São Paulo — O Congresso Nacional celebrou, em sessão solene na terça-feira, 5, no plenário do Senado Federal, em Brasília, DF, os 70 anos da Anfavea. Nos discursos seus executivos destacaram o papel estratégico do setor no desenvolvimento econômico e social do Brasil.
Presidiu a sessão o senador Chico Rodrigues, de Roraima, que relembrou os primeiros passos da indústria automobilística no Brasil, citando a chegada da Ford em 1919. Ressaltou que o verdadeiro marco ocorreu na década de 1950, com a instalação da fábrica da Romi e a produção da Romi-Isetta, considerado o primeiro automóvel fabricado no País: “Foi ali que começamos a transformar o mercado essencialmente importador em um polo produtor com capacidade de gerar tecnologia, empregos e riqueza dentro das nossas fronteiras”.
O senador destacou ainda a relevância atual do setor, responsável por cerca de 20% do PIB industrial e aproximadamente por 5% do PIB total brasileiro. Segundo ele a indústria automotiva gera cerca de 100 mil empregos diretos nas montadoras e 1,2 milhão de empregos indiretos ao longo da cadeia produtiva. Com produção anual de 2,3 milhões a 2,5 milhões de veículos o Brasil é um dos dez maiores produtores mundiais.
“Celebrar os 70 anos da indústria automotiva, da Anfavea, é celebrar a capacidade do Brasil de construir uma indústria robusta, competitiva e essencial para nosso progresso.”
Autor do requerimento da sessão, o deputado Átila Lira, do Piauí, recordou a importância da parceria do poder público com o setor produtivo ao longo das últimas décadas: “Países que desejam crescer de forma sustentável precisam valorizar sua indústria e criar condições para que ela seja competitiva, inovadora e capaz de gerar emprego de qualidade”.
O parlamentar destacou o programa Mover, Mobilidade Verde e Inovação, apontando que já impulsiona investimentos próximos de R$ 200 milhões por parte de montadoras e fornecedores: “É um sinal claro de que, quando criamos condições claras, o setor responde com confiança e disposição para investir. E este é apenas o começo”.
O presidente da Fenabrave, Arcélio Júnior, destacou a evolução da frota nacional ao longo das últimas décadas: “Passamos de 800 mil veículos registrados para mais de 90 milhões de unidades, sem contar as motocicletas”. Segundo ele iniciativas como o programa Carro Sustentável reforçam o papel do setor não apenas na produção mas, também, na comercialização e na manutenção de veículos: “Mover o Brasil é muito mais do que fabricar. É vender, reparar, envolver pessoas, famílias e gerações, trazendo novas tecnologias e ampliando o acesso ao consumo”.
Em seu discurso o presidente da Anfavea, Igor Calvet, fez um resgate histórico das sete décadas da entidade, fundada em 1956 em meio a um momento decisivo de industrialização do País. Ele destacou o papel do GEIA, Grupo Executivo da Indústria Automobilística, na estruturação do setor, ao sistematizar a produção de veículos e reduzir a dependência de peças importadas: “Esta não é apenas a história de uma entidade representativa, mas de uma indústria que cresceu junto com o Brasil e ajudou a construir parte importante da nossa base produtiva”.
Calvet também ressaltou a presença da indústria automotiva no cotidiano da população: “No campo, com tratores e colheitadeiras, nas estradas, com máquinas de construção e caminhões, e nas cidades, com carros e ônibus que garantem o deslocamento diário de milhões de brasileiros. É uma indústria essencial para o Brasil acontecer”.