Wuhu, China – Até o fim do ano os engenheiros do Grupo Chery entregarão os primeiros motores flex, com aplicação híbrida e híbrida plug-in, para equipar já em 2027 seis modelos Omoda Jaecoo. O desenvolvimento é liderado por Yunfei Luan, chefe de powertrain da Chery Internacional, e sua aplicação começará com os motores 1.5 e 1.6 – mas a equipe já está debruçada sobre o 2.0 e o 1.0.
A reportagem da Agência AutoData conheceu os pormenores do desenvolvimento dos sistemas flex e híbridos flex durante uma visita à sede do Grupo Chery em Wuhu, na China. O foco foi, além de gerar motores eficientes e que atendam às exigências do Mover, tenham custos menores e sejam competitivos no mercado local.
Yunfei passou boa parte da carreira nos Estados Unidos e nos últimos 24 anos trabalhou com eletrificação: “A boa notícia é que, mesmo depois de vinte anos, ainda há novidades todo ano. É muito emocionante”.
Para ele a novidade é a aplicação de motores ICE movidos a biocombustível aliado a algum grau de eletrificação. É, segundo o engenheiro, a resposta para conseguir a eficiência exigida pelo governo brasileiro: “Para fazer um sistema híbrido decente você precisa começar com um bom motor”.
O portfólio da Omoda Jaecoo
Os motores que receberão o sistema flex integram a quarta e a quinta geração desenvolvida pela companhia sediada em Wuhu, província de Anhui, China:
“Os primeiros serão produzidos até o fim do ano”, afirmou o executivo, que fez segredo a respeito dos modelos. Mas não é muito difícil imaginar: o portfólio atual é composto pelos Omoda 5, Jaecoo 5, Omoda 7 e Jaecoo 8. “Daqui em diante todo Omoda Jaecoo lançado no Brasil será flex, independente se HEV ou PHEV. Com exceção dos BEV, obviamente”.
O 1.5 turbo G4T15 alcança potência de 105 kW e 225 Nm de torque. Trabalha em conjunto com transmissão DCT da Magna, de seis velocidades. Ele é diferente do que foi aplicado no Chery Tiggo 5X, que pertence ao mesmo grupo e por aqui é vendido pela Caoa Chery, somente a combustão, e que tem injeção direta. Outro motor tropicalizado com flex foi o 1.6 turbo F4J16C, que alcança 132 kW com 280 Nm de torque. Com ele trabalhará em conjunto o câmbio Magna DCT de sete velocidades.
Estes, segundo Yunfei, estão em fase final de testes e validações, em trabalho conjunto de engenharia no Brasil e na China. Ambos podem ser usados como ICE ou aliados a algum sistema de eletrificação. Um outro motor 1.5, este de sexta geração, também será flex: é o H4T15, também turbo, para atuar exclusivamente com conjunto híbrido.
Mais adiante, ainda em desenvolvimento, virão os 1.0 e o 2.0, que podem também ser eletrificados.
Para o sistema híbrido a Chery escolheu o motor Super Hybrid CDM6.0. Ele pode ser aplicado também nos híbridos fechados como em híbridos plug-in. A ideia da companhia é oferecer todo o cardápio de eletrificação flex para a Omoda Jaecoo.
Desenvolvimento em parceria
O engenheiro afirmou que nenhum dos motores terá sistema de injeção direta de combustível por questão de custos. Ele reconhece que poderá haver perda dê potência, que seria compensada pela economia de combustível.
A Chery buscou parceiros no Brasil para desenvolver a tecnologia flex. De acordo com Yunfei um dos fornecedores que participou do projeto foi a Phinia: “Alguns componentes do sistema flex serão importados do Brasil, como o sistema de aquecimento do injetor [necessário para a partida a frio]”.