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06/02/2017

Caminhões: vendas começam em baixa, mas há tendência de recuperação.

Por Aline Feltrin

- 06/02/2017

O primeiro mês de 2017 mostrou que o setor de caminhões ainda caminha a passos lentos rumo à almejada recuperação no volume de vendas. Depois de amargar um dos piores anos da história em 2016, com redução de mais 30% nas vendas, dados da Fenabrave revelam que as montadoras fecharam janeiro com 2 mil 940 unidades emplacadas e registraram redução de 32,35% com relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram emplacadas 4 mil 346 unidades.

Na comparação com dezembro a redução foi de 27,85%.

Apesar de iniciar o ano com volumes baixos de emplacamentos ainda é cedo para determinar se em 2017 o desempenho de vendas seguirá o mesmo rumo de 2016. Mas movimentos de recuperação de alguns segmentos da economia, como cana-de-açúcar e papel e celulose, sinalizam que haverá aquecimento na demanda.

Na visão de Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas e marketing da Mercedes-Benz no Brasil, que reconquistou recentemente a liderança de mercado, os emplacamentos de janeiro de 2017 são reflexo do baixo desempenho de vendas efetuadas pela rede nos últimos meses e não mostra o que será o mercado daqui para a frente:

“As vendas de janeiro de 2017 só reforçam a afirmação de que 2016 foi o pior ano para a indústria. Teremos que ter inteligência emocional para aguardar os reflexos da melhoria dos indicadores econômicos do segmento”.

No mês passado a Mercedes-Benz já havia informado que espera crescimento de 6% a 10% para este ano. Alguns indícios de reação da economia sustentam a sua projeção. Apesar de ser um salto abaixo do que desejaria – há alguns meses a expectativa de crescimento era maior –, há sinais positivos da economia que mostram o início da recuperação. Segundo Leoncini “estes fatores devem estimular a compra de caminhões”.

O consultor Sérgio Moraes também acredita em um melhor desempenho do mercado de caminhões em 2017: “Todo mundo está esperando recuperação em 2018, mas acredito que isto já aconteça este ano”.

De acordo com Moraes há setores em boa posição que devem puxar as vendas, como o agronegócio e outros mercados relacionados à importação.

Victor Carvalho, diretor de vendas de caminhões da Scania para o mercado brasileiro, diz que o baixo volume de emplacamentos no primeiro mês deste ano não reflete a realidade da Scania:

“Tivemos resultados melhores em janeiro de 2017 do que no ano passado”.

Segundo informações da empresa foram vendidas 322 unidades, o que apontou crescimento de 1,3% com relação a igual período de 2016. Na visão de Carvalho os números apresentados pela Fenabrave não estão em sintonia com os movimentos que se tem observado no mercado.

“Verificamos que o nível de consultas que as concessionárias estão recebendo este ano estão maiores do que as que recebíamos no começo do ano passado”.

Há uma expectativa de que o recorde no volume da safra estimada pela Conab, Companhia Nacional de Abastecimento, de 215 milhões de toneladas de grãos, poderá puxar a recuperação de outros segmentos de transporte e valorizar o frete. Todos estes fatores serão essenciais para empurrar mais vendas: “Teremos um primeiro semestre de ajustes e no segundo haverá crescimento. A expectativa da Scania é de aumento de 5% a 10% no volume de vendas”.

Consultadas por AutoData DAF, Iveco, MAN e Ford não se pronunciaram sobre este assunto até o fechamento desta edição.

Mercado Total – O ano também iniciou com queda em vendas de todos os segmentos de veículos, de leves a pesados, com volume 5,1% inferior ao registrado em janeiro de 2016, quando foram emplacados 155 mil 277 unidades, segundo dados da Fenabrave. Na comparação com dezembro de 2016 a redução foi de 28%. No segmento de automóveis e comerciais leves o recuo foi de 4,07% sobre as 149 mil 677 unidades emplacadas no mesmo mês de 2016. Em pesados, caminhões e ônibus, a queda é ainda mais expressiva: de 34,88% na comparação com as 5,6 mil unidades vendidas.

Seguindo o desempenho ruim de caminhões o segmento de implementos rodoviários também iniciou o ano com diminuição no volume de emplacamentos com 1 mil 526 unidades contra 1 mil 719 na comparação com janeiro de 2016, representando recuo de 11,23%. A redução de emplacamentos também foi expressiva no setor de motos, que em janeiro vendeu 67 mil 606unidades, o que representa 29,7% a menos do que no mesmo período do ano anterior.


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