Se em setembro, em decorrência da greve dos bancários, as vendas financiadas tiveram uma de suas menores participações no volume de veículos negociados, como aponta a Anfavea, agosto foi o melhor mês de 2016 para o mercado de crédito de veículos no Brasil. Associadas da Anef, a Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras da Anef, liberaram cerca de R$ 7,2 bilhões no mês pelo CDC, Crédito Direto ao Consumidor, 9,1% a mais do que em julho e 1% acima do que no mesmo mês do ano passado.
O montante é expressivo. Até então março figurava como o mês de maior liberação de recursos para financiamento de veículos: R$ 6,6 bilhões. Em agosto, aponta levantamento da entidade, foram aprovados R$ 6,3 bilhões para as pessoas físicas – alta de 8,9% em relação ao mês anterior –, e R$ 896 milhões para as jurídicas, 10,6% a mais que em julho.
Gilson Carvalho, presidente da entidade, porém, ainda não enxerga um quadro totalmente positivo, apesar do resultado de agosto: “O momento ainda é de cautela. As pessoas têm medo de contrair uma dívida e não conseguir quitá-la. É preciso que elas recuperem a confiança e renda, além de voltar a ter crédito. Enquanto o consumidor não recuperar seu poder de compra, via aumento do nível de emprego e menor taxa de inflação, não solicitará um crédito de maior valor”.
Diante do comportamento do mercado até agosto, a Anef refez suas projeções para o ano. Estima agora que o volume de recursos totais concedidos ao longo do ano recuará 15,8%, de R$ 92 bilhões em 2015 para R$ 77,5 bilhões, e que o saldo de financiamento não ultrapassará R$ 155,7 bilhões, queda de 15% na comparação com R$ 183,2 bilhões do ano passado.
Até agosto os recursos liberados para o CDC ficaram em R$ 51,5 bilhões, queda de 14,8%. As pessoas físicas encontraram mais dificuldades para a aprovação do crédito, com recuo de 15,5% do montante liberado, para R$ 45,7 bilhões. A verba para as pessoas físicas foi 8% menor no período, R$ 5,8 bilhões.
O quadro foi ainda mais difícil na carteira de leasing. O volume liberado no acumulado do ano foi de R$ 1,4 bilhão, 30,4% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Somente em agosto as operações chegaram a R$ 152 milhões, 7,8% a mais do que em julho, mas com expressiva queda de 50,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Notícias Relacionadas
Últimas notícias