AutoData - Nissan quer crescer 20% no Brasil em 2015
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02/03/2015

Nissan quer crescer 20% no Brasil em 2015

A mais brasileira e a líder dentre as montadoras japonesas instaladas no mercado nacional: esse é o nada modesto objetivo traçado pela Nissan, presidida por aqui pelo francês naturalizado brasileiro François Dossa, no País. Para alcançá-lo será necessário superar em vendas a Toyota e a Honda, atuais sétima e oitava colocadas no ranking nacional – já está à frente da Mitsubishi e Suzuki, as duas outras montadoras com origem no Japão que possuem produção local.

O desafio é grande, vez que a Nissan foi a última das cinco a localizar a produção – em abril do ano passado, em Resende, na região sul-fluminense. Das linhas de montagem sai o New March, que ganhou versão 1 litro com motor de três cilindros produzido na fábrica de motores do mesmo complexo. O motor anterior do hatch compacto era emprestado da companheira de aliança Renault, que o montava em São José dos Pinhais, PR.

Dossa afirmou que para alcançar a meta de avanço no ranking precisa crescer este ano 20% – objetivo ousado, ainda mais em um mercado que, acredita, ficará estável com relação ao ano passado. Segundo seus cálculos com isso a Nissan ganhará um ponto de participação, fechando 2015 com mais de 3% das vendas locais. A Toyota, atual líder dentre as japonesas, teve 5,9% das vendas no ano passado e anunciou na quinta-feira, 29, investimento de R$ 100 milhões para ampliar a capacidade de produção do Etios em Sorocaba, SP.

O presidente da Nissan, entretanto, não se abala e demonstra confiança de que alcançará a meta de crescimento. Ele se apoia na sua linha de produtos: a nova geração do Sentra, lançada no ano passado, registrou crescimento de 111% nas vendas com relação ao modelo anterior. O New March produzido em Resende já teve mais de 20 mil unidades comercializadas e em dezembro alcançou a marca de três mil licenciamentos, volume mensal considerado satisfatório pela diretoria da empresa.

Nos próximos meses chegará ao mercado mais um modelo que deverá acrescentar considerável volume às vendas da marca: o New Versa, versão sedã do March que também será produzida em Resende. “Ainda temos a Frontier, que completa nosso portfólio de 2015. Para 2016, quando ocorrerão os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro [dos quais a Nissan é uma das principais patrocinadoras], poderemos ter outras novidades.”

Uma delas poderá ser o Kicks, utilitário esportivo compacto apresentado como veículo conceito no Salão do Automóvel de São Paulo no ano passado, que chegaria para competir com Chevrolet Tracker, Ford EcoSport, Honda HR-V, Jeep Renegade e Renault Duster, um dos segmentos de maior potencial de crescimento no mercado brasileiro. Mas Dossa desconversa: “Ainda não temos nada definido”.

Paralelamente à linha de produtos a Nissan investe em sua imagem, estratégia considerada fundamental para se tornar a mais brasileira e número um dentre as japonesas. “O Carlos Ghosn [CEO da Aliança Renault Nissan] diz que para crescer no mercado brasileiro é preciso fazer parte da cultura do País. Por isso os investimentos em patrocínio dos Jogos Olímpicos e do Carnaval, onde somos parceiros da escola de samba Salgueiro. É uma forma de mostrar aos brasileiros que entendemos sua identidade, sua cultura e estamos aqui para ficar”.

E não é apenas discurso: Dossa pegou gosto pela coisa e comparece à quadra da escola todos os finais de semana. Já desfilou pelo Salgueiro e sabe os sambas-enredo na ponta da língua. O exemplo, portanto, vem do presidente.

TRÊS CILINDROS – Prestes a completar 100 mil unidades vendidas no mercado brasileiro, somadas as 73 mil unidades da geração mexicana e as 20 mil Made in Brazil, o March ganhou versão com motor 1 litro três cilindros, seguindo a estratégia das montadoras para o segmento – Ford, Hyundai e Volkswagen já têm motores com a mesma configuração e tecnologia.

Anunciado para o New Versa durante a visita do CEO Carlos Ghosn ao Brasil no começo de janeiro, o propulsor flex fuel produzido em Resende debuta no hatch compacto, que chega ao mercado em março com a tecnologia flex start da Bosch, dispensando o tanquinho extra para partida a frio.

Chamado de HR10 e exclusivo para o mercado brasileiro, o motor deriva do HR12 1,2 litros usado em outros modelos da marca ao redor do mundo. Tem bloco e cabeçote de alumínio, comando de válvula duplo variável e quatro válvulas em cada um dos três cilindros.

O modelo ganhou três cavalos comparado com o antigo D4D 1 litro de quatro cilindros e agora alcança 77 cv com etanol. Sai por R$ 36 mil na versão Conforto, que tem ar-condicionado e direção elétrica progressiva de série e chega até R$ 41 mil na topo de linha para o motor 1 litro.

Há também as versões com motor 1,6 litro, que também recebeu alterações – agora tem o flex start e atende às exigências do Proconve 6. Parte de R$ 41 mil na versão S, também com ar-condicionado, direção elétrica e ainda travas e vidros elétricos. A topo de linha, SL, tem navegador com bluetooth, câmera de ré e ar-condicionado digital, por R$ 47,5 mil.

O objetivo, segundo Jean-Philippe Thery, gerente de produto, é manter a marca de três mil unidades vendidas por mês. “Alcançamos esse volume em dezembro, dobrando o volume de vendas na comparação com o mesmo mês de 2013.”

O mix, calcula, será de 50%-50% para cada motor. O March Active, da geração mexicana e que teve algumas unidades produzidas em Resende, não deverá continuar. Ainda há unidades disponíveis nas concessionárias mas os clientes estão migrando para a nova geração, de acordo com Thery.


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