AutoData - 2017: o ano da retomada.
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31/07/2016

2017: o ano da retomada.

Por Michele Loureiro

- 31/07/2016

Para se adaptar à nova realidade de mercado o Grupo Randon precisou encolher sua estrutura física, reduzir o número de funcionários e deixar de lado uma nova unidade em Araraquara, SP. Um dos responsáveis pelas mudanças da companhia é Alexandre Gazzi, diretor corporativo e COO da Divisão Montadora no Grupo Randon. Há 40 anos na empresa, ele afirma em entrevista exclusiva à Agência de Notícias AutoData que nunca enfrentou uma crise como esta, mas acredita em 2017 como o ano da retomada.

Como a companhia adaptou a estrutura para a nova realidade do mercado?
Temos três frentes de atuação no grupo: implementos e veículos fora de estrada, autopeças e o banco. Cada uma dessas atividades se comporta de forma diferente e exigiu adaptações específicas. A parte financeira foi e menos afetada, uma vez que houve redução de volume de operações, mas sem grande perda de ativos. Já as autopeças tiveram uma queda brusca do mercado de montadoras compensada parcialmente pelo segmento de reposição, que ganhou mais destaque na operação. A parte que mais nos preocupa é a de implementos rodoviários. Em 2014 tínhamos em um mercado recorde de 75 mil unidades, contando exportações. Esse volume caiu para 28 mil em 2015 e deve fechar 2016 em 24 mil unidades. Nossas fábricas estavam preparadas para outro patamar e precisamos adequar a capacidade produtiva de forma rápida. Infelizmente fechamos a unidade de Guarulhos, SP, e transferimos parte da produção para Chapecó, SC, e Caxias do Sul, RS.

Quais são as outras iniciativas para conter uma queda ainda maior?
Nossas manobras foram rápidas e conseguimos evitar uma queda maior. Mesmo assim, nosso lucro no primeiro trimestre caiu 14% ante o mesmo período de 2015. Para garantir a participação no mercado apostamos em portfólio e lançamos a linha S de implementos, com um posicionamento de preço mais atrativo. Conseguimos estabilizar nossas vendas, mesmo em um patamar baixo. Além disso, a diversificação ajudou e contamos com a demanda por vagões ferroviários. No ano passado fabricamos 2 mil unidades. Esse ano devemos produzir 1,6 mil unidades. Isso ajuda a utilizar a capacidade das fábricas e absorver parte dos custos fixos da empresa.

Como está o quadro de funcionários, ainda há redução na jornada?
Antes de chegar ao ponto de demitir tentamos todos os artifícios disponíveis para proteger nossos funcionários. Nos últimos dois anos demos férias coletivas, reduzimos jornada e todo tipo de flexibilização. Infelizmente, a retomada demorou mais que o previsto e precisamos reduzir nosso quadro. Atualmente temos 7,8 mil funcionários. Hoje não estamos usando mais nenhum mecanismo de flexibilização e com a capacidade ideal de trabalhadores para o mercado atual.

Qual é o status atual da construção da fábrica de Araraquara, SP?
Não gosto de dizer que paramos definitivamente a obra da fábrica de vagões, pois pretendemos retomar isso a qualquer momento. Estamos observando o mercado e suas reações. Com a chegada do governo interino já houve uma mudança de humor a espera de novas concessões, que trariam investimentos e demandariam produtos. Por volta de 70% da planta já estão construídos e precisaríamos de seis meses para concluir. Encaramos a fábrica de Araraquara como uma vantagem competitiva.

O Grupo Randon introduziu um programa global de centralização de compras. Já registra redução de custos?
No ano passado tivemos a ajuda da consultoria McKinsey para unificar nossas compras e cortar gastos. O processo foi muito eficiente e continua gerando bons resultados. Ganhamos agilidade, além de experimentarmos novas possibilidades de materiais e fornecedores. Com esse programa reduzimos pela metade o impacto da inflação dos preços de materiais, que nos resultariam em aumento de gastos na casa dos 7%.

Qual é o desempenho das operações fora do Brasil?
O processo de internacionalização do grupo é uma obsessão. Estamos buscando novas oportunidades o tempo todo e as operações de autopeças nos Estados Unidos e China têm mostrado bons negócios. As exportações a partir dessas unidades ganharam fôlego. Apenas a Argentina ainda tem um sinal de alerta. Não nos preocupa tanto, como há um ano, mas ainda não está em patamares ideias.

Qual é a previsão para este ano? Quando esperar uma retomada?
Acreditamos que 2016 será um pouco pior que 2015. No entanto, já estamos preparados para isso. Não foi como no ano passado, que levamos um trimestre para acreditar que aqueles seriam os novos patamares. Acredito que já chegamos ao famoso fundo do poço e que 2017 deverá ser o ano da retomada. Isso não significa que teremos crescimento expressivo, mas devemos encontrar um patamar real. Crescer ante uma base baixa não é motivo de euforia, mas já significa parar de cair. A grande vantagem é que já vivemos outras crises e estamos bem capitalizados. Quem já cruzou rio turbulento sabe os melhores caminhos.


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