Apesar do crescimento de 5% nas vendas internas de julho sobre junho, o presidente da Anfavea, Antônio Megale, disse na quinta-feira, 4, que o setor ainda está em compasso de espera para ver o que acontece com a economia. Parte do crescimento, segundo o executivo, pode ser atribuída aos problemas de emplacamento em junho, quando vários Detrans de São Paulo paralisaram atividades.
De qualquer forma, os 181,4 mil veículos comercializados no mês passado representaram o melhor desempenho mensal do ano e o quarto mês consecutivo de alta. No comparativo com 2015, porém, os dados ainda são negativos. Verifica-se queda de 20,3% em relação a julho do ano passado e de 24,7% no acumulado do ano. “É o pior julho desde 2006”, lembrou Megale.
Nos primeiros sete meses do ano foram emplacados 1 milhão 165 mil veículos, volume que no mesmo período do ano passado chegou a 1 milhão 546 mil. Um dado positivo citado por Megale refere-se à expansão de 22% na vendas de veículos seminovos no período de janeiro a julho deste ano:
“A vontade de comprar carro novo se mantém. O que está havendo é uma adequação do mercado, uma substituição clara do 0 km pelo seminovo”. Na avaliação do presidente da Anfavea, ainda há um temor do consumidor com relação ao desemprego e, por isso, muitos vêm adiando a compra do carro novo. “Mas o desejo de tê-lo continua.”
Crédito – Outro indicador que Megale apresentou como positivo e que pode sinalizar melhoria antes do fim do ano é o aumento da participação do financiamento nas vendas totais de veículos. “Ela cresceu de 51,8% em junho para 53,2% em julho. É um aumento pequeno, mas pode ser um indicativo de retomada nessa área.”
De acordo com o presidente da Anfavea, o índice tradicional de participação dos financiamentos no total vendido no País situa-se na faixa de 60% a 65%. Os 51,8% registrados em julho foi o mais baixo de toda a história do setor.
Com relação aos estoques, Megale disse que ainda há um esforço das montadoras no sentido de reduzir o número de veículos nos pátios das redes e das fábricas. Segundo levantamento da Anfavea, julho fechou com estoque de 222,2 mil unidades, 3,4 mil a menos do que em junho, mas o equivalente aos mesmo 37 dias de venda do mês anterior, o que indica estabilidade. Em maio o estoque estava em 39 dias de venda.
A Anfavea mantém projeção para o ano de queda de 19% nas vendas para o mercado interno, estimando, assim, chegar a 2 milhões 80 mil veículos emplacados em 2016, contra os 2 milhões 569 mil de 2015. Para atingir a meta o setor terá de comercializar uma média mensal de 183 mil veículos nos cinco meses faltantes do ano.
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