AutoData - Caminhões e ônibus: curva inverte a partir de 2016.
news
20/08/2015

Caminhões e ônibus: curva inverte a partir de 2016.

Por Marcos Rozen

- 20/08/2015

A crise no setor de transportes, tanto para os caminhões quanto ônibus, está ligada essencialmente à baixa da atividade econômica e à queda na confiança do investidor. A opinião foi unânime pelos participantes de painel dedicado aos veículos comerciais no Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2015, realizado na segunda-feira, 20, na Fecomercio, zona central de São Paulo: Ricardo Alouche, vice- presidente de vendas e marketing da MAN Latin America, Bernardo Fedalto Jr., diretor comercial de caminhões da Volvo, Gilson Mansur, diretor de vendas caminhões da Mercedes-Benz, e Walter Barbosa, diretor de vendas e marketing ônibus da Mercedes-Benz.

Alouche não acredita que o mercado de caminhões possa cair ainda mais – o índice foi de 42% no primeiro semestre ante mesmo período de 2014. “Já chegamos ao fundo do poço e deve haver uma pequena reação de mercado a partir do segundo semestre. A crise é de confiança do empresário no negócio dele. Em 2016 acreditamos que a curva se inverterá e ali começa a aparecer a recuperação, ainda que não em índices como vimos há alguns anos, de 10% a 20%, mas, sim, uma pequena elevação.”

Fedalto acrescentou acreditar que “nos próximos três meses as vendas ainda vão andar de lado e a recuperação deve acontecer mais no fim do ano, começo do ano que vem. Lembro que os negócios de hoje vão aparecer nas estatísticas de emplacamento só daqui a 45 a 60 dias. O segmento é pró-cíclico: a retomada pode ser mais rápida que a da própria economia, ou proporcionalmente melhor”.

Mansur vê “um segundo semestre melhor sim: historicamente o comércio puxa mais [os negócios] que agricultura, então dos cerca de seis mil caminhões vendidos ao mês em média na primeira metade do ano podemos passar para sete, sete mil e quinhentos ao mês no segundo semestre”. O executivo ponderou que nos próximos meses “ainda haverá muito assunto para vender revista em banca, mas temos que esquecer um pouco o que sai na Veja, IstoÉ e outras e trabalhar”.

Para os ônibus, Alouche lembrou que o programa federal Caminho da Escola respondia por compras constantes mas desde o ano passado o volume baixou significativamente: “Entregamos unidades no primeiro semestre mas tudo da licitação do ano passado já foi atendido. Nova licitação deve ocorrer até o fim de agosto, com a compra efetiva no ano que vem, com volume total menor, talvez pouca coisa, no fim deste ano”. Ele garantiu que há liberação de recursos de pagamento por parte do governo para as empresas, “mas na base do conta-gota, de forma bem gradativa e defasada”. Pelos cálculos do executivo o mercado total de ônibus deverá fechar este ano de 18 mil a 19 mil unidades, ante 23 mil unidades comercializadas em 2014.

Barbosa complementou recordando que “o maior impacto [da baixa de mercado] foi no segmento rodoviário, de 48%, sem considerar o segmento de fretamento, basicamente pelo atraso da homologação da autorização do sistema de autorização das linhas. Esta ocorreu no último dia 25, então existe um cenário mais positivo para os próximos 4 anos, de seis mil a oito mil veículos precisarão ser renovados para reduzir a idade media de 8,7 para 5 anos”. Para o executivo, este movimento tende a iniciar o processo de compras ainda no fim do ano. “De qualquer forma temos a expectativa de na segunda metade do ano repetir a primeira, de nove mil unidades, então no total do ano devemos ter dezoito mil. Acreditamos que em dois anos voltaremos à faixa de 25 mil a 26 mil ao ano, retomando assim a condição de terceiro maior mercado do segmento no mundo. Não custa lembrar que no brasil temos 570 mil ônibus com idade média de 15 anos: há uma oportunidade gigantesca à frente” – começando pelas licitações de renovação da frota de urbanos previstas para as cidades de São Paulo e Porto Alegre.

 


Whatsapp Logo