Segundo dados da Fenabrave foram comercializados 30,4 mil veículos no primeiro quadrimestre
São Paulo – Mesmo com o programa de socorro à indústria de caminhões, Move Brasil, em vigor, a venda destes veículos amargou retração de 15,3% no quadrimestre. Foram emplacadas 30,4 mil unidades, enquanto que de janeiro a abril do ano passado o número foi de 35,9 mil. Foi o que apontou balanço divulgado pela Fenabrave.
Para o presidente da entidade, Arcélio Junior, o comportamento confirma que este é um segmento mais sensível ao custo do crédito, ao nível de atividade econômica e às decisões de investimento dos transportadores e autônomos: “O mercado de caminhões continua operando em um ambiente de maior seletividade. O transportador avalia com cuidado o custo financeiro, o preço do diesel, a demanda por frete e a previsibilidade da economia antes de renovar a frota”.
Ao analisar somente os dados de abril, no entanto, nota-se que a intensidade da queda diminuiu: foram comercializados 8,6 mil veículos, 3,2% abaixo dos 8,9 mil registrados no mesmo mês de 2025 e 1,2% abaixo dos 8,7 mil vendidos em março.
“Vimos que o Programa Move Brasil foi fundamental para a redução da queda no mês passado, considerando que o maior volume comercializado teve pico inicial mais expressivo em março e que os reflexos dos volumes faturados em abril ainda serão contabilizados.”
O dirigente ressaltou que em fevereiro e março os emplacamentos de caminhões pesados superaram crescimento de 49% dentro do Move Brasil.
“A nova fase do programa chega em um momento importante para todo o segmento de pesados e pode ajudar a reaquecer os emplacamentos de caminhões, ônibus e implementos, com boa capacidade de influenciar, positivamente, os resultados dos próximos meses, revertendo a curva de queda dos últimos anos.”
Ônibus também deverão ser ajudados
Quanto aos ônibus no quadrimestre a retração chegou a 10,7%, com 8,3 mil unidades comercializadas. Somente em abril foram emplacados 2 mil 436, 4,3% abaixo do mesmo mês em 2025, que vendeu 2 mil 546, e 1,6% aquém de março, 2 mil 475 unidades.
“Ônibus é um segmento que costuma apresentar oscilações mais acentuadas porque depende de ciclos de renovação e de projetos públicos de transporte”, assinalou Arcélio Jr, ao observar que agora o cenário deverá mudar por causa da contemplação no Move Brasil 2, com taxas menores e prazos maiores de financiamento pelo BNDES.
Além disto, com a nova licitação do Programa Caminho da Escola, que nas próximas semanas deve dar início aos pedidos de ônibus escolares, certamente haverá reflexo positivo ao longo deste ano.