O conflito entre a Volkswagen e o Grupo Prevent não é somente uma queda de braço limitada às fronteiras do País. Também na Europa, a fabricante procura uma solução negociada com dois fornecedores em uma disputa a respeito de contratos que estão parando a produção de suas seis unidades, incluindo a de Wolfsburg, a maior delas.
O desacordo tem obrigado a Volkswagen a reduzir jornadas de trabalho de quase 28 mil empregados desde 18 de agosto, devido ao desabastecimento de peças da Cartrim, fornecedora de assentos, e da ES Automobilguss, responsável por peças de transmissão.
Conforme informações de agências de notícias internacionais, ambas as empresas alegam que a Volkswagen descumpriu contratos sem aviso prévio ou qualquer tipo compensação, o que não lhes deixou alternativa senão suspender as entregas para proteger seus negócios.
As interrupções na produção atingem em cheio os modelos mais vendido pela fabricante na Europa, Golf e Passat, e impactam por volta de 10% da força de trabalho da empresa na Alemanha.
O Grupo Volkswagen emitiu nota na segunda-feira, 22, dizendo que embora os tribunais locais já tenham obrigado a retomada dos fornecimentos, as empresas ainda não cumpriram com as obrigações determinadas pela Justiça. “Dado que novos desenvolvimentos (do caso) não são previsíveis, a Volkswagen está tomando várias medidas de flexibilização na produção com reduções de jornadas.”
De acordo com a Volkswagen, os ajustes atingem a unidade de Emden, com a produção do Passat de 18 a 24 de agosto, envolvendo por volta de 7,5 mil funcionários; a fábrica de Wolfsburg com a produção do Golf de 22 a 27 de agosto, afetando 10 mil empregados; Zwickau, com a fabricante tanto do Golf quanto do Passat de 22 a 26 de agosto, impactando 6 mil colaboradores; Kassel, onde a empresa produz transmissão e sistemas de exaustão, funcionará com horários mais curtos de 25 a 29 de agosto, afetando 1,5 mil empregados; Salzgitter interromperá a produção de algumas linhas de motores de 24 a 30 agosto, afetando cerca de 1,4 mil funcionários e, por fim, a fábrica de Braunschweig produzirá volumes menores de componentes plásticos e da carroceria de 22 a 29 de agosto, afetando 1,3 mil empregados.
Estima-se que as paradas na produção poderiam custar à Volkswagen até € 100 milhões por semana.
No Brasil algo semelhante ocorre desde março do ano passado, também com empresas pertencentes ao Grupo Prevent. No início de agosto, a fabricante anunciou rescisão dos contratos de fornecimento com empresas como Keiper, Fameq, Cavelagni e Mardel. Na ocasião destacou que foi à “Justiça para requerer a retomada dos ferramentais de sua propriedade que se encontram nas unidades do Grupo Prevent.”
No comunicado ainda, a Volkswagen justifica a decisão por ter somado mais de 120 dias parados em suas três fábricas de veículos – São José dos Pinhais, PR, Taubaté e Anchieta, SP – e deixado de produzir mais de 100 mil unidades. Com isso também a empresa antecipou para agosto as férias coletivas anteriormente planejadas para outubro, em um período de três a quatro semanas para a maioria dos empregados “até que o processo de produção dessas peças seja iniciado em seus novos fornecedores”.
Na segunda-feira, 22, no entanto, a Keiper divulgou comunicado dizendo que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo suspendeu a ordem judicial para a Volkswagen tirar as ferramentas da Keiper. “Essa sentença obrigou a VW a suspender todas as ações para retirada das ferramentas que são objeto de discussão na Justiça.”
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