Sem aspectos positivos no curto prazo.
É desta maneira a Abeifa encara a situação do segmento de veículos importados, que no primeiro bimestre apresentou retração de 27,1% com relação ao mesmo período do ano passado, e portanto além da queda de 22,5% das vendas de automóveis e comerciais leves do mercado geral.
De acordo com dados revelados pela associação na terça-feira, 10, foram licenciados por suas filiadas 13,2 mil veículos em janeiro e fevereiro, ante 18,2 mil há um ano.
A participação das vendas das 28 marcas da associação no mercado total caiu de 3,3% para 3,1% no período. “Ano passado tínhamos um problema crônico, que agora se tornou agudo. Não existem mais razões isoladas que expliquem a queda nas vendas, é uma soma de fatores e não há qualquer sinalização positiva no curto prazo”, afirmou Marcel Visconde, presidente da Abeifa. “A crise esta aí e precisamos encará-la da melhor forma.”
O cenário deverá se agravar nos próximos meses, vez que o efeito da valorização cambial – Visconde calcula que o dólar subiu 20% nas últimas seis semanas – ainda não atingiu as importadoras, que estão vendendo os estoques adquiridos com a moeda ainda em patamares mais baixos e não repassaram o aumento aos seus produtos.
“A tendência do dólar é de alta. Antes havia volatilidade, mas agora entrou um pouco de especulação e a moeda apreciou. Acredito que o valor real seja um pouco mais baixo, porém não há qualquer indicação de recuo.”
Como o mercado está em baixa, não há muito espaço para que as importadoras reajustem o preço de seus veículos sem que percam mais vendas. Por isso, segundo Visconde, o cenário é de enxugamento do setor. “A conjuntura atual não permite a manutenção do tamanho da rede. Demissões e redução de estrutura não estão longe do radar e o desenho converge para isso, embora sejam decisões internas de cada associada.”
A Abeifa estima queda de 10% nas vendas por suas filiadas neste ano, para 84,3 mil unidades. O índice é o mesmo adotado desde o início deste mês pela Fenabrave para o mercado geral. “É a perda mínima, pois acredito que a queda seja ainda maior”.
Visconde revelou que a Abeifa se reunirá no começo de abril, e pela primeira vez, com Armando Monteiro, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Não há uma pauta definida, segundo o dirigente, mas a associação pretende solicitar o aumento das cotas de importação sem IPI majorado do Inovar-Auto.
“O sistema é arcaico”, disparou Sérgio Habib, vice-presidente da Abeifa e presidente do Grupo SHC, dono de concessionárias Jac Motors, Aston Martin, Jaguar Land Rover, Citroën e Volkswagen. “Aconteceu com o dólar a R$ 1,60 [o incremento de 30 pontos porcentuais no IPI] e a taxa agora chegou à casa dos R$ 3. Atualmente é desnecessário [o aumento no imposto]”.
Visconde e Habib acreditam que, mais do que os indicadores econômicos negativos ou restrição de crédito, “a baixa autoestima do consumidor” é o fator que mais prejudica o mercado brasileiro de veículos. O presidente da Abeifa entende que o consumidor está mal humorado: “O índice de confiança do consumidor está no nível mais baixo desde 2001”.
Os dirigentes defendem que as medidas do governo para reajustar a economia precisam ser tomadas de uma só vez. “Se houver algo negativo a ser feito, que seja feito de uma só vez, e não de forma pontual, mensalmente. A inércia política só piora a situação e precisamos fazer o plano do [Ministro da Fazenda, Joaquim] Levy decolar.”
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