos institucionais da GWM Brasil: até o fim de 2026 chegar aos 60% de peças compradas localmente.

“Sem um grande porcentual de localização no Brasil os custos serão muito altos. Custos de transporte, embalagem, entrega, tudo é custo. Nós temos 70% das peças produzidas em fornecedores próximos à fábrica e entendemos que a localização é a chave do sucesso”, afirmou, citando que trazer empresas parceiras da China, para o Brasil, é uma das opções: “Provavelmente não é um investimento tão pesado”. 

Na reunião com o governador paulista foi exposto aos executivos chineses um plano para fomentar o desenvolvimento de fornecedores de autopeças em raio de 50 quilômetros das fábricas de veículos. A ideia é incentivar a atração de fornecedores.

“Esse é o alvo: 60% é o alvo. Eu não tenho certeza se poderemos alcançar, para ser honesto, mas eu tenho que desafiar a equipe”.

Até o fim do ano a GWM terá contratado cem funcionários para o chão de fábrica. Antes do início da produção a intenção é ampliar o quadro para setecentas pessoas. Estão nos planos, ainda, reforçar a equipe de desenvolvimento local. Os primeiros híbridos flex deverão sair da fábrica em 2026, tanto em versões plug-in como em híbrida convencional. Hoje existem em torno de cinquenta pessoas trabalhando no desenvolvimento, engenheiros do Brasil e da China.

Andy Zhang. Foto: Divulgação.

Outro ponto de avanço é a rede concessionária, que somará cem pontos até o fim do ano. Para 2025 o plano é expandir para 130 casas: “Pensamos na questão da sustentabilidade e na qualidade do serviço”, afirmou Zhang, da GWM Brasil. “Não abriremos casas a torto e a direito porque queremos garantir uma boa experiência para o cliente e rentabilidade para o revendedor”.

Estratégia diferente da BYD

Ao contrário da BYD, que aposta em volumes elevados e agressivo investimento em marketing, a GWM começou sua operação local de forma mais cautelosa. De janeiro a outubro as vendas da primeira somaram 58,7 mil unidades, garantindo a décima posição do ranking nacional, e as da GWM 23,5 mil, garantindo a décima-quinta colocação – mas à frente de marcas tradicionais como Peugeot e Mitsubishi, que mantém produção local.

Segundo Shi os planos para o Brasil são de estabilidade e longo prazo: “Não queremos um gráfico de sobe e desce nas vendas: buscamos algo mais estável. Não gosto de apostas altas, é um tipo de estratégia que pode provocar danos à marca e ao consumidor”.

Imposto de importação é algo natural

Para 2025 a GWM projeta crescer pouco, somando de 28 mil a 30 mil unidades, com a diferença de que parte será made in Brazil. A elevação do imposto de importação é uma das razões para a empresa tirar o pé. Mas Shi não reclamou:

“Aumentar imposto de importação é algo natural. A indústria quer se proteger: quem produz precisa se defender de quem está só vendendo, sem contribuir com geração de empregos. Então subir o imposto é normal para que não haja uma invasão”.

Estados Unidos x montadoras chinesas

Ao ser questionado sobre a pauta da reunião com o presidente Lula, na segunda-feira, o presidente da GWM International elogiou o governo, o ministro Alckmin e disse que essas reuniões são importantes para demonstrar e conquistar confiança para os dois lados.

“A relação do governo da China com o do Brasil é bem próxima. Eu sempre digo isso às pessoas: nós gostamos de colocar o dinheiro de investimento no jardim amigo. Você não quer colocar seu dinheiro no jardim inimigo. Então esqueça os Estados Unidos”.

Segundo Shi a entrada nos Estados Unidos, apesar do plano da GWM de ser uma marca global, está descartada por ora:

“Eles bloqueiam o caminho. A Tesla tem investimento alto em Xangai, a General Motors tem investimentos em Xangai. O governo chinês quer que eles saiam? Ao contrário: deram muito incentivo e apoio. A Tesla é muito popular na China porque o governo tem atitude diferente para o investimento estrangeiro. Já o governo do Brasil tem uma ótima postura para receber mais investimento chinês e nós da GWM chegamos com os braços abertos”.

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