Jaime Ardila, presidente da General Motors América do Sul, já esteve em situação mais confortável. A região, que há alguns anos era a menina dos olhos da companhia – a ponto ganhar status de divisão global em 2010, tornando-se independente da GM Operações Internacionais – registrou prejuízo nos últimos balanços. Brasil e Chile, dois importantes mercados, estão com vendas em declínio e a Argentina, embora estabilizada, tem volumes baixos.
“Tenho viajado muito, por isso falo pouco com vocês”, afirmou o executivo a um pequeno grupo de jornalistas que participou de cerimônia de celebração da produção do veiculo GM número 500 milhões, na tarde de segunda-feira, 4, em São Paulo. “Essa certamente é a crise mais grave desde que cheguei ao Brasil, em 2007. Não temos mais as ferramentas que tínhamos para suavizar ou reverter a queda, como redução do IPI ou financiamentos.”
O executivo acredita que o mercado fechará o ano com de 2,9 milhões a 3 milhões de veículos vendidos, somados todos os segmentos – projeção inferior à da Anfavea, que acredita em pouco mais de 3 milhões de unidades comercializadas. “É uma queda expressiva. O cliente não vai às lojas e quando vai não fecha negócio.”
Mas Ardila acredita em retomada do mercado, ainda que tímida, a partir do ano que vem, quando os juros deverão voltar a cair e a confiança do consumidor retornar. Enquanto isso aciona os mecanismos para reduzir os custos: no mês passado trezentas pessoas aderiram a um PDV destinado ao setor administrativo, número considerado suficiente pelo executivo.
Para o chão de fábrica lança mão de férias coletivas, lay offs e folgas remuneradas – na terça-feira, 5, 467 metalúrgicos de São Caetano do Sul, SP, entraram em licença por tempo indeterminado. Demissões, por enquanto, não entraram na mira. “Não vamos reduzir pessoal que poderemos precisar nos próximos meses. Mas estamos com estoque alto, de 45 a 50 dias, e precisamos readequá-lo.”
Como acredita no futuro do mercado brasileiro, a GM segue com seu pacote de R$ 6,5 bilhões de investimento até 2019. O dinheiro é aplicado no desenvolvimento de produtos, melhoria de processos e adaptação ao Inovar-Auto. Ardila disse que em breve o mercado receberá novos modelos da marca – mas o compacto substituto do Celta virá mais adiante, pois a empresa ainda não encontrou o resultado da equação preço versus necessidade do consumidor brasileiro.
Para o executivo a metade do copo está cheia. “Essa crise é grande, ruim, mas incomparavelmente menor à que os Estados Unidos passaram em 2008. Eles conseguiram reverter a situação e voltaram a bater recorde de vendas. Temos potencial para fazer o mesmo.”
Meio bilhão – Um importante marco foi comemorado pela GM: mais de 500 milhões de veículos produzidos no mundo, maior volume dentre os competidores do mercado automotivo. Segundo Santiago Chamorro, presidente da GM do Brasil, se alinhados os carros dariam a volta ao mundo por setenta vezes e fariam viagem de ida e volta à lua por quatro vezes.
No Brasil a companhia produziu mais de 14 milhões em seus noventa anos de mercado.
Na história a GM lidera com folga o ranking de produção. Recentemente a Ford comemorou a marca de 350 milhões de veículos produzidos. Volkswagen e Toyota anunciaram há pouco tempo 200 milhões de unidades fabricadas.
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