
Perdurará por pelo menos mais um ano a situação de retração na indústria de autopeças. Essa foi a conclusão dos participantes do Painel Autopeças/Sistemistas OEM e Mercado de Reposição, que iniciou a programação da tarde de segunda-feira, 20, no Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2015, na Fecomércio, em São Paulo.
Luiz Corrallo, presidente da Delphi, afirmou que não vê reversão na falta de confiança do consumidor, principal motivo para a crise que atualmente afeta a indústria automotiva brasileira. “É uma utopia achar que sairemos dessa crise nos próximos seis meses. Essa falta de confiança deverá continuar por mais doze meses”.
Opinião parecida tem Besaliel Botelho, presidente da Bosch: “Haverá queda no segundo semestre. Não vejo cenário de melhora nem no primeiro semestre de 2016. Os efeitos das demissões começarão a ser sentidos apenas agora neste trimestre, o que elevará a insegurança. Acredito que ainda não chegamos ao fundo do poço, mas estamos próximos a ele”.
O executivo da Bosch considera esta década perdida para o setor de autopeças nacional. “O faturamento da Bosch vai cair cerca de 9% este ano, mesmo com a ajuda das exportações, que ajudam um pouco a reduzir essa queda. Isso porque já faz anos que investimos em produtividade e novas tecnologias para reduzir nossos custos de produção”.
Citando dados do Sindipeças, o conselheiro Gábor Deák afirmou que de 2013 para este ano o setor deverá encolher mais de 50%, passando de um faturamento de US$ 40,6 bilhões para US$ 19 bilhões. O cenário afetou também os quadros de funcionários das empresas: segundo Deák o setor emprega 165 mil trabalhadores, ante 220 mil em 2013.
“Estamos com uma agenda junto ao governo procurando melhorar a condição, em especial das pequenas e médias empresas. Ações para aprimorar exportações, melhorias no sistema trabalhistas, renovação de frota, inspeção veicular”, afirmou Deák, sem especificar prazos para que esses pleitos sejam atendidos.
Internamente as empresas aproveitam para aprimorar a produtividade e ampliar o escopo de vendas. Se o objetivo no curto prazo é estancar os efeitos da crise, mais à frente existe a possibilidade de colher frutos, quando o mercado eventualmente retomar.
“Passamos a olhar com mais carinho para mercados externos, não só em oportunidades do curto prazo. Quando o mercado estava aquecido não conseguíamos atender essas demandas, mas agora queremos mudar o perfil e reduzir a dependência das vendas doméstica em nossos negócios”, afirmou Corrallo.
Pedro Ferro, CEO da Fras-le – empresa que, devido a sua internacionalização, não sente tanto os efeitos da retração do mercado nacional em seus negócios – alertou que os brasileiros devem pensar de forma mais abrangente quando falam em melhora da produtividade.
“Os custos de mão de obra são só uma parte [da melhora na produtividade]. Nós temos que pensar em produtos com custo mais baixo e boa qualidade, que é o que os consumidores procuram. Às vezes focamos muito em proteção de leis, regulamentações e não enfrentamos o problema de frente”.
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