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02/03/2015

Macapá: "Estamos prontos para uma nova luta".

Por Michele Loureiro

- 02/03/2015

Aos 34 anos o paraense Antônio Ferreira de Barros, do CSP-Conlutas, foi reeleito como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos em disputa com chapa da CUT/CTB. Macapá, como é mais conhecido, comandará a entidade até 2018 e lidera uma base de 43 mil empregados, em 1,3 mil empresas de cinco cidades da região do Vale do Paraíba. Dentre as companhias estão General Motors, Chery, Eaton, Embraer e Panassonic. Confira a seguir entrevista exclusiva concedida pelo dirigente sindical à Agência AutoData por telefone, na sexta-feira, 27.

Como começou sua trajetória no meio sindical?
Nasci no Pará e me mudei para o Amapá ainda criança, por isso ganhei o apelido. Aos 26 anos resolvi procurar um emprego melhor e mudei para o Vale do Paraíba, onde fiz dois cursos técnicos no Senai e me especializei. Em 2006 ingressei como terceirizado na General Motors de São José dos Campos e comecei a me aproximar das lideranças sindicais. Um ano depois fui contratado diretamente pela montadora e o sindicato estava procurando lideranças jovens para renovar a entidade. Fui convidado para compor a diretoria do sindicato nos três anos seguintes, de 2009 a 2012, e me aprofundei nas questões trabalhistas. Percebi que levava jeito para isso.

E como tornou-se presidente do sindicato?
Foi tudo muito rápido. Em 2012 haveria uma nova eleição e o sindicato me indicou para encabeçar a chapa por apostar em uma nova liderança e em um momento de renovação. Foi um grande desafio. Percebi que nunca se está pronto, você simplesmente precisa seguir em frente.

Quais foram os principais desafios no seu primeiro mandato?
Sem dúvida foi a GM. Houve muita discussão e muita luta. De 2012 até agora a empresa reduziu o quadro em cerca de 2 mil funcionários usando PDV e a suspensão de contratos temporários de trabalho. Agora o quadro total é de pouco mais de 5 mil trabalhadores. Nunca admitimos demissão em massa, apesar da empresa tentar por diversas vezes. A mobilização é o nosso forte. Tivemos o fim da produção do Classic, mas em contrapartida garantimos investimento de R$ 500 milhões na área de transmissões e motores, aporte que ainda está em andamento. Além disso a empresa prometeu que irá iniciar a produção de um modelo de grande volume na unidade até 2017 e isso deve gerar cerca de 2,5 mil empregos. Continuamos lutando para que essa promessa seja cumprida.

Esta eleição do sindicato foi marcada por uma greve na GM. Isso foi planejado?
De forma alguma. Nós não queríamos passar o período de eleições em meio a uma greve. Essa foi a maior paralisação da montadora nos últimos doze anos, mas não podíamos aceitar que a GM demitisse 800 funcionários na unidade. Entendemos que o momento é difícil para a indústria, mas vamos batalhar pelo trabalhador até o final. Mesmo com a pressão da montadora vencemos a eleição com 75% dos votos totais.

Como deve ser seu segundo mandato?
Sabemos que vamos enfrentar dias difíceis, mas estamos prontos para uma nova luta. Além da GM temos muitas empresas de peso na região, como a Embraer, onde conseguimos uma cadeira no conselho. A luta faz parte do nosso DNA e como a economia do País passa por um momento ruim sabemos que os empregos podem ser ameaçados, mas não vamos permitir que os trabalhadores paguem a conta.

Há alguma outra empresa na região que requeira atenção especial?
Todas as empresas estão sendo monitoradas e algumas têm uma situação mais urgente. A Chery, em Jacareí, SP, é uma delas. Eles começaram a produzir nesse ano e ainda há muita coisa para ajustar lá. Nossa briga será por melhores condições de trabalho e aumento de salário. Eles precisam entender que aqui não trabalhamos como na China.

Além de comandar o sindicato, o sr. ainda trabalha na GM. Como é sua rotina?
Nunca me afastei das atividades na GM. Este é um princípio do nosso sindicato: estar próximo ao chão de fábrica. Trabalho na área de estamparia da GM no primeiro turno, das 5h50 às 15h. Apenas me ausento quando preciso negociar questões em outras empresas ou para reuniões semanais com a diretoria do sindicato. Com isso, trabalho uma média de doze horas por dia e ainda concilio minha vida pessoal com minha esposa e uma filha, de 1 ano.

O sindicato tem fama de intransigente. Isso é negativo?
Nós somos ligados ao PSTU. A luta é uma marca forte. Somos socialistas e fazemos oposição ao governo. Esse é nosso perfil. Não nos preocupamos em agradar os empresários, nos preocupamos em defender a classe trabalhadora.


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